Velha Roupa Colorida

Belchior

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais meu pai falou: “She’s leaving home”
E meteu o pé na estrada, “Like a Rolling Stone…”
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro…(loucura, chiclete e som)
Nunca mais você saiu a rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quero cartaz
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

Como Poe, poeta louco americano, eu pergunto ao passarinho:
Black bird, Assum Preto, o que se faz?”
E raven never raven never raven
Pássaro Preto, pássaro preto black bird me responde:
“Tudo já ficou atrás”
E raven never raven never raven
Black bird, Pássaro Preto, Pássaro Preto me responde:
“O passado nunca mais”

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer
===================
Uma artista e uma canção para sempre.

ADEUS, BELCHIOR!!!
DOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG O ANTAGANISTA

A toalha de Alckmin

Aécio Neves jogou a toalha.

José Serra jogou a toalha.

Tasso Jereissati nem mesmo chegou a pegar a toalha.

No PSDB, Geraldo Alckmin é o único que resiste a jogar a toalha em favor de João Doria, hoje o único candidato tucano viável à Presidência da República.

mai
01
Posted on 01-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-05-2017

DO G1/ O GLOBO

por O Globo

RIO – Um rompimento da artéria aorta foi a causa da morte de Belchior, neste domingo, em Santa Cruz (RS), segundo a delegada Raquel Schneider, que conversou com o médico do IML de Cachoeira do Sul, responsável pela necropsia em Belchior.

Mais cedo, Raquel havia afirmado acreditar que o cantor tinha tido uma morte natural.

“Esse (rompimento da artéria) deve ser o resultado que vai vir no laudo depois. Claro que também serão feitos mais alguns exames, mas em princípio foi isso”, afirmou a delegada, de acordo com o “G1″.

O governo do Ceará vai providenciar o traslado do corpo para Sobral (cidade natal do músico), onde Belchior será velado na manhã desta segunda-feira, no Teatro São João. Depois, o corpo será levado para Fortaleza para um velório no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. À noite, será enterrado na capital cearense.

De acordo com amigos, o artista vivia há quatro anos no município localizado na região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Há um ano e meio ele morava com a esposa na casa onde morreu.


Texto publicado neste domingo, 30, no blog da jornalista e escritora Cida Torneros. Reprodução de reportagem publicada em Outubro de 2016, no jornal O Povo , do Ceará.

Uma biografia do trovador

Por Camila Holanda, Isabel Costa e Marcos Sampaio

Quando os ponteiros do relógio deste 26 de outubro marcarem 18 horas, Antonio Carlos Belchior completará 70 anos. Compositor cearense entre os mais notórios do cancioneiro popular brasileiro, Belchior conheceu a fama na década de 1970, quando morava no Rio de Janeiro e teve canções gravadas por Elis Regina, incluindo Como Nossos Pais. A carreira decolou como um foguete. Ele gravou discos, emplacou sucessos, colecionou namoradas e compôs hinos que atravessaram gerações.

Para comemorar as sete décadas do artista, nascido em Sobral, O POVO lança um projeto transmídia com caderno especial, hotsite e webdoc. A ideia é mostrar que o coração selvagem de Belchior ainda bate forte entre novos admiradores e fãs saudosos. Neste especial, estão histórias e curiosidades sobre a vida desse artista ímpar. São relatos do homem por trás do mito, da saudade do irmão, do amigo, do cantor nessa ausência autoimposta e, ainda, sobre seu trabalho mais marcante: Alucinação. 2016 celebra os 40 anos do álbum, lançado em 1976, um marco para a música brasileira, e que projetou ainda mais o compositor no cenário nacional.

Antonio Carlos Belchior é o nome legítimo do rapaz latino-americano, conforme O POVO apurou em visita a Nilson Belchior, irmão caçula do artista e guardião de fotografias, lembranças e documentos da família. Entre eles, a certidão de nascimento de Belchior – com preciosos detalhes sobre a origem do sobralense. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes é um personagem criado pelo cantor que passou a se identificar como “o maior nome da MPB”. Neste projeto estão impressos o homem, o personagem, o irmão, o amigo, o ídolo… Conheça mais sobre cada um deles a seguir.

