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Posted on 06-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-07-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Tasso já fala em Maia para “travessia”

Tasso Jereissati disse ao Estadão que Michel Temer “caminha para a ingovernabilidade” ao não conseguir unir sequer o PMDB. Ele acha que o relatório de Sérgio Zveiter sobre a admissibilidade da denúncia contra Temer será um divisor de águas.

“O primeiro sinal que vamos ter é com o relator, que é do PMDB. Se ele der o voto licenciando o processo, quem está dando autorização é o PMDB. Quer coisa mais significativa que isso?.”

Tasso acha que Rodrigo Maia “tem condições de fazer a travessia, de juntar os partidos ao redor com um mínimo de estabilidade para o País”. “Eu acho que o ideal é envolver todos os partidos, inclusive os de esquerda.”

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Geddel cobre o rosto ao chegar para depoimento
à Justiça Federal, em Brasília.Foto Dida Sampaio/Estadão.


DO G1/O GLOBOO

Por Renan Ramalho, G1, Brasília

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, manteve nesta quinta-feira (6) a prisão preventiva do ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso na última segunda (3) em Salvador.

Com a decisão, não há prazo para a saída de Geddel da prisão, mas Vallisney deverá voltar a analisar o pedido na semana que vem.

O magistrado também negou a aplicação de medidas alternativas, como prisão domiciliar, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados.

Um dos aliados mais próximos do presidente Michel Temer e responsável pela articulação política do Palácio do Planalto até o fim do ano passado, Geddel foi preso por suspeita de atrapalhar investigações da Operação Cui Bono, que apura supostas fraudes na liberação de crédito da Caixa Econômica Federal.

Ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff, e, de acordo com as investigações, manteve a influência sobre a instituição desde que Temer assumiu a Presidência em maio de 2016.

Durante a audiência com o juiz Vallisney, a defesa de Geddel pediu a substituição da prisão preventiva por medidas alternativas. Questionado, ele se comprometeu a seguir todas as restrições e ordens da Justiça, incluindo comparecimento periódico e entrega de documentos e telefone celular com senha.

Ele também negou as acusações de ter embaraçado as investigações. “Coopero com a Justiça, como sempre cooperei. Tudo que fiz ou deixe de fazer foi sob orientação de meus advogados. Tenho crença inabalável eu não tomei nenhuma atividade de longe interpretada como embaraço à Justiça ou às investigações”, disse.

Ele estava preso desde terça (4) no presídio da Papuda, no Distrito Federal.

Durante a audiência, Geddel confirmou ter falado por telefone com a mulher do doleiro Lúcio Funaro, Raquel Pitta, pelo menos 10 vezes no último ano. Uma das alegações do Ministério Público para a prisão de Geddel é que ele tentava impedir uma delação de Funaro, também investigado por suspeita de envolvimento nos desvios da Caixa. Geddel disse, no entanto, que tratava somente de assuntos de família com Pitta.

“Em nenhum momento, fala de pressão, de sondagem sequer”, disse, negando que tinha interesse em saber se o doleiro iria fazer delação premiada.

O juiz determinou que a polícia ouça em depoimento a mulher de Funaro e faça perícia no celular dela para saber se houve algum tipo de pressão para evitar a delação do doleiro e também para verificar se Geddel realmente ligou para ela.

CRÔNICA/TEMPO REI

O galo português ” grande m…”

Maria Aparecida Torneros

Minha mãe tem 90 anos. Atualmente leva uma vida acamada mas ainda tem rasgos de lucidez e até bom humor. Sempre foi voluntáriosa de palavreado forte. A história do galo português que prevê as mudanças de tempo é digna de registro.

Em 2009, fui pela primeira vez a Portugal. Comentei com ela que se achasse o tal galinho traria um novo pra ela. O seu estava velhinho e tinha sido presente de uma amiga sua portuguesa há muitos anos atrás.

Rodei por várias cidades da Terrinha e num domingo finalmente encontrei o enfeite numa lojinha de souvernirs.

