“Retiros espirituais” : uma canção extraordinária. Na letra, na melodia e na interpretação de Gil. Confira.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Armínio: Aécio é uma tristeza; populismo é o brejo; PSDB enrolado

Armínio Fraga deu uma boa entrevista à Folha.

Veja um trecho:

Folha: O sr. ficou surpreso com os diálogos de Joesley Batista com o senador Aécio Neves?
Armínio: Fiquei chateado. Entendo que a política exija negociações variadas, que há uma disputa por recursos do orçamento e tudo mais, mas ali havia muitos aspectos do Brasil velho. Foi desagradável.

Na campanha presidencial de 2014, eu estava animado com a possibilidade de trabalhar com Aécio. Acho que teria sido um bom presidente, mas esse lado mais extremo eu não enxergava. É uma tristeza.

Como a visita secreta de Joesley ao presidente, na calada da noite. Temer chegou [ao poder] com uma boa agenda. Foi parceiro preferencial do PT na roubalheira e na destruição da economia, mas teve o mérito de parar com aquilo e apresentar uma proposta [de reformas]. Foi uma grande surpresa. Depois ficou claro que seus vínculos com o Brasil velho eram muito fortes.

Folha: Há risco de retrocesso?
Armínio: Se a mudança na direção da política econômica for mantida, consolida uma coisa muito boa. Pode acontecer o contrário, uma guinada populista e ir tudo para o brejo.

Folha: E o PSDB?
Armínio: Não tenho muito entusiasmo pelo que estou vendo. O PSDB está se enrolando todo. Vai acabar perdendo a chance.

Maravilhosa e imortal Nora Ney, imortal intérprete do samba canção do Brasil
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Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
08

DO “PÚBLICO” (DE LISBOA

Os 75 anos de Caetano Veloso em sete canções

É impossível representar numa lista a obra de um artista como Caetano Veloso. No entanto, para comemorar, escolhemos sete canções que dizem muito sobre a obra deste grande cantor e compositor da MPB.

Marcela Monteiro

Caetano Veloso no Coliseu do Porto, em Abril deste ano
Foto

Um belo dia, José Telles Velloso decidiu colocar um bilhete da lotEria debaixo da almofada do filho recém-nascido. Algum tempo depois, quando saiu o resultado da aposta, a ideia mostrou-se bastante acertada: não só José saiu vitorioso, como a história viajou de boca em boca, por quase 70 anos, até ser contada por Caetano Veloso, o então recém nascido, na abertura do documentário Caetano Veloso 70 anos, em que o cantor e compositor brasileiro narra os principais momentos da sua história, que começa em 1942, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, e nesta segunda-feira completOU 75 anos de existência.

A infância

Caetano nasceu numa casa repleta de mulheres. Além da mãe, Dona Canô, ele tinha três irmãs mais velhas e mais algumas tias e primas que viviam por perto. Quando estava prestes a completar quatro anos, Caetano ainda teve mais uma irmã, mas dessa vez o sortudo foi ele. Num sorteio familiar, o caçula conquistou o direito a batizá-la com o título de uma de suas canções favoritas na época: Maria Bethânia.

Além de um interesse evidente pela música – afinal não é qualquer garoto que aos quatro anos gosta tanto uma música ao ponto de a transformar no nome de uma irmã – quando era pequeno, Caetano adorava desenhar. As calçadas de Santo Amaro eram largas e ele aproveitava pedaços de carvão para desenhar no chão. Depois a chuva vinha, lavava a rua e as cenas iam se repetindo até que, aos nove anos, entre as aulas de piano com Dona Aidil, uma senhora que ensinava música na região, veio aquela que pode ser considerada a sua primeira composição, “um baiãozinho em dó menor” que anos depois, em 1992, integraria parte do arranjo da música Livros.

A melodia do primeiro “baiãozinho” composto por Caetano pode ser ouvida a partir do minuto 1:21.

A adolescência

Quando tinha 14 anos, em 1956, Caetano teve que passar um ano no Rio de Janeiro. Nessa altura, uma das coisas de que ele mais gostava era ir até à Rádio Nacional ver a gravação dos programas que eram palco dos grandes nomes da música popular da época. Depois de algum tempo, chegou a hora de voltar para Santo Amaro e as saudades de casa, especialmente da mãe, eram muito fortes. Assim, Caetano sonhava com um reencontro emocionado, mas ao chegar percebeu que vida seguia e que, portanto, havia a emoção do regresso, mas sem a catarse que ele imaginara. “Eu voltei e era vida normal”, revela.

