“Lábia”: pura magia e sedução musical e poética de uma composição de Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda. Nada melhor nem mais bonito para o despertar no último domingo de julho. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Praia liberada

No segundo dia da Operação Segurança e Paz, que mobiliza 8,5 mil militares em ações no Rio de Janeiro, uma parte deles ocupa a orla da Zona Sul carioca, como se vê no registro do Estadão.

Mas também são ocupados outros “pontos estratégicos das zonas norte e oeste, como os bairros de Guadalupe e Deodoro.

No Aterro do Flamengo, que liga a zona sul ao centro da cidade, militares andavam fortemente armados pela ciclovia. A patrulha tinha apoio de pelo menos um caminhão e dois tanques do Exército ao longo do parque.


jul
30
Posted on 30-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-07-2017


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


A jornalista argentina Leila Guerriero. Divulgação


DO EL PAÍS

Heloísa Mendonça

São Paulo

A jornalista e escritora Leila Guerriero gosta de olhar de perto, com calma. Gosta do detalhe. Escreve sobre histórias comuns com uma profundidade e elegância inusitadas. Entrou no mundo da reportagem quase por casualidade, nos anos 90, e hoje se converteu em uma das principais referências do jornalismo narrativo latino-americano.Ela se define como uma repórter “promíscua”, pois nunca quis assinar nenhum contrato de exclusividade. Tem textos em publicações mundo afora: La Nación e Rolling Stone, da Argentina, Gatopardo, do México, El Mercurio, do Chile, Etiqueta Negra, do Peru, e L’Internazionale, da Itália. Desde 2014, é colunista do EL PAÍS.

A vocação da argentina é a crônica social profunda, de temas pouco tocados pela mídia da região. Já escreveu perfis e livros de não-ficção. O primeiro deles, Os suicidas do fim do mundo, investiga o suicídio de doze jovens em um povoado da Patagônia. No Brasil, Leila lançou, há dois anos, Uma história simples (Editora Bertrand). A obra narra a saga de um argentino comum que passa anos se preparando para vencer um festival nacional de uma dança folclórica, o malambo – uma espécie de sapateado que requer um treinamento tão árduo como o de um atleta olímpico. A autora se inteirou sobre a competição quando leu uma pequena nota de um jornal. Sua curiosidade a fez viajar para o interior argentino e descobrir um festival que arrastava centenas de pessoas a um minúsculo povoado de 6.000 habitantes da província de Córdoba. O certame tinha ainda algo mais curioso: os dançarinos que se tornam campeões já não podem participar mais de competições. “Me custava muito entender porque eles marchavam tão contentes para sua própria aniquilação”, conta a jornalista ao EL PAÍS por telefone. O que era para ser uma reportagem transformou-se em livro.

Nas palavras do escritor peruano Mario Vargas Llosa, os perfis biográficos que desenha Leila demonstram que o jornalismo pode ser uma arte e produzir obras de valia, sem renunciar a sua obrigação primordial, que é informar. E é exatamente sobre esses limites das obras de não-ficção e a ficção que a autora falará em uma das mesas da 15ª edição da Festa Literária de Paraty (FLIP), neste sábado, ao lado do escritor francês Patrick Deville. No Brasil, Leila também vai ministrar uma oficina sobre a construção do texto de jornalismo literário.

Pergunta. Em quais meios sobrevive a narrativa literária no jornalista em uma época de leitura rápida e bastante visual?

Resposta. Comparando o panorama das crônicas de 20 anos atrás com o de agora, se bem não há uma espécie de boom, ele é melhor em muitas coisas. Algumas revistas continuam publicando texto muitos longos, algumas editoras se abriram a edição de livros dedicados às grandes reportagens. Os jornais se esforçam para publicar textos assim nos finais de semana, ainda que tenho notado que as crônicas estão retrocedendo nas revistas dominicais. Minha percepção é que hoje há muito mais repórteres tentando fazer esse tipo de texto.