Apenas um rapaz…
Cinco anos antes de Alucinação ganhar as emissoras de radio, Belchior era um estudante de Medicina da UFC. Circulava em importantes corredores da cultura de Fortaleza – como o Bar do Anísio, na Beira Mar – e trabalhava no programa da TV Ceará Porque Hoje é Sábado, que apresentou a nova geração da música local. Mas foi em 1971, em uma viagem cheia de percalços, que Belchior conseguiu projetar suas composições nacionalmente. Deixou para trás a faculdade e a vida em Fortaleza. Juntou os pertences e foi para o Rio de Janeiro.

“Eu decidi de repente e de um dia para o outro fui embora, sem documentos da escola e sem dinheiro. As coisas foram bastante complicadas e difíceis porque além de não conhecer ninguém, eu tava com o orgulho do pobre: ‘Se é pra vencer, vou vencer de qualquer jeito’”, contou o compositor em entrevista ao O POVO, em janeiro de 2004. À época da viagem, além da faculdade e do programa de televisão, ele era professor em escolas de Fortaleza. Belchior foi um dos cearenses a embarcar para o circuito “Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo”. Junto dele estavam Fausto Nilo, Teti, Rodger Rogério. Todos amigos e parceiros de música.

“Ele fez quatro anos de Medicina e disse para mim que não era aquilo que queria. O papai pediu muito para ele terminar, pois faltava só um ano. Ele disse que não, que iria viver de música”, conta Nilson Belchior, irmão do cantor. Por poucos dias, o compositor ficou hospedado com um tio. Depois, fez morada na casas de amigos, apartamentos em Copacabana, circuitos culturais. Da capital carioca, seguiu para São Paulo. Lá, firmou residência e sucesso. Casou e teve filhos.
Alimentou segredos guardados em família. Os discos borbulharam, ano após ano, até 1999, data do lançamento do álbum Auto-Retrato. Agora, Belchior encara o autoexílio. Distante do público e da mídia, transformou-se em ícone pop e figura cult. Para os mais próximos, continua sendo apenas um rapaz latino-americano.

Frases Em 70 anos de vida e 42 de carreira, Belchior foi ouvido pelo O POVO diversas vezes. Veja trechos de entrevista concedida ao Vida & Arte em agosto de 2007.

“Eu passei minha infância em Sobral e posso dizer que minha vida lá foi a base pra tudo. Foi lá que eu vi a arte das igrejas, os mestres, as bandas de músicas. Todas essas coisas que foram significativas na minha infância, durante o período dos meus estudos, que foi a coisa mais importante que aconteceu”

“Nesse tempo do colégio de padres, a música era uma disciplina normal no currículo. Essas coisas me encaminharam para o fazer artístico”.

“Olha, minha família sempre foi muito musical no sentido do gosto. Nunca teve ninguém profissional na minha família. Meu avô tocava flauta e sax, minha mãe cantava no coro da igreja, tinha aqueles tios boêmios, que cantavam e tocavam violão. Seresteiros, né? Nesse período, ouvia muito rádio. Tinha muito alto-falante no Ceará”.

“Olha, essas fugas de casa foram constaaaantes (risos). Sempre fui um menino muito levado, inquieto e isso me levou a fugir várias vezes de casa, mas eu sempre voltei”.

“Essas fugas mais longas foram mesmo pra estudar no mosteiro, por exemplo, ou pra me ausentar de casa para ser estudante na cidade. Coisas da rebeldia estudantil necessária, né?”

“Num momento da vida, você tem que afirmar sua própria vontade e seu próprio modo de existência. Só existe liberdade, onde você pode dizer não. Então, eu sempre disse o não que era necessário”.

Discografia completa
1974 – Belchior (Continental – LP)

1976 – Alucinação (Polygram – LP/CD/K7)

1977 – Coração Selvagem (Warner – LP/CD/K7)

1978 – Todos os Sentidos (Warner – LP/CD/K7)

1979 – Era uma Vez um Homem e Seu Tempo/Medo de Avião (Warner – LP/CD/K7)

1980 – Objeto Direto (Warner – LP)

1982 – Paraíso (Warner – LP)

1984 – Cenas do Próximo Capítulo (Paraíso/Odeon – LP)

1986 – Um show – 10 anos de sucesso (Continental – LP/ K7)

1987 – Melodrama (Polygram – LP/K7)

1988 – Elogio da Loucura (Polygram – LP/K7)

1990 – Trilhas sonoras (Continental – CD/ LP/ K7)

1992 – Eldorado – com Eduardo Larbanois e Mario Carrero (Movieplay – CD)

1993 – Baihuno (MoviePlay – CD)

1995 – Um concerto bárbaro (Polygram – CD)

1996 – Vício Elegante (Paraíso/GPA/Velas – CD)

1999 – Auto -Retrato (BMG – CD)

2004 – As várias Caras de Drummond

BOM DIA!!!


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Sem as ‘prisões alongadas’, a Odebrecht ainda seria a maior empreiteira do país”

Na sua coluna, Elio Gaspari deu um tiro preciso na decisão de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e e Dias Toffoli de soltar João Cláudio Genu.

Leia um trecho:

“Genu veio a ser o primeiro de uma série de presos de Curitiba que serão colocados em liberdade. Eike Batista foi o segundo. É improvável, porém possível, que soltem o comissário José Dirceu. Genu foi solto a partir do entendimento de que Moro e seus similares transformam prisões temporárias em cumprimento antecipado de penas.

Essas ‘prisões alongadas’, durante as quais delinquentes como Marcelo Odebrecht acabaram colaborando com a Viúva, são parte de um quadro complexo, sem resposta fácil. Há coação? Há, mas é aquela que a lei permite. Tudo bem, mas a trinca mandou soltar Genu porque acha que é isso que manda a lei.

Numa pequena amostra, sem as ‘prisões alongadas’ e sem as colaborações, a Odebrecht ainda seria a maior empreiteira do país, Youssef continuaria operando no mercado cambial e Paulo Roberto Costa seria um próspero consultor na área de petróleo.

A Lava Jato tomou um tiro. Até uma criança terá percebido que o Ministério Público identificou malfeitorias no Legislativo e na máquina do Executivo e pegou a mão invisível do mercado avançando na bolsa da Viúva. Faltou o Judiciário.”

mai
01
Posted on 01-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-05-2017


DO EL PAÍS

Jan Martínez Ahrens

Washington

A realidade está ganhando a partida contra Donald Trump. Em 100 dias de mandato, o presidente que chegou para refundar os Estados Unidos descobriu que quem realmente tem que mudar é ele. Ousado e exagerado, o multimilionário tem enfrentado um sistema muito mais poderoso do que a Casa Branca e, levado por seus próprios erros, tem sofrido derrotas humilhantes. Mas não caiu. Nem de longe. Apesar de ter a aprovação mais baixa de um presidente dos EUA nos tempos modernos (43%), Trump resiste, e as pesquisas indicam que, graças a um eleitorado extremamente fiel, hoje voltaria a vencer as eleições.

Trump aprende. O empresário que ao longo de sua vida se reconstruiu tantas vezes quantas fossem necessárias está trocando de pele. Não é uma guinada radical, mas sim uma mudança dirigida a garantir-lhe a sobrevivência política e concorrer a um segundo mandato. Reconheceu em entrevistas que governar não é como acreditava. “Pensei que seria mais fácil. É diferente de comandar uma empresa, aqui você precisa de coração, nos negócios, não”, confessou. E surpreendeu mais de um visitante e amigos perguntando-lhes sobre a idoneidade de seus colaboradores e a má imagem de seu Governo.

Crível ou não, a mutação tem surtido efeito. O homem que abominou o islã, humilhou os mexicanos e deu asas ao isolacionismo mais feroz baixou o tom. Mantém suas promessas, algumas em carne viva, como as deportações e o muro, mas, em muitas frentes, retirou a dinamite. “Deixou para trás suas posições mais controversas, mas não sabemos bem para onde caminha”, diz o professor de História de Princeton Julian E. Zelicer.

“Mais do que se moderar, está encarando os limites do poder presidencial, muitos de seus objetivos de campanha dependem do Congresso, e para isso tem que negociar, usar o poder de persuasão, não a ameaça”, afirma Shanon O’Neil, do Conselho de Relações Exteriores.

A nova narrativa incorporou um elemento que Trump rejeitou em sua campanha: a realidade. A OTAN deixou de ser obsoleta para se transformar em um instrumento necessário. A China já não é o inimigo a ser batido nem manipuladora do câmbio, mas uma parceira que pode ajudar a resolver a crise da Coreia do Norte. O regime sírio, antes intocável, foi bombardeado pela primeira vez em seis anos de conflito. Até o acordo nuclear com o Irã e o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês), que Trump definiu como os “piores já negociados”, foram absorvidos por seu Governo.

As mudanças com relação à partitura eleitoral são múltiplas. Em alguns casos trata-se apenas de matizes, outros representam movimentos telúricos. Mas todas têm como origem a experiência do fracasso. O pesadelo de Trump. Esse que tanto ridicularizou quando se tratava dos outros. “Amo os perdedores porque me fazem me sentir bem comigo mesmo”, escreveu em A Arte da Negociação.

Chegar a esse ponto não foi fácil. Sua irrupção na presidência colocou o mundo em guarda. O novo presidente, cegado pela vitória, fez tudo que pôde para dar razão a seus inimigos. Intempestivo e megalomaníaco, transbordou os limites da Casa Branca. Sacudiu o planeta com quase um milhar de tuítes e sincronizou seu ritmo cardíaco com os informativos da emissora de direita Fox. Mas quando precisou lidar com os fatos, caiu de bruços. O muro com o México não recebeu financiamento. Seu veto imigratório foi paralisado duas vezes pelos tribunais. E a reforma da saúde, seu primeiro grande teste parlamentar, foi retirada ao não conseguir o apoio da maioria de seu partido.

O sistema que ele tanto insultou mostrou-lhe os dentes e, ainda mais, lançou um contra-ataque. O FBI e duas comissões parlamentares abriram investigações para apontar sua implicação na trama russa. E a pressão dos meios de comunicação, os quais ele não deixou de insultar, conseguiu derrubar seu assessor de Segurança Nacional e imobilizar parcialmente seu procurador-geral.“Ele encheu seus 100 dias de decretos presidenciais, turbulências e a retórica mais bronca, mas não conseguiu legitimidade”, resume o professor Zelizer.

Os golpes têm sido devastadores e a origem de todos é a mesma. Trump tomou nota. A seu modo, autoritário, tem buscado uma certa normalização. O primeiro passo foi dado na Casa Branca. Lá, o peso de sua filha mais velha, Ivanka, e do marido dela, Jared Kushner, se somou ao de falcões veteranos como o responsável pela Defesa, James Mattis, e o assessor de Segurança Nacional, Herbert R. McMaster. Tudo isso em detrimento do setor liderado pelo estrategista-chefe, Steve Bannon, o extremista que sonha em “desconstruir o sistema”.

A manobra foi completada por Trump com uma tacada dupla. No exterior estacionou os dois assuntos mais espinhosos: o choque com o Irã e a definição das relações com a Rússia. Em troca exibiu seu poderio militar na Síria, Afeganistão e Coreia do Norte. E dentro do país retomou os comícios em uma tentativa de conservar a ligação com seu eleitorado principal: a classe trabalhadora branca e pobre que lhe deu a vitória graças a uma vantagem cirúrgica de 77.759 votos em três Estados decisivos (Michigan, Wisconsin e Pensilvânia).

Ante eles proclamou sua fé no patriotismo econômico. Sob o lema comprar americano, contratar americano, exibe seu perfil de presidente próspero. O mesmo que prepara um plano de infraestrutura de 1 bilhão de dólares, engraxa o maquinário bélico, reduz impostos e promove a maior desregulação financeira desde Ronald Reagan. Uma faceta que entusiasma seu eleitorado e que deixa rendidos Wall Street e o complexo militar. “A economia vai bem agora, mas o que acontecerá se começar a cair? Será que sua base eleitoral não está artificialmente alta agora por causa do bom ritmo econômico?”, aponta Kyle Kondik, do Centro de Política da Universidade da Virginia.

As defesas de Trump frente a uma possível tempestade são escassas. Prometeu muito, mas colheu poucos êxitos. O maior foi a eleição do conservador Neil Gorsuch para a Suprema Corte. Conseguiu sem desgaste excessivo e com aplausos doestablishment conservador. Será uma conquista que perdurará, mas que foi rapidamente ofuscada por sua tendência a manter todas as frentes abertas, oscilando segundo lhe convenha.

Nesse girar contínuo, o mundo descobriu que, exceto na imigração, a doutrina Trump não existe. Sob seu mandato, o universo se levanta a cada dia com novas lei, e a única coisa previsível é sua imprevisibilidade. Essa aleatoriedade afeta sua imagem. Apenas 38% o consideram um homem confiável e honesto (a metade em comparação a Obama). E a polarização é ainda maior do que no início do mandato. “Essa fratura e a radicalização de uma parte da direita são o maior risco. Estão começando a ter atitudes antidemocráticas”, diz Steven R. Levitzky, professor de Governança na Universidade de Harvard.

