IMENSO AZNAVOUR!

BOA NOITE!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
10


DEU NO BLOG DO NOBLAT (O GLOBO), REPRODUZIDO NO ESPAÇO DA AUTORA TEATRAL E CRONISTA, ANINHA FRANCO.

PT faz o jogo de Doria

Ricardo Noblat

O dia de ontem começou bem para o prefeito João Doria (PSDB), de São Paulo, e terminou melhor. Para quem é cada vez mais candidato a presidente da República, e, se não der, à sucessão do governador Geraldo Alckmin, o dia começou com elogios de Michel Temer e acabou em Salvador com uma chuva de ovos providenciada pela CUT e integrantes de movimentos sociais.

Tudo bem, elogios de um presidente com rala popularidade pouco ou nada acrescenta ao bornal de votos que Doria carrega. Mas para alguém como ele que precisa de apoio dentro dos partidos e de espaço frequente na mídia, os elogios de um presidente da República serão sempre benvindos. Quanto à chuva de ovos, no momento em que chegava à Câmara Municipal de Salvador…

Nem por encomenda poderia ter sido melhor. Por muito menos, alvo de uma bolinha de papel quando foi candidato a presidente da República em 2010, o hoje senador José Serra (PSDB-SP) fez um escarcéu enorme. De certa forma, faturou o que seu partido tratou como uma inominável agressão. Ovo não machuca, mas suja. É prova provada de um ato hostil indesmentível.

Deu chance a Doria de acusar o PT por intolerância e de polarizar mais uma vez com ele. Doria se oferece ao mercado de votos como o anti-PT por excelência, o nome ideal para enfrentar Lula caso ele escape da Justiça e consiga ser candidato a presidente da República pela sexta vez. Estava na Bahia para receber o título de cidadão de Salvador. Acompanhava-o o prefeito ACM Neto (DEM)

Lula ainda conserva um grande contingente de votos na Bahia. Nos últimos 14 anos, o Estado foi governado por um petista – antes Jaques Wagner, ex-ministro de Lula e de Dilma, agora Rui Costa, que tentará se reeleger. Doria foi ser homenageado num reduto do PT, portanto. Mostrou a seus admiradores que não foge à luta nem mesmo em território hostil.

Provocar o PT e ser provocado por ele tornou-se uma marca de Doria que só o beneficia à medida em que se aproxima a data para que o PSDB escolha seu candidato à vaga de Temer. Alckmin terá dificuldade de disputar com Doria nesse espaço. Poderá vencê-lo no espaço interno do partido e na montagem de uma ampla coligação de forças. A conferir mais adiante.

Bola de Nieve

Ignacio Jacinto Villa Fernández (Guanabacoa, Cuba), 11 de septiembre de 1911 – Ciudad de México, 2 de octubre de 1971), fabuloso Bola de Nieve da úsica cubana e universal.Para sempre!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

CRÔNICA/CINEMA

O FILME DO LONGO AMOR

Maria Aparecida Torneros

Minha amiga me levou pra ver o filme que ela classificou de maravilhoso. Assisti atenta ao filme francês que conta a história de um longo amor. Bem estruturado com excelente maquiagem que acompanha o passar do tempo para o casal por 45 anos de história. Como surpresa as revelações da viúva que desnuda o mito do seu marido escritor revelando detalhes do seu relacionamento íntimo e dados que incluem até o uso do sobrenome dela de origem judaica pelo autor que ela ajudou a criar. Chega a revelar que muitas vezes escreveu por ele. Mas não assume o que conta ao jornalista que a entrevista para saber do escritor com quem ela viveu por tanto tempo. Com quem teve filhos e dividiu fama e prestígio.

Tormentas de dia a dia de qualquer casal são mostradas de ângulo sutil. Victor o personagem escritor torna- se um ser dependente da mulher de personalidade forte. Mas a trama reconhece que há momentos de muita emoção até o fim da sua vida em comum.

