Morte do torcedor na saída do Ba-Vi.

CRÔNICA

Salvador, um pesadelo ao vivo

Gilson Nogueira

O som de betoneiras metralha a noite. São os homens da Prefeitura cuidando da Cidade da Bahia. O silencio quebrado fica para a hora de dormir. Espero sonhar o tempo que passou e encontrar, de novo, o velho Tamba, com Luizinho Eca, Bebeto e Helcio Milito, chegando bonito, no Hotel Acácia, na Rua Carlos Gomes, para um show de Bossa Nova. No amado Teatro Castro Alves. Quem dera, mergulhar no tempo. Ao vivo!

Caminhar, sem medo, na Rua Chile, aquela da Mulher de Roxo, escutar o silêncio da noite, como fazia, e gravava, na Piedade, Silvio Lamenha, cronista ímpar da Salvador que era de boiar em mares de prazeres mil. Quanta saudade! E agora, o que fazer, se não há mais a praça, o papo, a pizza, aquela paz que transbordava em tulipas de sonhos, a turma toda…

Viva,a Rua Chile esta renascendo, com a salvação de um velho ícone da hotelaria soteropolitana, pelas mãos de jovens empresários! Exulto, ao tempo em que, paradoxalmente, choro, em meu novo travesseiro, a cruel realidade dos nossos dias, ao saber de mortes de jovens assassinados, quase diariamente, na capital do turismo no Nordeste.

São de tirar o sono, os crimes que ceifam a vida da juventude, como aquele em que, recentemente, um torcedor do Bahia, de 17 anos, na saída do Estádio Otavio Mangabeira, a Fonte Nova, no último Bahia e Vitória, foi morto.

Ali, naquele momento, o satanás procurava alguém com o uniforme do tricolor e encontrou o alegre menino comemorando a vitória da vida, compreendendo a derrota do seu time com a esportividade que leva ao fascinante duelo entre opostos que se respeitam e que aceitam a perda de um combate, na guerra paradoxalmente aceitável do esporte das multidões.

O aprendiz da paixão do futebol merece um monumento bem vistoso no local em que foi atingido. Mais um sonho de vida interrompido por uma bala. Acorda,Salvador!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

“Com o coração aberto em vento por toda eternidade/ com o coração doendo de tanta felicidade. Coração, Coração, Coração”.

Salve Minas no Dia de Tiradentes.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

PALOCCI FALA QUE FOI PROCURADO POR BANQUEIRO

Antonio Palocci negou veementemente que tenha negociado “provisões” ou “reservas” para o PT. Ele fala que tratou apenas de contribuições de campanha.

Mas narrou um episódio em que foi procurado por um empresário e depois por um banqueiro, que disse atuar em nome de uma autoridade do primeiro escalão do governo.

“Quando o banqueiro me procurou. Disse: ‘estou aqui mandado por uma pessoa do primeiro escalão do governo e quero dizer que vou cuidar das coisas relativas a financiamento de campanha, a reservas, provisões. Então queria saber se você pode me ajudar.”

“Eu disse: a presidente Dilma sabe? A pessoa disse ‘não’. Era muito estranho, mas eu falei ‘tudo bem’, cuida dos recursos, se você tem essa autorização. Ele estranhou, achou que ia dar um monte de dados. E entrou no assunto ‘provisão da Odebrecht’. Disse que se eu falasse com a Odebrecht, a gente poderia capitalizar esse recurso e não sei o que. Eu falei: ‘acho que quem te informou te informou errado, nunca ouvi falar de provisão da Odebrecht. Esse assunto deu muita cria, inclusive a assuntos relacionados a Lava Jato. Eu me prontifico a lhe falar tudo, isso tem desdobramentos importantes, inclusive em relação à Odebrecht.”

Palocci disse a Moro que poderia lhe fornecer os nomes de todos os envolvidos depois da audiência. “Não quero causar mal-estar onde não é necessário, mas fico à disposição de vossa excelência, inclusive depois dessa audiência.”

DO EL PAÍS

Breiller Pires

Um grupo de torcedores do Paraná Clube utilizou o programa de distribuição de renda do Governo Federal para debochar de rivais do Vitória, da Bahia, na noite de quarta-feira, quando o time baiano foi desclassificado da Copa do Brasil depois de empatar em 0 a 0 com o time paranaense.. As ofensas aconteceram durante a partida de volta entre os dois times, pela quarta fase da Copa do Brasil, em Curitiba. De acordo com Gabriela Ribeiro, repórter do GloboEsporte.com, que cobria o jogo no estádio Durival de Brito, cerca de 20 torcedores do time local, próximos ao alambrado que os separava da torcida do Vitória, puxaram coros de “Bolsa Família” e “Vão trabalhar, seus Bolsa Família” para provocar os rubro-negros. A Bahia é o estado com o maior número de beneficiários do programa social, onde aproximadamente 2,5 milhões de pessoas recebem o benefício, enquanto a região Nordeste concentra mais da metade dos brasileiros assistidos pelo projeto.