“As grandes reportagens têm outro tipo de leitor, que nunca foi um público massivo. Sempre foi um leitor mais de nicho”.

P. Acredita no futuro das grandes reportagens?

R. Me dá impressão que esse é um jornalismo muito mais batalhador que não vai baixar os braços. Falamos hoje de duas crises distintas do jornalismo. Há uma questão de crise relacionada aos 140 caracteres, à rapidez, à imediatez e que o texto seja impactante em busca da audiência. Mas a outra é algo que sempre foi por outro lugar: é que as grandes reportagens têm outro tipo de leitor, que nunca foi um público massivo. Sempre foi um leitor mais de nicho. Por isso, os jornais não são o espaço para esse tipo de texto, que funcionam mais para revista. Não sei o que vai acontecer, mas não sou pessimista. Com esforço e empenho se encontram lugares para publicar coisas mais longas. Um texto extenso tampouco implica que seja bom. Além de longo, precisa ser bom.

P. Existem elementos essenciais para se escrever bem?

R. Não dou conselhos sobre isso porque é impossível. Talvez o único é que leiam, leiam muito. É a única possibilidade de ser bom nisso. Outra questão importante é se perguntar até que ponto estão dispostos a se entregar a essa vocação. E o melhor é não receber conselhos taxativos demais e rígidos. Acho que cada um precisa encontrar seu próprio método de fazer as coisas, sua própria voz. E, para isso, é necessário escutar como fazem outras pessoas e tomar algumas coisas do método delas. No entanto, é preciso transformar todas essas referências em algo pessoal. Se não estão dispostos a fazer esse trabalho, dificilmente poderão ter sua própria voz. Podem ser uma boa cópia de algo, mas não algo potente com um bom olhar.

A paixão pela escrita começou cedo na vida de Leila. Como todas as crianças ávidas por leitura, ela também gostava de escrever. Contos, poemas, peças de ficção. O jornalismo, no entanto, demorou a lhe ocorrer como uma possibilidade de profissão. Queria ser escritora. “Mas na prática como se ganha a vida um escritor?”, se questionava. Em uma graduação de Letras, ou se tornaria crítica literária ou professora. Nenhum das ideias a atraia. Aos 17 anos, resolveu sair da sua cidade natal Junín, na província da Buenos Aires, rumo a capital. Como amava viajar, optou por estudar turismo. “Terminei a carreira e, claro, nunca trabalhei com isso, mas me serviu muito porque nunca teria estudado tanta cultura geral, história, geopolítica, antropologia”.

“O jornalista não pode ir apenas até a realidade confirmar um preconceito ou vai produzir uma distorção do que é real”.

Leila bateu na porta do jornalismo, no entanto, só aos 22 anos quando enviou um relato de ficção endereçado ao então editor da redação do jornal argentino Página 12, Jorge Lanata, que nunca tinha visto na vida. O conto sobre um casal de ladrões acabou sendo publicado na contracapa do diário e, seis meses, depois Lanata a convidou para trabalhar no jornal. “Me tornei jornalista em 10 minutos. O único conselho que ele me deu foi: vai lá e se defenda como der. E se alguma porta não se abrir, derrube a pontapés”. Sua primeira pauta foi sobre o caos do trânsito da cidade de Buenos Aires, teve um mês para escrevê-la. Um tempo que pode ser considerado gigantesco nos tempos atuais. Desde então, a escritora esteve no caminho das reportagens longas, com mais tempo de produção. É claro que já escreveu coisas de forma apressada. Geralmente sobre morte de autores, prêmios da literatura ou quando o argentino Jorge Mario Bergoglio se tornou o Papa Francisco. “Não sei fazer o que faz um jornalista no dia a dia da notícia factual. Sou de outra escola”.