“No dia em que eu fui-me embora, não teve nada demais”, canta Caetano no seu segundo álbum, a descrever o dia em que deixou a casa dos pais.

A juventude

Em 1960, Caetano muda-se para Salvador com sua irmã, Bethânia, para continuar os estudos na capital baiana, já encantado com a música de João Gilberto e as produções de Millôr Fernandes, artistas que ele considerava profundamente modernos. Pouco tempo depois, no meio da efervescência cultural que a cidade oferecia, os irmãos conheceram Gilberto Gil e Gal Costa.

Pela televisão, Caetano já conhecia Gil e, maravilhado com a maneira como ele tocava o violão, observava, sorvia cada nota e, assim, aprendeu a tocar melhor. “Ele não me ensinou sistematicamente não, eu ficava olhando, copiando, e às vezes perguntava e ele me dizia. Foi meu único mestre de violão”. Já Gal, era a amiga de uma amiga que diziam cantar de uma maneira que Caetano iria amar. “E Gal cantava lindo mesmo”.

Os resultados dessa união foram e ainda são muitos – ainda há pouco tempo, Gil e Caetano dividiram o palco no aclamado concerto Dois Amigos e Um Século de Música –, mas talvez o mais emblemático tenha surgido em 1967, quando Gil subiu ao palco do Festival da Canção acompanhado dos Mutantes para cantar Domingo no Parque, e Caetano, juntamente com a banda argentina Beat Boys, defendeu Alegria, Alegria. Hoje, ambas as canções com seus arranjos modernos para a época são vistas como um marco do que seria a Tropicália.

Caetano conta que as guitarras elétricas, o figurino e os cabelos compridos da banda causaram estranheza na plateia, que estava habituada a associar o rock a coisas negativas, mas aos poucos, a canção cativou o público.

O exílio

No meio de uma profunda repressão política e cultural que marcou a ditadura militar brasileira, a produção dos tropicalistas logo gerou uma reacção conservadora que acabou por resultar na prisão e, poucos meses depois, no exílio de Caetano e Gil. Ambos foram viver em Londres, onde Caetano gravou dois discos: Caetano Veloso (1971) e Transa (1972).

Com composições em Inglês, Português e que misturam as duas línguas, em Transa, Caetano inventou uma nova linguagem, que até hoje dialoga com o público pela sua originalidade. “Transa é um dos melhores discos que eu fiz. Sempre achei”, conta. E acrescenta: “Não se reduz a nada. É algo que existe em si mesmo e tem a sua originalidade”.

A sonoridade original de Transa faz jus aos músicos que Caetano conseguiu reunir no projeto. “I’m alive, vivo muito vivo feel the sound of music banging in my belly”, mesmo 40 anos depois, os versos ainda dizem muito, especialmente aos jovens.

A maturidade

Após dois anos de exílio, ao voltar para o Brasil, Caetano iniciou um período de intensa produção. Em 1976, a irmã Maria Bethânia teve um sonho e, por isso, insistiu para que juntamente com Gil e Gal, os quatro iniciassem um projeto em comum. Assim, em duas semanas, músicas inéditas foram compostas e, em pouco tempo, os Doces Bárbaros estavam no palco com pouca roupa e muita arte.

Além dos figurinos ousados, os Doces Bárbaros chamavam a atenção pelas letras com temáticas esotéricas e de amor livre.

Um ano depois, foi a vez de Bicho, um álbum em que, não só as músicas são de autoria de Caetano, como todas as ilustrações que acompanham o encarte. O menino de Santo Amaro trocou o carvão e as calçadas largas pelo lápis de cor e enfeitou o seu próprio trabalho com imagens vibrantes e de sentidos múltiplos.

Sobre Odara, Caetano diz: “Foi muito mal falada na época, porque era como se fosse uma confirmação daquela cultura de discoteca. E era mesmo, mas eu faço coisas assim, que são ligadas à dança da moda, mas não são a dança da moda, são uma coisa minha.”

O agora

Ao contrário de outros artistas, Caetano nunca parou. A sua discografia não tem intervalos maiores do que três anos entre um disco e o seguinte e, ao que tudo indica, pretende continuar assim: para o futuro próximo, o cantor já tem anunciado um projeto musical com os três filhos e uma ampliação de seu livro Verdade Tropical.

