DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

OS SENADORES DA LISTA FACHIN (POR ESTADO)

Confira os senadores que serão investigados na Lava Jato a partir das delações da Odebrecht, por estado. O levantamento foi feito por O Antagonista, com base na lista divulgada pelo Estadão.

A lista inclui o presidente Eunício Oliveira.

Do Amazonas (3):

- Eduardo Braga, do PMDB;

- Vanessa Grazziotin, do PCdoB;

- Omar Aziz, do PSD.

De Rondônia (2):

- Valdir Raupp, do PMDB de Rondônia;

- Ivo Cassol, do PP.

Do Rio Grande do Norte (2):

- Garibaldi Alves Filho, do PMDB;

- José Agripino Maia, do DEM.

De Minas Gerais (2):

- Aécio Neves, do PSDB;

- Antonio Anastasia, do PSDB.

De Sergipe (2):

- Eduardo Amorim, do PSDB;

- Maria do Carmo Alves, do DEM.

De Pernambuco (2):

- Humberto Costa, do PT;

- Fernando Bezerra Coelho, do PSB.

De Alagoas (2):

- Renan Calheiros, do PMDB;

- Fernando Collor de Mello, do PTC.

De São Paulo (2):

- Marta Suplicy, do PMDB;

- José Serra, do PSDB.

Do Espírito Santo (1):

- Ricardo Ferraço, do PSDB.

Do Pará (1):

- Paulo Rocha, do PT.

Do Acre (1):

- Jorge Viana, do PT.

Do Rio de Janeiro (1):

- Lindbergh Farias, do PT.

Da Bahia (1):

- Lidice da Mata, do PSB.

De Santa Catarina (1):

- Dalírio Beber, do PSDB.

Do Piauí (1):

- Ciro Nogueira, do PP.

Do Maranhão (1):

- Edison Lobão, do PMDB.

De Tocantins (1):

- Kátia Abreu, do PMDB.

Da Paraíba (1):

- Cássio Cunha Lima, do PSDB.

Do Ceará (1):

- Eunício Oliveira, do PMDB.

De Roraima (1):

- Romero Jucá, do PMDB.

“A DESORDEM MUNDIAL” DE MONIZ BANDEIRA

“Viva a Internet”, diz a articulista e escritora Lúcia Jacobina, no e-mail enviado ao editor deste site blog, para registrar mais cedo a mensagem que ela recebeu de Moniz Bandeira, da Alemanha, sobre o texto que resenha o livro “A Desordem Mundial”, publicado nesta terça-feira. Bahia em Pauta publica a íntegra da curta mas significativa mensagem, para compartilhar com os leitores o conteúdo rico e elegante – que fala também da primavera na Alemanha 2017- até quando corrige “pequenos equívocos”.

Confira abaixo. ( Vitor Hugo Soares, editor).

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“Querida Lúcia, teu artigo muito me comoveu e confortou, com tão generosas palavras a meu respeito. Há, porém, três pequenos equívocos. Passei a morar Rio de Janeiro não nos fins da década de 1960, mas nos meados, 1954/55. Sou cônsul honorário em Heidelberg, não em Hannover, e fui assessor de Brizola, não de Jango, de quem também amigo.

Quando voltas aqui à Alemanha. As flores agora desabrocham. A Alemanha na primavera e verão é um jardim.

Estou a trabalhar muito, a reescrever todo O Ano Vermelho.

Mais uma vez minha gratidão pelo artigo. Abs., para Joca.

Bjs. E carinhoso abraço para ti”. Luiz


Sérgio Cabral e Sérgio Côrtes aparecem em foto que ficou conhecida
como ‘farra do guardanapo’ EM Paris (Foto: Reprodução / TV Globo)

DO G1

Agentes da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Receita Federal prenderam, na manhã desta terça-feira (11), Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do governo Sérgio Cabral, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita. A operação, que é mais um desdobramento da Lava Jato no Rio, foi batizada de “Fatura Exposta” e visa cumprir também dois mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão em vários endereços.

