Pugilato na Câmara na votação de quarta-feira…


Moreau: Joanna Francesa, do bordel em SP ao núcleo do poder
em Santa Rita das Alagoas.

ARTIGO DA SEMANA

O “Fica Temer” e a morte de Moreau: a francesa do retrato do Brasil

Vitor Hugo Soares

O país fervia nesta semana, do “Fica Temer” da Câmara dos Deputados, quando a notícia da morte de Jeanne Moreau (89), na madrugada de segunda-feira, derradeiro dia de julho, alcançou de cheio o coração e a alma do rodado jornalista e inveterado amante do cinema desde a infância. Quando vi, pela primeira vez, cenas de Lampião e seus cangaceiros, projetadas na tela precária improvisada na parede do Clube Litero Cultural de Glória, fundado por Lindemar Liberalino da Silva, mestre dos meus primeiros anos, na cidade amada à beira do São Francisco, o rio da minha aldeia, à semelhança dos personagens de “Cinema Paradiso”.

Mais tarde, na juventude dos resistentes anos 60/70, seguidor apaixonado dos filmes sobre política, ética e comportamento da “nouvelle vague”, que a atriz de “Les Amants” e “Jules e Jim” simbolizou como ninguém. A tristeza e a pungente sensação de vazio me conduzem, mais uma vez, à lembrança do sábio pensamento dos chineses sobre a morte e sua mais terrível e dolorosa consequência: a ausência para sempre da pessoa que se ama, se admira ou se deseja ao alcance dos olhos ou de um abraço, eternamente: “Há mortes que pesam menos que uma pluma. Há outras, porém, que pesam toneladas”.

Para mim, a atriz francesa que acaba de partir se inclui com perfeição na segunda hipótese, o protótipo do ser que se deseja imortal. Mesmo sabendo que viver eternamente seria um tormento insuportável, como demonstra outra formidável francesa, Simone de Beauvoir, em seu maravilhoso romance “Todos os Homens são Mortais”.

O baque foi mais forte e desalentador, porque veio da França acompanhado de mais informações, relatos e opiniões sobre a partida da atriz, na manhã primeira de agosto deste 2017 de amargar. Quando, no Brasil, já corriam avançadas as articulações políticas – na verdade, manobras, trocas de favores, jogo de interesses e desavergonhadas e hipócritas traições à granel e de praticamente todos os lados. No imenso balcão de compra e venda em que Brasília se transformou – nestes últimos dias – com vistas à votação na Câmara dos Deputados, na quarta-feira para não esquecer, que sepultou (ao menos temporariamente) o envio, para apreciação do Supremo Tribunal Federal, da denúncia oferecida pela PGR, contra o presidente Michel Temer acusado, com base em uma mala ambulante de fortes indícios de prática de corrupção passiva, em pleno exercício do cargo maior de comando da nação.

O resultado é o que se viu e o que se sabe, embora muita coisa ainda siga encoberta pelo manto do cumplicidade quase generalizado de parlamentares, governantes e de partidos, à espera de mais apurações e novas revelações. Ou, quem sabe, de outra denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot, que aqui e ali dá sinais de reservar ainda algumas surpresas, antes de passar o posto, no mês que vem, para novo comando. Afinal, vale lembrar o que ele afirmou há bem pouco tempo: “enquanto houver bambu, haverá flechas”. Ou isso seria só mais uma mera inconsequente frase de efeito, entre tantas, neste tempo de enganação e trapaças, quase generalizadas, que atravessam a política, os governos e o tempo no País?

O que posso dizer, nesta triste semana de inverno no hemisfério sul, é que também, sob este ponto de vista, é simbólica a morte de Jeanne Moreau, tamanha e tão profunda a sua visceral ligação com o pensar e fazer cinema, e não não só com a “nouvelle vague” – um dos mais significativos e revolucionários movimentos do cinema francês, com influência mundial, a começar pelo Brasil, deste lado debaixo do equador.