Em 2013, o álbum Abraçaço, ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Compositor e comprovou que não só Caetano não parou de produzir, como segue a inovar nas suas criações. Desde então, Caetano manteve uma agenda activa de concertos pelo mundo que envolveu a divulgação do álbum solo, o seu projeto em conjunto com Gilberto Gil e também uma parceria com a cantora Teresa Cristina.

DO BLOG O ANTAGONISTA

Ana Paula do Vôlei: “Furando o bloqueio contra o politicamente correto”

Ana Paula Henkel, a “Ana Paula do Vôlei”, estreou como colunista do Estadão.

Foi uma ótima estreia.

Não importa se estamos do mesmo lado da quadra ou não (e estamos na esmagadora maioria das vezes), sempre podemos contar com a honestidade de Ana Paula.

Vejam um trecho:

“Minha intenção neste espaço é discutir aberta e democraticamente o que acontece na vida cotidiana, nos esportes, e na política americana e brasileira, com uma perspectiva de quem acredita que muitas das experiências testadas por aqui podem servir de reflexão para que possamos aprender com erros e acertos dos dois países na busca de um futuro melhor para nós e para as próximas gerações.

Sei que existe um interesse investido em parte da imprensa para caracterizar o governo Trump, que evidentemente tem falhas, e o atual momento dos EUA, como algo diferente do que é na verdade. Trump não é um presidente perfeito, mas existem mais viúvas de Obama entre o céu e a terra do que podemos contar. Como moradora, imigrante legal e cidadã americana, espero também poder fornecer aos brasileiros informações muitas vezes negadas ou distorcidas em nome de agendas políticas nestes tempos de pós-verdade. Visões binárias no estilo ou é Democrata ou é Republicano, ou é PT ou PSDB, não condizem com as reais necessidades para um amadurecimento político real. As boas idéias não entram no campo apaixonado da cega dicotomia dos gramados de futebol.

Aceitei o desafio de escrever esse blog porque acredito que é preciso cultivar o debate público intelectualmente honesto, transparente e livre. Cabe a cada um de nós contribuir ativamente para a discussão sempre em busca da verdade acima das agendas partidárias e interesses imediatistas, especialmente num país com problemas tão complexos como o Brasil.

O politicamente correto, nosso inimigo comum, não é só um expediente autoritário e rudimentar, ele serve de esconderijo para quem quer viver na Terra do Nunca e mascarar a própria imaturidade com uma capa falsa de tolerância.

Aos bons e inquietos que acreditam que qualquer mudança só virá da responsabilidade individual e de uma opinião crítica e honesta, sejam bem-vindos. Nosso bloco está oficialmente na rua.”

ago
08
Posted on 08-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-08-2017


Myrria, no jornal A Crítica (AM)

ago
08

DO EL PAÍS

Estêvão Bertoni

Talita Bedinelli

O processo que julga os responsáveis pelo desastre de Mariana, a maior tragédia ambiental do país, está paralisado. A Justiça Federal em Minas Gerais suspendeu temporariamente a ação que investigava a ruptura da barragem da Samarco, em Mariana, e o processo corre o risco de ser anulado a pedido da defesa. A tragédia, ocorrida em novembro de 2015, destruiu povoados inteiros, como o de Bento Rodrigues, matou 19 pessoas e contaminou o rio Doce ao longo de mais de 600 quilômetros, até o litoral do Espírito Santo.

Desde outubro do ano passado, as mineradoras Samarco e suas proprietárias, Vale e BHP Billiton, e 21 diretores das três empresas foram denunciados pelo Ministério Público Federal e respondem na Justiça sob suspeita de homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), inundação, desabamento, lesões corporais graves e crimes ambientais em decorrência da tragédia. Dois desses diretores pediram a anulação da ação alegando que houve ilegalidade na quebra de seus sigilos telefônicos durante as investigações da Polícia Federal. A Justiça tomou sua decisão no mês passado.
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Entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, durante as apurações sobre as causas da tragédia, a Polícia Federal grampeou a cúpula da empresa e engenheiros que trabalharam na barragem. Nas gravações obtidas com autorização judicial na época, funcionários da Samarco conversam, entre outros assuntos, sobre quais informações deveriam ou não repassar à polícia durante as visitas dos agentes ao local da tragédia. As gravações também revelaram que ex-diretores da mineradora combinaram uma estratégia de reforçar a tese de que tremores de terra na região teriam causado a ruptura da barragem, tirando assim o foco da imprensa das alterações estruturais feitas pela empresa na barragem que rompeu —investigações apontaram posteriormente que foram essas mudanças no reservatório a causa da tragédia.

