DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Vaccari me disse que a família de Lula tinha empreendimento no Guarujá”

Léo Pinheiro contou a Sérgio Moro que, em 2009, João Vaccari Neto o procurou para pedir ajuda na conclusão de empreendimentos da Bancoop. O empreiteiro disse que só tinha interesse em imóveis nas capitais e não no Guarujá.

Mas Vaccari alegou que Lula tinha um apartamento lá e que ele deveria pensar melhor no assunto.

“Quando ele nos mostrou os dois prédios do Guarujá, eu disse que só atuaria em grandes capitais. Mas ele me disse: Aqui (no Guarujá) existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, estamos lhe convidando a participar disso diante do grau de confiança que depositamos em sua pessoa.”

Leo concordou e acertou os detalhes com Paulo Okamotto.


DO EL PAÍS

OPINIÃO

JUAN ÁRIAS

Lula, marionete, fetiche e quixote da Odebrecht

JUAN ÁRIAS

Se Miguel de Cervantes chama o Quixote, personagem central de sua obra, de “o cavaleiro da triste figura”, na novela das confissões de Emílio e Marcelo, pai e filho do império da Odebrecht, Lula aparece como marionete e fetiche daquele império hoje em ruínas. Como Cervantes criou o personagem Don Quixote de la Mancha, os Odebrecht apresentam Lula como uma figura inventada por eles. Emílio, o pai, afirma que foi ele que, não só conseguiu a primeira vitória do ex-sindicalista em 2002, a custa de milhões, como também transformou aquele que Leonel Brizola – dirigente histórico da esquerda brasileira – chamava de “sapo barbudo”, em um presidente elegante, com gravata, reformista, a quem ajudou a escrever a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”. Certo ou fanfarronada?

Emílio se vangloria de que Lula “não era de esquerda”. Diz que “não era dos que gostavam de tirar dos ricos para dar aos pobres”. Que também ele gostava de bancar o rico. Segundo suas confissões, Emílio conhecia Lula desde os anos 70, quando era sindicalista e então já dera uma mão ao empresário para amansar uma greve. Desde então, os Odebrecht se vangloriam de ter sido os ventríloquos de Lula, que atuaria em todos os momentos de conflito da empresa para resolver seus problemas e conseguir a aprovação de leis que lhes favoreceriam. “Fui até ele e lhe disse: ‘você precisa tomar uma decisão’”. Era Emílio quem decidia, segundo a versão que contou aos promotores da Lava Jato.

Os grandes empresários conheceram em seguida os pontos fracos de Lula, o nordestino pobre e sem estudos, com um certo deslumbramento pelo mundo do luxo e da boa vida, e saciaram suas fantasias. Nunca o deixaram viajar em um avião de carreira, afirmam. Talvez Lula tenha razão quando jura que nunca pediu um real aos empresários. Não era necessário. Eles mesmos se antecipavam a seus gostos e desejos e aos de sua falecida mulher, Marisa Letícia. Antecipavam-se para ajudar toda a sua família: a um de seus filhos, empresário novato do futebol americano, a seu irmão Frei Chico, a seu sobrinho Taiguara e até a seu fiel diretor do Instituto Lula, Paulo Okamoto.

Os Odebrecht afirmam que o usaram como presidente e depois o transformaram no lobista e fetiche do grupo dentro e fora do Brasil. Sustentam que foram eles que organizaram e custearam com centenas de milhões a sucessora Dilma, cuja campanha, diz Marcelo, foi ele quem “inventou”, depois de saber antes de qualquer outro que ela seria a indicada por Lula. Queriam um sucessor ao qual Lula pudesse manejar para que eles continuassem mandando no país. Dilma, porém, se mostrou indócil, uma espécie de cavalo difícil de dominar, mas Lula lhes daria uma mão para domá-la e se manterem fortes com ela na presidência.

Causa um certo desconforto observar como o império Odebrecht usou Lula com sua auréola de ex-presidente mítico para convertê-lo em um logotipo de suas obras. Dá melancolia conhecer hoje a farsa das conferências que o grupo organizava para Lula pelo mundo para que lhes conseguisse obras e financiamento fáceis. Adulavam-no dizendo-lhe que pagariam suas palestras a preço de ouro: 200.000 dólares (620.000 reais), “como o ex-presidente americano Bill Clinton”. O que Lula dizia em seus pronunciamentos era o de menos. O importante era que suas conferências levavam a marca da Odebrecht. Hoje ninguém mais chama Lula para falar nem lhe pagam por isso.

A Odebrecht também contou aos promotores que lhe concedeu, sob a designação de “o amigo”, uma conta secreta da qual podia sacar dinheiro vivo, que era entregue em mochilas. Dizem que era uma conta de 30 milhões de dólares (93 milhões de reais). Se for comparada, porém, com os cerca de três bilhões (9,3 bilhões de reais) que a Odebrecht distribuiu entre os políticos de todos os partidos, aquela conta de Lula se parece mais com os cofrinhos que os pais vão enchendo de moedas para seus filhinhos. Em vista de tudo isso, ante a instrumentalização que a Odebrecht vem fazendo de Lula há quase 50 anos, fazendo dele também “o cavaleiro da triste figura”, quase se chega a sentir compaixão de quem pretendia ser só inferior a Jesus Cristo. Dá vontade de exclamar: “Pobre Lula, quixote, em que te transformaram!”.

O ex-presidente, que continua se vendo como “a alma mais limpa do Brasil”, segue sendo, como também o descreveu Emílio, “um animal político”. Há quem garanta que é um animal com sete cabeças. Acabará se apequenando depois das confissões dos empresários que um dia o endeusaram e manipularam e hoje o abandonaram à sua sorte, ou preferirá mostrar também os dentes confessando os pecados dos outros? Porque poucos como Lula devem ser depositários dos segredos e debilidades da emaranhada e sombria selva política brasileira. Atenção!

Bahia em Pauta compartilha prazerosamente com seus ouvintes e leitores uma preciosidade musical do blog da jornalista e escritora Maria Aparecida Torneros, amiga do peito e colaboradora da primeira hora do BP. Ouça e deleite-se.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO G1/JN

Os delatores da Odebrecht contaram detalhes sobre como e onde eram feitos os pagamentos de propina.

No início do esquema a entrega de dinheiro era feita assim: o doleiro alugava um escritório ou um quarto de hotel por um único dia. Quem buscava as propinas recebia o endereço e uma senha que ele tinha que falar, se não, não recebia. Os delatores contaram que os locais de entrega mudavam sempre.

Hilberto Mascarenhas: Se você fizer um negócio no mesmo local, você é assaltado no dia seguinte.
MP: Era espalhado pelo Brasil?
Mascarenhas: Não. Principalmente São Paulo e Rio.

Delatores, que participavam de um grande esquema de assalto aos cofres públicos, passaram a ter medo de assalto, afinal, eram várias malas de dinheiro de propina que circulavam pelas ruas nas mãos de executivos da Odebrecht. Aí, contam os delatores, a construtora decidiu mudar a forma de fazer os pagamentos: os executivos deixaram de ser intermediários.

Fábio Gandolfo: A empresa também ficou muito preocupada com esse movimento de gente com dinheiro. A gente pegava dinheiro num lugar e levava para outro. É um risco grande, valores significativos, às vezes. Eles não mais permitiam que nós fôssemos buscar no doleiro.

Outro delator conta que a pessoa que receberia a propina indicava o local.

Mascarenhas: Aí ele dizia: entrega no hotel tal, ou no apart-hotel, ou entrega na minha casa, ou entrega na casa de minha mãe ou de minha sogra.

Teve até pagamento de propina na casa de mãe. Hilberto Mascarenhas confirmou que foram pagos R$ 500 mil para o então governador da Bahia Jaques Wagner na casa da mãe dele, no Rio de Janeiro.

Mascarenhas: Ele teve algum problema lá com a mãe dele e não queria mais que fosse usada a casa da mãe dele para fazer esse pagamento. Ele pediu, nós fizemos um esforço grande e conseguimos pagar em Salvador.

Fábio Gandolfo contou que, com medo dos telefones grampeados, eles passaram a mandar as senhas via motoboy.

