ARTIGO/OPINIÃO

Temer está mais fora do que dentro

Maria Aparecida Torneros

Temer está mais fora do que dentro! Lembrei da viúva Porcina!
“A que foi sem nunca ter sido”. Ela era a viúva Porcina. Personagem inesquecível de Roque Santeiro, novela de Dias Gomes, cujo enredo era uma grande metáfora do nosso próprio país. Sucesso de audiência com elementos caracterizados mostrando o quanto o poder é corrupto e ambicioso. Sinhozinho Malta vivido na época por Lima Duarte é o retrato de tantos senhores que se acham detentores do comando de gado que pode ser o povo.

Michel Temer é como Porcina. Foi Presidente sem nunca ter sido. Aliás tentou ser. Não conseguiu nem popularidade e nem credibilidade. Mas se equilibrou num Congresso composto de muitos Sinhozinhos Malta e algumas viúvas Porcinas.

Propôs reformas de interesse das elites sem ouvir com atenção o anseio de uma população que não o engoliu. Quem paga o Pato? A FIESP? Ora , o Povo, evidentemente. Sua base “aliada”escafedeu-se nos plenários tão logo foi informada da delação premiada dos irmãos Batista. Estes sim, fizeram o dever de casa direitinho. Embora no papel de corruptores e pagantes, recorreram à Justiça e foram acompanhados e rastreados. Obtiveram inclusive autorização para sair do Brasil.

Sua indústria é a maior contribuinte de campanhas eleitorais via legal e escorregou na ilegalidade ou achaque tão comum entre nossos pseudo representantes sem caráter.
Não importa o partido. Há décadas eles se acostumaram ao toma lá dá cá do rodízio eleitoral.
Fora Temer virou frase repetida. Jargão. Parecia brincadeira infantil.
O talzinho seguiu esticando dedos e de costas eretas andou pelo mundo atuando como o Salvador da Pátria amada. Agora, provas cabais o forçam a renunciar ou passar por impeachment.

Talvez o povo e a crise nos empurrem para novas eleições diretas. O menino Neves correu mas sua irmã já foi presa.

Diretas já foi um movimento onde Tancredo Neves teve papel exponencial.
O novo “diretas já ” deve ter um ator principal e ele se chama Zé Povinho.
Os irmãos Batista tem mais de 50 indústrias de processamento de frango e carne nos EUA.
A carne é nossa. Nela é que dói a fome. Nela é que dói o frio do desamparo. Na carne (que não tem a marca Friboi) está outro tipo de cicatriz. A vergonha de termos confiado em criaturas tão indignas.
Mas, como diria o baiano…Viva o povo brasileiro… Fora Temer. Fora Cunha. Fora Lula. Fora Dilma. Fora FHC. Fora Sarney. Fora Aécio. Fora foro privilegiado. Fora gente exploradora.
Nosso grito é de justiça.
Queremos votar em gente séria. Onde estão os honestos desta nação?

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Edita o Blog da Cida, onde o texto foi publicado originalmente.

Os dias podem não ser os melhores , mana. Mas é preciso abrir um espaço de sol, de brilho e de esperança no tempo e no espaço, para celebrar o 19 de maio , data de seu nascimento. Brasília, que você ama tanto, e Djavan que todos nós amamos, para você neste dia. Parabéns! Felicidades! Saúde e Amor!. E Djavan na caixa.Tim Tim, com o melhor vinho que você imaginar.

(Hugo e Margarida)

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19


Manifestantes em Brasília. ANDRESSA ANHOLETE AFP

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

A base congressual de Michel Temer (PMDB), que já chegou a quase 80% do Legislativo, ameaça implodir. Deputados e senadores filiados a partidos aliados como o PSDB, o DEM e o PPS já começam a debandar menos de 24 horas após a crise aberta pelas gravações feita pelo magnata da JBS, Joesley Batista, com Temer. Nos áudios, o empresário conta sua estratégia para conter o presidiário e ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ainda revela ao presidente ter agido para interferir na Operação Lava Jato por meio da cooptação de um procurador e dois juízes. Enquanto o presidente fez um pronunciamento para afastar a possibilidade de renúncia, nanicos do PTN confirmaram sua saída do Governo e o PSB, que ainda mantinha em suas filas alguns deputados que insistiam em permanecer entre os governistas, também desembarcou. Juntas essas legendas somam 156 dos 594 congressistas brasileiros. Até o PSDB, principal aliado e fiador do impeachment de Dilma Rousseff, chegou a cogitar o abandono de Temer.