A operação investiga fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). De acordo com as investigações, quando era diretor do Into, Sérgio Côrtes teria favorecido a empresa Oscar Iskin, da qual Miguel é sócio, nas licitações do órgão. Gustavo Estellita é sócio de Miguel em outras empresas e já foi gerente comercial da Oscar Iskin. A empresa é uma das maiores fornecedoras de próteses do Rio.

A operação também apura desvios na secretaria estadual de Saúde, com o pagamento de propina para o esquema criminoso comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. O esquema também envolveria pregões internacionais, com cobrança de propina de 10% nos contratos, nacionais e internacionais.
Agentes da Polícia Federal chegaram pouco antes das 6h desta terça (11) no prédio onde mora o ex-secretário Sérgio Côrtes, na Lagoa.

Desse percentual, 5% caberia ao ex-governador Sérgio Cabral, 2% ao Sérgio Côrtes, 1% para o delator Cesar Romero, 1% para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e 1% para sustentar o esquema. Ainda segundo a investigação, Iskin pagava uma mesada de R$ 450 mil para a organizacao criminosa do ex-governador. Os presos serão indiciados por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As prisões foram pedidas a partir da delação premiada de César Romero, que trabalhou com o ex-diretor do Into, ex-secretário executivo de Côrtes na Saúde, e foi o resposável por entregar todo o esquema. Na delação homologada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, Romero diz que o desvio é de cerca de R$ 37 milhões.

Segundo dados do Portal da Transparência da Unia?o e do Estado do Rio de Janeiro, entre 2007 e 2017, duas das empresas investigadas, a Oscar Iskin (de Iskin) e a e Cia Ltda e Levfort Come?rcio e Tecnologia Me?dica Ltda, obtiveram em contratos relacionados a? a?rea da sau?de de quase R$ 369 milhões.

“Considerando as declarac?o?es do colaborador, que afirmou que ao menos 10% desses valores era desviados ao abastecimento da organizac?a?o criminosa, poder-se-ia estimar que somente atrave?s dessas duas empresas teria havido o desvio de aproximadamente R$ 36.895.837,82 dos cofres pu?blicos”, escreveu o juiz Marcelo Bretas em sua decisão.

Outro delator dessa fase é Vivaldo Filho, funcionário de Renato Chebar, que era operador do mercado financeiro que atuava em nome de Sérgio Cabral para enviar valores ao exterior. Ele disse que ia com o Carlos Miranda (ex-assessor de Cabral) pegar e receber propina do esquema de Cabral no endereço da Oscar Iskin.

O empresário Gustavo Estellita deixou o prédio onde mora na Lagoa, na Zona Sul do Rio, por volta das 7h50, e tentou esconder o rosto. Pessoas que passavam pelo local no momento gritaram: “Ladrão”.

Na decisão que determina a prisão de Côrtes, o juiz afirma que o ex-secretário tentou “embaraçar as investigações”, fazendo com que o delator César Romero, ex-subsecretário da pasta, não celebrasse o acordo de colaboração premiada ou que combinasse o que seria dito. Uma conversa entre os dois, no escritório de Romero, foi gravada. Nos diálogos, Côrtes deixa claro que é necessário entrarem em acordo sobre o que será dito: “Peraí, César… você já estava fazendo, aí foi quando eu falei pro [Sérgio Vianna] Júnior. ‘Júnior, o ideal é que pelo menos a gente tenha alguma coisa parecida… porque se ele falar de A,B,C,D e eu falar de C, D, F, G, f****, porque A e B eu não falei e F e G ele não falou’.”.

Côrtes teria ido ao escritório do ex-subsecretário, como atestam imagens recolhidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e chegou a se oferecer a pagar os advogados de Romero através de Sérgio Vianna Junior, que é cunhado de Côrtes e primo de Romero.

Côrtes entrou como médico no Into em 1990 e de 2002 até 2006 foi diretor do órgão. Em 2007 ele passou a atuar como secretário de Saúde na gestão de Sérgio Cabral, onde permaneceu até 2013.