O filme mostra a decrepitude da idade avançada e a perda de memória do marido que chega a chamar a mulher de mae.
O desfecho leva a crer que ela o libertou da vida desmemoriada mas que jamais tornará isso publico.
Li a crítica de Marta Medeiros sobre o filme. Ela enfatiza que a convivência e suas nuances é mais prodigiosa que qualquer medalha ou troféu. Quem convive por tempos com alguém vive de tudo um pouco desde a loucura até a plena paz.

O legado de Monsieur Adelman é a certeza de uma longa história igual a de tantos casais que se completam ou tentam fazê- lo a partir da esperança de serem felizes.
Felicidade é dúvida e incerteza mas serve de pano de fundo para gente como a gente. O amor é múltiplo e pode ser intenso até o final.

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida

ago
10
Posted on 10-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-08-2017


Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)

ago
10

DO BLOG O ANTAGONISTA

Doria não blefa, não

Apoiadores de Geraldo Alckmin acham que a aproximação de João Doria com o DEM é blefe…

Não é, não.

Se as pesquisas continuarem boas para ele, Doria cai fora do PSDB, para lançar-se candidato à Presidência.


Cristina Kirchner recebe em sua casa presidentes de grêmios estudantis do ensino médio. Twitter

DO EL PAÍS

Carlos E. Cué

Buenos Aires

A Argentina é um lugar propício para todo tipo de experimentos sociológicos. Acostumados a provar de tudo, apaixonar-se pelo novo e depois descartá-lo rapidamente como se nunca tivesse existido, os argentinos passaram do neoliberalismo extremo ao máximo intervencionismo público sem transições – e quase sempre dentro do peronismo, um movimento com tanta capacidade de adaptação que consegue ser de esquerda e de direita ao mesmo tempo. Graças a isso, é o único grupo que sobrevive com o mesmo nome mais de 70 anos depois de sua primeira vitória eleitoral, em 1946.

A capacidade de inovação argentina levou o país a optar por substituir o peronismo com o mais improvável dos presidentes, Mauricio Macri, um milionário que vem do mundo do futebol e que renega a política e a ideologia em uma das nações mais ideologizadas do mundo. Para seus rivais, Macri ganhou sobretudo porque funcionou o experimento de marketing político liderado por seu guru, o equatoriano Jaime Durán Barba. No país onde tudo é política triunfou aquele que a abominava – mais uma prova de que fazer previsões na Argentina é absurdo porque sempre ocorre o contrário do esperado.

5, o peronismo fez o que sempre faz: comícios para multidões, muita gritaria, muitas faixas, uma campanha de pressão porta a porta. É um processo apelidado de “raspagem” porque os partidários passam várias vezes como um ancinho pelos bairros mais populares para confirmarem que as pessoas vão votar pelo peronismo e para ver o que precisam para mudar de ideia, caso tenham outra opção eleitoral. Sempre funcionou, mas daquela vez Macri e seus aliados derrubaram o todo-poderoso peronismo quase sem comícios, com uma boa estratégia nas redes sociais e uma mensagem de mudança.

Cristina Fernández de Kirchner, que não era candidata mas era a grande protagonista da campanha de 2015, sofreu a maior derrota de sua vida. Perdeu todo o poder, o peronismo a culpou por isso e seus problemas judiciais por causa de supostos casos de corrupção se agravaram. Aplicou, então um pragmatismo desconhecido nela até então. Se Macri tinha seu guru equatoriano, ela contratou um espanhol, Antoni Gutiérrez Rubí, um dos maiores especialistas em mídias sociais, e decidiu voltar à política em 2017 usando armas muito semelhantes às que serviram para derrotá-la em 2015.

Gutiérrez Rubí aconselhou uma mudança de imagem radical, e a ex-presidente, que quer superar a dolorida lembrança do fracasso em 2015, aparentemente atendeu suas recomendações em tudo. Reinventou-se uma vez mais como só os políticos argentinos sabem fazer e surpreendeu a todos os que pensavam que ela não escutava ninguém e era incapaz de mudar.

