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Posted on 15-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-05-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Maria Silvia: “Não tenho nenhum apego a cargos”

Em entrevista à Sonia Racy, a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, disse que as acusações contra o banco precisam ficar claras.

“Temos que separar política de governo da atuação técnica do BNDES.”

Sobre “fogo amigo, empreiteiras insatisfeitas, espalhando que ela não vai durar no cargo”, Maria Silvia respondeu:

“É como eu sempre digo, eu não sou, eu estou. Não tenho nenhum apego a cargos, tenho apego ao que eu conseguir fazer.”

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DO DIÁRIO “PÚBLICO” (DE LISBOA)

OPINIÃO

Diogo Queiroz de Andrade

O novo Presidente francês inaugura o mandato com uma viagem a Berlim e com a nomeação de um primeiro-ministro.

O oitavo presidente da República francesa foi ontem empossado e começa hoje a exercer o seu lugar no Eliseu. Não é uma estreia de somenos: Emmanuel Macron viaja de Paris até Berlim para tentar fazer renascer o eixo franco-alemão e assim relançar o projeto europeu. Vai encontrar uma Angela Merkel sensível, mas pouco disposta a compromissos antes das eleições alemãs de Outubro.

Ao mesmo tempo terá de anunciar a sua escolha para ocupar o cargo de primeiro-ministro. A tarefa não é fácil: metade da classe política francesa gostaria de ficar com o lugar mas poucos serão capazes de representar um misto de experiência e renovação, para além de força para concretizar as reformas pretendidas.

O programa é muito ambicioso e reformista, o que provoca incómodos. Os maiores opositores do Presidente não estarão na Frente Nacional. Estão nos interesses corporativos defendidos de forma acérrima numa sociedade que ainda aposta em manter as coisas como estão. Será difícil convencer os sindicatos a aceitar mexidas na lei laboral, e não seria a primeira vez que a força das ruas seria capaz de impedir o sucesso de uma reforma Macron. Modernizar o tecido económico não se fará sem dores, apostar na inovação implica investimentos públicos massivos para os quais não há fundos disponíveis. Resolver o problema da insegurança, que mantém o país num estado de emergência permanente, é outro problema com poucas soluções à vista. E isso liga-se aos milhares de soldados que combatem o extremismo islâmico em dezenas de locais que vão do Mali ao Afeganistão, cujas operações também deverão ser reavaliadas.

E depois há a mudança de mentalidades, que precisa ser operada numa nação que nunca abraçou o multiculturalismo e ainda se dá mal com a globalização. O problema islâmico na França vem precisamente da incapacidade em integrar, cultural e economicamente, as massas imigrantes. Este conservadorismo social tem-se mostrado, de outra forma, com os ataques mais ou menos velados ao casal presidencial. Brigitte Macron tem sido insultada devido à diferença de idades entre o casal presidencial – que só é tema Porque a mais velha é ela. É a velha França, machista e misógina, a fazer erguer a sua face. Mas é também para essa França que Macron terá de governar, impondo a sua agenda de diversidade – e modernizando o país também nesse sentido. Será preciso reconciliar uma nação dividida em várias frentes – e esse é um desafio para durar todo o mandato.

França, sempre a França! Paris toujours Paris!!!

E vamos que vamos!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Macron e Brgitte, e daí?


DO EL PAÍS

Isabel Valdés

Enganadora. Mamãe. Estranha. Papa-anjo. Surrealista. Até mesmo mentira. Até mesmo predadora. Todas essas são palavras para definir – nas redes sociais, e em manchetes e textos de meios de comunicação de todo o mundo – Brigitte Trogneux, a esposa de Emmanuel Macron e a relação de ambos. Todas elas palavras para definir, também, o enorme esforço para manchar algo que, embora possa ser pouco habitual, não deve ser vilipendiado. Trogneux é 24 anos mais velha que Macron. E daí?

Há apenas um mês, o recém-eleito presidente da França aludiu, no jornal Le Parisien, à homofobia “galopante” que emanava dos rumores que o uniam a Matthieu Gallet, presidente da Radio France, porque, obviamente, um homem da idade dele com uma mulher da idade de Trogneux só pode ser uma fachada para sua homossexualidade. E a partir daí Macron estendeu uma resposta à crítica social e midiática que recebe há meses por causa de uma história de amor que, sim, se encaixaria como folhetim, telenovela, série vespertina ou produção romântica no estilo de Hollywood. A questão não é que ocupe lugar no espaço público – ainda mais quando o presidente insistiu em posicionar sua mulher não apenas como parte de sua vida privada, mas também em sua vida política –, mas como o ocupa e que suposições derivam disso.

