Boa semana (se chuva e vento derem uma trégua).

(Gilson Nogueira)


Do Fantástico(TV GLOBO)

O ex-ministro Geddel Vieira, preso sob suspeita de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, acumula atualmente um patrimônio milionário, distribuído em fazendas, apartamentos, casa de praia e também um restaurante na Bahia.

Nas terras mais valorizadas do sudoeste do estado fica a maioria dos bens do peemedebista. Ele é dono de 12 fazendas de gado em sete municípios da região. No total, as propriedades têm mais de 9.000 mil hectares e hoje valem cerca de R$ 67 milhões.

Uma das maiores, chamada Tabajara 2, em Itororó (BA), tem 1.027 hectares. Na declaração de bens mais recente entregue à Justiça Eleitoral, em 2014, quando Geddel foi candidato ao senado pela Bahia, ele informou que pagou cerca de R$ 88 mil pelas terras nos anos 90. Hoje, ela vale mais de R$ 7,5 milhões.

Na beira do rio Pardo, o ex-ministro tem três fazendas, duas de um lado e uma de outro. Juntas, elas somam mais de 900 hectares e, de acordo com os preços praticados na região, elas valem pelo menos R$ 6 milhões.

No centro da cidade de Itapetinga, Geddel também é dono de um apartamento sobre o qual declarou, em 2014, ter pago, junto com familiares, R$ 100 mil. O imóvel é avaliado por corretores locais no valor de R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.

Na capital Salvador e arredores está o restante dos bens de Geddel. Há um apartamento de alto padrão, dois carros de luxo, casa na beira da praia e restaurante.

Trajetória

Em 1994, em seus primeiros anos como político, o ex-ministro havia declarado em sua lista de bens apenas uma linha telefônica, uma Paraty ano 89, um título no clube e 120 hectares de terra.

Geddel começou na vida pública aos 25 anos como diretor do Banco do Estado da Bahia. Na época, surgiu a primeira denúncia contra ele, em que foi acusado de desviar R$ 3 milhões para favorecer parentes. Ele perdeu o emprego, mas em 2001 foi inocentado no caso.

Em 1991, o baiano se elegeu deputado federal e dois anos depois, foi apontado como um dos “anões do orçamento” – grupo de parlamentares acusados de roubar os cofres públicos. Também foi absolvido nesse episódio e começou a construir a carreira de articulador político no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Nesse tempo, ganhou fama de truculento e falastrão e foi um dos maiores críticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois, se tornou aliado do petista e assumiu o Ministério da Integração Nacional em 2007.

No governo da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2011, virou dirigente da Caixa Econômica Federal. Quando Michel Temer assumiu o comando do governo, no ano passado, Geddel se tornou ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência.

Ele ficou seis meses no cargo, que teve de deixar após ser acusado de pressionar o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero a liberar a construção de um prédio em uma área protegida em Salvador.

O apartamento do qual Geddel foi levado para a prisão, em Salvador, está avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão no mercado atual.

O Ministério Público Federal afirma que Geddel “é um criminoso em série”. Além da suspeita de tentar evitar delações premiadas, o ex-ministro é acusado de receber R$ 20 milhões de propina para favorecer empresas quando era vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa.

O doleiro Lúcio Funaro o apelidou de “Boca de Jacaré”, pela gula de querer propina.

Defesa

Em depoimento prestado na semana passada, Geddel negou ter obstruído a Justiça e chorou.

“Tudo isso para mim aqui é uma surpresa. Tenho 58 anos de idade, nunca tive nenhum problema, nem de responder a cheque sem fundo, nem a nada, nenhum tipo de problema”, disse ao juiz.

O advogado do ex-ministro afirma que não há motivos para a prisão e que já pediu sua saída da cadeia em troca do cumprimento de medidas alternativas. Ele também diz que os bens de Geddel são compatíveis com as atividades do ex-ministro.

