CRÔNICA

Santo Inácio da Silva, o químico

Janio Ferreira Soares

Neste sábado, 13 de maio, exatos cem anos do dia em que os pastorzinhos Francisco e Jacinta tiveram a primeira visão de Nossa Senhora, o Papa Francisco irá canonizá-los no Santuário de Fátima, local das seis aparições.

Num rápido resumo sobre o que precisa para alguém ganhar o status de Santo, faz-se necessário que o candidato supere as três etapas estabelecidas pelo regulamento, onde a primeira, geralmente comandada pelo Bispo local, é uma rigorosa investigação visando confirmar se o pretendente faz mesmo jus ao título. Comprovadas suas virtudes, segue-se uma veemente defesa feita pelo chamado “promotor da fé”, que então abre caminho para o próximo e definitivo passo que é a homologação de alguns milagres, quase sempre curas de doenças tidas como fatais.

Cumpridas essas formalidades, o Papa finalmente realiza a canonização e aí os fiéis podem correr para o altar que lá estará não mais o beato de parcas virtudes, mas sim um santo novinho em folha e altamente preparado para receber os mais variados pedidos, que vão desde a cura da unha encravada de seu Antônio Jardineiro, até o congelamento do dedo de Kin Jong-un na hora de apertar o botão que fará renascer a rosa estúpida e inválida.

Pois muito bem, diante de um assunto que há séculos intriga e fascina, fiquei cá do meu canto observando as densas nuvens de maio a esperançar enferrujados arados e, ao observar a enorme seita louvando o glorioso Luís Inácio durante seu depoimento em Curitiba, vi que não vai demorar muito pra neguinho abrir oficialmente seu processo de canonização ainda em vida, posto que, para milhares de nordestinos que hoje têm TV de Led e aceleram motocicletas em vez de chicotear o lombo de um jumento, informalmente ele já o é faz tempo. Em frente.

Por mérito, não resta dúvida de que o comandante de seu processo seria Frei Betto, logicamente auxiliado por membros de alguns movimentos sociais que, com seus perfis foice e martelo, dariam um toque, digamos, Sierra Maestra ao procedimento.

Defensores de suas virtudes? Tanto poderia ser Chico Buarque cantando “hoje você é quem manda falou, tá falado, não tem discussão”, como dona Nalvinha, a brava sertaneja do Povoado Batatinha, que em 2014 o recebeu de braços abertos e sorriso travado graças a uma dentadura que lhe obrigaram a usar e que, me disse ela outro dia, só de pensar ainda lhe dá gastura nas gengivas.

Quanto aos milagres, ele mesmo já citou vários (escapar de morrer de fome, ser o melhor presidente de todos os tempos…), sem falar de sua afirmação num comício, de que Deus virou mais brasileiro por causa dele. Pense!

Mas, na minha opinião, sua grande virtude sempre foi a química, que lhe deu o divino dom de iludir os tolos vendendo pirita como se ouro fosse. Belo Santo.

Janio Ferreira Soares , cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

Suavidade e ritmo na voz e talento interpretativo de uma notável cantora do Brasil.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


Lula diante de Moro, quarta-feira, em Curitiba…


…e com dona Marisa, na praia de Inema, em Salvador.

ARTIGO DA SEMANA

Dona Marisa: maiô com estrela do PT e Lula diante de Moro

Vitor Hugo Soares

Na quarta-feira histórica (sim, um fato sem precedentes no Brasil republicano antes deste 10 de maio de 2017): o interrogatório de quase cinco horas de duração do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva que, na condição de réu, compareceu diante do juiz federal Sérgio Moro, condutor do processo da Lava Jato para quem não tem foro privilegiado. Milhões de brasileiros, de todas as regiões, tiveram a rara oportunidade de, em um só dia, testemunhar as múltiplas faces de Lula, no exercício do estado quase permanente de representação, de um de seus mais destacados líderes políticos. Mal (ou bem?) comparando, o que se viu e ouviu, assemelha-se a uma espécie de reedição do clássico filme de suspense “Lon Chaney, o homem das mil faces”, em homenagem a uma das maiores legendas do cinema mudo.Havia até o ditado famoso: “não pise nessa aranha, ela pode ser Lon Chaney”.