Quem ainda não conhece o passado e o presente do novo casal que ocupará o Palácio do Eliseu está, naturalmente, isolado do mundo há semanas. Começo da década de noventa: se conhecem no colégio La Providence, em Amiens. Ele, aluno. Ela, professora (casada e com três filhos, detalhe que parece essencial). Apaixonam-se. Pais que se opõem, um pouco de escândalo provinciano, e Macron acaba em uma escola secundária em Paris – com promessa de amor eterno. 2006: Brigitte Trogneux se divorcia. 2007: Trogneux e Macron se casam. Fim? Não.

Aparentemente, o imaginário de uma cidade de algo mais de 100.000 habitantes há duas décadas é o mesmo que o de algumas pessoas nessa avançada França de 2017; e quem diz França diz Europa, porque as piadas não ficaram restritas às fronteiras francesas. Pelas redes circularam charges de jornais, manchetes absurdas (Macron não tinha nascido quando sua esposa se casou pela primeira vez, por exemplo) e memes de mães com os filhos na praia, ou andando de bicicleta, com legendas como “as primeiras férias de Macron a esposa”, ou “Macron aprendendo a andar de bicicleta com a mulher”. Fora do Velho Continente, a maioria das manifestações foi diferente. “Brigitte Macron, libertadora”, foi o título do artigo de um colunista do The New York Times; “Emmanuele Macron e a família moderna”, escreveu a revista The New Yorker.

Macron designou, naquele vídeo do jornal francês, os dois problemas além da homofobia: a misoginia e a degradação da própria política ao fazer desse detalhe parte do debate. Um nonsense que, embora seja carniça evidente para blogs de fofoca, tabloides, revistas de fofoca, de celebridades e qualquer outro derivado, deveria ser uma informação meramente formal no resto dos meios de comunicação. A data e o local de nascimento de qualquer pessoa da vida pública é algo corriqueiro, o que é incomum é fazer disso uma manchete ou aproveitar isso para fazer críticas cujo máximo expoente acabou sendo o pai de Marine Le Pen, que chamou Trogneux de “Madame Cougar”.
Macron e Brigitte Trogneux, em 2016 ampliar foto
Macron e Brigitte Trogneux, em 2016 Stephane Mahe REUTERS / Cordon Press

A tradução literal de cougar é “mulher puma”, expressão que denomina mulheres que preferem homens mais jovens. De forma depreciativa, claro. A filósofa Michela Marzano explicou há uma década em um programa cultural da rádio francesa como essa metáfora é “insuportável”. O fato de querer reduzir uma mulher a um felino predador é converter o desejo feminino em determinada idade em algo perigoso, por um lado, e, por outro, é continuar alimentando a ideia de homem racional e mulher dominada pelos instintos, pelos piores, ainda por cima. “O uso dessa palavra cai quase no discurso do ódio e é uma maneira de silenciar a mulher com um insulto que consiste em voltar a colocá-la em seu lugar”.

É uma percepção social comum achar os homens mais atraentes à medida que envelhecem, e deixar de considerar tão atraentes as mulheres à medida que vão fazendo aniversários. Essa ideia generalizada tem muito a ver com o papel que o sexo feminino desempenhou ao longo da história, o de ser mãe. Não passaram tantos anos desde que se olhava de soslaio aquelas que não podiam ter filhos; desde que algumas mulheres “entendiam” que seus maridos tivessem amantes jovens; ainda hoje são repudiadas por essa razão em algumas culturas, como no Níger; e ainda se faz a típica piada, em países como a Espanha, onde se diz: “você vai deixar o arroz passar do ponto” se você já tiver completado 30 anos e não tiver um pretendente ou indícios de que o tenha.
Capa do semanário francês ‘Charlie Hebdo’
Capa do semanário francês ‘Charlie Hebdo’

Essa ideia de mulher, juventude, utilidade e validade associada à fertilidade ainda é generalizada, talvez às vezes inconscientemente. O semanário francês Charlie Hebdo serviu-se dela para fazer uma capa que foi criticada dentro e fora da França por ser misógina e sexista. Nela, se pode ler: “Ele vai fazer milagres!” e abaixo aparece Brigitte Trogneux grávida enquanto Macron toca uma barriga proeminente. A ridicularização da primeira-dama francesa à custa de sua idade e sua incapacidade de ter filhos com ele se desdobra como um símbolo de velhice, de passagem do tempo, de menor desejo por parte do homem.

