Juiz decide por prisão preventiva e Geddel chora…


…e o riso franco de Saldanha, o “João sem Medo”100 anos)


ARTIGO DA SEMANA

João Saldanha, 100 anos, Geddel, e o bambuzal de Janot

Vitor Hugo Soares

E por falar em bambu (planta que verga mas não quebra) e nas flechas prometidas pelo procurador- geral da República, Rodrigo Janot, que esta semana produziu frase destinada, seguramente, a pontificar entre as melhores do ano (“enquanto tiver bambu, tem flechas”), faço um registro factual e uma convocação: João Saldanha, o “João sem Medo” do futebol e do jornalismo no Brasil, neste 3 de julho teria completado 100 anos, de nascimento. Da cidade de Alegrete, Rio Grande do Sul, na verdade o gaúcho mais carioca que tive a graça de conhecer. Eis o registro, que deve ser acompanhado de lembranças especiais e justas celebrações do Oiapoque ao Chuí. .

Celebremos, portanto, em todo o país, a memória de Saldanha. E lá fora também, em outras plagas por onde chegaram os feitos de sua história de vida e de combates. Sem lamentos, sem ressentimentos, sem ódio (este mal perverso do tempo que vivemos), mas com vigor, firmeza de princípios e capacidade de resistir, quando se acredita em algo, se pretende alcançar um objetivo ou promover alguma transformação, marcas indissociáveis do caráter, da conduta e das atitudes do aniversariante ausente. Referenciais da sua passagem brilhante, teimosa, resistente e vitoriosa por esta banda de baixo do equador, tão carente de figuras exemplares nos dias que correm.

O jornalista observa o percurso da primeira flechada, – pós-frase do comandante da PGR, até setembro que vem, – sobrevoando o espaço da Bahia no começo da semana. A lasca de bambu alcança em cheio a jugular de Geddel Vieira Lima, um dos mais antigos e camaleônicos poderosos exemplares da política baiana e nacional dos últimos 14 anos: Ex-ministro da Integração Nacional no Governo Lula (um dos manipuladores do cofre das verbas polpudas das obras de transposição do São Francisco, rio da minha aldeia; diretor de importante carteira da Caixa Econômica Federal, na era Dilma Rousseff e ministro responsável pelas articulações explícitas e submersas do Governo Temer, no Palácio do Planalto, até trombar com o pedregulho Marcelo Calero, então ministro da Cultura, e ser afastado do núcleo do poder, no meio do escândalo da defesa da construção irregular do Edifício Residencial La Vue, de alto luxo, em sítio tombado pelo IPHAN, na área histórica do Porto da Barra.

Enquanto o ex-ministro é transportado pelos agentes da PF, durante a madrugada, de Salvador com destino à friorenta penitenciária da Papuda nestes dias de inverno, as recordações do autor deste artigo se dividem com a notícia dos 100 anos do “João sem Medo”. Asseguro, por experiência própria e intensamente vivida, não estarmos diante de um fato banal, neste segundo caso, (como alguns podem avaliar, erroneamente), na quadra de crise política, de governo, de ética e firmeza moral que atravessamos.
Nesta semana do “bambuzal e das flechas”, que causam tremores e estragos nas entranhas do Governo Temer (principalmente no círculo cada vez mais restrito e fechado do poder no Palácio do Planalto e ministérios adjacentes), verifico, com alegria, que a notícia do aniversário póstumo de João Saldanha também tem espaço no Brasil e corre o mundo. Vejo isso, por exemplo, na reportagem do jornal espanhol El País, que aviva uma das minhas melhores recordações pessoais e experiência profissional das quais não esqueço e tenho prazer de recontar. Conto outra vez um encontro incrível com Saldanha, em Salvador, quando eu chefiava a redação da sucursal baiana do Jornal do Brasil, lá pelos meados dos anos 80. Era um amistoso contra a Argentina.

De cabeça baixa, estava em minha mesa repassando um texto – (de Luiz Faustino ou de Symona Gropper, que acaba de lançar livro de memória, de uma imigrante, “A Menina que foi Vento”), antes de transmitir, via telex para o saudoso Juarez Bahia, no comando da Editoria Nacional, na sede do JB, na Avenida Brasil, 500, – quando ouvi uma voz inconfundível: “Estou na terra. Pode contar com mais um para cumprir a pauta de hoje. Por falar nisso, tem alguma briga boa na Bahia para a gente pegar, no futebol ou na política?”. Avisado pelo editor no Rio, sabia que Saldanha estava para desembarcar na Cidade da Bahia, para “fazer” o jogo da seleção, programado para a Fonte Nova. Ainda assim não posso negar o susto, seguido da agradável surpresa e contentamento de, ao levantar a cabeça, dar de cara com aquela grandiosa figura, de sorriso aberto e franco, bem ali na minha frente.

