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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Wagner passa recado, mas sem acusar

Jaques Wagner disse que não tem medo de uma delação de Antônio Palocci:

“Eu não tenho temor nenhum. Quem pode ter temor é quem se relacionou com ele e que eventualmente tenha algo a esconder. Eu pessoalmente não tenho. Ele como ministro da Fazenda se relacionava muito com o setor financeiro, mas eu não estou acusando ninguém, não estou dizendo que a delação vai por aí. Eu sinceramente não sei.”

Jaques Wagner passou recado, mas sem acusar ninguém.

Feliz domingo das mães. Todas. Presentes, ou que já se foram, como a minha. (Vitor Hugo Soares


EL PAÍS

Carla Jiménez
São Paulo

O calvário do Partido dos Trabalhadores e do ex-presidente Lula ganhou novos capítulos numa sequência impensável a quem acreditava que o ponto alto da semana política que passou ficaria no embate entre o petista e o juiz Sergio Moro em Curitiba. O encontro mais esperado da Lava Jato parece agora apenas um aperitivo para um cardápio farto que se seguiu, e que fragiliza ainda mais o ex-presidente e o seu partido, tanto do ponto de vista político quanto jurídico. Apenas um dia depois do seu depoimento, o ministro do Supremo, Edson Fachin, liberou o sigilo das delações do casal de marqueteiros Mônica Moura e João Santana, que revelam o milionário esquema de caixa 2 pago no Brasil e no exterior, supostamente com aval de Lula e Dilma Rousseff.

Na sexta, uma nova bomba nuclear para o ex-presidente e o PT veio na forma da nota divulgada pelo então advogado do ex-ministro Antonio Palocci. “O Escritório José Roberto Batochio Advogados Associados deixa hoje o patrocínio da defesa de Antonio Palocci em dois processos que contra este são promovidos perante o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, em razão de o ex-ministro haver iniciado tratativas para celebração do pacto de delação premiada com a Força Tarefa Lava-jato, espécie de estratégia de defesa que os advogados da referida banca não aceitam em nenhuma das causas sob seus cuidados profissionais.”

O que eram informações de bastidores começam a se tornar realidade. O ex-todo poderoso ministro petista, que pavimentou a relação de Lula com o então apavorado mercado financeiro nacional e internacional em seu primeiro mandato (2003-2006), sucumbiu à pressão da Lava Jato e mostrou que seu silêncio tem limite. Preso preventivamente há oito meses, Palocci fechará acordo com a Justiça para negociar uma redução de pena, e pode jogar um caminhão-tanque de gasolina nas labaredas que já incendeiam o Brasil com as investigações sobre corrupção no poder público e privado. Palocci sabe que suas palavras valem ouro para a Justiça e têm poder para estender ainda mais a operação Lava Jato, saindo inclusive do ramo das empreiteiras para se espalhar a outros setores. “Acredito que posso dar um caminho que talvez vai lhe dar pelo menos mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, disse Palocci a Moro em seu depoimento no dia 20 de abril, após afirmar que tinha condição de relatar “fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que serão certamente de interesse da Lava Jato.” Não os abria ali, explicou, pela “sensibilidade das informações” de que dispõe.

Agora, o país volta a prender a respiração na expectativa de conhecer novos fatos e detalhes sobre o modus operandi das relações de poder, num exercício que já virou rotina. A escala crescente de informações não para de surpreender ao mesmo tempo que vai fechando o cerco ao PT e deixando poucas brechas para Lula. As delações de Mônica Moura e João Santana, que gozavam da intimidade palaciana desde 2005, já trazem informações chocantes o suficiente para questionar o futuro do PT e da sonhada candidatura do ex-presidente para as eleições de 2018. De negociações de João Santana na sauna do ex-senador Delcídio do Amaral para tratar de pagamento de caixa 2 de campanha, a um suposto email falso criado na biblioteca do Palácio da Alvorada com aval da ex-presidenta Dilma para prevenir Mônica Moura sobre o andamento da Lava Jato. De onze milhões de dólares supostamente recebidos das mãos do hoje presidente venezuelano, Nicolas Maduro, a pagamentos secretos da Odebrecht numa conta na Suíça.

Quando foram presos em fevereiro de 2016 quando se encontravam trabalhando numa campanha presidencial na República Dominicana, Santana e Moura chamaram a atenção pela tranquilidade com que seguiram o ritual da prisão. Mônica até sorria enquanto mascava chicletes com as mãos presas por algemas atrás do corpo.