Antes das dez da manhã, já se aproximando o horário do encontro previamente marcado, mas ainda cercado de recursos, manobras, chicanas e dúvidas jurídicas sobre sua efetiva realização, Lula embarcou no aeroporto de Congonhas (SP), com destino à capital paranaense. Voou em um jatinho particular de empresa pertencente ao empresário de Minas Gerais, Walfrido dos Mares Guia, ex-deputado do PTB, seu ex-ministro em duas pastas diferentes – Relações Institucionais e Turismo -, apontado, entre outros trambiques (para usar uma expressão bem soteropolitana), como um dos idealizadores do chamado mensalão mineiro. Mares Guia, diga-se, sempre negou de mãos juntas seu envolvimento. Até que, de protelação em protelação, de recurso em recurso, de chicana em chicana, em 2014, a Justiça suspendeu as investigações do caso, depois da prescrição do prazo para punição pelo “suposto crime” (para usar uma expressão da moda).

Lula desembarcou em Curitiba, do avião Cesna 525, de prefixo PR-BIR, pertencente à Samos Participações Ltda, uma holding de Mares Guia. Como é de conhecimento de quem acompanhou mais de perto o caso, que de tempos em tempos volta a incomodar e meter medo em muita gente, a empresa teve os sigilos bancários e fiscal quebrados durante as investigações do esquema de corrupção operado por Marcos Valério (preso e condenado) em Minas Gerais. Valério sabe muito e seus movimentos, na cadeia, ainda tiram o sono de um bocado de gente de Minas a Brasília.

Momentos depois Lula estava sentado frente a frente ao juiz da Lava Jato. Aí, por mais de quatro horas, se sucederiam cenas dignas do filme famoso sobre Lon Channey, o homem de inumeráveis caras e expressões.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, diriam irônicos franceses, agora um pouco mais relaxados com o afastamento, mesmo que temporário, do pesadelo representado por Marine Le Pen, com a eleição de Emmanuel Macron, domingo passado, para conduzir os destinos da simbólica nação europeia da liberdade, igualdade e fraternidade.

Na abertura do interrogatório de quarta-feira (10), que ainda mexe com os nervos de multidões em Curitiba, no resto do País e em boa parte do mundo – em razão da relevância jornalista do fato em si, associado a inumeráveis alternativas de avaliações políticas, éticas e polêmicas que o caso comporta -, deu-se uma situação exemplar, que iria pontuar praticamente o tempo inteiro da audiência criminal. Revelados em detalhes mais que expressivos, a exemplo do nervoso e freqüente abrir e fechar da garrafinha de plástico, por Lula, para beber água. O roçar da sobrancelha com a ponta do dedo. Ou, ainda, o afagar do bigode nervosamente. Este, para quem conhece o senhor ex- presidente mais de perto e intimamente, um sinal perigoso de alerta de quando o ex-mandatário e fundador do PT “está puto”, como ele próprio disse, literalmente, em um dos momentos mais tensos e contraditórios de seu depoimento, em uma das diversas versões que utilizou para tentar explicar o seu estranho encontro com o criminoso diretor da Petrobras, Renato Duque, intermediado pelo ex-tesoureiro do PT, Vaccari Neto (agora condenado do Petrolão e cumprindo pena em Curitiba), em pleno andamento das investigações da Lava Jato.

Na tentativa de desanuviar o ambiente, na sala do prédio da Justiça Federal do Paraná, carregado de tensão exposta na face e nos gestos e palavras dos presentes – a começar pelo réu e centro das atenções -, o magistrado disse não ter qualquer desavença pessoal” com o interrogado, mas alertou que seriam feitas perguntas difíceis. “Quando alguém quer falar a verdade, não tem pergunta difícil”, reagiu Lula , movendo então, uma das peças principais de seu jogo político e comportamental, marcado pela retórica de palanque, que domina como poucos e onde busca refugio diante das graves acusações criminais e morais que pesam sobre ele, nos diferentes processos a que responde.