Enquanto eles brandem cabelos grisalhos e rugas, sabendo-se capazes de procriar, às vezes também de seduzir e ser desejados até o último de seus dias, elas de repente começam a ser invisíveis. Se já não são jovens, belas e capazes de ser mães, o que lhes resta? De acordo com aqueles que fazem essa flagelação tosca, parece que nada.


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Os males do marketing… tucano

Na esteira da delação de João Santana e Mônica Moura, o Estadão publicou o editorial “Os males do marketing político”.

Leiam, por favor, este trecho:

“O peso desmedido dado às pesquisas eleitorais também contribuiu para o estágio em que se encontra a propaganda política hoje. Pouco a pouco, os candidatos passaram a privilegiar o discurso que os eleitores gostariam de ouvir, e não o que precisava ser dito. No mundo real, nem sempre os dois se coadunam.

É neste contexto que os marqueteiros políticos passaram a ganhar cada vez mais importância. Não é exagero dizer que, em muitos casos, são eles, e não os políticos – os verdadeiros mandatários –, que determinam o debate público. A porosidade dos limites entre uma atividade e outra chegou a tal grau que marqueteiros não só figuravam lado a lado de “seus” candidatos durante a campanha como, quando estes eram eleitos, eram chamados para tomar assento em reuniões onde ações de governo eram traçadas. Nos piores casos, tornaram-se idealizadores de dissimulações ou mesmo partícipes de práticas criminosas.

Evidentemente, não se trata aqui de demonizar o marketing político e as pesquisas de opinião ou de negar o importante papel que essas atividades podem desempenhar no regime democrático. O problema é que o acessório foi tomado como principal, resultado direto da atual carência de lideranças políticas. Sem a renovação do quadro político, arejado por novas e boas ideias, o cenário político brasileiro continuará assombrado por um permanente desalento.”

Como observou Vera Magalhães no mesmo jornal, o programa do PSDB exibido na quinta-feira (11), sem a participação de João Doria, começou com uma roda de conversa entre o “povo” e jovens políticos tucanos sobre a necessidade de renovar a política, até dar lugar a “um suceder de políticos velhos, os mesmos de sempre”.

O Antagonista acha que os editorialistas do Estadão também assistiram.

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Posted on 15-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-05-2017


Myrria, no jornal A Crítica (AM)


DO EL PAÍS

Jan Martinez Ahrens

Washington

Durante anos, Donald Trump fez da demissão uma forma de vida. Ao longo de 14 temporadas, em horário de máxima audiência, o bilionário deu à nação lições sobre como fulminar os candidatos em seu programa de TV O Aprendiz. “Está demitido!”. Essa era a humilhante frase que multiplicou sua fama, catapultou-o à política e que às 17h40 de terça-feira passada, enviada em envelope lacrado e com suave linguagem oficial, abriu a maior crise de sua presidência.

A demissão do diretor do FBI, James Comey, representou para Trump um regresso a si mesmo. Uma de suas máscaras caiu diante do mundo, e surgiu sua face mais feroz, a do presidente capaz de eliminar com suas próprias mãos o responsável por investigar se sua equipe de campanha se associou ao Kremlin para atacar a candidata democrata Hillary Clinton. É a trama russa. O escândalo que dia e noite o persegue e cujo núcleo está no relatório ICA 2017-01D do Departamento de Inteligência Nacional.

Esse dossiê, elaborado pela CIA, FBI e NSA, analisa meses de atividade do Kremlin e traz uma conclusão aterradora: “Vladimir Putin ordenou uma campanha em 2016 contra as eleições presidenciais dos EUA. O objetivo era minar a fé pública no processo democrático, macular a secretária Clinton e prejudicar sua elegibilidade e potencial presidência. Putin e o Governo russo desenvolveram uma clara preferência por Trump”.

Leia com calma. Trump era o preferido pelos russos e Trump venceu as eleições. A conclusão é fácil. Só que não há provas, e o encarregado de procurá-las foi demitido pelo presidente. Poucas vezes a suspeita foi tão evidente. E o republicano só a aumenta. Em sua fuga, chamou de “inimigos do povo” os jornalistas que investigam o caso e criou o carimbo de fake news para suas entrevistas exclusivas. Nas palavras de Trump tudo se reduz a uma “enorme armação desses democratas que não sabem perder”. Mas os fatos não são tão simples.