Foi ela – como esquecer? – no começo dos anos 70, a atriz protagonista de “Joana Francesa”, de Cacá Diegues, estupenda metáfora cinematográfica sobre o Brasil. Retrato indelével, de produção franco brasileira, de alcance transcendente. Desde as cenas em Alagoas, no Nordeste dos coronéis mandantes da política, dos negócios, dos governos e dos destinos das pessoas, a São Paulo, metrópole de todos os sonhos e paradoxos no sudeste das indústrias e das altas finanças.
Em Brasília, capital federal dos espantos desta semana, já começavam, na época do filme de Diegues, as estranhas transações e perversas armações no centro do poder, então sob comandos divididos entre generais e civis.

Em 1930, quando a trama de “Joanna Francesa” começa, Jeanne comanda um cabaré em São Paulo. Um cliente alagoano, apaixonado por ela, a leva para sua fazenda de cana-de-açúcar onde Jeanne entra em contato com costumes que acabam por arrebatá-la. Descobre um mundo ético e cultural que nunca havia conhecido antes, onde chega como intrusa, dá assistência à moribunda esposa de seu amante, o poderoso coronel Aureliano – dono do lugar no fim do mundo que se chama Santa Rita das Alagoas -, e acaba assumindo a liderança da família, em plena decadência.

Não conto mais. Quem quiser conhecer a história inteira, veja o filme em cópia de vídeo na web, ou em alguma sessão de reprise no Canal Brasil. Destaco apenas uma sequência antológica do filme: Joanna Francesa canta em seu bordel, da capital paulista, a maravilhosa canção da trilha, assinada por Chico Buarque, quando entra imponente o coronel Aureliano (Carlos Kroeber) para comunicar que a mulher está à beira da morte. Em meio à situação dramática nos revolucionário Anos 30, uma cena quase surreal, mas emblemática na metáfora sobre o Brasil.

O “mulato mole” da música de Chico, representado por Antônio Pitanga, sussurra insidiosamente no ouvido do rico alagoano em visita a São Paulo: “O senador Almeida quer falar com o senhor, coronel. É sobre esta revolução, o senador quer saber como é que vai se comportar o Nordeste diante desta crise. Peça alguma, coronel. Peça o que o senhor quiser. Ele faz questão de atender qualquer pedido do senhor” .

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, diriam irônicos conterrâneos de Jeanne Moreau, a simbólica atriz da nouvelle vague que acaba de partir. Quem viu a votação que soterrou a denúncia contra o presidente Temer, na quarta-feira, na Câmara, e seus clamorosos precedentes, deve estar ainda se perguntando: “como é que o Brasil mudou tanto, desde os Anos 30, para chegar a 2017, no plano ético e moral de seus políticos e governantes, do jeito que sempre foi?”. Responda quem souber.
E glória eterna para Jeanne Moreau.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


Cenas de “Joanna Francesa”: retrato do Brasil anos 30 que parece hoje.

Lula Melodia, saudade daquele dia no Berro! Melodeus o tenha, meu rei!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Parecia combinado. Sabia-se que o PSDB, partido da base do Governo Michel Temer, estava dividido sobre aceitar ou não a denúncia contra o presidente por corrupção passiva. Na hora do voto, a divisão foi quase matemática: 22 deputados tucanos votaram pelo arquivamento, e 21 pelo aceitação da denúncia para que a denúncia contra Temer fosse avaliada no Supremo Tribunal. Assim, com um pé em cada canoa, a legenda agora afina seu discurso para prestar contas dentro do Governo, onde tem quatro ministros, e fora dele, para seus eleitores. No Planalto, a leitura é clara. Se está ruim com o PSDB, pior seria sem ele. O diagnóstico feito por assessores do presidente Michel Temer (PMDB) mostra que, ao menos neste primeiro momento, os quatro ministros não devem ser apeados de seus cargos. Não é também o desejo da direção tucana, ao menos por enquanto.

Mas ficou mais do que explícita a divisão da cúpula partidária, que tem seus próprios incêndios para controlar, para além das farpas que recebe por aliar-se a um Governo que está sob suspeita de corrupção. O ninho tucano está rachado entre Aécio Neves e o senador cearense Tasso Jereissati, atual presidente interino da legenda. Aécio é investigado criminalmente e licenciou-se de suas funções partidárias, mas com força ainda para influenciar a posição mais conservadora de manter-se ao lado de Temer. De outro lado, Tasso, que assumiu a presidência do partido interinamente, hoje se mostra sem paciência com a gestão do PMDB.