A jornalista que começou a carreira com um conto, nunca mais sentiu necessidade de escrever literatura de ficção. Quando escolhe uma leitura, no entanto, tende a voltar ao gênero. Muito mais do que ao jornalismo. No seu panteão de autores favoritos estão: Scott Fitzgerald, John Irving, Lorrie Moore, John Steinbeck, Anne Tyler e Joseph Conrad. Também devora muita poesia, como a de Nicanor Parra. Dos autores brasileiros contemporâneos destaca Andréa del Fuego e João Paulo Cuenca. E em um patamar de inspiração maior reina Clarice Lispector.

P. Qual o limite da construção do jornalismo literário?

“As tecnologias acrescentam, mas ao mesmo tempo, distraem e alienam muito. Um dos riscos é que nos faz fechar em nós mesmos. E este é um perigo para o jornalista”.

R. Sempre se fala da porosidade dos gêneros, mas para mim, o limite claro entre uma obra de ficção e não ficção é dado no pacto de leitura que se faz com o leitor. Se eu digo que vou contar algo que sucedeu, quero que o leitor confie que tudo que ele vai ler é matéria prima real. Caso eu coloque algo nesse relato que eu tenha inventado ou um personagem que não existe, mas serve para o texto, isso já faz parte de outro gênero que é a ficção, novela ou conto. O limite é a invenção. Meu compromisso é que o leitor saiba que tudo que estou contando é algo que eu pude comprovar que aconteceu ou que estive aí.

P. Na sua visão, a objetividade jornalística é cada vez mais utópica?

“A honestidade no jornalismo consiste em aplicar um olhar equilibrado e que contemple todos os pontos de vista”.

R. O que acredito é que é preciso ter uma subjetividade honesta. Buscar a objetividade é como ter o dom da onisciência. Ou seja, é impossível. Todos escrevemos a partir de um lugar de subjetividade, somos pessoas e produto de várias experiências. A reportagem serve para chegar a uma informação que seja a mais honesta e honrada possível. No jornalismo, nos deparamos com questões que queremos e outras horríveis que preferíamos não saber. A honestidade consiste em aplicar um olhar equilibrado e que contemple todos os pontos de vista.

P. Vivemos no Brasil tempos de uma polarização política muito grande, o que também vem acontecendo na Argentina. Corremos mais riscos do jornalismo pecar nesse equilíbrio e se transformar em algo um pouco mais militante?

R. O jornalismo militante para mim é uma contradição de termos. A militância é um lugar de certeza e obediência. Ela está convencida de apenas uma forma de pensar e mudar o mundo. O jornalismo é todo o contrário disso. Uma coisa é uma coluna de opinião outra uma investigação, onde não há espaço para essa militância. O que acontece muito é que quando o jornalista vai até a realidade, encontra situações muito incômodas. Pode entrevistar uma pessoa que é uma pobre vítima de tal coisa, mas ao mesmo tempo é um ser humano espantoso que bate nos filhos. O que fazemos? Não contamos? O jornalista não pode ir apenas até a realidade confirmar um preconceito ou vai produzir uma distorção do que é real. Mas claramente há essa guerra de meios de comunicação que buscam ferir a imagem de alguém e não dar a informação honesta. É algo absurdo e que as pessoas percebem, elas não são tontas.

P. Qual a sua relação com as novas tecnologias para a produção jornalística?

R. Acho que são fantásticas. Sou tecnológica, mas escolho o que quero ter. Não tenho twitter, WhatsApp, nem Facebook simplesmente porque me parecem ferramentas muito invasivas e nada mais que isso. Não sou fóbica. As tecnologias acrescentam, mas ao mesmo tempo, distraem e alienam muito. Um dos riscos é que nos faz fechar em nós mesmos. E este é um perigo para o jornalista. Aquele que olha para o seu umbigo o tempo todo, que está mais preocupado sobre o tuíte engenhoso que vai escrever do que fazer seu trabalho, me preocupa. Há também um risco de uma certa desmotivação. O risco de um jornalista aburguesado, que está todo o tempo na redação, que contacta todos os entrevistados por Facebook e áudios sem olhar as pessoas nos olhos, saber onde e como vivem exatamente.