Hoje, aparecem nos vídeos relatando também com naturalidade os detalhes de como funcionou o esquema patrocinado pela Odebrecht, responsável pelo pagamento das campanhas vitoriosas de Lula, Dilma e seus aliados na América Latina, como o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez. Um esquema que incluiu a participação de boa parte da cúpula petista, para garantir a estratégia, segundo os delatores. José Dirceu e Antônio Palocci tinham papeis de destaque. Dirceu, por exemplo, teria articulado a participação dos marqueteiros na campanha à reeleição de Hugo Chávez, em 2012. “A primeira viagem que João fez para negociar a campanha foi num jatinho da Andrade Gutierrez”, relata Moura, em seu depoimento às procuradoras da Lava Jato. Dirceu estava junto nessa viagem. A Andrade pagou dois milhões de dólares do custo de campanha. A Odebrecht, 7 milhões.
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O casal relatou também como a negociação de caixa 2 foi feita em outra campanha, para a eleição do senador Delcídio do Amaral, então pelo PT, em 2002. Santana revelou que visitou Amaral em sua casa e foi convidado a tomar uma sauna com ele. “Entramos os dois para fazer sauna. E foi aí que ele, quando entrou na sauna, e estávamos só nos dois, e estávamos claramente protegidos, e sem roupa – porque podia ser que eu tivesse alguma coisa para estar gravando – ele começou a conversar: ‘Esse pagamento é oficial, não tem que ser oficial, quanto custa’”, relatou. A campanha teria custado 4 milhões de reais, dos quais metade paga em caixa 2, segundo os delatores.

As revelações do casal vieram um dia após o midiático depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, na ação que questiona a compra do apartamento no Guarujá, supostamente vinculado a favores prestados à empreiteira OAS. Após cinco horas de prestação de contas à Justiça num interrogatório a portas fechadas que seria divulgado em vídeo horas depois, Lula parecia sair aliviado de um purgatório, onde conseguiu se defender e relatar suas mágoas ao juiz Moro, e lembrar seu papel de ex-presidente que merecia ser tratado com respeito. Teve bem mais que 15 minutos de glória para soltar suas frases de efeito e dizer ao juiz Moro que a história vai julgá-lo em seu papel por abusos como o de ter liberado grampos pessoais dele e de sua família. Seu regozijo, porém, durou menos que 24 horas, e o ex-presidente parece ter entrado no inferno que coloca em dúvida seu plano de sair ileso da Justiça e competir pela vaga ao Palácio do Planalto.

Santana vem confirmar informações já reveladas por Marcelo Odebrecht dos pagamentos feitos no Brasil e num intrincado sistema de patrocínio internacional, que incluía as campanhas em países onde a empreiteira já atuava. Se Antônio Palocci, implicado tanto por Odebrecht como os marqueteiros, relatar seu papel como avalista, o cerco a Lula deve se fechar e a estratégia de defesa do ex-presidente, de negar sua participação ou conhecimento em torno do propinoduto descoberto inicialmente na Petrobras, fica cada dia mais difícil.

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Posted on 14-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-05-2017


Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)

JEC provoca, mas Moro brinca: “Eu não dei nenhuma cotovelada nele”

Sérgio Moro e José Eduardo Cardozo, como antecipou O Antagonista, dividiram uma mesa redonda neste sábado, no evento Brazil Forum UK 2017, em Londres.

Ecoando a narrativa do PT, Cardozo afirmou, segundo o Valor, que juízes “não são nunca neutros”, pois todos têm suas preferências e ideologias, e que é um risco se transformarem em agentes políticos, pois não foram eleitos para ter a devida legitimidade.

Já Moro, em sua palestra, disse que faz apenas uma interpretação ortodoxa do direito penal e que juízes não devem se preocupar com as repercussões políticas de seus julgamentos.

Para ele, o apoio inicial da população aos processos contra a corrupção foi “fundamental para prevenir a obstrução da Justiça” (entendeu, JEC?), mas juízes obviamente não podem julgar casos baseados na opinião pública e sim “nas provas concretas dos processos”.

JEC e Moro, acrescenta o jornal, sentaram-se lado a lado na mesa e Moro brincou ao iniciar sua apresentação: “Não sei se as pessoas esperavam algum confronto aqui. Eu não dei nenhuma cotovelada nele”.

O Antagonista acha que Moro faz bem em não se preocupar com repercussões petistas.