Kirchner deixou para trás os grandes comícios – fez apenas um, enorme, para anunciar sua volta; praticamente não falou durante toda a campanha – ela era famosa por seus discursos longos e agressivos; evitou o confronto com a imprensa – evitou-a completamente, não deu entrevista sequer a seus aliados; e se concentrou nas redes sociais, como Macri fez anteriormente.

Mas a mudança verdadeira é a mensagem. Da guerra contra tudo e contra todos que caracterizou seus discursos antes da derrota de 2015, ela passou a uma imagem de pessoa acessível, amável, que passeia pelos mercados para falar com os comerciantes que estão sofrendo com a queda do consumo, convida um grupo de estudantes para tomar café da manhã em sua cozinha ou conversa com trabalhadores em uma fábrica.

Em seus anúncios de campanha, ela mal fala: os protagonistas são as pessoas que sofrem com a crise. Um giro estratégico radical que desorientou todo o mundo, inclusive o Governo, que via no regresso de Kirchner uma boa notícia, porque é no choque com ela que Macri se movimenta melhor – ele que deve boa parte de seu sucesso ao esgotamento da classe média depois de 13 anos de kirchnerismo. Essa Cristina dócil, que não ataca ninguém, que quase não fala, é muito mais difícil de combater.

Assim, a campanha se tornou um laboratório de técnicas de marketing político, uma espécie de paraíso para os assessores estrangeiros – vários deles espanhóis – que dominam as grandes batalhas eleitorais latino-americanas. Todos estudam os adversários, modificam suas estratégias em função daquilo que triunfa em outros países, e fazem de cada campanha um grande experimento. A Argentina, com sua capacidade inovadora, parece ser um guia para muitos deles. Durán Barba, que fez Macri ganhar, virou uma estrela. Seu último livro, La Política en el Siglo XXI: Arte, Mito o Ciencia, é um sucesso de vendas. Agora a batalha estratégica entre Durán Barba e Gutiérrez Rubí é um dos grandes incentivos da campanha.

A mudança estratégica de Kirchner e de seu consultor espanhol parece estar dando frutos. Praticamente todas as pesquisas a colocam como primeira colocada na corrida para ser senadora por Buenos Aires, a província chave, onde vive 40% do eleitorado e onde está seu núcleo de apoio mais fiel, especialmente entre os pobres da periferia da capital.

O sistema eleitoral argentino é um tanto estranho e, neste domingo, a votação é uma espécie de macro-pesquisa sem consequências reais, porque foram convocadas prévias obrigatórias nas quais não há concorrência dentro dos partidos. É um voto inútil que serve apenas para detectar o humor social. Mas se ela ganhar, como tudo parece indicar, a campanha até as eleições de outubro vai definitivamente ganhar fôlego.

Macri continua contando com um elemento fundamental a seu favor: ainda que Kirchner mantenha um apoio superior a 30% em Buenos Aires, o que pode levá-la à vitória em uma eleição tão dividida e sem segundo turno como esta, seu nível de rejeição é ainda mais alto. Isso faz com que pareça quase impossível que ela volte a ser presidente em 2019, por exemplo. Nas eleições presidenciais, há um segundo turno e o voto de rejeição é essencial, assim como na França, por exemplo.

Outras coisas jogam contra Kirchner. O Governo está aproveitando a crise da Venezuela para animar todos os que apoiaram Macri a votar para tirar o kirchnerismo de cena, um aliado do chavismo. E a corrupção continua fazendo estragos no entorno da ex-presidente. A prisão do cunhado de Julio de Vido, que foi uma figura-chave do kirchnerismo e máximo responsável pelas obras públicas, depois de nove meses foragido, será utilizada pelo atual presidente para mobilizar o voto anti-kirchnerista. Além disso, Macri está começando a obter dados econômicos positivos para reivindicar em sua campanha.