CRÔNICA/CINEMA

Carlos Saura e o Folclore Argentino

Lucia Jacobina

Carlos Saura é um dos mais renomados mestres do cinema europeu e começou sua carreira criticando em seus filmes a ditadura franquista, tendo dirigido películas lendárias como “Cria Cuervos”, “Ana e os Lobos”, “Mamãe Faz Cem Anos” e “Elisa Vida Minha”.
Com o fim do regime, Saura mudou o foco para asimportantes manifestações da cultura espanhola, cuja escolha inicial recaiu sobre a peça teatral“Bodas de Sangue” de Garcia Lorca, seguida de “Carmen”, de Prosper Mérimée e Georges Bizet, ambos de nacionalidade francesa, mas que escolheram o sul da Espanha como inspiração para seus respectivos romance e ópera, e por último “Amor Bruxo”, de Manuel de Falla. Essa trilogia contou com a parceria do inesquecível bailarino de flamenco Antonio Gades e do famoso guitarrista Paco de Lucia.

Saura continuou elegendo o universo espanhol em seus sortilégios, dramas e intensa sensualidade,corporificado na música e na dança flamenca, como matéria de outros filmes, igualmente famosos, como“Flamenco”, “Ibéria” e “Sevilhanas”, e os biográficos sobre grandes vultos das artes e das letras, a exemplo do magistral pintor “Goya”, além de Buñuel, Lorca e Dali, três dos mais importantes representantes da vanguarda no século passado, no cinema, na literatura e na pintura, reunidos na película “Buñuel y la Mesa del Rey Salomón”,até agora inédito no Brasil.

Excepcionalmente, em dois momentos se distanciou de sua amada Espanha para filmar “Tangos”, baseado na internacionalmente conhecida música portenha e “Fados”, sobre as variações do gênero português na Europa, Ásia e África.

Com referência ao tango, sempre instigou minha curiosidadeo prestígio que a melodia argentina goza no exterior, onde assisti a concertos, espetáculos, musicais nos mais renomados palcos europeus e nova-iorquinos. Se diversas outras nacionalidades cultuam o tango, mais justificado ainda seria o olhardeSaura, em função dos laços culturais e linguísticos mantidos pela Espanha com a América Latina.

Seu interesse pelo universo português deveu-se certamente ao fato de que o casamento entre as casas reais de ambos os países fez surgir um herdeiro dinástico comum que propiciou,no passado,a união ibérica. Além de outro fator determinante que se constitui na vizinhança entre a Galícia, província do norte da Espanha com Portugal, regiões que tiveram uma forte conexão histórica, pois parte do atual território português integrou por um tempoo então reino da Galícia.Houve um momento no qual se separaram, quando Portugal tornou-se independente, enquanto o reino da Galícia foi incorporado à Espanha. Até hoje, quase um milénio depois desse afastamento, cidadãos de ambos os lados da fronteira compartilham uma identidade cultural e aspiram a uma união política e territorial.

Sobretudo há a destacar que o idioma português e o galego são considerados por estudiosos do assunto como duas variantes da mesma língua. E essa circunstância explica, inclusive, o numeroso contingente de imigrantes galegos em Salvador.
Com “Argentina”, exibido atualmente no Cine Paseo, Saura voltou sua atenção para o folclore argentino presente na zona rural, cuja influência indígena e africana mesclou-se com a espanhola. Essa riqueza musical é exibida em variados números de dança e canto coloridos pelos trajes e valorizados pela coreografia dos passos que ressoam no amplo tablado, sob a direção musical do pianista e compositor Lito Vitale. O filme é todo rodado num galpão iluminado sob o efeito de poderosos refletores. Nele, danças e música se sucedem trazendo ritmos regionais desconhecidos no exterior, como a zamba, a vidala, a chacareira, o carnavalito, a copla, o malambo e o chamamé, na interpretação de alguns dos mais representativos cantores, instrumentistas e dançarinos como Jaime Torres, Soledad Pastorutti, Pedro Aznar, Liliana Herrera e o Grupo Metabombo. Duas homenagens especiais destacam o compositor e violonista Atahualpa Yupanqui e a cantora Mercedes Sosa apresentando a inesquecível composição “Tudo Cambia”.