P. Quais temas precisam de mais atenção hoje na crônica literária da América Latina?

R. Hoje esse tipo de jornalismo se centra mais em temas relacionados com a marginalidade e o conflito. Já a saúde, a educação, a música, a ciência e o esporte são relatados mais em matéria do dia a dia. Falta meter mais pulso jornalístico nessas questões, inclusive também nas historias da classe alta.

P. Ter uma coluna periodicamente é desafiador? De onde parte suas inspirações? Algumas são autobiográficas?

R. Quando me fizeram a propostas de escrever a coluna para o EL PAÍS, achei que o fato de buscarem uma cronista latino-americana tinha que ter algum sentido. Percebi que contar histórias do nosso continente e da nossa região neste lugar era importante. Muitas delas são autobiográficas, salvo as que chamo de Instruções, que são como postais de seres humanos em crises diversas. E na verdade eu gosto muito desse formato hiperpequeno, característico das minhas colunas. São como micro ensaios que precisam estar blindados, sem cabos soltos. É um dizer muito potente e condensado. Tem algo de perfume muito impregnante. É uma escritura muito chamativa que obviamente não funciona por todas as partes. A coluna está sempre aí, quase gritando.

jul
29

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Lula é pior que Bolsonaro e Doria

Sobre Lula, Jair Bolsonaro e João Doria, a Veja diz:

“Nenhum deles coordena as gangues virtuais nem estimula abertamente suas táticas de intimidação, mas também nunca se ouviu deles uma palavra para dissuadir seus apoiadores das práticas de hostilização.”

Mais adiante, no entanto, a revista lembra:

“No Brasil, o exército petista foi o primeiro a aderir à guerrilha na internet, em 2007, sob o comando do jornalista Franklin Martins. A estratégia era ambiciosa: derramar dinheiro público em blogs defensores do PT e utilizá-los como ferramenta para organizar a militância. O partido foi pioneiro também no uso de robôs destinados a derrubar páginas críticas ao então presidente. Quando o dinheiro do governo secou, com ele se foi a maioria dos blogueiros pagos.”

O Antagonista lembra, por exemplo, que o site petista que fez uma lista negra de jornalistas em 2016 tinha recebido R$ 667.069 de verba de publicidade federal em 2015, no governo do PT.

Nem Bolsonaro nem Doria, que se saiba, derramaram dinheiro público em “guerrilha” virtual.

Igualá-los a Lula neste ponto é, também, uma forma de militância – assim como eleger o exército de “bolsonaristas” o “mais raivoso dos três exércitos virtuais ligados a políticos”.

Wilson Simonal, com S de sensacional! E de saudade.

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)


Bendine:ex-presidente do BB e Petrobras preso
e recolhido à carceragem da PF em Curitiba…


…e o Pato da Fiesp na charge do Diário de Pernambuco.


CRÔNICA DA SEMANA

O Pato da FIESP, a charge de Samuca, e a “Cobra” da Lava Jato

Vitor Hugo Soares

É um primor de informação e humor, misturados, a charge sobre a volta do pato da FIESP, assinada por Samuca – um artista recifense da comunicação gráfica – publicada no “Diário de Pernambuco”. Dois dias depois do anúncio de aumento do imposto PIS/COFINS sobre combustíveis ser autorizado através de monocrático decreto federal, que assinala flagrante divisão no ventre do crescentemente impopular e claudicante governo Temer. Marcante tanto em seu propósito jornalístico de informar com graça, quanto no apurado conteúdo crítico e político, que não se encerra com um simples sorriso de momento, mas faz pensar sobre o que vem por aí, até o começo de agosto, que promete, como nunca, muitos bafafás.