Comentei, feliz, com minhas amigas e fui telefonar num orelhão pra ela. Peguei-a de maus bofes e ao dizer que achara o galo a resposta foi: “grande m…”

Revidei que não sabia se “grande m…” era para comprar ou não o dito bichinho colorido…

Minhas amigas discordaram. Uma dizia que eu devia comprar. Outra indicava que não devia.

Meu coração optou pela compra. Voltei da viagem e ao desembarcar fui direto pra casa de mamãe.

Quando abri a mala, ela perguntou pelo galo. Fiz suspense. Ela me contou que se desfizera do outro velho.

Eu respondi se era o “grande m…” que ela queria. Sorriu. Puxei o pacotinho e lhe dei. O bendito galo muda de cores de acordo com a temperatura.

Indica as mudanças de tempo e corre no Rio uma piada de que o prefeito Crivella está importando de Portugal este equipamento seguro e barato para prevenir intempéries e chuvas na cidade.

O que eu trouxe fica azul nos dias de sol. Aqui o chamamos “grande m…” e ele funciona como nosso serviço caseiro de meteorologia.

Cida Torneros é jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida.


As quatro gerações da família Odebrecht Divulgação


DO EL PAÍS

Quando o herdeiro do Grupo Odebrecht foi preso, em 19 de junho de 2015, o Brasil era um país diferente. Da prisão, Marcelo Odebrecht assistiu ao desmantelamento do esquema de corrupção criminoso que montou dentro da construtora para comprar políticos e funcionários públicos. Viu também a queda do Governo de Dilma Rousseff, o agravamento da crise econômica, a prisão de diversos ex-parceiros políticos e antigos parceiros de cartel assinarem seus acordos de delação. É do inconveniente camarote que acompanha ainda a via-crúcis enfrentada pela empresa da família para tentar evitar a ruína, em um escândalo classificado por Deltan Dallagnol, procurador da força-tarefa do Ministério Público Federal para Operação Lava Jato, como “pior que Watergate”, por ultrapassar as fronteiras do país e afetar democracias por toda a América Latina.

Também assistiu ao empresário Joesley Batista admitir tantos crimes quanto ele, mas sair ileso, em um esquema que envolve de corrupção e lavagem de dinheiro que atinge até mesmo o presidente Michel Temer. Mesmo com a delação premiada, tem pela frente uma uma pena de dez anos de reclusão. Após deixar a penitenciária, o que deve acontecer no final deste ano, ainda terá pela frente sete anos e meio a serem cumpridos em regime de prisão domiciliar, afastado de qualquer tipo de atividade da companhia.

Há tempos a sorte parece ter deixado o Príncipe, apelido que ganhou da Polícia na Operação Lava Jato. E a virtude, uma qualidade dos grandes líderes, tampouco lhe sobra, como mostra o livro O Príncipe – uma biografia não autorizada de Marcelo Odebrecht, escrito pelos jornalistas Marcelo Cabral e Regiane Oliveira, e editado pela Astral Cultural. O livro, lançado nesta quinta-feira (06), baseia-se na trajetória de Marcelo Odebrecht, para falar sobre ambição, poder e seus paradoxos no Brasil.
Marcelo Odebrecht, um ‘príncipe’ na masmorra por dois anos

Na obra, Marcelo é retratado como uma espécie de anti-Eike. Enquanto o empresário carioca mantinha na sala de sua casa, como objeto de decoração, um modelo esportivo Lamborghini Aventador, avaliado em R$ 3 milhões — pelo menos até o veículo ser apreendido pela Polícia Federal, no início de 2017, Marcelo dirigia um modesto Chevrolet Meriva, substituído por necessidade por um Kia Carnival. O bilionário que não teve pudores em revelar para o país que comprava licitações, nunca gostou de ostentar. E essa é só uma das contradições da complexa personalidade dele presentes no livro.