Dezessete de seus colaboradores mais próximos tiveram elos com Moscou. Houve reuniões secretas com o Kremlin nas Ilhas Seicheles, e no curso de um mês o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, perdeu o cargo, e o procurador-geral, Jeff Sessions, ficou parcialmente impedido por ocultar o conteúdo de suas conversas com o embaixador russo em Washington. Duas baixas significativas, embora menos explosivas que a demissão de Comey.

Os diretores do FBI, eleitos pelos presidentes e referendados pelo Senado, gozam de um mandato de 10 anos e de uma imensa autonomia. Apenas um, em 109 anos de história, havia sido destituído. Foi com Bill Clinton, e por motivos éticos.

O caso de Comey é diferente. Por mais que agora se queira endeusá-lo, o diretor do FBI se movia desajeitadamente na arena política. Em sua época atraiu o ódio tanto dos democratas, por reabrir o caso dos e-mails de Clinton quanto o de Trump, por encerrá-lo pouco depois. Mas entre seus agentes era adorado. Consideravam-no um muro resistindo às pressões. Um exemplo de zelo puritano.

Com esses antecedentes, a saída de Comey abala profundamente a credibilidade da Casa Branca. As pesquisas-relâmpago revelam que a maioria desaprova a demissão e, o que é ainda mais importante, que a exigência de uma investigação independente se tornou avassaladora. “A decisão de Trump o enfraqueceu e tem como efeito que a maioria dos norte-americanos agora insista numa investigação plena dos vínculos com a Rússia”, afirma o professor Larry J. Sabato, diretor do Centro para a Política da Universidade de Virgínia.

Os republicanos, conscientes do risco de autodestruição, fecharam questão contra a nomeação de um promotor especial. E muito menos estão dispostos a aceitar alguma responsabilização por obstrução que possa alimentar um remotíssimo impeachment. A única válvula de escape vem do próprio FBI, desde que o novo diretor não a asfixie, e dos comitês do Senado e da Câmara. “Mas os republicanos, por maior que seja a controvérsia, mantêm uma frente unida ao redor de Trump e podem desacelerar ou frear qualquer investigação”, destaca Andrew Lakoff, professor da Universidade da Califórnia.

O futuro dos inquéritos é incerto. E Trump não parece disposto a ficar calado. Sem se importar em deixar expostos seus porta-vozes e suas rebuscadas explicações sobre a demissão, rompendo com o formalismo, chamou Comey de “fanfarrão” e declarou que queria fulminá-lo havia muito tempo. Por múltiplos motivos, mas todos sabem que além da trama russa o diretor do FBI se atreveu a desmentir a acusação de Trump de que Barack Obama o havia espionado e que, depois de testemunhar em 3 de maio de forma asséptica sobre Clinton, o presidente não confiava mais nele.
O então diretor do FBI James Comey
O então diretor do FBI James Comey AP

Após sua exoneração, o diretor do FBI permaneceu em silencio. Depois, diante do aumento da pressão, deu dois passos de segurança: deixou aberta a porta para uma declaração no Comitê de Inteligência do Senado e, por meio de pessoas próximas, vazou para o jornal The New York Times que no dia 27 de janeiro o republicano o convidou para um jantar a sós na Casa Branca. O objetivo era pressioná-lo para que lhe prometesse lealdade. “Serei honesto”, foi a resposta de Comey.

Publicada essa reconstituição, Trump se encolerizou e na manhã de sexta-feira sacou a faca. Pelo Twitter alertou o demitido para não falar mais. “Será melhor para Comey que não haja gravações de nossas conversas, antes que ele comece a vazar para a imprensa”. A ameaça foi clara, direta, letal. Um presidente dos Estados Unidos brandindo supostas escutas para calar um ex-diretor do FBI.

A máscara caíra. Não estava falando aquele Trump suntuoso e paternal que gosta tanto de si mesmo. Falava o tigre criado no Queens, o valentão da escola militar de Cornwall, o admirador de Putin. A mensagem alcançou Comey. Na mesma tarde se soube que declinara de ir ao Comitê de Inteligência do Senado. Trump, mais uma vez, venceu.