Por falar nisso, um breve parágrafo que poderia ser intitulado de “Interlúdio”, – com os devidos agradecimentos póstumos a Henri Miller -, para destacar a Operação “Cobra” (novíssimo braço da Lava Jato), que prendeu e mandou para Curitiba, quinta-feira (por suspeitas, indícios e provas de corrupção da grossa, segundo os procuradores), o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, na véspera dele embarcar para Portugal, como planejava. Com ou sem passagem de volta, o fato inesperado, seguramente, deixa de cabelos arrepiados muita gente do poder, da política e das negociatas públicas e privadas, há poucos dias de agosto chegar.

Se o desenho no histórico jornal nordestino foi visto pelos assessores e dado conhecimento aos dois atuais ocupantes mais ilustres do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda (Michel Temer e Henrique Meireles, respectivamente), deve ainda estar tirando o sono e causando fortes tremores e ranger de dentes em Brasília e em outros cantos, de norte a sul do País. Se motivos já não faltavam para assombros, some-se ao simbólico Pato na Paulista, o choque causado pelo retorno rápido e certeiro da Lava Jato, reforçada em sua atividade contra corruptos e corruptores, comandada pelo juiz Sérgio Moro.

Na charge do jornal nordestino de tradição nacional, um solitário e desalentado contribuinte empurra sobre rodas o enorme pato amarelo, nos moldes daquele da campanha “Não Vou Pagar o Pato”, para estacioná-lo em um posto de gasolina. Ressurge assim, na gravura, a simbólica figura representativa da ojeriza dos empresários – e da sociedade em geral – à escorcha tributária. Presença destacada nas grandes manifestações de protestos na Avenida Paulista, no agitado período que antecedeu a aprovação, pelo Senado, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Para ser exato, em relação a Sua Excelência o fato: os primeiros sustos e sinais de temor e preocupação dos donos do poder da vez, diante da reaparição da ave anti-tributos – sumida desde março do ano passado – , se deram já na sexta-feira passada, um dia depois de autorizada a nova tunga no cidadão contribuinte. De madrugada ainda, quando os postos começavam a trocar os preços da gasolina nas bombas, o pato amarelo, de cinco metros de altura, foi estacionado na frente do não menos simbólico prédio da corporação dos homens de negócio de São Paulo.

O impacto político e governamental foi instantâneo, quase tanto quanto a cobrança do aumento nas bombas. O jovem advogado Carlos Alexandrino Klomfahs, de Santo André, na região do ABC paulista, tentou suprir – sozinho e por dever de ofício e de cidadania -, o silêncio tumular e as ausências da OAB, das entidades sindicais, das ONGs de defesa do cidadão contra abusos e que tais, como o próprio autor do pedido explicou à reportagem da GloboNews, que o procurou em sua cidade, para ouvi-lo sobre a iniciativa da ação popular, de sua autoria, alegando inconstitucionalidade no aumento do tributo, acatada por um juiz do Distrito Federal, com validade da decisão para o país inteiro.

Mas o júbilo pela conquista demorou pouco. A Advocacia Geral da União entrou com recurso e, dois dias depois, outra decisão judicial manteria a cobrança. “E toca o carro pra Lapinha”, como dizem os soteropolitanos ainda fiéis à história e aos desfiles do 2 de Julho na Cidade da Bahia.

No meio de tudo isso, uma constatação já pode ser feita antes de mês de julho acabar: o ajuste fiscal bolado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meireles e o seu louvado “time dos sonhos” da economia, dá sinais cada vez mais nítidos e preocupantes de que se espatifou, derrotado fragorosamente pela “política de salvação de Michel Temer”, na perfeita definição de reportagem do El Pais, sobre a realidade brasileira destes dias. Tão primorosa quanto a charge no tradicional diário pernambucano, referida no começo deste artigo.