Nesta quinta-feira, os dois senadores convocaram uma entrevista coletiva para anunciar que seguirão apoiando as reformas estruturantes (previdência, política e tributária) e que a prerrogativa de definir os ministros é exclusiva do presidente da República. “Essa questão de cargos e ministérios pertence ao presidente da República, que fará aquilo que achar mais adequado em relação aos cargos do PSDB. Isso não é uma preocupação que nós temos”, afirmou Aécio. Ao que foi complementado por Tasso: “Se ele [Temer] quiser tirar ministro, colocar ministro, não é problema nosso”.

No Palácio do Planalto, o discurso dos tucanos foi bem recebido, porque entendem que, mesmo diante de uma divisão, o Governo precisa dos votos deles para aprovar seus principais projetos no Legislativo. Um dos recados dados por Tasso foi o de que o partido cobrará de seus membros que votem a favor das pautas econômicas. “Em relação àquilo que for programático do partido nós vamos conversar com todos os setores do partido e vamos trabalhar juntos para que nós tenhamos votos homogêneos e maciços em torno desse projeto”, afirmou Tasso.

Os dois senadores ainda oficializaram que o mineiro se dedicará principalmente a se defender das acusações criminais que pesam contra ele na Justiça e, por isso, estará fora do comando partidário até o fim do ano, quando novas eleições ocorrerão para definir os rumos do partido. Até dezembro, o PSDB tentará passar por uma série de renovações. Quer mudar o discurso. Elegerá novos diretórios municipais e estaduais. Escolherá o sucessor da dupla Aécio-Tasso. E tentará ungir seu pré-candidato à presidência da República.

A troca de comando na cúpula do PSDB também agradou quem defende um rompimento com a gestão do PMDB. “A autonomia dada a Tasso é uma sinalização de paz do grupo governista do PSDB para nós, que defendemos o rompimento com o Temer e o PMDB”, afirmou o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), um dos líderes do movimento que há mais de três meses defende a cisão da aliança com os peemedebistas.

A hesitação do partido, contudo, desagrada outras freguesias. No fim do mês passado, um grupo de quatro renomados economistas filiados ao PSDB enviaram uma carta ao senador Tasso informando que pensaram em se desassociar da legenda, e só não o fizeram porque acreditaram na promessa de que uma convenção, convocada pelo presidente interino, poderia eleger um novo diretório nacional. Ainda assim, conforme revelou o jornal O Globo, criticaram a postura do partido. “Infelizmente, incapaz até agora de se dissociar de um governo manchado pela corrupção institucionalizada que herdou do PT, o PSDB tem optado por deixar vazio o centro político ético de que o país tanto precisa”. O documento era assinado por Gustavo Franco e Edmar Bacha, mentores do Plano Real, Elena Landau, ex-diretora do BNDES, e pelo professor Luiz Roberto Cunha.

Agora, mais do que garantir a sustentabilidade do presidente que ajudou a chegar no poder, a legenda tentará sobreviver, apesar do desgaste. Um sinal de que sua influência não é mais a mesma ficou clara quando os outros partidos da base de Temer não o seguiram. Entre os que transitam pelo Congresso Nacional era quase consenso de que, se o PSDB abandonasse Temer, as legendas do centrão, como PP e DEM, o seguiriam. Não foi o que ocorreu.

Os quatro ministérios tucanos (Relações Exteriores, Secretaria de Governo, Direitos Humanos e Cidades) hoje são cobiçadíssimos exatamente por esses partidos conservadores que, nos últimos anos, elegeram Eduardo Cunha (PMDB-RJ) presidente da Câmara e derrubaram Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República.