O resto é o que se viu e o que se sabe. Mas vale um corte para registrar um flagrante de Lula, em seguida, já outra vez em seu papel preferido de palanqueiro de comício eleitoral, que não conseguiu exercer como pretendia diante do juiz. “Se um dia tiver que mentir para vocês, eu prefiro que um ônibus me atropele em qualquer rua deste país”, bradou entre lágrimas o senhor ex-presidente, mas sem perder o jeito matreiro de quem sabe da probabilidade mínima de ser alcançado por sentença deste tipo de jura. Que fez, entes de voltar de jatinho para casa, em São Bernardo, para militantes do PT, em Curitiba, aparentemente tão cansados e abatidos quanto o próprio Lula, depois da refrega com Moro.

De Salvador, a Cidade da Bahia de onde escrevo este artigo semanal, reflito sobre a jura de Lula no comício, e no que ele falou no interrogatório. Penso, principalmente, nas referências do vivo e encrencado ex-presidente sobre sua falecida esposa e ex – primeira dama do País, dona Marisa Letícia, em referência às estranhas transações do triplex na praia do Guarujá. Penso até na afirmativa de Lula de que dona Marisa “detestava praia”.

Pode até ser verdade, mas esta não parece ser a mesma Marisa Letícia, de cujas coberturas jornalísticas tantas vezes participei, em suas inúmeras visitas à capital baiana. Antes e, principalmente, depois da chegada do casal ao poder no Palácio do Planalto. Primeiro, quando no tempo de vacas magras do sindicalismo política, o casal visitava Salvador e era ciceroneado, desde o aeroporto, pelo falecido líder sindical petroleiro, Mário Lima, deputado constituinte como Lula. Ele recordava sempre de dona Marisa e de sua paixão pelos banhos de mar na Ilha de Itaparica, vestida em seu maiô comprado nas lojas mais simples de São Paulo.

Depois, nas seguidas visitas anuais do casal presidencial, para descansar na fulgurante e protegida praia de Inema, na área da Base Naval de Aratu. Dona Marisa, então, ao lado do marido, era uma das mais animadas frequentadoras dos passeios e banho de mar nas mansas águas da praia baiana. Em uma das temporadas de verão, a primeira dama até lançou moda praieira, ao vestir um polêmico maiô, com a estrela do PT bordada no peito. E paro por aqui, em relação à passagem do senhor ex-presidente por Curitiba esta semana, O resto (principalmente o resultado) a conferir. Principalmente depois das explosivas delações dos marqueteiros João Santana e Mônica Mouro, cujos áudios liberados começam a abalar o Brasil.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


DO EL PAÍS

A. Benites

Brasília

O EL PAÍS pediu a dois doutores em Ciência Política para analisar os primeiros 12 meses de Michel Temer (PMDB) na presidência da República em quatro perguntas. Leia a seguir as respostas de Humberto Dantas, coordenador da pós-graduação em Ciência Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, e Guilherme Simões Reis, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Pergunta. Qual a sua avaliação sobre o primeiro ano de Governo de Michel Temer?

Humberto Dantas. Um Governo que assume o país em meio a uma tempestade perfeita. Problemas econômicos, políticos, jurídicos e de legitimidade perante parcelas da sociedade. Para completar, um governo que dialoga com setores mais tradicionais da sociedade, com semblante mais conservador. Assim, se distancia de movimentos mais jovens e progressistas. Isso poderia ser visto como característica, e não como defeito, se ele não parecesse tão distante do centro. É um Governo que se comunica mal e manda sinais ruins para a sociedade em matéria de alguns valores. Assim, entendo que seja um Governo difícil, que colhe o preço de ter contribuído para a saída de uma presidente de um partido grande, pesado, que tem apoio de parcelas aguerridas da sociedade, a despeito dos pontos do qual é acusado.