Sem o carisma do pai, Emílio, nem o espírito empreendedor do avô, Norberto, Marcelo encontrou na corrupção o cenário ideal para fazer valer o lema da empresa – “sobreviver, crescer e perpetuar” – para expandir os negócios da empresa. Ganhou dinheiro, mas falhou como o “cidadão de bem” que queria ser. Tinha tanta confiança que nunca seria pego que sequer tentou esconder o departamento de propina criado para gerir a corrupção. Ficará para a história como o homem que descortinou o maior esquema de corrupção do país. Quem diria que o trabalho de delator cairia tão bem a um príncipe.

O livro O Príncipe – uma biografia não autorizada de Marcelo Odebrecht será lançado nesta quinta-feira (6), na livraria Saraiva Megastore, do Shopping Paulista, em São Paulo.

“Ensinai-me, pai, o que eu ainda não sei/ Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei”!
BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO BLOG O ANTAGONISTA

É só imitar Lula, Temer

Eduardo Cunha fez perguntas difíceis a Michel Temer sobre o FI-FGTS.

Quis saber se Temer indicou Moreira Franco para a Vice-Presidência de Fundos e Loterias, e depois seu substituto. Perguntou também se o presidente conhece André de Souza, o Andrezinho da CUT, e se teve alguma reunião com ele e Moreira para tratar de pedidos de financiamentos do FI-FGTS.

Cunha também questionou Temer sobre a existência de algum vínculo entre a liberação de recursos do FI-FGTS e doações para campanhas em 2010, 2012 e 2014.

Temer pode responder a tudo com um singelo “não”, como fez Lula, ou se negar a responder, como fez com o questionário da PF.

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Posted on 06-07-2017
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De Clayton, no jornal O Povo (CE)


Grupos de apoiadores do Governo invadem o Parlamento.
JUAN BARRETO AFP


DO EL PAÍS

Ewald Scharfenberg
Alfredo Meza
Caracas

Tropas de choque do chavismo invadiram nesta quarta-feira a sede da Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pela oposição, e agrediram deputados e visitantes que participavam de uma sessão solene comemorativa dos 206 anos da Declaração de Independência do país sul-americano. Todos permaneceram detidos no edifício até depois das 18h30 (hora local), quando então começaram a sair do local. Até então, um grupo agressivo de civis armados pelo regime os impedia de sair.

O ataque começou ao final da sessão comemorativa da assinatura da declaração da Independência do país, em 5 de julho de 1811, quando os representantes das províncias que então constituíam a Capitania Geral da Venezuela proclamaram a sua separação da Coroa espanhola. Manifestantes pró-governo, que até então rodeavam discretamente o edifício, invadiram o Palácio Federal Legislativo, no centro de Caracas, com o apoio da Guarda Nacional Bolivariana, responsável pela segurança do local.

Jornalistas, funcionários da AN e parlamentares foram alvo de agressões e roubos. Os deputados Nora Bracho, Armando Armas, Américo De Grazia, Luis Padilla e José Regnault Hernández, todos da oposição foram socorridos na enfermaria, com ferimentos consideráveis. De Grazia, o mais atingido, foi levado por uma ambulância a uma clínica na região noroeste de Caracas, onde sofreu uma convulsão. Está cm traumatismos no abdômen, no tórax, bem como um ferimento na cabeça. Armas levou vinte pontos na cabeça. Todos estão fora de perigo. Sete funcionários do Parlamento também foram feridos no conflito.

Simultaneamente ao ataque, todo o sistema de rádio e televisão do país transmitia em rede nacional o desfile com que as Forças Armadas tradicionalmente homenageiam a data nacional, partindo da avenida Los Próceres, na capital venezuelana. O evento contou com a presença do presidente Nicolás Maduro e membros de seu Governo, além de outros poderes do Estado. O chefe de Estado tomou conhecimento daquilo que ocorria no Parlamento e condenou os fatos, ao mesmo tempo em que prometeu a realização de uma investigação. “Não serei cúmplice da violência”, disse.