Mais do que debater permanência no Governo, os tucanos estão preocupados com as eleições de 2018 e sua própria sobrevivência. Por enquanto, apenas o prefeito de São Paulo, João Doria, e o governador paulista, Geraldo Alckmin despontam como possíveis nomes. Se eles não chegaram em um consenso ou se outro nome aparecer na disputa, deverão ocorrer prévias para definir o nome do PSDB à presidência. Depois dos pedidos de prisão contra Aécio, seu nome é colocado como carta fora do baralho. Agora, a legenda está preocupada em se “reconectar com a sociedade”, como dizem 9 em cada 10 líderes do PSDB. Sabem que, se continuarem vinculados à gestão peemedebista, dificilmente terão sucesso eleitoral.

O sentimento é semelhante ao do deputado Daniel Coelho. Para ele, o partido só terá alguma chance eleitoral em 2018 caso reconheça que errou ao apoiar Temer e que mude sua atitude, defendendo o fim do atual modelo de presidencialismo de coalizão.

ago
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Posted on 05-08-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-08-2017


Simanca, no portal de humor gráfico A Charge Online

DO BLOG O ANTAGONISTA

AS FOTOS DO DINHEIRO DA PROPINA DA JBS

A Época obteve as fotos do dinheiro da JBS entregue a Frederico Pacheco, primo de Aécio Neves, e a Rodrigo Rocha Loures, o “longa manus” de Michel Temer

As fotos foram feitas pela Polícia Federal.

Vejam algumas. As outras estão no site da revista:

O dinheiro entregue ao primo de Aécio Neves

O dinheiro da mala de Loures


Neymar com o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaïfi.
LIONEL BONAVENTURE AFP

Suas primeiras palavras como jogador do Paris-Saint Germain (PSG) giraram
DO EL PAÍS

Silvia Ayuso

Suas primeiras palavras como jogador do Paris-Saint Germain (PSG) giraram em torno de uma única ideia. “Quero desafios maiores”, repetiu Neymar em sua apresentação aos meios de comunicação em uma sala de imprensa lotada. Além disso, o atacante brasileiro avisou que está disponível “até como goleiro” para o técnico Unai Emery da equipe de Paris. Sobre sua saída do Barcelona, Neymar disse que foi “uma das decisões mais difíceis” que teve que tomar na sua vida e que terminou optando pelo clube francês apenas “dois dias” antes.

Tão grande foi a demanda para ouvir as primeiras declarações do brasileiro em sua chegada a Paris que foi necessário limitar o número de jornalistas por meio de comunicação. Mesmo assim, mais de 400 jornalistas foram credenciados. A expectativa também transborda nos portões do estádio, onde centenas de torcedores esperavam desde a manhã para ver pela primeira vez o novo reforço do clube de Paris.

Assim que foi confirmada a assinatura do contrato com o PSG, na noite de quinta-feira, centenas de torcedores começaram a se reunir no Royal Monceau, o hotel de luxo no elegante 8º distrito no qual o astro brasileiro vai passar suas primeiras noites parisienses, até se instalar definitivamente. Já estavam hospedadas ali na noite passada a irmã e a mãe do jogador, de acordo com a mídia francesa. Os torcedores comemoraram até bem tarde da noite a chegada iminente daquele que muitos consideram que colocará o futebol francês na primeira linha mundial.
Loucura pela camiseta

Prestes a entrar na loja situada em frente ao estádio no Parc des Princes que, pela grande quantidade de torcedores, os guardas de segurança só permitiam a entrada em pequenos grupos, Tanguy dizia que ainda não acreditava no que estava acontecendo. “É incrível”, disse sobre a contratação de Neymar. Torcedor do PSG desde a infância, o jovem de vinte e poucos anos estava feliz pela crescente qualidade do futebol francês que, com o brasileiro, “vai subir ainda mais.” Tanta confiança faz com que não se preocupe com o preço – mais de 150 euros – que estava disposto a pagar para ter a camiseta de Neymar. “Pago com gosto”, disse, assim como Ludovic. Este outro torcedor do PSG disse que estava “orgulhoso” de que tenham conseguido trazer Neymar após negociações intermináveis e dissimulações. Seu plano: ir ver na sexta-feira a chegada do astro ao estádio, para não ter que esperar até sábado durante sua apresentação oficial antes do jogo contra o Amiens, para o qual já estão esgotadas todas as entradas.