A ameaça paira no ar. Em caso de crise grave ou atentado terrorista, ninguém sabe como Trump reagirá. O presidente minimiza os direitos humanos e também não parece interessado em resolver a incógnita. Tem a vista posta em outro lugar. Sabe, e as pesquisas confirmam, que seus eleitores são de uma fidelidade extrema, e que se as eleições fossem repetidas hoje, voltaria a ganhar. O problema é que não se contenta com isso. Transcorridos apenas 100 dias, já sonha com a reeleição. E isso, segundo os especialistas, requer ampliar sua base de voto. Trocar de pele. Parar de confrontar a realidade. Ser outro Trump.

mai
01
Posted on 01-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-05-2017


Sponholz, no Jornal da Manhã (PR)


llustração do designer Marcos Paulo Drumond para comemorar os 70 anos do cantor, no ano passado. Instagram @mpdrumond

DO EL PAÍS

Flávia Marreiro
30 ABR

O cantor e compositor Belchior, expoente da música popular brasileira por suas letras contestatórias, melancólicas e irônicas, morreu neste sábado aos 70 anos. De acordo com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, do Ceará, Estado natal do músico, os familiares não divulgaram a causa do falecimento que ocorreu na cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul. O governador cearense, Camilo Santana (PT), disse em nota de pesar que “o povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente tudo que fez e pelo legado que deixa”.

O Governo do Ceará, que decretou luto oficial de três dias, está preparando o traslado do corpo até o Estado, mas segundo informações da assessoria da Secretaria de Cultura cearense, faltam ainda definições da família para decidir o local do sepultamento, se em Sobral, onde Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu, ou em Fortaleza. Um velório e homenagem para Belchior estão sendo preparados na capital.

O compositor, autor de sucessos como Medo de avião, Velha roupa colorida e Apenas um rapaz latino-americano teve o auge da carreira nos anos 70, com discos próprios e gravações de intérpretes como Elis Regina, que transformou Como nosso pais, composta pelo cearense, em hino de uma época. Em 1976 gravaria o disco Alucinação,que o consolidaria no cenário musical nacional, ao lado de outros músicos conhecidos como “pessoal do Ceará”. “Belchior trancou a matrícula no curso de medicina e se mandou, cantou na ‘barra pesada’ e venceu com Hora do almoço um festival universitário de âmbito nacional. Era o começo. Jorge Melo foi um dos primeiros a emigrar. Ednardo e Fagner foram depois. O Ceará invadia, mas logo começaram as dificuldades da luta contra os rótulos. Depois dos baianos, a tendência era classificar a partir da procedência. E foi difícil convencer que não se tratava de um grupo cearense, mas de pessoas que embora tendo nascido no mesmo lugar, e apesar das dificuldades e afinidades, seguiam caminhos diferentes e tinham recados diversos a dar”, escreveu, em 1977, no Jornal da Música, do Rio, o escritor, professor e crítico Gilmar de Carvalho.
Reportagem de Gilmar de Carvalho no ‘Jornal da Música’, em 1977, reproduzida no livro ‘Pérolas do Centauro’
Reportagem de Gilmar de Carvalho no ‘Jornal da Música’, em 1977, reproduzida no livro ‘Pérolas do Centauro’
Turbulências e desaparecimento

Belchior enfrentou turbulências nos últimos anos, recluso e fora do palcos. Em 2009, ganhou as manchetes depois que sua ex-mulher contratou um advogado para cobrar supostas dívidas e pensão devidas pelo cantor. “Para a família, Belchior está sumido desde 2007”, calculava o advogado da ex-mulher de Belchior Leonardo Scatolini na TV, naquele ano. Belchior chegou a falar com o programa Fantástico, desde o Uruguai, informando que trabalhava no país em traduções da suas canções para o espanhol. “Sou um rapaz latino-americano”, disse.

Mesmo cultuado, Belchior recusou os convites para voltar aos palcos. Nos últimos anos, se popularizaram no Ceará e em outras partes os dizeres “Volta, Belchior” em muros. No Carnaval deste ano, ele foi homenageado em blocos em São Paulo e em Fortaleza.