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Texto de Paloma Amado, publicado pela autora teatral e cronista Aninha Franco em seu rico e amplo espaço de informação e opinião no Facebook. Bahia em Pauta reproduz e recomenda. Efusivamente. (Vitor Hugo Soares)

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Paloma Amado em Meus queridos amigos, Preciso da ajuda de vocês para dar continuidade às minhas crônicas de domingo.

Mais uma vez fui posta de castigo no FaceBook. Há três dias que não sou mais “autorizada” a abrir minha conta, e consequentemente entrar na rede social. Há perto de um ano, um homem invadiu a minha primeira conta e fui aconselhada pelo FaceBook a fechar esta e começar uma nova. Dos 5000 amigos que tinha na época, consegui recuperar pouco mais de 1000, e fiquei com muita gente zangada comigo, achando que foi bloqueada por mim. Coisa mais chata! Amanhã, outra vez, não terá crônica de Domingo por eu não poder entrar no Face.

Estou bem triste com tudo isso, penso em sair definitivamente desta rede, mas gostaria de manter contato com meus amigos e leitores, continuar a escrever minha crônica. Eles não me dizem o porque de eu estar “temporariamente impedida de ter acesso à conta”, mas eu desconfio que tenha a ver com a minha crônica “Odeio a prepotência”, que esta semana viralizou na rede por tratar do senador relator do projeto de Abuso de Autoridade. Esta crônica foi escrita há 6 anos, nela relato um episódio ocorrido num aeroporto em Paris, quando este senhor e sua esposa foram muito desagradáveis comigo. Na época que a publiquei, ela teve grande número de comentários e curtidas. Acredito que era mantida em alguns computadores e resolveram republicá-la aproveitando este momento crucial para a nossa democracia, em que tentam transformar em cinzas o vigoroso trabalho de nossa justiça contra a corrupção. Quem soltou meu texto na mídia, trocou o título para “O Prepotente” — o que não altera muito o original –, acrescentaram uma frase dizendo, em obs., o nome do senador e o qualificando de “safado”(o que pode ser necessário para os mais desavisados entenderem de quem se trata, mas que enfeia a minha escrita, que é um simples relato de fato real) e trocaram a palavra “retada” (como se diz na Bahia) para “arretada”, (como se diz em Pernambuco). Como não publiquei nada do que é proibido pela rede, nada que me desabone, acredito que foi esse senhor ou seus partidários, no uso da prepotência que lhes é habitual, que me denunciaram de alguma maneira (qual seria?), vingando-se ao me impedir de continuar convivendo com meus amigos e publicando minhas crônicas.

Não vou parar de escrever, não vou parar de publicar, mas estou bem cansada destas atitudes arbitrárias do Facebook. Estou pensando em fazer um blog, mas ainda não sei a cara que terá, preciso fazer ima estrutura bacana, o que toma tempo.
Continuarei, no entanto, escrevendo, e gostaria de fazer chegar aos amigos minhas crônicas. Fiz um novo e-mail:

cronicadedomingo@gmail.com

Peço a vocês, que estão no Facebook e em outras plataformas, que publiquem esta minha carta com a foto (para chamar a atenção), aberta a todo o público. Assim os amigos que quiserem podem escrever para este e-mail, mandar seus endereços eletrônicos e eu poderei enviar a crônica.
Agradeço a ajuda de todo o meu coração.
Um abraço grande da

Paloma Jorge Amado
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ARTIGO

O PREPOTENTE

Paloma Amado

Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente, participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz. De repente, uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig (que saudades) para Salvador. Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas.

Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe. Em seguida chegou um casal que eu logo reconheci, era um político do Sul (não lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois que fica difícil lembrar). A mulher parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim). É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: “Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo.” Me armei de paciência e respondi: “Sim, senhora, eu sei.” Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso.

De repente, o senhor disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: “Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos”. Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais. Pouco depois bateram à porta, era o casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a putaquepariu, apesar de desejar fazê-lo. Educadamente disse não.

Hoje, quando vi na tv o Senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, eteceteraetal, fiquei muito retada, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.