Oswaldo Rivero, chamado pelo chavismo de “Cabeça de manga”, conhecido apresentador da rede estatal Venezuelana de Televisão, liderou o ataque e discursou para a multidão governista. Depois da invasão, Rivero postou no Twitter três vídeos com depoimentos de simpatizantes chavistas , que afirmavam ter sido agredidos logo cedo pela manhã, quando tentavam entregar um documento ao presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges. O perfil dá a entender que o ataque foi uma resposta a essas agressões. Alicia de la Rosa, responsável pela assessoria de imprensa do Parlamento, não confirmou a versão de Rivero.

Em meio à invasão, a Guarda Nacional Bolivariana lançou bombas de gás lacrimogêneo. Ouviram-se sons de explosões no local, e depois, quando os chavistas se retiraram, os deputados recolheram restos de balas. Ao final da tarde, ainda permaneciam circulando no quarteirão onde se localiza o edifício, de aspecto neoclássico, a meia quadra da praça Bolívar e das sedes da Chancelaria, do governo da capital e o palácio do arcebispado. Os grupos de choque diziam estar agindo como represália à paralisação de seis horas organizada pela oposição em todo o país e afirmaram que autorizariam a saída dos parlamentares e dos convidados para o evento das 18h (19h em Brasília). Na sede do Poder Legislativo, havia 120 funcionários, 108 jornalistas e 94 deputados.

Não é a primeira vez que um acontecimento dessa natureza ocorre na atual legislatura. Em outubro de 2016, os mesmos grupos chavistas interromperam à força uma sessão convocada pela oposição para debater o início de um julgamento político contra Maduro. Tanto aquele ataque quanto o desta quarta-feira fizeram lembrar os piores momentos de confronto do século XIX.

É tradição, no país, a realização, nesta data, de um evento comemorativo da independência na sede do Poder Legislativo, onde está guardada a ata original da declaração de independência. Nesta quarta-feira, o discurso principal esteve a cargo da historiadora Inés Quintero. Desde que a oposição, reunida na Mesa de Unidade Democrática (MUD) conquistou a maioria do Parlamento nas eleições de dezembro de 2015, o Executivo chavista, que fez o Tribunal Supremo retirar os poderes legislativos da Casa, se nega a participar de eventos no local.

Por isso, foi uma surpresa — e, talvez, uma demonstração do poder dos símbolos — que na manhã desta quarta-feira tenha comparecido, na mesma sede da Assembleia, o vice-presidente Tareck El Aissami para homenagear a ata e convocar os simpatizantes de Maduro a se aproximar do Parlamento. “Que o povo a pé venha a este salão para prestar juramento de novo e assumir esta proclamação para conduzir nosso país, nos tempos futuros, a uma grande vitória. É hora do povo”, disse, “é a hora dos revolucionários”. El Aissami incitou a reação contra aqueles que, segundo a propaganda do Governo, “pretendem entregar o país aos interesses obscuros do imperialismo”. “Aqueles que vão ficando pelo caminho por traições, ambições e por projetos pessoais, que fiquem. Para cada traidora ou cada traidor, virão bilhões de revolucionários para levantar a bandeira de Bolívar e de Chávez para continuar a empurrar esta causa”, afirmou.

Na rápida cerimônia, realizada num salão do Palácio Federal, viu-se El Aissami (sobre quem pesa uma sanção do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suspeita de narcotráfico e lavagem de dinheiro) ladeado pelo coronel Bladimir Lugo, comandante do destacamento da Guarda Nacional encarregado de proteger as instalações parlamentares.

Nos últimos dias, o coronel Lugo ganhou notoriedade pública por um vídeo que circulou nas redes sociais em que aparecia discutindo com o presidente da Assembleia Nacional, o oposicionista Julio Borges, em quem finalmente deu um empurrão.

Poucos minutos depois da inesperada visita de El Aissami, teve início a sessão solene da Assembleia Nacional. A duplicidade de eventos mostra como é acelerado o trânsito da Venezuela rumo a uma realidade de instituições paralelas, em meio a uma profunda crise socioeconômica e de governabilidade. Apesar do ataque, os deputados da oposição conseguiram aprovar na Casa um acordo para a convocação de um plebiscito popular para o próximo dia 16 de julho.