Gandolfo: Então eu punha num envelopinho, mandava pro Motoboy, ele ia entregar lá no centro, pegava e aí ele se virava.

Apesar de tudo combinado, às vezes o esquema não funcionava bem. Álvaro Novis, sobrinho do ex-presidente da Odebrecht Pedro Novis, escondeu entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões na baia de um cavalo dele, no Jockey do Rio de Janeiro. Acontece que houve um assalto e lá se foi a propina. E pior: como era dinheiro não declarado, ele não pôde chamar a polícia.

Mascarenhas: Ele tem cavalo de corrida e tinha escondido o dinheiro lá e tinha um assalto. Teve que pagar. Tava na mão dele o dinheiro. O dinheiro era dele. Dinheiro era meu e estava na mão dele. Ele tinha que dar conta.

A produção do Jornal Nacional foi até o Jockey do Rio de Janeiro e, sem se identificar, conversou com funcionários, que confirmaram o roubo.

“Foi bem feito sumir mesmo. Foi mesmo o empregado dele mesmo. O cabra que trouxe foi o mesmo que levou”, disse um funcionário.

Em baia de cavalo, em malas, em hotéis ou imóveis alugados, de senha em senha o esquema de pagamento de propina da Odebrecht desviou mais de R$ 3 bilhões.

Mascarenhas: Meu papel era pagar. Autorizado por quem de direito e eu pagava. Eu não tinha nem saber por quê nem pra quem.

Jaques Wagner repudiou as afirmações de Hilberto Mascarenhas. Disse que o delator é um criminoso confesso que procura desesperadamente um meio para tentar reduzir sua pena nem que para isso tenha de envolver uma senhora de 93 anos.


Temer e Moro: cumprimentos protocolares


DO ESTADÃO

Tânia Monteiro e Carla Araujo

O juiz federal Sérgio Moro foi condecorado nesta quarta-feira, 19, com a Ordem do Mérito Militar, em cerimônia de comemoração do Dia do Exército, no Setor Militar Urbano, em Brasília. Moro já estava presente quando o presidente Michel Temer (PMDB) chegou ao local e o cumprimentou.

Moro não quis responder perguntas da imprensa. Ao ser questionado sobre o relatório do projeto que atualiza a lei do abuso de autoridade, o juiz disse que só falaria sobre o dia do Exército.

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, aproveitou a ordem do dia da cerimônia de comemoração do Dia do Exército para fazer um discurso cheio de recados políticos onde fala de “incontáveis escândalos de corrupção”, “aguda crise moral”, “ausência de disciplina social” e avisou que “não há atalhos fora da Constituição”.

“Apesar dos esforços dos Governos, o colapso da segurança pública nos cobra dezenas de milhares de vidas por ano; a aguda crise moral, expressa em incontáveis escândalos de corrupção, nos compromete o futuro; a ineficiência nos retarda o crescimento; a ausência, em cada um de nós, brasileiros, de um mínimo de disciplina social, indispensável à convivência civilizada; e uma irresponsável aversão ao exercício da autoridade oferecem campo fértil ao comportamento transgressor e à intolerância desagregadora”, disse o general durante a cerimônia que contou com a presença do presidente Michel Temer e do juiz federal Sérgio Moro.

O general ponderou ainda que este momento “tão grave não pode não pode servir a disputas paralisantes”. “Pelo contrário, ele exige do povo e de suas lideranças, a união de propósitos que nos catalise o esforço de regeneração, para restabelecer a esperança e a confiança que nos permita identificar nossos objetivos comuns e reconstruir, a partir daí, o sentido de projeto de Nação que nos legaram os heróis de Guararapes.”

Segundo ele, “não há atalhos fora da Constituição”. “O caminho a ser seguido requer a sinergia de todos”, afirmou.

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Posted on 20-04-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-04-2017


Simanca, no jornal A Tarde (BA)

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Na Bahia, de tornozeleira

O acordo de delação premiada de João Santana e Monica Moura prevê pena de prisão domiciliar por um ano e meio com tornozeleira eletrônica, informa Andréia Sadi. Eles ficarão presos na Bahia, onde moram atualmente.