Guilherme Simões Reis. Ele está realizando algo que apenas um governo ilegítimo, que ascendeu por meio de golpe de Estado e que não tem comprometimento com o voto popular, poderia. A Constituição cidadã de 1988 foi atropelada no impeachment sem crime de responsabilidade e seus preceitos vêm sendo desmantelados aceleradamente por meio do corte de direitos. A reforma trabalhista, a reforma previdenciária, as políticas para a população indígena e a entrega do pré-sal são medidas contrárias ao sentido geral da candidatura da qual foi vice, ou que agravam seus erros, e mais próximas do projeto que foi derrotado nas urnas, do PSDB.

Pergunta. A taxa de aprovação de Temer é inferior à de Dilma Rousseff na véspera do impeachment. Um dos vários argumentos pelo impeachment dela foi a impopularidade. Por que ele se sustenta no cargo?
O professor Humberto Dantas.
O professor Humberto Dantas. Acervo pessoal

Dantas. Dilma tinha isso como um dos elementos de seu governo. Mas também tinha sérios problemas com a articulação política. A passagem de Dilma Rousseff pela presidência é o mais emblemático caso de inabilidade política da história recente do Brasil. Ela desacreditou durante diversas ocasiões o papel do Parlamento, distanciou-se, tentou dialogar diretamente com a sociedade e não tinha o carisma de Lula – que por vezes também parecia distante. Assim, mais do que a popularidade, Dilma teve ausência absoluta de ação política articulada, sobretudo com o Parlamento. E isso no Brasil, por mais que possa ser feito de forma questionável e assombrosa, é essencial para a sobrevivência. O impeachment é um processo político! Dilma pagou o preço da não política.

Reis. Assim como a queda de Dilma não foi motivada por sua baixa popularidade, a impopularidade do Temer não assegura sua saída. É uma questão de cúpula, não de vontade popular. Ele se sustenta no cargo porque temos a legislatura mais reacionária das últimas décadas, que foi o ator mais direto na realização do golpe de Estado, e um Judiciário não preocupado realmente com legitimidade democrática ou combate à corrupção em geral. As políticas profundamente antipopulares estão de acordo não apenas com as preferências políticas de Temer como da maioria no Congresso, e ao que tudo indica também do Supremo Tribunal Federal. Os parlamentares, diferentemente de Michel Temer, têm a preocupação de se elegerem, mas na maioria dos casos será fácil atribuir a culpa a quem ocupava a Presidência, ou mesmo à antecessora derrubada. Quando a reação popular fica mais forte, como é o caso da reforma da Previdência, em que a população percebe mais claramente quais seriam seus efeitos, a tendência é a de aumentarem as defecções, pois os parlamentares não querem estar marcados como inimigos dos direitos de seus próprios eleitores. Mas na maior parte desta agenda regressiva a maioria parlamentar não vai se opor e é conveniente para ela que haja uma figura como Temer para concentrar a culpa.

P. De que maneira o fato de ter oito ministros investigados na Lava Jato, além de dezenas de aliados no Legislativo, interfere em seu Governo?

“A PEC do Teto era o pino de uma granada. O governo o puxou, ou seja, aprovou. Mas ficou com a granada nas mãos”, diz Humberto Dantas

Dantas. Oferece munição para todo tipo de críticas vindas de parcelas da sociedade. E num cenário de baixa legitimidade, é o que coloca o país diante de uma profunda instabilidade política. Isso é muito ruim para o país, mas acho que Temer vive um instante de tamanho distanciamento com a sociedade que demitir esses ministros não traria sintoma expressivo de alívio. Isso porque as investigações em curso não atingirão apenas seu Governo, mas também seu partido e seus aliados. A situação, nesse sentido é muito delicada. Claro que por questões mais amplas o ideal era retirar tais ministros, mas entendo que o presidente vai aguardar passos mais avançados da Justiça.

