DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Lula quase fica sem hotel

De acordo com Reinaldo Bessa, da Gazeta do Povo, vários hotéis de Curitiba recusaram hospedar Lula, por medo de represálias e manifestações da Lava Jato.

O Bourbon Curitiba acabou aceitando o hóspede, mas, segundo o jornal, não concordou em ceder sala para uma entrevista coletiva dos advogados do petista após a audiência com Sérgio Moro.

DO G1

por Marina Oliveira, especial para O GLOBO

CURITIBA – Ao participar de um evento do Observatório Social do Brasil, em Curitiba, na noite desta segunda-feira, o juiz Sérgio Moro mostrou preocupação com o clima de confronto que se formou antes do depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve prestar na quarta-feira. O petista será ouvido na condição de réu em um processo que investiga se ele recebeu um tríplex no Guarujá, litoral paulista, da construtora OAS como contrapartida por contratos da empreiteira com a Petrobras.

Em sua fala, o juiz fez questão de lembrar que o processo não é uma batalha e mostrou preocupação com eventuais manifestações:

— Ali estão acusação e defesa e me preocupa esse clima de confronto. Vale lembrar que nada de conclusivo vai sair nesta fase. Nada é resolvido na audiência de interrogatório. Toda essa expectativa não se justifica — afirmou o magistrado: — É uma oportunidade que o acusado tem para se defender no processo e eu tenho basicamente que ouvir e fazer algumas perguntas. O acusado pode inclusive ficar em silêncio ou mesmo mentir.

Moro falou para um auditório lotado de empresários, gestores e contadores durante uma hora em uma palestra magna do 1º Congresso do Pacto Pelo Brasil, que discute gestão pública e corrupção. Ao abrir sua palestra, que teve como temática principal a Operação Lava Jato e a corrupção sistêmica, o juiz brincou com a plateia.

— Não sei se vocês estão a par, mas na quarta-feira vai haver um interrogatório e fico preocupado com a expectativa com os atos, pois trata-se de um procedimento normal —, disse arrancando risos dos presentes.

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Ainda no início de sua fala, Moro foi interrompido por uma pessoa da plateia que o indagou sobre sua roupa. “Doutor, e essa gravata vermelha?” O juiz respondeu:

— Vermelho de fraternidade.

CORRUPÇÃO SISTÊMICA

Em sua fala, o juiz falou rapidamente sobre as diferentes fases e processos da Lava Jato e ressaltou que não é possível generalizar e afirmar que todas as esferas sejam corruptas, mas que é preciso compreender a corrupção como sistêmica no país.

— É possível afirmar que nos âmbitos dos contratos da Petrobras, a corrupção era a regra estabelecida — apontou.

Moro falou sobre os custos para a produtividade brasileira diante da disseminação da corrupção em estádios de futebol, obras de infraestrutura, duplicação das estradas e outras instâncias. Moro ressaltou o papel das empresas e lembrou o caso Mãos Limpas, da Itália

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— O setor privado não deve pagar propina. Parece óbvio, mas é preciso lembrar que do outro lado sempre tem alguém disposto a pagar. Pode ser uma extorsão, mas geralmente é um conluio — defendeu.

Ressaltou a conduta do empresário e também a repartição das obrigações em combater a corrupção também com as esferas do legislativo, executivo e do judiciário.

Mais cedo, o coordenador da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol, que também participou do evento, falou sobre a calamidade na condução das empresas e as dificuldades impostas por advogados, contadores e executivos de companhias no desenvolvimento de setores internos de fiscalização. Dallagnol destacou ainda, a relevância de reformas centrais nos sistemas jurídico criminal e político, além da importância dos brasileiros em não eleger heróis, mas lutar por um país melhor.


Sergio Moro. Rovena Rosa ABr


DO EL PAÍS

OPINIÃO
COLUNA

Lula e Moro

Juan Árias

Eles não podem ser mais diferentes: Lula é expansivo, Moro, contido. O ex-presidente é mediterrâneo e tropical, e o juiz, mais nórdico. Lula é fogo e Moro, gelo

O primeiro encontro, cara a cara, entre o juiz Sérgio Moro e o ex-presidente Lula não é um duelo entre os dois. Lula é um cidadão convocado como réu, acusado de corrupção política, e Moro o juiz que pode condená-lo ou absolvê-lo. Nada além disso.