PS: O PREPOTENTE é o Senador Roberto Requião, do Paraná (Paloma Amado é escritora e filha de Jorge Amado e Zélia Gatai)

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Magnífica canção!!! Formidável Willie Nelson!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

Federico Rivas Molina
Gil Alessi
Buenos Aires

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou, nesta quinta-feira, o depoimento de Lula concedido na tarde de quarta para o juiz Sérgio Moro em processo no qual é réu por suposto recebimento de vantagens ilegais. O tucano, que chegou a ser ouvido como testemunha de defesa do petista em fevereiro de 2017 no caso que investiga supostas irregularidades no Instituto Lula, afirmou que prefere “não imaginar Lula preso”. “Mas são coisas da vida: não sei o que ele fez. Dependendo do que foi, o que o juiz poderá fazer?”, questiona. Para FHC, “a Justiça não pode julgar em função da popularidade, e sim se [o réu] cometeu ou não o crime, a lei é para todos”. As declarações foram dadas durante evento de lideranças realizado em Buenos Aires.
O ex-presidente FHC, em foto de maio.
O ex-presidente FHC, em foto de maio. NACHO DOCE REUTERS

Para o tucano, Moro não está fazendo um “julgamento político” do petista. Na oitiva de quarta, o ex-presidente tornado réu afirmou várias vezes que o que está sendo julgado era “o seu Governo”, e não eventuais crimes cometidos por ele. “É um tribunal normal do Brasil que alcançou muita gente, inclusive do meu partido, que foi incluído na investigação da Lava Jato. Por isso acho que as investigações precisam prosseguir”, afirmou FHC. A Procuradoria-Geral da República pediu abertura de inquérito contra vários tucanos de alta plumagem, como o senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), e o governador paulista Geraldo Alckmin – todos possíveis candidatos ao Planalto em 2018.

No entanto, apesar das palavras de apoio à operação, o ex-presidente aproveitou para engrossar o coro dos que criticam as longas prisões preventivas decretadas pela Operação Lava Jato. “Me choca uma prisão provisória que dure mais que um ano”, disse. Recentemente o Supremo Tribunal Federal soltou o ex-ministro petista, José Dirceu, o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e o pecuarista José Carlos Bumlai. Eles estavam presos há vários meses, após condenação em primeira instância – pela lei brasileira o início do cumprimento de pena é autorizado após sentença de segundo grau. Para o ex-presidente, este tipo de revisão da decisão de um juiz de instância inferiores é algo comum “que ocorre nas democracias”. “As cortes superiores devem controlar [as decisões tomadas na primeira instância]. E em 95% dos casos elas disseram que não houve excesso [por parte de Moro]”, afirma.

FHC defende que os pedidos de libertação de presos preventivos sejam analisados “caso a caso”. “Não vale para todos: a Justiça é feita caso a caso, e a culpa também, não é genérica”, diz.

Questionado sobre a corrupção praticada pelas empreiteiras durante seu Governo – algo que ele admite em seu livro Diários da Presidência (Companhia das Letras) – e que os delatores da Odebrecht confirmam, FHC foi evasivo. “Eu tentei me informar e não descobri nada”, disse. Emílio Odebrecht, patriarca da construtora que leva seu nome, afirmou que o modelo de negócio de obras públicas no país “sempre” foi tocado mediante propina e caixa 2. “A tese da Odebrecht é que sempre houve [propina]. Só que naquela época não havia essa obsessão de caixa 2. No meu caso os recursos eram fáceis de obter, porque do outro lado era o Lula. E naquela época ele era visto como um Ferrabrás [vilão de histórias de ficção]”, diz o tucano.

No início do ano FHC se envolveu em outra polêmica envolvendo caixa 2. Assim que as denúncias de que tucanos do Congresso receberam pagamentos irregulares, ele foi um dos que defendeu a tese de separar o caixa 2 “pago como corrupção”, do caixa 2 “sem corrupção”. Ele admitiu, no entanto, que durante seu Governo havia corrupção. “A [corrupção] que vinha há décadas nunca parou. Só que ela não é uma corrupção política ou organizada pelo Governo, é de pessoas, desvio pessoal de condutas. Quando eu sabia eu combatia”, disse.