A última vez em que partidos aliados deixaram rapidamente uma base de apoio, o Brasil se deparou com a Câmara concordando com a abertura do impedimento da petista, há pouco mais de um ano, e ;é isso que o Planalto tenta evitar. Nos corredores do Legislativo, no entanto, uma das cenas mais frequentes nesta quinta-feira era a de parlamentares caminhando apressadamente para reuniões de emergência com assessores a tiracolo que os informaram sobre cada nova oscilação do mercado, das delações dos executivos da JBS ou de uma eventual renúncia do presidente.

O primeiro a deixar oficialmente o navio do peemedebista foi o PPS, que concordou com a demissão do ministro da Cultura, Roberto Freire. Seu outro ministro, Raul Jungmann (Defesa), só continua na função por conta da relevância na sua área de atuação em um momento de crise. Internamente, a ideia é evitar qualquer possibilidade de revolta das tropas.

O PSDB, que tem quatro ministérios e 58 parlamentares, ensaiou o desembarque durante o dia, mas acabou recuando. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, preparou uma carta de demissão, e foi convencido pela esfacelada direção tucana a seguir no cargo até que o cenário ficasse mais claro. Além da crise dentro da gestão Temer, os peessedebistas terão de resolver um grave problema partidário, o de quem comandará a legenda, já que seu presidente, o senador Aécio Neves, teve de se licenciar do cargo para se defender juridicamente após ser acusado de receber 2 milhões de reais em propina. Os senadores querem indicar Tasso Jereissati, e os deputados, Carlos Sampaio.

No Congresso Nacional, a avaliação era de que a situação de Temer é insustentável. “Ainda temos de esperar uma definição mais clara do cenário. Mas caso se confirme tudo o que foi divulgado até agora, ele não terá como governar”, afirmou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). O líder dos tucanos na Câmara, Ricardo Tripoli, disse, contudo, que é necessário ter cautela. “Vamos esperar as investigações. Depois decidimos se seguimos ou não no Governo”.

Enquanto alguns tucanos tentam ser bombeiros da crise, outros, do baixo clero, assinaram um pedido de impeachment do presidente. Liderados por João Gualberto (PSDB-BA), os parlamentares apresentaram o pedido na tarde desta quinta-feira. Ao todo, há 12 pedidos de impedimento do presidente tramitando na Câmara – quatro apresentados no ano passado, ainda na esteira da crise envolvendo o PT, e oito protocolados entre quarta e quinta-feira, por causa das revelações de que ele teria tentado calar Cunha.

Outro sinal de desembarque tucano foi dado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em sua conta no Facebook, ele chegou a falar em renúncia presidencial. “Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia. O país tem pressa”, disse o tucano.

No Senado, o líder do DEM, Ronaldo Caiado, falou insistentemente que Temer deveria renunciar – algo que ele diz que não fará. “O presidente Michel Temer, ao insistir em permanecer no cargo mesmo admitindo o quadro já instalado de ingovernabilidade, fez a pior das opções para ele e para o país: desafiou a crise. E o fez, não em nome do interesse público, mas para preservar sua imunidade institucional”, disparou o democrata. Seu partido tem um ministro, quatro senadores e 29 deputados federais.
Reformas suspensas

Além dos pedidos de impeachment, Temer corre o risco de perder o mandato com o julgamento que inicia no Tribunal Superior Eleitoral no dia 6 de junho. Na ocasião, será julgada suposto abuso de poder cometido por ele e por Dilma Rousseff na campanha de 2014.

Se sobreviver até o fim do mandato, Temer terá sérias dificuldades em aprovar qualquer medida que considere importante, como as reformas trabalhista e previdenciária. E ele sabe disso, tanto que disse, em seu pronunciamento que, após viver a melhor semana de seu Governo, as denúncias trouxeram “de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada”.

As duas, aliás, tiveram suas tramitações suspensas. Na Câmara, o relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), disse que as incertezas políticas impedem qualquer votação na Câmara. “É hora de arrumar a casa, esclarecer fatos obscuros, responder com verdade a todas as dúvidas do povo brasileiro, punindo quem quer que seja, mostrando que vivemos em um país em que a lei vale para todos”. O relator da reforma trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES). “A crise institucional que estamos enfrentando é devastadora e precisamos priorizar a sua solução”, disse Ferraço.

No pronunciamento que fez, Temer deu um sinal claro de que sabe o tamanho do problema que enfrenta. Disse que “a revelação de conversas gravadas clandestinamente trouxe fantasmas de crise política de proporção ainda não dimensionada”. Foi mais um dia de ampla cobertura midiática, incluindo meios de grande alcance como a TV Globo, exibindo os áudios com Joesley e novas operações policiais que mantiveram a Lava Jato no foco. Foi também mais um dia de protestos em vários cidades, a maioria pequenos e o maior deles no Rio de Janeiro. A esta quinta-feira, ao contrário das expectativas, Temer sobreviveu.