Mas se pretendeu dar ares de disputa futebolística a esse primeiro encontro, convocando ao tribunal de Curitiba os torcedores do político e do juiz sob o risco de confrontos e violência, o que levou Moro a pedir a suas hostes que fiquem em suas casas: “Não venham, não é necessário. Deixem a justiça realizar seu trabalho”.

Estamos na sociedade da pós-verdade em que os sentimentos e as sensações contam mais do que os fatos. Por isso, querendo ou não, a data de amanhã, 10 de maio, terá um eco internacional.

Será lembrada no futuro como algo histórico ocorrido no Brasil. Será o dia em que, pela primeira vez, se encontrarão, cara a cara, dois personagens que já entraram na história: Lula, o presidente mais popular que o país já teve, ídolo das classes mais humildes e hoje sob suspeita de corrupção política, e Sérgio Moro, o juiz que trouxe a público a Lava Jato, o maior escândalo de corrupção conhecido até hoje. O juiz que se espelha em Giovanni Falcone, o flagelador da máfia siciliana, que a colocou no banco dos réus e por quem acabou assassinado. Lula e Moro irão se olhar nos olhos?

Já ocorreram outros 10 de maio famosos no mundo que podem ser metáfora do momento brasileiro. Figuras de prestígio mundial chegaram ao poder justamente nesse dia, como Nelson Mandela, na África do Sul e François Mitterrand, na França. E em um 10 de maio de 1508, Michelangelo começou a pintar a bela e polêmica Capela Sistina, talvez o maior monumento artístico da história da humanidade.

Para esse 10 de maio brasileiro há quem tenha ido consultar os astrólogos. Esse dia está sob o signo zodíaco de touro, que representa o respeito às leis, à estabilidade e à força.

Lula é de escorpião, signo intenso, sensual, com energia emocional, mas possessivo. Moro é de leão, o signo dominante do zodíaco. É o signo dos que se sentem vencedores e também ambiciosos.

Os dois não podem ser mais diferentes: Lula é expansivo, Moro, contido. O ex-presidente é mediterrâneo e tropical, e o juiz, mais nórdico. Lula é fogo, Moro, gelo.

Lula brigará para ser absolvido das acusações. Quer demonstrar que é inocente e um perseguido político e seu desejo é voltar a presidir o país pela terceira vez.

Moro e os seus esperam ter provas para poder demonstrar a tese de que Lula foi “il capo” da trama do grande escândalo de corrupção da Petrobras com ramificações em vários continentes. Tudo isso em meio a um suspense entre a tragédia shakespeariana e a comédia bufa napolitana.

O triste é que a Lava Jato não é uma disputa de futebol e uma partida de pôquer onde se pode blefar, mas uma dramática realidade que o Brasil vive entre incrédulo e envergonhado. Uma realidade que anuncia a crise não só da esquerda social representada por Lula, mas de toda uma classe política.

A única esperança é que o país e suas instituições saiam purificados e renovados de um teste cujas consequências são sofridas não só pelos políticos, mas por toda a sociedade. Uma sociedade que só quer trabalhar e ser feliz, que merece algo melhor do que essa incerteza institucional e esse mar de corrupção.

Quem sabe não está chegando a hora da verdade, essa que liberta, enriquece e enobrece a um país.

Vince Guaraldi, “Mr Lucky”,para acompanhar a semana confiando nela!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Vigília em Curitiba é cancelada

Arquidiocese de Curitiba acaba de informar que decidiu não disponibilizar suas instalações para a “Vigília Inter-religiosa de Oração pela democracia e pela Vida”, prevista para a véspera do interrogatório de Lula.

Segundo o comunicado, a decisão foi tomada “face a atmosfera tão carregada, densa de potenciais confrontos, justamente para salvaguardar um ambiente que evita contrastes e acirramento de ânimos.”

mai
09
Posted on 09-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-05-2017


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)


DO EL PAÍS

Rubén Amón (Enviado Especial)

Paris

É preciso voltar à vitória de Berlusconi em 1994 para encontrar na Europa um fenômeno político tão explosivo como o que representa Macron. A diferença, além de outras evidências, consiste no fato de que o líder do Forza Italia, coroado primeiro-ministro quatro meses após a fundação do partido, era um popularíssimo magnata que aproveitou a seu favor a implosão do socialismo e da Democracia Cristã. Macron, por sua vez, era um desconhecido. Também se beneficiou da autodestruição dos partidos convencionais – Os Republicanos e o PS –, mas todas as vantagens conjunturais não bastam para explicar a incrível jornada de um “movimento” fundado somente em abril. Macron era tão desacreditado que o chamavam de “monsieur 7%”, em referência à expectativa de voto.

6 de abril de 2016. A voluntariosa reunião de fiéis a Emmanuel Macron na cidade natal do novo presidente, Amiens, adquire a cada dia uma idealização maior no relato do fenômeno político. Foi o embrião. E o lugar onde foram estabelecidos os dez mandamentos do movimento, entre eles, a sensibilidade ao europeísmo e à globalização, assim como a promessa da regeneração da vida pública e a síntese ideológica no campo do centro: “Nem de esquerda nem de direita”. Não se esconde em sua origem o culto ao líder: En Marche! não só escapa da convenção política como representa as iniciais de Emmanuel Macron.

30 de agosto de 2016. “Toquei com os dedos os limites do sistema político”. Macron se recria em seu próprio providencialismo. E transforma a frase no pretexto para sair do mesmo Governo em que havia sido ministro da Economia. Macron renega o socialismo e promove “a grande marcha”, uma campanha nacional (sem conotações mussolinianas) de 5.000 voluntários que coleta as inquietudes – e o financiamento – dos franceses como fundamento da política da França do futuro.

16 de novembro de 2016. A renúncia era uma candidatura velada ao Palácio do Eliseu, mas foi esse dia do outono francês que Emmanuel Macron escolheu para “tirar a máscara”. Fala em Paris de uma revolução democrática profunda, de um movimento imparável. A bravata não inquieta seus adversários. Nem o primeiro-ministro com quem dividia gabinete: “O assunto não me interessa”, declara Manuel Valls. Macron é visto como um oportunista, uma estrela de brilho fugaz. Não é levado a sério.

10 de dezembro de 2016. O movimento começa a ganhar força, tanto pela hiperatividade das redes sociais como pelos quilômetros percorridos por Macron como se fosse um missionário. Uma fé de pastor mórmon que o leva de Le Mans a Estrasburgo e de Montpellier a Paris, onde o golden boy consegue uma audiência de 15.000 espectadores. A foto aparece nas capas dos jornais. “Macron desafia o Partido Socialista”, é a manchete do Le Parisien em alusão ao golpe de efeito do ousado candidato.

29 de janeiro de 2017. Primeiro golpe de sorte. As primárias socialistas derrubam a candidatura situacionista de Manuel Valls em benefício de Benoît Hamon, um perfil mais à esquerda do que o representado pelo ex-primeiro-ministro “catalão”. Será a origem de uma ruptura na família do PS, de um trauma, até o extremo de que personalidades ilustres da família socialista começam a se aliar a Macron. Gerard Collomb, prefeito de Lyon e mentor do EM!, o faz inequivocamente, mas é Valls quem se afasta de Hamon, pedindo o voto em Macron no primeiro turno.

1 de fevereiro de 2017. Segundo golpe de sorte. Fillon faz um pronunciamento público para denunciar uma conspiração de Hollande e outras instituições do Estado. Diz se sentir vítima de uma manobra palaciana para acabar com sua candidatura, mas a explicação não dissimula o escândalo de nepotismo que envolve sua esposa e seus filhos. O Penelopegate frustra as pretensões dos Republicanos. Teria acontecido o mesmo com Alain Juppé e Nicolas Sarkozy? O ex-primeiro-ministro e o ex-chefe de Estado concorreram nas primárias, mas os militantes escolheram Fillon.

9 de março de 2017. É a primeira vez que as pesquisas colocam Macron na liderança das intenções de voto. Ele fica à frente de Marine Le Pen (26% a 25%) e rentabilizando a adesão orgânica do líder centrista François Bayrou. O número de militantes passa dos 200.000 franceses. E ganha partidários, tanto da área da cultura e da intelectualidade (Pierre Bergè, Alan Minc, Jacques Attali) como de todo o espectro político (Bernard Kouchner, Bertrand Delanoë, Daniel Cohn-Bendit), incluindo 54 deputados do Partido Socialista e por volta de trinta conservadores.

23 de abril de 2017.Emmanuel Macron não poderia ter melhor adversário do que Marine Le Pen na finalíssima de 7 de maio. Por isso já havia sido o mais votado no primeiro turno. E pela mesma razão rentabilizou a seu favor o voto útil com que os franceses eliminaram o perigo da Frente Nacional.