Mesmo com a informalidade e o bom humor da apresentação do recém chegado, não deu para o jornalista da província controlar direito a emoção de estar diante do mito nacional. Escrevi uma vez sobre isso: “o homem magro de quase dois metros de altura, rosto bronzeado de frequentador assíduo da Praia do Leme, riso irônico no cantos dos lábios, que lhe acentuava o charme de corajoso e irreverente brigão. Com o braço estendido para o forte aperto de mãos”. E eu ainda meio embasbacado diante daquela figura em carne e osso (mais osso que carne, pelos anos seguidos de fumante inveterado), personalidade mitológica do futebol e da minha profissão, que eu seguia com admiração há décadas.

“Logo a redação quase inteira do JB se acercava daquela figuraça lendária para beber diretamente da fonte algumas das mais marcantes histórias do jornalismo, do esporte e da política. Do desafio ao ditador Garrastazu Médici que tentou escalar o mediano Dario no lugar de Tostão (uma das maiores feras da seleção de feras formada por João Sem Medo, segundo batismo de Nelson Rodrigues), à militância no Partido Comunista Brasileiro”, escrevi também em outro artigo sobre o episódio.

Perdemos todos a noção do tempo e já quase passava da hora de começar o programa esportivo de uma emissora local de TV, na qual Saldanha era anunciado como entrevistado especial. Por sorte, Margarida fora me pegar de carro na sucursal para almoçar. Oferecemos uma carona, para levar Saldanha ao estúdio da TV, no bairro da Federação. No percurso, o contato mais estreito, mais histórias de um encontro para não esquecer.

Nesta semana de graves solavancos e ruídos de comunicação, dúvidas e suspeitas por todo lado – a começar por novas e mais agressivas tentativas de estrangulamento da Lava Jato, a partir de pressões e cortes na PF no Paraná, que dificultam investigações na plenitude contra corruptos e corruptores de colarinho branco, poderia encerrar o artigo com o registro do choro de Geddel Vieira Lima, ao ser comunicado pelo juiz Valesney de que vai continuar na Papuda, em prisão preventiva por tempo indeterminado.

Prefiro destacar, porém, antes do ponto final, os 100 anos de João Saldanha. Na homenagem a um homem de inteligência, bravura e honra que orgulha uma nação inteira e seus cidadãos, a começar por este que assina.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

SAUDADES!!!

BOM DIA!

(Gilson Nogueira)

jul
08


O procurador Santos Lima criticou as mudanças.
Brazil Photo Press/Folhapress


DO EL PAÍS
Gil Alessi

São Paulo

A força-tarefa da Polícia Federal responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba foi extinta na quinta-feira. O anúncio levantou novamente suspeitas de que estaria em curso uma ação para minar as investigações e levou até o senador oposicionista Randolfe Rodrigues (REDE-AP) a protocolar nesta sexta na Justiça Federa uma ação popular para suspender a medida. O receio é amplificado pelo fato de que o recém-empossado ministro da Justiça, Torquato Jardim, sinalizou no final de junho que poderia trocar o diretor geral do órgão. O atual chefe da PF, Leandro Daiello, é tido como um fiador da operação. O fim da força-tarefa ocorreu por decisão do delegado Igor Romário de Paula, responsável pelo caso no Paraná. Os agentes que atuavam apenas no escândalo de corrupção da Petrobras agora vão integrar a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor). A mudança provocou críticas por parte dos procuradores que atuam no caso, que enxergam na medida um “desmonte” e um “retrocesso” para a Lava Jato.
operação lava jato
O procurador Santos Lima criticou as mudanças. Brazil Photo Press/Folhapress

