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DO G1

Por G1, Brasília

O ex-ministro José Dirceu chegou na noite desta quinta-feira a Brasília um dia depois de deixar a cadeia na Região Metropolitana de Curitiba .

Na capital federal, ele ficará no apartamento da mulher, no bairro Sudoeste. Ao chegar ao prédio, foi recebido por manifestantes com gritos de protesto. Alguns bateram nos vidros do carro.

Pelo menos quatro policiais militares estavam à espera do ex-ministro a fim de garantir a segurança no local. Ao descer do carro, Dirceu foi acompanhado pelos policiais até o elevador do prédio.
José Dirceu chega ao prédio em Brasília onde vai morar após ter sido libertado; imagens são de Jonathan Santos

José Dirceu chega ao prédio em Brasília onde vai morar após ter sido libertado; imagens são de Jonathan Santos

José Dirceu foi preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em agosto de 2016. Na segunda-feira (2), o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a prisão preventiva do ex-ministro. Ele foi condenado em duas ações penais relacionadas à Operação Lava Jato a mais de 30 anos de prisão por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Dirceu foi de carro para São Paulo na noite de quarta-feira (3), de onde seguiu para Brasília nesta quinta. Após deixar a prisão, Dirceu recebeu a visita do ex-deputado federal Angelo Vanhoni. Segundo Vanhoni, Dirceu está bem fisicamente e emocionalmente forte, após quase dois anos preso.

Por determinação do juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, Dirceu saiu da cadeia usando tornozeleira eletrônica.

Depois de colocar o equipamento na sede da Justiça Federal, em Curitiba, ele foi para um condomínio próximo a um parque da cidade, onde ficou até se deslocar para São Paulo.
O ex-ministro José Dirceu chega ao apartamento onde vai morar no bairro Sudoeste, em Brasília, na noite desta quinta-feira (4). (Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO) O ex-ministro José Dirceu chega ao apartamento onde vai morar no bairro Sudoeste, em Brasília, na noite desta quinta-feira (4). (Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO)

O ex-ministro José Dirceu chega ao apartamento onde vai morar no bairro Sudoeste, em Brasília, na noite desta quinta-feira (4). (Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO)

Medidas cautelares

Dirceu ficará em liberdade com tornozeleira eletrônica e não poderá deixar o país. A medida foi determinada pelo juiz Sérgio Moro, que é responsável pelas ações penais da Lava Jato na primeira instância.


DO EL PAÍS

Opinião

COLUNA

Juan Arias

“Fui assaltado, mas pelo menos me deixaram vivo”. “Só peço que os bandidos não façam nada com meus filhos”. “No final tive sorte porque não me enfiaram a faca nem me deram um tiro”. “Já saio de casa preparada, pensando que posso ser assaltada”. Essas são algumas das frases que li nos jornais em crônicas de cidadãos assaltados na rua ou em suas casas. O que significam? Do ponto de visto humano, um mecanismo compreensível para suportar o medo da violência. Do ponto de vista político, representa a derrota de todos os Governos do Brasil, desde a chegada da democracia até hoje. Todos eles aparecem reprovados em matéria de segurança da população. Até quando uma democracia pode resistir a essa grave situação? Com uma polícia corrupta, sem preparo e mal remunerada, que é a que mais mata do mundo e a que mais morre, as pessoas se sentem inseguras na rua.

A insegurança alcança a todos, em cidades grandes e pequenas, e cria uma sociedade que corre o risco de pisotear direitos humanos inalienáveis com episódios como o linchamento em praça pública de quem tenta roubar um celular. Nesse clima de fazer justiça com as próprias mãos, a polícia executa sem piedade à luz do dia e as balas perdidas matam crianças dentro das escolas ou nos braços de suas mães. Nem se trata mais de distinguir entre vítimas e carrascos. Acabamos nos transformando todos em carrascos quando aplaudimos a polícia que dispara contra pessoas desarmadas ou quando deixamos um policial ferido morrer na rua.
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Na Espanha, durante a ditadura franquista, quando meus irmãos e eu encontrávamos uma patrulha policial na estrada, ficávamos com as pernas tremendo. Infundiam medo em vez de segurança. Ao contrário, na primeira vez que visitei Londres, vi que as pessoas se sentiam protegidas com a presença policial. Aterrissei no Brasil e voltei a recordar os duros tempos franquistas. Também nos brasileiros a presença da polícia infunde temor. Consideram-na corrupta e vendida ao tráfico de drogas. Para muitos, policial é sinônimo de bandido. Nas favelas, a polícia às vezes é mais temida que os traficantes.