De acordo com o Ministério Público Federal, no desenrolar das investigações no âmbito das Operações Calicute e Eficiência, foi possível desbaratar a gigantesca organização criminosa responsável por mais desvios milionários dos cofres públicos dinheiro público do estado, cuja liderança é atribuída ao ex-governador Sérgio Cabral.
Sérgio Cabral e Sérgio Côrtes aparecem em foto que ficou conhecida como ‘farra do guardanapo’ (Foto: Reprodução / TV Globo) Sérgio Cabral e Sérgio

Notificado pelo TCE

Côrtes esteve ao lado do ex-governador Sérgio Cabral durante toda a sua gestão. Ele aparece na polêmica sequência de imagens em Paris do ex-governador e amigos num restaurante com guardanapos na cabeça.

Em 2015, a CPI da Máfia das Próteses na Câmara pediu que MP e PF aprofundassem investigações sobre a Oscar Iskin.

Em dezembro do ano passado, o Plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou a notificação do ex-secretário Sergio Côrtes. Segundo o órgão, durante sua gestão, pelo menos oito cooperativas foram contratadas pela secretaria com dispensa de licitação e sem comprovação efetiva de prestação de serviços. O valor do prejuízo, estimado pelo corpo técnico do TCE, é de R$ 600 milhões.


RESENHA E PERFIL

A DESORDEM MUNDIAL SEGUNDO MONIZ BANDEIRA

Lucia Jacobina

É cada vez mais difícil entender o mundo onde vivemos e os conflitos que diariamente são mostrados pela imprensa. A distância entre o Brasil e os países beligerantes se, felizmente, nos põe a salvo do alcance direto de suas disputas, por outro lado instiga nossa curiosidade sobre os reais motivos dessa instabilidade entre os envolvidos.O terrorismo, o fundamentalismo religioso, a dominação econômica exercida através da interferência estrangeira na soberania de nações, o protagonismo norte-americano e as ideologias políticas continuam exercendo poderosa influência no relacionamento entre os povos e cavam um fosso cada vez mais profundo entre Oriente e Ocidente

Depois das duas guerras mundiais e do período da guerra fria entre EUA e URSS, a dissolução pacífica do império soviético pareceu dar ao mundo o exemplo de que era possível a uma grande potência renunciar ao seu poderio bélico e dominador permitindo que os vários territórios ocupados voltassem a se autodeterminar. Evidente que não foi esse o verdadeiro motivo. Ao mesmo tempo, em sentido agregador, os países da Europa, rivais empedernidos, decidiram unir essa pluralidade numa única identidade sem fronteiras, sob o estímulo de uma moeda única e instituições políticas supranacionais, o que até o presente concretizou-se em parte, mas já apresenta sinais de desmoronamento.

Novas hostilidades passaram a ocupar o noticiário com uma intensidade crescente, envolvendo guerras civis, atos terroristas, intolerância religiosa entre cristãos e islamitas e a antiga rivalidade entre Rússia e América retornou ao front, seja onde for o momentâneo palco do conflito.

Todas essas circunstâncias e seus desdobramentos estão muito bem analisados por Luiz Alberto Moniz Bandeira em seu novo livro ”A Desordem Mundial – O Espectro da Total Dominação – Guerras por procuração, terror, caos e catástrofes humanitárias”, lançado em outubro do ano passado pela Editora Civilização Brasileira. Eis um relato essencial para a compreensão de fatos diuturnamente apresentados pela imprensa para um público perplexo, pois realizado por um observador que,aos oitenta e um anos de idade, conta com a experiência de uma vida dedicada ao estudo do panorama mundial, além de dispor, no cargo de Cônsul Honorário do Brasil em Heidelberg, Alemanha, de posição privilegiada para ter acesso às fontes de informação e de decisão políticas.