Reis. Contribui para o desgaste de sua imagem pública, sem dúvida. Boa parte da narrativa pró-golpe, mesmo que destituída de bases sólidas e evidências concretas, foi construída em torno do combate à corrupção. O fato de inúmeras denúncias e suspeitas recaírem sobre o alto escalão do Executivo, incluindo seu chefe, leva mesmo os setores reacionários da população, que nutriam relação de ódio pelo governo anterior e apoiaram o golpe, a também repudiarem este Governo. Entretanto, como não se trata de Governo preocupado com as urnas, como ocorre nas democracias, essa impopularidade não tem efeito significativo sobre suas ações. No máximo há maior risco de não se aprovarem as medidas com maior rejeição, como o ataque às aposentadorias. Para que a impopularidade realmente fizesse despencar a taxa de sucesso do Governo, e mesmo para que houvesse a deposição de Temer, seria preciso que tal impopularidade se convertesse em calamidade social nas ruas, com reação muito mais ativa por parte de um contingente bem mais significativo da população. A reação à reforma da Previdência incrementou isso, mas ainda em nível insuficiente.

P. Por qual razão a gestão Temer tem pressa em aprovar no Congresso Nacional as reformas da Previdência e trabalhista?

Dantas. Existe um sentimento da equipe econômica de que o destravamento dessa pauta coloca o país nos trilhos novamente. Seria o mais emblemático sinal de que o país promoveu reformas que atraem investimentos. O desafio é ter a certeza disso. Será mesmo que isso tudo coloca a roda para girar novamente? O segundo ponto é: a PEC do Teto era o pino de uma granada. O Governo o puxou, ou seja, aprovou. Mas ficou com a granada nas mãos. Lançá-la tem relação direta com a aprovação de tais medidas, sobretudo a reforma da Previdência.
O professor Guilherme Simões Reis.
O professor Guilherme Simões Reis. Acervo pessoal

Reis. O mandato dele, a princípio – hoje em dia no Brasil tudo é a princípio e as regras são todas flexíveis –, vai apenas até 2018. É um período para se passar toda uma agenda que jamais teria o crivo das urnas. O período é, na verdade, mais curto do que isso, pois os parlamentares tenderão cada vez menos a apoiar tal agenda conforme se aproxima o período eleitoral. Ao mesmo tempo, a correlação de forças no Congresso nunca foi tão favorável a reformas com esse perfil como é hoje, nem mesmo durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Imensa Amália!!! Bela escolha, Cida!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

URGENTE: PALOCCI DECIDE DELATAR

Antonio Palocci “decidiu negociar um acordo de delação premiada com a Lava Jato”, diz a Folha de S. Paulo.

“Na tarde desta sexta-feira, ele avisou seu advogado de defesa, o criminalista José Roberto Batochio, que ele terá de se afastar do caso, o que deve ocorrer ainda hoje.

A negociação do acordo será feita por dois advogados de Curitiba, Adriano Bretas e Tracy Reinaldet”.

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Posted on 13-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-05-2017


Jarbas, no Diário de Pernambuco

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DO EL PAÍS

O sociólogo Antonio Cândido de Mello e Souza morreu na madrugada desta sexta-feira aos 98 anos em São Paulo. Nascido no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, ele foi um dos intelectuais mais respeitados do Brasil. Além de acadêmico – professor emérito da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) – Antonio Candido era crítico literário e ensaísta.

Entre suas obras mais importantes estão Introdução ao Método Crítico de Silvio Romero (1944), Formação da Literatura Brasileira (1959) e Literatura e Sociedade (1965). Ele também foi vencedor de alguns dos mais importantes prêmios literários, como o Jabuti, o Juca Pato e o Camões.

Intelectual de prestigio no panorama brasileiro, ele se posicionou politicamente até o fim da vida. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores é o ano passado escreveu contra o impeachment á Dilma Rousseff. “Sou totalmente contra o impedimento da íntegra e destemida presidente da República”, escreveu então. “Os motivos alegados não me convencem e o impedimento provavelmente só agravaria a dificílima situação política e econômica do país”.

O velório começou às 9h no Hospital Albert Einstein, onde Candido estava internado, e deve terminar às 16h. A equipe médica não divulgou a causa da morte.

Ele deixa três filhas: Ana Luísa Escorel e Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza.