“I Love You More Than You’ll Ever Know” Blood, Sweat & Tears !!! Boa Tarde !!!

(Gilson Nogueira)


DO BLOG O ANTAGONISTA

Procuradores acham atitude de Gilmar “deplorável”

A ANPR enviou a seguinte nota:

“Representante de 1.300 membros do Ministério Público Federal, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a público repudiar os ataques absolutamente sem base e pessoais ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, proferidos em deliberada série de declarações, nos últimos dias, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes.

Em primeiro lugar, e desde logo, é deplorável que um Magistrado, Membro da mais alta Corte do País, esqueça reiteradamente de sua posição para tomar posições políticas (muito próximas da política partidária) e ignore o respeito que tem de existir entre as instituições, para atacar em termos pessoais o Chefe do Ministério Público Federal. Não é o comportamento digno que se esperaria de uma autoridade da República. O furor mal contido nas declarações de Gilmar Mendes revela objetivos e opiniões pessoais (além de descabidas), e não cuidado com o interesse público.

Rodrigo Janot foi duas vezes nomeado para o cargo de PGR depois de escolhido em Lista Tríplice pelos seus pares, a última delas com consagradora votação de quase 80% de sua classe. Em ambas as indicações foi aprovado pelo Senado Federal por larga margem, tudo isso a demonstrar o apoio interno e externo que teve, mercê de seu preparo técnico, liderança e história no Ministério Público Federal. O trabalho do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, nestes quase quatro anos de mandato, por outro lado, foi sempre impessoal, objetivo, intimorato e de qualidade. Não por outro motivo tem o apoio da população brasileira.

O Ministério Público não age para perseguir ninguém, e não tem agendas que não o cumprimento de sua missão constitucional. Tampouco, todavia, teme ou hesita o MPF em desagradar quem quer que seja, quando trabalha para o cumprimento da lei e promove a justiça. O Procurador-Geral da República assim tem agido em todas as esferas de sua competência, promovendo o combate à corrupção e liderando o Ministério Público Federal na complexa tarefa de defender a sociedade. Se isto incomoda a alguns, que assim seja. O MPF e suas lideranças jamais se intimidarão. Estamos em uma República, e ninguém nela está acima da Lei.”

José Robalinho Cavalcanti

Procurador Regional da República

Presidente da ANPR

DO EL PAÍS

Opinião

Kafka, Buñuel e García Márquez na noite obscura do Congresso

Os motivos para salvar ou condenar o presidente Michel Temer quase nunca mencionavam se ele era inocente ou culpado

Juan Arias Periodista y escritor

Ao desligar a televisão, na quarta-feira passada, a tarde do processo contra Temer no Congresso brasileiro, tive a sensação de que as obras-primas da literatura e da arte mundial, como as dos escritores Kafka e Gabriel García Márquez e do cineasta Luis Buñuel, amigo de Lorca, não são mais surreais que o vivido ali.
Deputados de oposição protestam contra a votação surrealista da Câmara que barrou abertura de ação penal contra o presidente Michel Temer
Deputados de oposição protestam contra a votação surrealista da Câmara que barrou abertura de ação penal contra o presidente Michel Temer Joédson Alves EFE

Ninguém sabia se se tratava de uma festa ou de um funeral. Alguns se debulhavam, gritando ao pronunciar seu “não” para acabar com Temer, e outros pareciam estar nas pontas dos pés, sussurrando um “sim” para salvá-lo, como se estivessem no quarto de um doente em coma ou tivessem vergonha de seu voto.

Ninguém entendia nada, como no Processo de Kafka, porque era difícil saber se se tratava de salvar um inocente ou de aniquilar um criminoso, porque todos dizia o mesmo para bendizê-lo ou maldizê-lo.

Uns queriam que Temer não fosse investigado “pelo bem do Brasil”, e outros, também por esse mesmo ânimo, preferiam que fosse. Os que queriam salvá-lo pronunciavam um “sim” seco, quase com medo de ser descobertos, e os que queriam tirá-lo bradavam como para reforçar com seus gritos uma derrota anunciada.

Os motivos para salvar ou condenar o presidente quase nunca mencionavam se ele era inocente ou culpado. Eram a economia, as reformas, a estabilidade do país ou a maldade da direita, que odeia os pobres. Temer era como um fantasma que ninguém sabia para que servia.

A noite kafkiana parecia também uma reencarnação do filme de Buñuel O Discreto Charme da Burguesia, no qual, dentro de uma sala em que se desenrola toda a trama, todos se odeiam enquanto fingem ser amigos, em que todos vão a lugar nenhum, em que se escondem atrás de religião ou da ideologia para que não apareçam seus lados podres.

Naquela noite de Temer, o surrealismo atingiu seu ápice quando um deputado sobre o qual pesam graves suspeitas de crimes cravou um “voto ‘sim’ contra a corrupção”. Disse-o com tanta convicção que quase se sufocou.

Ganha o prêmio milionário quem for capaz, depois daquela tarde de realismo mágico à García Márquez, de entender o que se passa hoje na política brasileira, da qual a tarde do Congresso foi símbolo e emblema.

Acho que o escritor colombiano poderia reescrever Cem Anos de Solidão, revisado à brasileira, porque, queira ou não, o Brasil é parte do continente do realismo mágico, no qual é difícil distinguir o que é real ou imaginário.

Caso se contasse, por exemplo, no exterior, que na tarde do processo kafkiano de Temer, os discípulos do Partido dos Trabalhadores (PT), que despojavam a gritos o presidente corrupto, provavelmente o preferem de pé até 2018, para que chegue ao fim exangue e exausto e possa ser usado eleitoralmente, ninguém acreditaria. Mas por que o PT, mestre em mover as ruas, não levou a Brasília nenhum dos seus para gritar “Fora Temer”? E o silêncio de Lula?

Por que parecem se tornar amigos de repente, mesmo que seja nas sombras dos bastidores, governo e oposição, como no processo contra Cristo, toda a velha guarda dos principais partidos, junto com o poder econômico e com os outros poderes fáticos? Parecem unidos num abraço para evitar que em 2018 possa surgir alguma novidade nas urnas que quebre o poder cristalizado da velha política desgastada e acima de tudo que possa não comungar desta anistia geral aos corruptos e não esteja disposta a terminar a Lava Jato.

Confesso que estamos diante de um novo surrealismo do processo kafkiano, no qual não se sabe onde está o culpado ou o inocente nem o que significam as palavras esquerda e direita, que mais parecem uma noz oca.

E se há algo de absurdo e de labiríntico, em que a política se envolve em si mesmo e nos obriga a apelar à pureza da arte e da literatura para desentranhá-la como um novelo embaraçado, é o divórcio entre a rua e o palácio, entre as pessoas e os políticos, como ficou evidenciado na longa, sombria e surrealista tarde do kafkiano processo contra Temer.

BOM DIA!!!

DO G1/ O GLOBO

BRASÍLIA – O Amazonas começou a escolher neste domingo os novos governador e vice, que vão substituir José Melo (Pros) e José Henrique de Oliveira, cassados por compra de votos na disputa de 2014. A eleição foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em maio, quando condenou a chapa. Às 20h20, com 97,65% das urnas apuradas, estava definido que a disputa seguiria para segundo turno. Amazonino Mendes (PDT), que tem como vice o deputado estadual Bosco Saraiva (PSDB), liderava com 38,9% dos votos. Eduardo Braga (PMDB) e o vice Marcelo Ramos estavam em segundo lugar, com 24,7% dos votos. Foram contabilizados 24,2% de abstenções, 12,5% de votos nulos e 3,5% de votos brancos. O segundo turno sera realizado no dia 27 de agosto.
Senador Eduardo Braga (PMDB), com apoiadores neste domingo – Divulgação

Rebeca Gargia (PP) aparece com 18,2%, seguida por Jose Ricardo (PT), com 12,4%; Luiz Castro (Rede), com 2,7%; Wilker Barreto (PHS), com 1,5%; Marcelo Serafim (PSB), com 1,3%; e Jardel (PPL), com 0,2%. Liliane Araújo, que teve a candidatura indeferida, recebeu mais de 63 mil votos, considerados nulos.