FHC também comentou a possibilidade de um “acordão” para livrar boa parte dos congressistas e ministros envolvidos na Lava Jato. A hipótese começou a ser ventilada após encontros fora da agenda oficial realizados entre o presidente Michel Temer com ministros do STF. Além disso ventilou-se a possibilidade de uma reunião entre FHC, Lula e o atual mandatário. “Antes dessa crise da Lava Jato eu mandei sinais de que havia chegado o momento de nos reunirmos para discutir questões [políticas]”, diz o ex-presidente. “Agora é mais complicado, porque a aparência será sempre de que estamos reunidos para frear a Lava Jato. Isso dificulta muito”, afirma. Para ele, é necessário que se faça uma reforma política ampla. “O sistema político que montamos na Constituição de 1988 está corrompido. Tem 28 partido no Congresso, 70 esperando serem criados”, diz.

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Posted on 12-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2017


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Caixa 2 na caixa de sapatos

Em sua delação, Mônica Moura contou à PGR que parte dos pagamentos recebidos no caixa 2 da campanha de Lula em 2006 ocorreu em dinheiro vivo, “em sacolas, caixas de roupa e de sapato” numa loja de um shopping de São Paulo.

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Posted on 12-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2017


Bennett, no Diário do Paraná (Critiba)

DO EL PAÍS

G. Alessi
M. Rossi
T. Bedinelli

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qualidade de réu ao juiz Sérgio Moro durou cinco horas, num encontro cordial temperado com troca de farpas que foi usado pelo petista para demonstrar força política nas ruas de Curitiba e para consolidar sua defesa. Nos vídeos feitos públicos momentos depois do encontro, Lula acusou a força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato, com sede no Paraná, de querer “criminalizar a sua presidência”, ainda por cima “sem provas”, no processo que sustenta que ele aceitou da OAS uma reforma num triplex de luxo no Guarujá em troca de vantagens na Petrobras. Questionado, o ex-presidente citou algumas vezes sua mulher Marisa, morta em fevereiro, como a interessada no imóvel. Negou ter discutido as melhorias e desmentiu uma nota de seu próprio instituto, de janeiro de 2016, que mencionou que as reformas seriam incluídas no preço final da unidade, se a família Lula decidisse adquiri-la.

Sergio Moro seguiu o roteiro da denúncia dos procuradores da Lava Jato, que acusam Lula de ser o “cabeça” do esquema de desvios da Petrobras. O magistrado questionou o ex-presidente sobre nomeações na estatal, como a do ex-diretor Renato Duque, que, preso e condenado, acusou o petista na semana passada de estar a par da corrupção. O ex-presidente negou frontalmente as acusações, mas admitiu ter chancelado a indicação de Duque e o procurado para discutir os “boatos” de que o então diretor da Petrobras mantinha conta no exterior. Segundo ele, Duque “mentiu para ele mesmo” ao negar tudo.

Com o depoimento desta quarta, Lula, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dá um passo a mais em direção ao que deve ser sua primeira sentença na Justiça – além do caso do triplex e de um outro, nas mãos de Moro, ele responde a outras três ações penais. Outros inquéritos da força-tarefa da Lava Jato, ainda em etapa de investigação, podem ir parar nas mãos do magistrado de Curitiba.

Agora, todos os olhos se voltam para a caneta de Moro, que a defesa de Lula ainda tenta destituir do caso. O magistrado deve estabelecer uma data para que tanto a defesa como a acusação façam suas considerações finais no processo para, daí, publicar seu veredito. Levando em conta a celeridade de Moro na Lava Jato, isso deve ocorrer em um prazo que varia entre semanas ou poucos meses. O cronograma é considerado central porque, caso condenado pelo magistrado, Lula entrará numa corrida contra o relógio para evitar uma condenação em segunda instância que o tiraria da corrida pelo Planalto em 2018.