A polícia, por sua vez, também se sente vítima e não carrasco. Para que prender vivos os bandidos se a justiça os coloca na rua no dia seguinte? É um mantra que se ouve com frequência. A reforma da polícia é talvez a tarefa mais difícil e sempre adiada por todos os Governos. O Brasil é um país perigoso e a carreira policial é amarga e sem prestígio. Em casa precisam lavar as fardas sem as expor para que nem os vizinhos saibam qual é sua profissão. Nos dias de folga, em que poderiam levar uma vida normal, é quando correm maior risco e quando mais morrem. A polícia tem fama de se corromper, de que é melhor não chamá-la quando se é agredido. “Não adianta nada”, dizem. Daí que às vezes a polícia caia na tentação de não andar com tantos escrúpulos e não se esforçar para prender os delinquentes preservando sua vida. Para quê?

A polícia brasileira, além de matar mais que qualquer outra do mundo, é também a menos preparada e a mais mal remunerada. Lembro-me de uma reportagem do jornal O Globo em que entrevistaram vários policiais que atuavam nas ruas do Rio. Queixavam-se de serem jogados na boca do lobo sem experiência e com armas que nem sabiam manejar, ou que eram obsoletas comparadas aos armamentos modernos usados pelos traficantes. “É difícil um policial brasileiro não se corromper quando ganha pouco mais que um pedreiro, não foi preparado para um trabalho de risco e tem sua vida e a de sua família sempre em perigo”, conta-me um militar aposentado.

Juntem todos esses ingredientes, acrescentem a raiva de uma sociedade que se sente abandonada em seu direito de ser defendida pelo Estado. Misturem com a impotência ou a incúria dos Governos federais e locais e terão a receita perfeita para o coquetel explosivo da falta de segurança. Vítimas ou carrascos? Ambas as coisas em partes iguais. Responsáveis? Quem teria o dever e os meios de pôr um ponto final nesse escândalo e nessa sangria que produz 60.000 homicídios a cada ano, mais mortes que em todas as guerras em curso. Mortes, na maioria, de jovens, negros e pobres. E os que conseguem viver, ao abandonar a escola são candidatos a perpetuar esse horror que envergonha uma sociedade e alguns governantes que vivem e viajam blindados e parecem resignados e anestesiados diante de todo esse horror que atinge as pessoas comuns.

Essa insatisfação com a falta de segurança, que corrói a confiança dos cidadãos no Estado, é o melhor caldo de cultivo para que um dia o país acorde com a democracia em coma, ou presidido por um apaixonado pela ideia de que todos vivamos armados como única solução contra a violência. Uma sociedade armada e blindada, abandonada à sua sorte pelo Estado que deveria protegê-la, é realmente democrática?

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Dirceu ri e convoca “guerra política”

Breno Altman, absolvido por Sérgio Moro, postou nas redes sociais mensagem sobre seu encontro com José Dirceu, libertado pelo STF…

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Posted on 05-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-05-2017


Eivis, no Correio Amazonense (Manaus)


DO EL PAIS

Cristina F. Pereda

Washington

O Partido Republicano conseguiu sua primeira grande vitória na maior batalha política que consumiu Washington durante os últimos sete anos. A Câmara dos Representantes aprovou o desmantelamento do sistema de saúde de Barack Obama e sua substituição por outro com o selo republicano. Esse passo também é a primeira grande vitória legislativa do presidente Donald Trump, que baseou sua campanha na promessa de destruir o principal legado do seu antecessor na política interna assim que chegasse à Casa Branca.

O projeto de lei, que agora deve ser ratificado pelo Senado, foi adiante por uma diferença de quatro votos — 217 a favor e 213 contra — e com apenas um voto além do número necessário. Todos os representantes democratas votaram contra depois de sua líder, Nancy Pelosi, ter qualificado o texto de “monstruosidade moral”. A estreita margem da vitória reflete a ampla rejeição que o projeto ainda enfrenta dentro do Partido Republicano e prenuncia uma disputa ainda mais difícil na Câmara Alta, onde os republicanos têm apenas seis senadores a mais do que os democratas.

Mas Trump já pode dizer que conseguiu levar adiante um projeto de lei para acabar com o sistema conhecido como Obamacare. O presidente republicano convidou os congressistas do seu partido para uma comemoração na Casa Branca imediatamente após a votação e pode se vangloriar de sua influência sobre essa vitória. Trump foi humilhado há seis semanas, quando, depois de pressionar os legisladores de seu próprio partido e ameaçar retirar seu apoio a eles caso votassem contra, os ultraconservadores do Freedom Caucus negaram-lhe o voto e a medida nem sequer foi submetida à votação.

A partir daí, a Casa Branca escolheu outra estratégia. Atrás da cortina de tuítes com que marca diariamente a atualidade, o presidente exerceu nas últimas semanas a política mais tradicional: telefonou pessoalmente aos representantes que não estavam convencidos com sua lei de saúde e quando dois moderados manifestaram publicamente sua rejeição, ele os convidou à Casa Branca. Paralelamente, tanto o vice-presidente quanto o secretário do Tesouro passaram toda a quarta-feira no Capitólio para mudar mais votos.
Manifestação no Capitolio contra a decisão dos republicanos.
Manifestação no Capitolio contra a decisão dos republicanos. ALEX WONG AFP

As dificuldades dos republicanos para levar adiante esse texto refletem a complexa situação que atravessa a política em Washington. Quando Obama ocupava a Casa Branca, os republicanos votaram até 40 vezes para revogar seu sistema de saúde. Na única vez que conseguiram superar a votação, o texto foi vetado pelo presidente democrata. E agora que têm maioria em ambas as casas e a presidência, encontram maiores dificuldades.

Paradoxalmente, o principal obstáculo é que muitos republicanos moderados não querem desmantelar o Obamacare para não eliminar seus principais benefícios, como a proibição de negar um seguro a pessoas com doenças pré-existentes. Trump teria conseguido mais apoios ao seu projeto de saúde graças ao fato de ter prometido pessoalmente ao líder da ala mais moderada do partido que destinará 8 bilhões de dólares (cerca de 25,54 bilhões de reais) a mais para cobrir esse tipo de apólices. Ainda assim, a soma não garante que esses recursos sejam suficientes e nem que o texto definitivo garanta totalmente que nenhum norte-americano seja rejeitado pelas seguradoras.

A falta de transparência marcou as últimas negociações. A reforma de Obama passou pelo exame de dezenas de comitês e foi debatida durante meses. A primeira tentativa de Trump, no entanto, acumulou cada vez mais rejeições desde que o Escritório de Orçamento do Governo anunciou que 14 milhões de pessoas perderiam seu seguro com essa proposta no fim de 2018. Nesta quinta-feira, os republicanos submeteram a lei ao voto sem conhecer seu impacto econômico, sem tornar público o texto completo da legislação e sem que uma única comissão do Congresso tenha analisado seu conteúdo.

O projeto republicano é rejeitado por mais de uma dezena das principais organizações médicas do país. A maior entidade de aposentados norte-americanos disse na quinta-feira que as alterações na lei “fazem que um texto ruim seja ainda pior”. O líder do Partido Democrata, Tom Perez, afirmou que “Trump e os republicanos serão responsáveis por todas as mortes que poderiam ter sido evitadas” caso entre em vigor o plano de saúde.

As únicas estimativas vêm de organizações independentes e contradizem o que os republicanos prometeram. Tanto Trump quanto os líderes do partido prometeram que ninguém teria negada a cobertura a uma doença anterior — ter uma doença congênita, ter tido câncer ou sofrer de depressão — à contratação de um seguro. No entanto, os detratores da lei alertam que reconhecem aos Estados o direito de decidir quais doenças devem ser cobertas por todas as seguradoras que operam em seu território e quais serão opcionais.

O novo sistema também poderia alterar os preços das apólices, pois os republicanos querem eliminar os impostos sobre as rendas mais altas para financiar os subsídios. Uma estimativa do Center for American Progress, uma organização progressista de Washington, também advertiu que alguns cidadãos encaram seguros com custos adicionais de 3.500% —142.000 dólares — se tiveram câncer anteriormente, ou de 208% — 8.490 dólares — em casos de depressão ou transtorno bipolar.