Antes de acontecer o segundo turno, o TSE ainda vai precisar colocar um ponto final à disputa judicial, porque vai analisar o recurso da chapa cassada. Os vencedores da nova eleição só poderão tomar posse se a corte eleitoral confirmar a condenação – o que tende a acontecer. Ainda assim, os cassados poderão apresentar novo recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da confusão, o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, que esteve neste domingo no Amazonas, considera a pendenga um fato superado. Segundo o ministro, os recursos apresentados ao TSE devem ser julgados em, no máximo, duas semanas.

— Resolvemos bem uma tensão institucional. Isso está superado. Vamos julgar os embargos de declaração e as partes, se quiserem, vão ao Supremo Tribunal Federal (STF) discutir os seus direitos, mas acredito que esse tema já está resolvido. Não há justificativa mais para esse temor — declarou o ministro.

Gilmar elogiou a decisão do TSE de determinar nova eleição, como determina a reforma eleitoral. Pela regra anterior, havia a possibilidade de dar posse ao segundo colocado, ou de haver eleição indireta, na Assembleia Legislativa. Para o ministro, a nova regra fortalece a democracia.

— Foi um passo importante o fato de mandar-se fazer novas eleições. A legislação passou a determinar que se fizesse novas eleições, e não aquela hipótese de se assumir o segundo lugar, ou mesmo fazer uma eleição indireta. Me parece que isso é extremamente salutar para o nosso processo democrático. Tenho a impressão de que, no futuro, vão se diminuir as impugnações. Havia um jogo de que se poderia impugnar o candidato vencedor, porque a vitória ficaria no colo do segundo lugar. Isso era uma certa fraude à vontade do eleitor — explicou o ministro.

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Em junho, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, suspendeu a eleição no Amazonas. Ele argumentou que a chapa cassada ainda não tinha tido o último recurso julgado pelo TSE – e, por isso, a condenação não poderia ser considerada definitiva. Em julho, o ministro Celso de Mello cassou essa decisão, voltando a determinar a realização da votação neste domingo.

Na semana passada, Lewandowski manteve a decisão do colega, por ter sido informado de que todas as providências para as eleições já estavam tomadas. Mas ressaltou que o vencedor na disputa deste domingo só poderá ser empossado depois que o TSE julgar os recursos pendentes da chapa cassada, e se a condenação for confirmada.

— Gostaria de louvar a responsabilidade e a compreensão com que se portou o ministro Lewandowski. Não obstante ele tivesse razões plausíveis para suspender as eleições, ele entendeu que a segurança jurídica deveria presidir a sua decisão e, por isso, determinou apenas que se julgasse de imediato os embargos de declaração no TSE e, se não houver julgamento, suspender a diplomação. Entre mortos e feridos nos salvamos todos, considerando toda a complexidade desse processo — disse Gilmar.

O presidente do TSE lembrou que o Amazonas é o estado mais complicado para se promover eleições, por conta das distâncias e das dificuldades de se acessar populações ribeirinhas e comunidades indígenas. Ele elogiou a atuação dos militares e das autoridades locais para garantir que todos os eleitores pudessem votar neste domingo. Gilmar ressaltou que é uma “lenda urbana” a possibilidade de manipulação da urna eletrônica, e lembrou que testes e fiscalizações foram realizados ao longo do dia no estado.

Ao todo, 2.338.037 eleitores estavam habilitados para votar neste domingo no Amazonas. Para garantir a segurança da eleição, foram convocados militares e policiais federais. As autoridades locais comemoraram o clima pacífico das eleições.

— Estou enxergando de forma muito positiva o desenrolar do pleito suplementar. O processo eleitoral tem transcorrido dentro das expectativas, há um clima de tranquilidade e nós esperamos que assim permaneça até o fim da votação. Caso haja algum ato de violência ou ilicitude eleitorais, as forças de segurança estão preparadas para atuar no sentido da manutenção da ordem na forma da lei — disse o presidente do TRE, desembargador Yedo Simões.


O empresário Eike Batista, preso por pagamentos de propina, cuja história de vida inspirou filme Fernando Frazão Agência Brasil


DO EL PAÍS

Daniel Haidar
São Paulo

Um presidente da República recebe no porão da residência oficial um empresário que confessa pagamentos de propina e responde: “Ótimo! Ótimo!”. Um deputado tatua o nome do presidente acusado de corrupção. Um tesoureiro de partido pede que sua parcela de propina seja transferida para uma madrinha de bateria de escola de samba. Já virou clichê: a realidade brasileira é muito mais insólita do que qualquer episódio da série House of Cards, o principal thriller político da Netflix. Mas, se o noticiário brasileiro não para de surpreender, por que escândalos políticos não inspiram mais histórias de cinema? Será falta de interesse do público ou dos cineastas?

“Nenhum roteirista em Hollywood seria capaz de superar a realidade brasileira”, brinca a produtora Mariza Leão, sócia da produtora Morena Filmes. “Mas as pessoas estão exauridas. Talvez a ida ao cinema seja uma fuga de realidade”, acrescenta, ao explicar por que não há sucesso comercial garantido nesse tipo de produção ficcional. Ainda assim, Leão planeja para o ano que vem começar a filmar a história do empresário Eike Batista, inspirada na biografia Tudo ou nada, escrita pela jornalista Malu Gaspar. Eike enriqueceu às custas de muitos pagamentos de propina, até que acabou preso.

No próximo mês, um filme vai testar, ainda, se o público se rende a esse gênero. Estreia Polícia Federal – a lei é para todos, inspirado na Operação Lava Jato, que deve reencenar parte das histórias da investigação.

Até agora, a corrupção aparece ocasionalmente em filmes brasileiros, mas raramente dentro de tramas no Congresso ou na Presidência da República. Aparece como corrupção policial, na série Tropa de Elite, do cineasta José Padilha. Aparece em esquemas de fachada de ONGs, como no filme Quanto vale ou é por quilo?, do cineasta Sérgio Bianchi. Aparece até nas entranhas de uma empreiteira, como em O Invasor, de Beto Brant. Mas as tramoias de Brasília não renderam ainda nenhum personagem tão popular como o capitão Nascimento. O cineasta Sérgio Rezende, que filmou a história do ex-deputado Tenório Cavalcanti e da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), avalia que esse tipo de desvio ético aparece nas “entrelinhas” no cinema brasileiro. Nada parecido aos famosos pagamentos de propina descobertos no mensalão e no petrolão, que já entraram para a história brasileira.

“A corrupção é extremamente presente nas entrelinhas dos filmes. Mas é diferente do cinema americano que transformou sua história em gênero cinematográfico, onde o tempo todo recontam a história do país”, avalia Rezende.

Mas por que então corruptos lendários da política brasileira renderam tão poucos filmes? Para a roteirista Sônia Rodrigues, autora do livro Como escrever séries, essa ausência pode ser explicada por visões partidarizadas de alguns cineastas. “Nossos corruptos não chegam aos pés de Francis Underwood (o protagonista de House of Cards) em termos de competência dramática”, diz a roteirista. “Penso que não filmamos os escândalos porque ‘partidarizamos’ a possível abordagem cinematográfica. Como fazer um filme político sobre escândalos se o cineasta tem simpatia por um lado ou por outro?”, acrescenta.

Essa é a mesma opinião do professor Rodrigo Cássio Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG) e autor do livro Filmes do Brasil Secreto. “Existe um clima cultural que não é propício para discussões mais políticas do que partidárias. Cineastas não estão muito interessados em matizar discursos, negociar princípios”, avalia Oliveira.

ago
07
Posted on 07-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-08-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A lição da disputa do Amazonas para o Brasil

Durante a campanha ao governo do Amazonas, os candidatos focaram na segurança pública, tema seguido pela economia, segundo o Estadão.

Manaus teve o quinto maior crescimento do Brasil em homicídios, de acordo com o Atlas da Violência de 2017, produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

“Em duas semanas, os jornais A Crítica e Manaus Hoje, os dois maiores da região, noticiaram dez casos de estupro.

Outro tema relacionado à segurança pública que mobilizou os candidatos são os presídios. Em janeiro, o Amazonas registrou três violentas rebeliões em penitenciárias em menos de 24 horas.”

Segurança pública deveria ser prioridade, também, na eleição presidencial de 2018.