“O que eu quero é que se pare com ilações e me digam o crime que cometi. O crime não é conversar com alguém ou visitar um triplex. [Cadê] escritura assinada [por mim]?”, questionou Lula, que em outro momento criticou o polêmico powerpoint exibido pelo procurador Deltan Dallagnol que colocava Lula no centro da trama corrupta: “Estou sendo julgado pelo que fiz no Governo, com base na construção de um powerpoint mentiroso, feito por um cidadão que, desconhecendo a política, quer rotular o PT como organização criminosa onde o Lula é o chefe”, disse. Sua defesa questionou ainda perguntas feitas sobre o Mensalão, o escândalo de distribuição de caixa 2 a aliados no qual o PT foi condenado em 2010.

Segundo a lei brasileira, a acusação não pode se basear apenas nos depoimentos de delatores, vários deles citados por Moro e pela acusação, segundo os quais o triplex estaria “reservado” a Lula. Por outro lado, a prática de crimes como ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro muitas vezes não é acompanhada por recibos e assinaturas. “Lula teria recebido a vantagem após deixar a Presidência, mas os atos ilegais a ele imputados na denúncia remontariam às primeiras nomeações de diretores da Petrobras, em 2003. Não é um nexo simples de se provar”, diz o professor de direito da USP, Rafael Mafei Rabelo Queiroz. Se Lula usasse seu prestígio para ser lobista da OAS, argumenta Queiroz, “não seria laudatório”, mas tampouco um crime. No entanto, o professor chama atenção para o histórico do magistrado: “Em sentenças anteriores na Lava Jato, Moro não teve dificuldades em reconhecer nexos igualmente tênues. Ficarei muito surpreso se ele decidir de modo distinto para Lula, ao menos por este motivo”, disse ao EL PAÍS.
Roupa suja e futuro

Na maior parte do tempo, Lula, com sua gravata de sorte verde e amarela, parecia à vontade, ante um Moro mais engessado. O petista desfiou respostas de impacto, como cobrar a presença do procurador Dallagnol, defender seu Governo ou criticar Moro pela divulgação de áudios envolvendo ele e sua família, no ano passado. Tudo a calhar para a guerra posterior, sobre vencedores e derrotados do depoimento transformado em embate político tanto por Lula como por Moro, que diz que o apoio da opinião pública é central para a Lava Jato. “Eu gostaria de dizer que eu estou sendo vítima da maior caçada jurídica que um presidente e um político brasileiro já teve”, disse Lula, que também criticou duramente a grande imprensa.

O petista só pareceu menos confortável quando teve que desmentir uma nota divulgada pelo Instituto Lula em janeiro de 2016. A mensagem, escrita em formato de pergunta e resposta, dizia: “Por que a família desistiu de comprar o apartamento? Porque, mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”.

Questionado pelo procurador Roberson Pozzobon, Lula disse que não foi consultado para a elaboração da nota. “Eu não sou dirigente do instituto. A nota é feita com a direção do instituto em combinação com os advogados que conhecem o projeto e o processo todo. Nem sempre, quando a nota é feita, eu estou no instituto”, disse o ex-presidente, que negou também, ao contrário do que diz a nota, que soubesse da realização de reformas no apartamento. Segundo ele, a desistência da compra ocorreu porque ele percebeu que não poderia usufruir tranquilamente da praia do Guarujá enquanto figura pública.

A audiência terminou evidenciando como protagonista ausente a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu após um derrame em fevereiro e também era ré na ação. Lula disse que sua então mulher era a interessada no imóvel, talvez para “investir”. Afirmou que ela visitou o apartamento ao menos uma vez sem que ele soubesse: “Não sei se o senhor tem mulher, mas nem sempre ela pergunta para a gente o que vai fazer”. As citações à ex-primeira-dama não devem parar por aí, já que delatores da Odebrecht, em casos ainda iniciais, também atribuem a Marisa papel importante em decisões em relação ao sítio de Atibaia, que a acusação considera uma propriedade “camuflada” de Lula. Como a ação contra Marisa está extinta, a discussão sobre implicação legal das menções deve ganhar peso.

Após o depoimento, o petista terminou sua jornada com um rápido discurso a apoiadores no centro da capital paranaense no qual voltou a flertar com a candidatura de 2018: “Se um dia eu tiver cometido um erro, não quero ser julgado só pela Justiça. Quero ser julgado antes pelo povo brasileiro”.