De um lado, o discurso cada dia mais frágil e desacreditado do ajuste fiscal de Meireles. Em contraste gritante com a gastança desenfreada do mandatário da vez, que empenha o canavial da sogra e cede a grupos de pressão para garantir, na Câmara, os votos suficientes para impedir que seja aprovada a autorização necessária para que a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, siga adiante e vá bater no STF. Janot, por sua vez, enquanto arruma as gavetas, para entregar a PGR a novo comando, parece sinalizar que municia a sua espingarda com chumbo grosso, para dispararde novo contra Temer antes de deixar seu posto, em setembro. A conferir.

Antes disso, o mais crucial, neste quase final de julho, é uma incômoda e preocupante constatação: as contradições entre Temer e Meireles, até recentemente submersas em águas profundas e escuras, sobem rapidamente à superfície. Prova mais recente e cabal disso é o caso dos impostos. A medida joga o carro por cima e atropela um dos mais poderosos e decisivos aliados de Temer e seu governo: a Federação das Indústrias de São Paulo.

Resumo da história: o Pato da FIESP ressurgiu. Está de novo na sua vitrine e imponente tambor de ressonância da Avenida Paulista, simbólico como nos dias das grandes manifestações que antecederam o impeachment da petista Dilma Rousseff. O pato da Fiesp é pop, como revela a charge de Samuca, no Diário de Pernambuco. E daí?, perguntarão os eternos fanáticos da objetividade de que falava Nelson Rodrigues. Mas fico por aqui, responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

“Vamos carioca, sai do teu sono devagar”.
Apesar de tudo, mais que nunca é preciso cantar.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Fuzileiros Navais vigiam praias do Rio


DO EL PAIS

María Martín

As Forças Armadas voltaram às ruas do Rio de Janeiro pela terceira vez em apenas um ano. Em mais um pedido de socorro do Estado diante da crescente insegurança, o Rio receberá 8.500 militares, além de 620 agentes da Força Nacional (formada majoritariamente por integrantes de outras polícias estaduais) e policiais rodoviários, totalizando um reforço de 10.000 homens às policiais estaduais. As tropas, autorizadas por decreto assinado pelo presidente Michel Temer, já estão nas principais vias da cidade e devem permanecer até 31 de dezembro, prazo que pode ser estendido até finais de 2018.

Os militares, segundo as autoridades, não devem fazer patrulhamento regular como foi feito nas Olimpíadas, quando 22.000 homens foram convocados para patrulhar até as praias, embora os soldados já sejam vistos em Copacabana na tarde desta sexta. Tampouco devem protagonizar ocupações, como aconteceu no Complexo da Maré, em 2014. Os soldados, no entanto, integrarão as equipes destacadas em operações contra o tráfico de drogas e armas.

“A nossa mensagem é: nós não vamos recuar. Porque nós estamos determinados e vamos até o fim”, disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Apesar do anúncio, o próprio Jungmann tentou, nesta quinta-feira, conter as expectativas da população: “Mas não esperem milagres e resultados rápidos. O panorama não vai mudar da noite para o dia. Vamos enfrentar e atacar o comando do crime, que deve dar respostas. A sociedade tem que ter ciência disso”.

De acordo com a legislação, o uso das Forças Armadas deve ser autorizado por meio de decreto presidência, por meio da Garantia da Lei da Ordem (GLO). Ela só pode ser acionada quando o Governo reconhece que as forças regulares de segurança já não são suficientes. O emprego de militares em atividades de segurança pública é, em geral, criticado por especialistas e por organizações internacionais como a Anistia Internacional. Eles argumentam que as Forças Armadas não possuem treinamento adequado para esse tipo de atividade e criticam que os militares, no caso em que cometam abusos ou violações de direitos humanos, sejam julgados pela Justiça Militar, e não pela comum.