“Em nenhum momento o grupo da Operação Lava Jato foi extinto, pelo contrário, ele foi aumentado com a equação que está ocorrendo”, afirmou o delegado, minimizando os impactos da ação. Ele trabalha no caso desde seu início, em 2014, e chegou a ser acusado de tentar politizar a investigação ao afirmar no início do ano em entrevista ao portal UOL que o “timing para prender Lula pode surgir em 30 ou 60 dias”. Na quinta-feira o delegado negou haver qualquer tipo de interferência no processo ou “recado para segurar as investigações, parar os procedimentos”, e disse que atualmente a demanda por agentes é menor do que no início do caso, em 2014.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que “o modelo [de extinguir a força-tarefa e centralizar os trabalhos em uma outra unidade] é o mesmo adotado nas demais superintendências da PF com resultados altamente satisfatórios”. O texto menciona as operações oriundas da Lava Jato “deflagradas pelas unidades do Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo, entre outros” como exemplo da eficiência do método de trabalho adotado. O órgão negou que o remanejamento tenha qualquer motivo político ou orçamentário: “A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário [dinheiro público]”. Na semana passada a PF suspendeu a emissão de passaportes alegando “insuficiência orçamentária”.

Os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato divulgaram uma nota criticando as mudanças. Segundo eles, a “dissolução do grupo de trabalho da Lava Jato na Polícia Federal prejudica as investigações”. Mais à frente, o texto afirma que “o efetivo da PF” que atua no caso já havia sido “reduzido drasticamente no governo atual”, e “não é adequado à demanda”. Em maio o jornal O Estado de São Paulo publicou reportagem em maio no qual apontava queda de 29% nos repasses feitos pelo Ministério da Justiça para a superintendência da PF do Paraná e para o grupo da Lava Jato desde que Michel Temer assumiu a presidência. O mandatário (que já foi denunciado formalmente pelo crime de corrupção passiva) e integrantes de seu primeiro escalão estão na mira da Operação.

Além disso, os procuradores escreveram que a redução do efetivo da PF vai na contramão do que foi feito no Ministério Público: “A necessidade evidente de serviço, decorrente inclusive do acordo feito com a Odebrecht [que resultou na abertura de dezenas de inquéritos], determinou que a equipe do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba tenha aumentado”. O mesmo ocorreu com os braços da Operação no Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo. Eles acreditam que a distribuição das investigações para um número maior de delegados “prejudica a especialização do conhecimento e da atividade, o desenvolvimento de uma visão do todo, a descoberta de interconexões entre as centenas de investigados”. Eles pediram que a medida seja “revista”.

Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da força-tarefa do MPF, foi além e disse que a dissolução do grupo da PF especializado na Lava Jato seria um reflexo da ação de “políticos de todos os espectros, esquerda ou direita, PMDB, PSDB, PT, etc”. De acordo com ele, as legendas “estão na luta pela sobrevivência do seu mandato e do seu modo de fazer política”. “A extinção da força-tarefa da Polícia Federal é só uma comprovação do que estamos dizendo há algum tempo”, conclui o procurador.

A delegada Tânia Prado, presidente do Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo, afirma que “sempre que há qualquer mudança, é preciso que seja fundamentada”. De acordo com ela, a justificativa para as alterações em curso foram “bem justificadas”. Prado defendeu uma maior autonomia da PF frente o Governo Federal como uma forma de fortalecer o órgão. “A PF está vulnerável em alguns pontos, principalmente com relação a contingenciamento de recursos”, afirma. A subordinação da entidade à pasta da Justiça “deixa a PF sujeita a ingerências de todo tipo”.

Em nota, a Federação Nacional dos Policiais Federais afirmou ter recebido “com preocupação” a notícia do fim do grupo de trabalho. “Ao desestruturar a força-tarefa, a Lava Jato passará a seguir o rito normal de um inquérito policial comum, que têm trâmites excessivamente burocráticos”, diz o texto. A entidade afirmou que irá procurar a direção geral da PF para cobrar explicações. “Em time que está ganhando não se mexe”, conclui a nota. A Associação Nacional dos Delegados da PF não se manifestou sobre o assunto.

O grupo de trabalho específico da Operação Carne Fraca, que investiga um esquema de fraudes e pagamento de propinas para a emissão de laudos sanitários falsos para frigoríficos – dentre eles a JBS -, também será absorvido pena unidade Delecor. Nesta sexta

jul
08
Posted on 08-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-07-2017


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Marina tem opinião sobre o fim da força-tarefa da Lava Jato

Marina Silva reproduz em suas redes sociais uma nota da Rede:

“Está em curso a mais grave ação para pôr fim à operação Lava Jato. A decisão do governo Temer de desativar o GT da Polícia Federal que integrava a Lava Jato é o ápice de uma sequência de decisões tomadas pelo Executivo, Legislativo e Judiciário que coloca a sociedade em estado de alerta.”