Certamente que o documentário é um convite irrecusável da sétima arte para propiciar ao público em geral um amplo conhecimento das manifestações culturais argentinas, servindo ainda para estreitar os laços de brasileiros com o nosso vizinho do sul. Mas o filme é,sobretudo por sua originalidade,um momento raro de contemplação estética.

Lúcia Jacobina é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.


“Só peço a Deus que o engano não me seja indiferente. Se um traidor pode mais que tantos, que estes tantos não o esqueçam facilmente”

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
10

DO G1/GLOBO NEWS

Andréia Sadi
Andréia Sadi
FHC confirma que Temer o convidou para encontro

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou que o presidente Michel Temer o convidou neste sábado para um encontro. O convite, antecipado pelo Blog, é para discutir o cenário político em meio à ameaça de desembarque do PSDB do governo.

Fernando Henrique disse que está verificando se terá disponibilidade para marcar o encontro até terça-feira (11), pois está com viagem marcada para a Europa.

Questionado sobre a grave crise política de Temer, e se o PSDB vai deixar o governo, o ex-presidente disse que a situação está muito ruim, e que não poderia se antecipar a uma posição do partido que ainda vai ser discutida.

Mas afirmou que o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati (CE), expressou o sentimento da bancada tucana na Câmara e também da sociedade – mas não o de todos os governadores tucanos – ao dizer que a crise estava insustentável a cada dia, e que a saída do PSDB do governo seria inevitável.

“Não tenho como antecipar a posição do partido. Mas ele expressou sentimento da Câmara, sentimento da sociedade, mas não o de todos os governadores”.

O ex-presidente voltou a afirmar que ainda vê espaço para a antecipação das eleições, mas só com a renúncia de Michel Temer precedida de conversa com todos os grandes partidos e não somente com o PSDB.

“Precisamos pensar no país, não só no governo. Temer precisa conversar com as grandes forças políticas do País, não só o PSDB”.

Sobre sua proposta de antecipar eleições, ele repetiu o que já havia defendido em artigo recente: que Temer renuncie e convoque eleições.

“Ainda vejo em Temer a possibilidade de promover uma trégua nacional, sem conchavos, renunciando e antecipando eleições. Mas só com a aprovação da reforma política com a cláusula de barreira”.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

PT prepara o teatro para o caso de Moro condenar Lula

O PT se prepara para “dar a resposta adequada para qualquer sentença que não seja absolvição completa e irrestrita” de Lula.

Foi o que afirmou a nova presidente nacional da sigla, senadora ré Gleisi Hoffmann (PR), em nota oficial.

No editorial “O PT desafia Moro”, o Estadão trata do assunto.

Para os petistas, se Sérgio Moro tiver a ousadia de condenar Lula no caso do triplex, o juiz estará tomando uma decisão “seletiva”, “baseada apenas em delações premiadas”, completamente “sem provas”.

“Três anos atrás, em campanha para reconduzir Dilma Rousseff à Presidência da República, o PT precisava posar de paladino da moralidade, apesar de já estar evidente que se investigava a corrupção em seus governos. Com a reeleição de Dilma e seus primeiros correligionários colocados atrás das grades, o PT sentiu-se, mais do que à vontade, na obrigação de partir para cima da Lava Jato.

Entrou então em pauta o discurso de que a Operação Lava Jato era um instrumento por meio do qual a ‘elite’ pretendia calar o PT para entregar o Brasil, a começar pela Petrobrás, aos ‘interesses do capital internacional’. Com o tempo as investigações passaram a atingir também velhos aliados dos petistas, como o PMDB, e até seu pior inimigo, o PSDB. Mas o discurso anti-Lava Jato não mudou.