A iniciativa de enviar tropas vem depois de o Governo federal e estadual serem criticados por demonstrarem inércia diante da grave deterioração da segurança pública que experimenta o Rio – as mortes violentas voltaram a níveis de 2009 e na semana passada houve um assalto até na fila de um hospital. No último dia 20, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que além da grave crise de segurança enfrenta uma profunda crise fiscal, reuniu-se em Brasília com o presidente Temer e mais seis ministros para tratar soluções para o Estado. O encontro terminou sem uma única medida nova para combater a violência e Pezão conseguiu transmitir uma imagem de ainda mais desconcerto. O governador anunciou o envio de 800 homens do efetivo federal que já estavam no Rio e ao ser alertado pelos jornalistas que aquilo não era novidade, ele retrucou: “Eu não sabia”. Sua assessoria de imprensa o justificou alegando que o governador não é “especialista” no assunto.

O envio de militares às ruas do Rio deve servir como laboratório para o Plano de Segurança Pública anunciado por Temer no começo do ano, após os motins sangrentos ocorridos em penitenciárias de vários Estados. O plano, anunciado com pompa na época, não tinha sido sequer debatido com os secretários de segurança pública dos Estados, como afirmou o secretário do Rio, Roberto Sá, em entrevista a este jornal: “Eu conheci o plano depois que recebi”


DO G1/ TV GLOBO

Por G1 BA

A Polícia Federal não está monitorando a prisão domiciliar do ex-ministro Geddel Vieira Lima na Bahia –para fiscalizar se ele está se deslocando de sua residência ou tendo contato com outros investigados e seus familiares, por exemplo.

Geddel cumpre a prisão no apartamento onde mora em um prédio em Salvador, há quase duas semanas, desde quando deixou o presídio da Papuda, em Brasília. A prisão dele foi decretada por suspeita de tentar interferir nas investigações da Operação Cui Bono, que apura fraudes na liberação de crédito da Caixa Econômica Federal — ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff.

Ao determinar a substituição da prisão preventiva do ex-ministro pela prisão domiciliar, em 19 de julho, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) informou que a Polícia Federal seria a responsável por monitorá-lo, seja por meio de tornozeleira eletrônica ou pelo uso de outros instrumentos legais.

Inicialmente, a decisão judicial estabelecia a necessidade de tornozeleira eletrônica para Geddel. Só que o estado da Bahia não tem o dispositivo. A PF já havia informado anteriormente que não dispõe de tornozeleira eletrônica para o ex-ministro. Disse, também, que “tal função não é afeta à atividade de polícia judiciária desempenhada pela Polícia Federal, e sim ao sistema prisional, seja ele o federal ou o estadual”.

Questionada pelo G1, a PF disse não ter recebido nenhuma intimação da Justiça Federal sobre o monitoramento de Geddel e, sem isso, não pode fazer nada. “Enquanto não tiver nenhuma intimação [da Justiça Federal], a gente não tem nada a responder”, informou a assessoria de imprensa da PF na Bahia, por telefone, na quarta-feira (26). O entendimento, segundo a assessoria, deve ser feita entre o sistema penitenciário e a “Justiça Federal”.
Ex-ministro Geddel Vieira Lima cumpre prisão domiciliar em Salvador. (Foto: Dida Sampaio, Estadão Conteúdo) Ex-ministro Geddel Vieira Lima cumpre prisão domiciliar em Salvador. (Foto: Dida Sampaio, Estadão Conteúdo)

Ex-ministro Geddel Vieira Lima cumpre prisão domiciliar em Salvador. (Foto: Dida Sampaio, Estadão Conteúdo)

Desde a manhã de quinta (27), o G1 questiona a Justiça Federal em Brasília sobre providências quanto ao descumprimento da ordem judicial pela PF. Após a publicação desta reportagem, o TRF-1 esclareceu, por meio de sua assessoria, que a decisão da semana passada determinou à 10ª Vara Federal, de primeira instância, que tomasse as medidas que entender cabíveis.

“Assim, qualquer desobediência ou não cumprimento de sua função deverão ser tratadas pelo juízo da 10ª Vara”, informou o tribunal. O G1 ainda não obteve posicionamento da 10ª Vara.