Laura Baena e Eva Bailén na loja Baby Deli, em Madri. EPV


DO EL PAÍS

Rocío Aguilera
Itxaro Arteta
Madri

DIA DAS MÃES 2017

Laura cresceu com a ideia de que poderia fazer qualquer coisa que se propusesse, que sua trajetória profissional não interferiria na ideia de ser mãe. Para Eva sempre foi claro: ser mãe não seria fácil. Mas nem as condições nem as exigências sociais são as mesmas que as mães delas tiveram. O fosso entre gerações, a educação e uma mudança na maneira de viver a maternidade causou-lhes uma ou outra crise. “Fomos educadas para chegar onde quisermos chegar, para ser o que quisermos ser. Essas mensagens nos prejudicaram bastante, porque lutamos por isso, trabalhamos duro e de repente chegamos a uma idade em que a maternidade se torna um teto de vidro”, diz Laura Baena, fundadora da Malasmadres, um clube que tem o objetivo de desmitificar a maternidade e romper o mito da “mãe perfeita”.

E essa mãe perfeita existe? A mudança de papéis implicou que se exigisse cada vez mais das mulheres. Pois além de serem bem-sucedidas em seus trabalhos, manterem um círculo de amizades e uma vida de casal em harmonia, se espera que continuem a cumprir o papel que faziam as senhoras de outrora: criar os filhos da melhor maneira e cuidar da casa. “Ser mãe hoje é um desafio porque nos venderam a ideia de que as mulheres têm de fazer tudo e temos de fazer tudo muito bem. Não sei nos venderam essa ideia ou acabamos acreditando nisso nós mesmas”, diz Eva Bailén, promotora da campanha Por la Racionalización de los Deberes (Pela Racionalização das Tarefas). “É uma luta diária. Mas o problema é a sociedade, os meios de comunicação. O conceito de superwoman, de parecer que você tem de conseguir tudo, que tem de estar perfeitamente em todas as situações”, completa Baena.

Essa busca pela perfeição contribuiu para cunhar diferentes conceitos sobre os tipos de mães: fala-se em mães más – não no tom sarcástico usado pelo excesso de organização – e em supermães. E são confrontadas constantemente. Baena não acredita nessa guerra, pois afirma que todos os tipos de criação são válidos: “Eu acredito que temos de nos unir para juntar forças e energia para lutar por coisas que realmente necessitamos e que são tão importantes como educar melhor, a conciliação, a corresponsabilidade”.
A luta por um país para mães

Essa geração de mulheres luta diariamente para não ser classificada em um dos muitos papéis que desempenha: a maternidade. Elas procuram manter um lugar no mundo do trabalho e que seus parceiros se envolvam mais em tudo aquilo que se relaciona com os filhos. Além de pedir respeito pela forma de criação que cada uma considera melhor.

Ao contrário da maioria mães tradicionais, que deixavam a carreira para se dedicar ao cuidado dos filhos, as de agora não querem desistir de seus empregos. “Muitas vezes as decisões (das mães tradicionais) eram decisões inconscientes. Que não estavam nem pensadas, nem conversadas, nem negociadas, aceitava-se sem discutir”, assegura a designer, que também criou a associação “Yo no Renuncio”, que luta pela conciliação no trabalho. “Conciliação? Acho que não existe, acho que agora o que fazemos é simplesmente adaptar os horários das crianças ao dos adultos”, denuncia Eva Bailén.

O desejo de continuar com suas carreiras profissionais também levou a pedir aos seus parceiros corresponsabilidade no trabalho doméstico, porque 54% das mulheres são as principais responsáveis pelas tarefas invisíveis, em comparação com 17% dos homens, de acordo com dados do estudo “Somos Equipo”, realizado por Malasmadres. “Não se trata de ajudar, isso é responsabilidade dos dois, porque somos uma equipe. Os filhos são meus e são seus, a casa é minha e é sua”, defende Bailén.

A batalha vai além das questões relacionadas com as crianças, pois além de mães elas se veem sobretudo como mulheres. “A maternidade em geral, seja maternidade ou não maternidade, está sempre em debate público”, acusa Laura Baena. “As pessoas adoram opinar”.
A outra maternidade

No auge das classificações de tipos de mãe e de blogs sobre como cuidar das crianças, a jornalista María Fernández-Miranda apresentou um livro que convida a pensar – e respeitar – outro tipo de papel da mulher em relação à maternidade: a não maternidade. Porque até agora, disse em uma entrevista, mulheres como ela foram tornadas invisíveis, estão sempre “fora do clube” e precisam suportar desde perguntas incômodas sobre por que não foram mães até serem julgadas por não serem. Com No Madres. Mujeres sin hijos contra los tópicos (Não Mães. Mulheres sem filhos contra os tópicos), ela tenta explicar através de sua própria história e a de outras 17 mulheres reconhecidas que “há um modelo diferente de vida que não é nem melhor nem pior, apenas diferente”.