Sem abandonar o argumento de que eram ‘vítimas’ de perseguição política, os petistas embarcaram na onda nacional de protestos contra os excessos que passaram a ser praticados por alguns agentes da operação. A grande diferença, porém, é que, enquanto os verdadeiros democratas continuam apoiando firmemente a Lava Jato e lutando para mantê-la rigorosamente dentro da lei, o PT quer acabar com as investigações de corrupção e ditar as decisões da Justiça: para os companheiros, impunidade; para os inimigos, cadeia.”

Para os “verdadeiros democratas”, O Antagonista acrescenta: só se mantém dentro da lei o que dela não saiu.

jul
10
Posted on 10-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-07-2017


Frank, no jornal A Notícia (SC)


Cais do Valongo, no centro do Rio. Tomaz Silva Agência Brasil


DO EL PAÍS

Felipe Betim

O Sítio Arqueológico Cais do Valongo, localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, ganhou neste domingo o título de Patrimônio Mundial da UNESCO. O lugar foi o principal porto de entrada de escravos africanos no Brasil e representa a exploração e o sofrimento das pessoas que foram trazidas à força ao país até meados do século XIX. O título joga luz sobre um passado de escravidão que deixou como herança uma profunda desigualdade social entre brancos e negros e um racismo estrutural nem sempre reconhecido.

“O Cais do Valongo é um local de memória, que remete a um dos mais graves crimes perpetrados contra a humanidade, a escravidão. Por ser o porto de desembarque dos africanos em solo americano, o Cais do Valongo representa simbolicamente a escravidão e evoca memórias dolorosas com as quais muitos brasileiros afrodescendentes podem se relacionar”, disse em nota o Itamaraty, que expressou a “satisfação” do Governo brasileiro com a notícia. A atual secretária de Cultura do Rio, Nilcemar Nogueira, escreveu em seu Facebook que o título é “uma etapa essencial para o reconhecimento de uma memória que precisa ser revelada e, principalmente, reparada”. Para Nogueira, que forma parte da delegação brasileira que viajou até a Polônia para defender a nomeação, “este momento marca o início de uma nova fase em relação ao reconhecimento de uma história que, por muitas décadas, esteve nos subterrâneos do que oficialmente conhecemos do nosso país”. O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, também celebrou a notícia em seu Instagram: “Que a história da Diáspora Negra seja sempre lembrada. Que as origens de nosso país, de nossa formação e de nossa cultura possam ficar marcadas. Que a violência dos homens possa ser sempre recordada para que não se repita”.

O Cais do Valongo foi encontrado em 2011 durante as escavações feitas para a reforma da zona portuária. Segundo o antropólogo Milton Duran, suas ruínas são os únicos vestígios materiais da chegada dos africanos no país. O acadêmico foi um dos coordenadores da candidatura, que envolveu a Prefeitura do Rio e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e foi apresentada no final de 2015 – o Brasil detém o título para outros 20 locais, entre eles Brasília e Ouro Preto. “Esse Sítio Arqueológico é único pois representa os milhões de africanos que foram escravizados e que trabalharam para construir o Brasil como uma nação, gerando a maior população de negros fora da África no mundo”, disse Kátia Bogéa, presidenta do IPHAN. O Executivo municipal prometeu uma comemoração no local nesta segunda-feira, a partir das 16h.

Ao ser nomeado patrimônio mundial, o Cais do Valongo foi colocado no mesmo patamar que outros lugares reconhecidos pela UNESCO como locais de memória e sofrimento, como um memorial em Hiroshima, no Japão, e o Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia. A nomeação exige que as autoridades brasileiras assumam determinadas responsabilidades. “A UNESCO recomenda que o Brasil adote ações especificas para a gestão dos vestígios arqueológicos, para a execução de projetos paisagísticos e para que os visitantes possam ter uma visão holística sobre o Cais do Valongo e o que ele representa”, reconheceu o Itamaraty. “Tais medidas, que contribuirão para a preservação deste importante patrimônio cultural brasileiro, deverão ser implementadas pelos governos federal, estadual e municipal, em coordenação com a sociedade civil e as comunidades envolvidas”.