Em documento que integra o inquérito, a Polícia Federal chegou a afirmar que havia uma “tentativa de manipulação e ocultação de informações relevantes, com o provável objetivo de tentar-se esquivar da responsabilidade pelo rompimento da barragem”. À época em que o conteúdo dos grampos veio à tona, a mineradora negou irregularidades.

O pedido de anulação do processo foi feito pelo ex-presidente da Samarco Ricardo Vescovi e pelo ex-diretor de operações da mineradora Kleber Terra. Eles afirmam que a quebra de sigilo telefônico ultrapassou o período judicialmente autorizado e que tais conversas teriam sido analisadas pela Polícia Federal e utilizadas pelo Ministério Público Federal (MPF) na confecção da denúncia. Ao EL PAÍS, o advogado Paulo Freitas Ribeiro, que representa os dois executivos, afirmou que as informações que foram captadas pelas escutas telefônicas após o período permitido se referiam às causas do rompimento e às responsabilidades sobre o desastre. “Quando começamos a montar a defesa percebemos que havia várias divergências entre as mensagens usadas pela acusação e o período autorizado para a interceptação telefônica. Elas basearam as acusações. Isso é grave”, afirma ele.

Em nota, o Ministério Público Federal confirmou que a ação penal está suspensa para a análise da alegação da defesa. “Para o MPF, a afirmação não procede, pois as interceptações usadas na denúncia estão dentro do prazo legal. Na verdade, as interceptações indicadas pela defesa como supostamente ilegais sequer foram utilizadas na denúncia, por isso, não teriam o condão de causar nulidade na ação penal”, destacou o órgão, que disse que, “respeitando o direito de defesa, concordou em esclarecer a questão e pediu, como mostra a decisão, que fossem oficiadas as companhias telefônicas para que esclareçam os períodos de efetivo monitoramento de cada terminal”.

A defesa também reclama que as investigações acabaram usando dados de email não requisitados. O advogado afirma que o juiz havia determinado que fossem vistoriados emails enviados e recebidos pelos executivos entre 01/10/2015 e 30/11/2015, mas os correios dos anos 2011, 2012, 2013 e 2014 também foram objetos de análise policial e considerados na denúncia do MPF. À Justiça os ex-diretores afirmam que tiveram a privacidade desrespeitada.
Afetados pela tragédia em marcha de protesto, um ano depois do rompimento da barragem. ampliar foto
Afetados pela tragédia em marcha de protesto, um ano depois do rompimento da barragem. Estêvão Bertoni

O pedido se refere à ação penal, aquela que pode levar os responsáveis pela tragédia à prisão. Em novembro de 2015, a Samarco havia sido multada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em 50 milhões de reais. Existem ainda outras ações relativas a pedidos de indenização contra a empresa na Justiça.
Os prazos

O processo está suspenso até que as companhias telefônicas esclareçam os períodos de efetivo monitoramento e que as alegações sobre os emails não requisitados sejam esclarecidas, afirmou, em sua decisão, o juiz federal Jacques de Queiroz Ferreira, de Ponte Nova, o mesmo que autorizou em dezembro de 2015 e janeiro de 2016 a quebra de sigilo telefônico dos investigados pela tragédia. Se comprovada a ilegalidade e acatado o pedido dos réus, a ação poderá ser anulada, escreve ele. Com isso, a investigação teria que voltar à estaca zero. O advogado dos ex-diretores acredita que as provas contestadas podem ser retiradas do processo.

Esta é a segunda vitória das mineradoras e de seus ex-diretores na Justiça desde o mês passado. O mesmo juiz de Ponte Nova também negou o pedido do Ministério Público Federal para que os réus tivessem os passaportes retidos (o que os impediria de deixar o país), para que fossem monitorados em suas “práticas éticas”, como forma de impedir a repetição de crimes ambientais, e para que seus bens ficassem indisponíveis, com a finalidade de reparação dos danos ambientais em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Segundo o juiz, em sua decisão, as empresas estão “adotando as providências adequadas ao ressarcimento dos danos” e os réus apresentaram defesa e não apresentaram “qualquer elemento que pudesse inferir que pudessem deixar o país”, o que tornaria desnecessária a aplicação das medidas solicitadas pela Procuradoria.