Por meio da assessoria de imprensa, o Paraná afirma que o episódio se tratou de “um caso isolado”, restrito a uma pequena parcela dos mais de 7.000 torcedores que compareceram à Vila Capanema, como é conhecido seu estádio. O clube reforça que repudia qualquer tipo de discriminação ou preconceito, lembrando que, em 2014, quando o volante Marino, do São Bernardo, acusou um torcedor paranista de tê-lo chamado de “macaco”, contribuiu com as autoridades para identificar o agressor, que não frequenta mais os jogos da equipe. Na ocasião, o Paraná foi multado em 30.000 reais pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por causa da injúria racial.

Há 10 dias, a Vila Capanema já havia sido palco de uma briga generalizada entre jogadores do Paraná e do Atlético-PR. O goleiro Weverton provocou torcedores do time da casa após a classificação dos atleticanos para a semifinal do Campeonato Paranaense e foi repreendido com violência por atletas do Tricolor. Ele justificou a provocação alegando que teria sido xingado por torcedores do Paraná ao longo de toda a partida, que acabou empatada em 0 x 0.

abr
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Posted on 21-04-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-04-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)


DO EL PAÍS

Jaime Rubio Hancock

O colégio Diego Siloé em Albacete (centro-leste da Espanha) costuma organizar um concurso de curtas-metragens entre seus alunos. Alicia Ródenas, de 17 anos, apresentou um vídeo no qual lê uma centena de frases machistas.

Começa com algumas que impõem papéis de gênero na infância, como: “Se virem você brincar com os meninos vão chamar você de maria-sapatão”, ou “Informática? Você não prefere dançar?”. Daí passa aos comentários como: “Você está sempre cercada de meninos, sua safada” e “O que acontece, está menstruada?”. O vídeo acaba com frases que fazem referência mais direta aos maus-tratos, como “Se ele olhar outra vez para você saio na porrada”, e “É bom você não me deixar, ou eu faço uma loucura”.

O curta não se limitou a ser uma atividade escolar: já soma 120.000 reproduções desde que o colégio o publicou no YouTube, em 29 de março. Mais de 100.000 foram nos últimos dias. Além disso, aproxima-se de um milhão de reproduções no Facebook, onde foi compartilhado pela página Afetados BB Serveis.

O texto que Ródenas interpreta já tinha se viralizado em 2015. Trata-se de Que menina bonita!, obra da marilenha Ro de la Torre, que o publicou inicialmente em sua página do Facebook e depois no site feminista Locas del coño. Ródenas gostou do texto e lhe pediu autorização para usá-lo, como explicou ao EL PAÍS por telefone. As responsáveis pelo site não só deram a autorização, como também compartilharam o resultado em sua página no Facebook.

“Desde o começo eu já tinha muito claro e o fiz tal como o via. Mostraram vários vídeos para ver se me ajudavam, mas não quis ver nenhum”. Quanto ao seu lado como ator, Ródenas conta que frequenta aulas de teatro há dois anos, “mas vejo mais como um hobby. Quero estudar psicologia”.

Como costuma acontecer com esses temas, e depois que o vídeo começou a se realizar, alguns que não estavam de acordo com o conteúdo passaram a insultar em comentários no YouTube, até o ponto em que a escola teve de desativá-los.

A repercussão foi, sobretudo, positiva. “Os comentários de que mais gosto são aqueles em que as pessoas me dizem ter mudado de atitude depois de ver o vídeo”. Ele foi também discutido em sala de aula, onde foi exibido por sua professora de psicologia, que também o levou a outras escolas de Albacete.

Ródenas acredita ser bastante positivo que o vídeo e o texto de De la Torre sirva para falar sobre o machismo e mostrar que ele também está presente em várias frases que as mulheres escutam desde pequenas e que, para muitos, parecem inofensivas. “É preciso começar desde criança. Caso contrário, fica muito difícil entender que dizer esse tipo de coisa é ruim” e que, por exemplo, se uma menina quer jogar futebol não há motivo para impedi-la, que não é certo fazer comentários machistas e depois dizer que “era brincadeira” e que é um absurdo perguntar a uma mulher estuprada que roupa ela estava vestindo na ocasião.

De la Torre disse ao EL PAÍS que seu objetivo era mostra como “a violência machista não é apenas uma morte, mas algo que se arrasta durante toda a vida”. Com uma linha de raciocínio semelhante, o vídeo se encerra com os seguintes dizeres: “A violência de gênero não é apenas física. Nós a conhecemos desde a infância e ela nos persegue até o fim. É agora ou nunca”.