O Código de Processo Penal, que estabelece como funciona a prisão domiciliar, não trata de como se dá a fiscalização quando não há a tornozeleira eletrônica. Cabe à Justiça determinar caso a caso as medidas de monitoramento.
Apartamento onde ex-ministro Geddel Vieira Lima mora, na capital baiana. (Foto: Natally Acioli) Apartamento onde ex-ministro Geddel Vieira Lima mora, na capital baiana. (Foto: Natally Acioli)

Apartamento onde ex-ministro Geddel Vieira Lima mora, na capital baiana. (Foto: Natally Acioli)

Em entrevista ao G1, publicada no dia 21 de julho, o autor da decisão judicial que autorizou o ex-ministro Geddel a cumprir prisão domiciliar, o desembargador Ney Bello, disse que, quando não há tornozeleiras disponíveis no sistema penitenciário, o monitoramento pode ser feito como ocorria antes da criação do equipamento: por meio de visitas esporádicas ou outra medida definida pelo juiz responsável pela execução penal.

“A Polícia Judiciária, neste caso a Polícia Federal, é que deverá fazer o monitoramento com os instrumentos que possuir. [O monitoramento] também poderá ser feito pela estrutura penitenciária”, afirmou Bello.

A defesa de Geddel disse que ele está em casa, sem tornozeleira, e sem manter contato com ninguém de fora. Também disse que fica a critério da PF a forma de como realizar o monitoramento, mas que isso não é informado à defesa. A defesa diz ainda que o fato de não ter tornozeleira não traz nenhuma consequência ao ex-ministro.

No âmbito estadual, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap-BA) informou que não possui tornozeleiras atualmente. O órgão garante que abriu duas licitações para aquisição do serviço de monitoramento eletrônico de pessoas.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) disse que não recebeu qualquer solicitação referente ao monitoramento do ex-ministro. O G1 aguarda resposta da Seap.

Prisão

A prisão domiciliar foi concedida a Geddel no dia 12 de julho. Como tratou-se de decisão liminar de um desembargador, o caso teve de ser analisado pelo plenário da 3ª Turma do TRF, que manteve a decisão do magistrado.

A 3ª Turma entendeu que o encarceramento era medida desproporcional à suspeita, levantada pelo Ministério Público, de que Geddel estaria pressionando a mulher do doleiro Lúcio Funaro, preso desde junho do ano passado, para que ele não fizesse delação premiada.

Na entrevista ao G1, o desembargador Ney Bello observou que a decisão do TRF-1 proíbe que Geddel saia de casa, use telefone e entre em contato com qualquer outro investigado ou parentes de qualquer investigado. O magistrado destacou que, caso o peemedebista descumpra qualquer das medidas determinadas pela Justiça, “haverá retroação imediata e encarceramento”.

Para Bello, a falta de tornozeleiras não pode barrar a autorização da prisão domiciliar. “Alguém pode deixar de ser solto porque falta salário ao carcereiro para trabalhar e abrir a cela? Ou porque não há gasolina no camburão para retirar o preso do presídio?”, ironizou.

“Não faz sentido deixar de decretar a prisão domiciliar ou deixar de proibir qualquer acusado de se afastar de determinado local por incapacidade do Estado de fiscalizar a decisão judicial”, disse o desembargador.

Saída do governo

Um dos ministros mais influentes no governo Temer, Geddel deixou a Secretaria de Governo em novembro do ano passado.

Na ocasião, ele foi acusado pelo então ministro da Cultura, Marcelo Calero, que também pediu demissão, de pressioná-lo para que a pasta determinasse a liberação de um empreendimento em Salvador onde Geddel comprou um apartamento.

A obra havia sido embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), subordinado ao Ministério da Cultura.

Geddel sempre negou ter pressionado Calero, mas, diante da crise política em torno do assunto, pediu demissão a Temer.