María Fernández-Miranda com seu livro. Uly Martín

Este ano, como diretora da revista Cosmopolitan, novamente recebeu presentes e e-mails de agências de relações públicas desejando um feliz Dia das Mães. “Não sei se é para rir ou chorar, porque nem mesmo se contempla a possibilidade de que sendo mulher, de 40 anos de idade e estando casada, eu não tenha filhos”, diz. Desta vez, levou com humor, mas

Este ano, como diretora da revista Cosmopolitan, novamente recebeu presentes e e-mails de agências de relações públicas desejando um feliz Dia das Mães. “Não sei se é para rir ou chorar, porque nem mesmo se contempla a possibilidade de que sendo mulher, de 40 anos de idade e estando casada, eu não tenha filhos”, diz. Desta vez, levou com humor, mas houve outros momentos em que essas felicitações impessoais machucavam: passou quatro anos tentando engravidar com sete tentativas de fertilização in vitro que não deram certo.

Na verdade nunca tinha sonhado em ter filhos, mas chegou o momento em que parecia ser o próximo passo na vida. Quando não conseguiu ter por via natural, o próximo passo foi digerir que nunca seria mãe e que, na verdade, era feliz assim. “Eu não sei o que é estar completa ou incompleta. Acho que a realização de uma pessoa é feita de muitas facetas e a maternidade é apenas mais uma; está o casal, o trabalho, os amigos, a família, as viagens”, diz convencida. “Eu tentei, não deu certo, e tudo bem, como [a escritora] Rosa Montero, que está no livro, que também tentou e tudo bem”. Para outras mulheres é mais difícil assumir sua não maternidade, explica, se desejavam ser mães, mas não puderam, ou mais fácil, se desde o início não quiseram, como a atriz Maribel Verdú.

Fernández-Miranda conta que, após sua experiência, descobriu que havia outras mulheres como ela, que na verdade o que acontece não é que são infelizes por não serem mães, mas que se sentem solitárias porque não conhecem outras na mesma situação. Sentem-se “fora do clube” quando estão em uma conversa sobre crianças que não interessa a elas e as outras pessoas não entendem que não estão interessadas. Graças ao livro, acrescenta, também encontrou mães que o leram e pela primeira vez compreenderam o que sentem as mulheres como ela quando perguntam sempre por que não tiveram filhos. “Nós o tempo todo nos colocamos no lugar das mães porque não temos escolha, porque está no ambiente, mas também gostaria que as mães se colocassem em nosso lugar, o das não mães, e que não nos julgassem tanto”, diz.

Para a jornalista, o papel social das não mães é o de criar outras coisas que não são necessariamente vida, mas que também contribuem. “Eu criei um livro que está ajudando outras mulheres. Almudena Fernández, modelo, criou uma ONG para ajudar crianças com deficiência. Sandra Ibarra tem outra fundação para pacientes com câncer. Maribel Verdú cria peças de teatro e filmes. Gosto de ser uma pessoa que cria outras coisas e que serve de modelo para as gerações que virão depois, para que vejam que este caminho também existe e não é ruim”.

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

O novo Presidente francês foi por diversas vezes alvo de especulações sobre o seu casamento. Emmanuel Macron casou-se com Brigitte Trogneux em 2007, então com 54 anos, 24 anos mais velha que o noivo.

O casal conhecia-se desde os 17 anos de Emmanuel quando este era aluno do liceu Amiens onde a Primeira-dama de França era professora de artes e teatro. No entanto foi preciso mais de uma década para se casarem, já depois de Brigitte se ter divorciado. Durante a campanha foram levantados boatos de que Macron teria sido amante da sua atual mulher, acusação que sempre desmentiu.

Mas não foi só este rumor que o Presidente teve de enfrentar, também foram levantadas dúvidas sobre a sua orientação sexual (sendo-lhe inclusive atribuído um amante) e posto por várias vezes em causa o seu amor pela mulher.

Esta semana Emmanuel Macron falou ao “Le Parisien” sobre estes comentários classificando-os de misógino:

“Se eu fosse 20 anos mais velho que a minha mulher, ninguém pensaria por um segundo que eu não poderia ser o seu parceiro. É porque é ela que tem 20 anos a mais do que eu que as pessoas dizem: ‘essa relação não pode ser sustentável, não pode ser possível’ (…) Há um grande problema na forma como a sociedade vê o lugar de uma mulher.”

O casal presidencial francês não é o único com mais de duas décadas de diferença etária, também Donald Trump e Melania partilham desta condição apesar de não terem sido alvos do mesmo tipo de críticas.

BOM DIA!!!