E mais:

“É isso que está em jogo no momento – a acusação de corrupção contra Temer, apresentada pelo Procurador-Geral e enviada para que a Câmara dos Deputados decida sobre o início do julgamento do Presidente pelo Supremo. O governo Temer e seus aliados usam todas as armas para sufocar a operação Lava Jato e se livrarem das denúncias, uma vez que não há argumentos capazes de afastar as provas evidentes de corrupção contra Temer.”

jul
08
Posted on 08-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-07-2017


Simanca, no portal de humor gráfico A Charge Online


DO EL PAÍS

Madri

Os líderes dos principais países industrializados e emergente que compõem o G20 se reúnem nesta sexta-feira e sábado, em Hamburgo (Alemanha), com o desafio de fortalecer sua cooperação multilateral, particularmente em relação a assuntos climáticos e comerciais, apesar de ser um momento marcado por tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Trump e o presidente russo Vladimir Putin se encontraram pela primeira vez nesta sexta-feira. O americano abriu a conversa de maneira muito amistosa: “Nós tivemos conversas muito, muito boas e estamos prestes a ter uma agora. Esperamos que ocorram muitas coisas positivas para a Rússia, os Estados Unidos e para todos os envolvidos. E é uma honra estar com você”. O Russo, respondeu com a mesma cordialidade: “Estou muito feliz em conhecê-lo pessoalmente”.

O encontro era esperadíssimo, já que ocorre sob a longa sombra das suspeitas de interferência russa nas eleições que levaram o magnata norte-americano ao poder, no ano passado. Por trás desse assunto espinhoso há uma série de chamativas coincidências ideológicas e de interesses entre os dois líderes, o que não impede, porém, que divergências estratégicas persistam. A seguir, uma reflexão sobre alguns dos principais pontos da relação entre os dois líderes.

CONVERGÊNCIAS

Visão nacionalista

O mantra com o qual Trump conquistou a Casa Branca é a síntese de uma visão nacionalista da política que coincide completamente com a linha seguida por Putin em seu longo período à frente da Rússia. O chefe do Kremlin apela constantemente ao orgulho patriótico e aos valores tradicionais da sociedade russa, construindo cuidadosamente para si a imagem de defensor implacável dos seus interesses. Trump percorre um caminho política semelhante.

Pouca simpatia pela UE

Por motivos diferentes, os presidentes dos EUA e da Rússia não têm nenhum interesse em uma União Europeia fortalecida. Putin deseja que o bloco europeu se fragmente para que ele adquira uma maior capacidade de negociação frente a interlocutores divididos. Trump, por sua vez, desconfia da UE como estandarte político de valores dos quais não compartilha; livre comércio, combate à poluição atmosférica, mesmo que à custa de sacrifícios na estrutura industrial, e cessão de competências nacionais a instituições supranacionais.

Relação conflituosa com a imprensa

Assim que chegou ao poder, Putin iniciou um meticuloso processo destinado a tolher vozes midiáticas críticas às suas políticas. Em circunstâncias muito diferentes, devido à solidez da democracia liberal e do Estado de direito nos EUA, Trump também trava uma batalha própria contra a imprensa independente.

DIVERGÊNCIAS

Oriente Médio

No tabuleiro do Oriente Médio, os dois líderes mantêm posições confrontadas. Trump se alinhou com o eixo sunita capitaneado pela Arábia Saudita. Putin, por sua vez, trabalha ombro a ombro com a potência xiita, o Irã, na defesa do seu aliado comum na Síria, o regime de Bashar al Assad.

Coreia do Norte

Frente à atitude beligerante da Administração Trump na crise norte-coreana, o Kremlin se mantém alinhado à posição da China, o grande protetor de Pyongyang. Ainda nesta semana, Moscou e Pequim emitiram um comunicado conjunto onde pediam aos EUA e à Coreia do Norte que tomassem medidas para reduzir a intensidade da crise, numa significativa demonstração de equidistância.

Ucrânia

Nesta quinta-feira, em Varsóvia, Trump quis pela primeira vez pressionar publicamente a Rússia a respeito do conflito na Ucrânia. O mandatário norte-americano exigiu a Moscou que deixe de implementar “políticas de desestabilização” nesse país e em outros da região. É improvável que essa declaração seja seguida por fatos substanciais, mas sem dúvida ela representa um ponto de inflexão.