DO EL PAÍS

María Martín
Rio de Janeiro

“Bem-vindo à sua fita, Michel Temer”, se lê em uma foto do presidente do Brasil com cara de poucos amigos e fones nas orelhas, como o protagonista de 13 Reasons Why. Marcela Temer atualizando seu perfil do Tinder diante da possibilidade de ficar solteira. Temer usando um vestido tomara que caia. Ned Flanders, o vizinho sensato de Os Simpsons, afirmando: “Deus está vendo que você está mudando a versão de ‘Tudo é culpa do PT’ por ‘É tudo farinha do mesmo saco”. E a reflexão mais importante do momento: “Adoro essa época do ano entre a Semana Santa e o Natal quando temos um impeachment”.

Quando o Brasil foi dormir nesta quarta, após um novo e gigantesco terremoto político que pode derrubar o segundo presidente em pouco mais de um ano e que promete enterrar politicamente um símbolo como Aécio Neves, reinava a incerteza com exceção de uma clareza: poucos povos fazem memes tão bem como o brasileiro. O Brasil, vencedor da Primeira Guerra Memeal, uma batalha virtual contra Portugal deflagrada em junho do ano passado, honrou sua supremacia mundial.

A Internet foi reagindo em tempo real a cada sobressalto com uma piada atrás da outra, cada qual mais inspirada, até o ponto em que é provável que o dia de ontem se transforme em um dos mais importantes na história dos memes no Brasil. Foi uma terapia coletiva que demonstrou que se os memes fossem uma instituição, com certeza e ao contrário de outras, estaria funcionando perfeitamente.
O Brasil está pronto.
O Brasil está pronto.

A mente criativa que se encarrega de criar piadas novas com fotos velhas deu uma demonstração de força e deixou claro por que o país, além de ter uma capacidade infinita de rir de sim mesmo, tem um museu virtual de memes, patrocinado por uma universidade. Poderíamos dizer que o Brasil foi para cama na quarta-feira no escuro, pois nem sequer sabe quem irá governar o país daqui a seis meses, mas dá a impressão de que ninguém dormiu. Os brasileiros estavam com a barriga doendo de tanto gargalhar.
De quem é a propina da JBS? Um sucesso disco feito sob medida para a crise brasileira.

Não é que o brasileiro não se preocupe ao ver o país afundando, desacreditado pela sua elite política e empresarial. É que depois de sucessivos escândalos revelados pela Lava Jato já não se surpreende com nada. São três anos de convulsão. Nesse tempo vivenciaram um impeachment deflagrado por um homem que hoje está na prisão, a morte em um acidente de avião de um magistrado da República poucos dias antes de apresentar denúncias contra os mais poderosos do país, a ascensão de um juiz transformado em super-herói e um ex-presidente relegado ao papel de vilão, ao menos para parte do país. Os brasileiros viram até mesmo seu presidente deixar o palácio presidencial alegando a presença de fantasmas. Sim, fantasmas.
Memes, a única instituição funcionando plenamente no Brasil

O episódio de ontem, com gravações clandestinas e entrega de malas cheias de dinheiro para comprar silêncios e outras coisinhas mais, é outro capítulo de um roteiro impossível de se escrever enquanto ficção. O enredo deixa no chinelo a complicada trama da série americana House of Cards, uma ode à intriga política. Ela mesma, de sua conta oficial do Twitter, reconheceu pouco depois de se desatar a histeria coletiva brasileira: “Tá difícil competir”.
Memes, a única instituição funcionando plenamente no Brasil

De modo que, uma vez assumido que as cloacas da política brasileira estão fora de controle – “quando a crise brasileira acabar, lá por 2137, abandonarei a ciência política por um trabalho mais estável e previsível como a astrologia”, afirmou o cientista político Mauricio Santoro – só resta a Internet. E diante do descrédito generalizado da classe política, existe um empenho em demonstrar que, ainda, o melhor do Brasil é o brasileiro.

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Posted on 19-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-05-2017


Jarbas, no Diário de Pernambuco (Recife)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

TEMER É CÚMPLICE DE CRIME

Ao revelar a Michel Temer — presidente da República — que tinha um procurador infiltrado na Lava Jato, Joesley Batista deveria ter recebido voz de prisão.

Ao não fazer nada, Temer tornou-se cúmplice do crime de obstrução da Justiça. Temer prevaricou.

É estarrecedor.