Autor de obras como “Formação do Império Americano”, “A Segunda Guerra Fria” e a “Reunificação da Alemanha”, sobre história e política no plano internacional, com alguns títulos traduzidos para o alemão e o inglês, o renomado cientista político e professor escreveu ainda “A expansão do Brasil e a formação dos Estados na Bacia do Prata”, “O governo João Goulart”, “Presença dos Estados Unidos no Brasil”, “Fórmula para o caos – A derrubada de Salvador Allende”, “De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina”, “O Milagre Alemão e o desenvolvimento do Brasil”, “As relações perigosas: Brasil – Estados Unidos – Conflito e integração na América do Sul”, dentre muitas outras igualmente importantes.

Para quem ainda não sabe, Moniz Bandeira apresenta-se como um orgulhoso baiano de nascimento, cujas origens familiares remontam à época colonial, motivo porque escreveu importante estudo acerca da presença lusa na Bahia, em sua obra “O Feudo – A Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil”, no qual narra a trajetória de seus ancestrais.

Foi aqui mesmo em Salvador que começou a ser educado, até que em meados da década cinquenta (54/55) resolveu transferir-se para o Rio de Janeiro onde concluiu seu curso universitário. Teve atuação destacada como assessor de Leonel Brizola e no magistério, exerceu a cátedra de política exterior do Brasil, na UNB, hoje aposentado, além de professor e conferencista visitante em várias universidades da Europa, Estados Unidos e América Latina. Sua vasta bibliografia mostra um conhecimento invejável de história e geopolítica e através dele tem escrito sobre os problemas brasileiros, latino-americanos e europeus, além de discorrer sobre a predominância do capitalismo norte-americano e dos ideais socialistas no mundo, tanto que está ultimando a reestruturação de seu livro “O Ano Vermelho” para reeditá-lo em dupla comemoração, ao cinquentenário de seu lançamento e ao centenário da Revolução Russa.

Lúcia Leão Jacobina é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.

abr
11
Posted on 11-04-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-04-2017


Jarbas no Diário de Pernambuco (Recife)


Cármen Lúcia em Washington.
Reprodução

DO EL PAÍS

Cármen Lúcia em Washington.

Joan Faus

Washington / São Paulo

Parte da onda de casos de corrupção que sacode o Brasil vem de vazamentos de documentos ou de delações premiadas, especialmente relacionados à Operação Lava Jato. Diante dessa realidade, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, defendeu nesta segunda-feira em Washington o esclarecimento da veracidade e da origem desses vazamentos, mas alertou para o risco de inviabilizá-los como provas judiciais. Sua tese: se os processos judiciais alvo de vazamentos forem anulados, isso “beneficiaria” os possíveis autores de crimes que precisamente estão sendo investigados.

“É importante que se apure para que depois não se diga que foram nos órgãos do Estado, porque às vezes são pessoas de fora”, disse a magistrada em uma conferência no Wilson Center, um think tank em Washington, onde está em visita oficial. “Não se pode tentar, com isso, criar nulidades que vão beneficiar aquele que deu causa à essa situação”, seguiu.

A ministra, que assumiu a presidência do Supremo em setembro e cujo mandato expira em 2018, se referiu ao fato de que os vazamentos podem vir de advogados ou familiares, não apenas de agentes do Estado. Se a Justiça, argumentou, decide rejeitar a informação incluída nessas revelações, pode impedir que seja levada aos tribunais a “causa” do possível crime.

As declarações de Cármen Lúcia acontecem no momento em que aumenta a movimentação de atingidos pela Lava Jato pedem a anulação desses processos alvos de vazamentos. A megaoperação contra a corrupção encurralou a gigante Petrobras e foi fator na crise que levou à destituição de Dilma Rousseff e agora se prepara para aprofundar a investigação da revelação de um extenso esquema de subornos da construtora Odebrecht, que colocou em xeque a classe política latino-americana e brasileira.

O debate atinge em cheio a presidenta do Supremo. No final de janeiro, Cármen Lúcia deu validade jurídica à confissão de 77 executivos da Odebrecht sobre os supostos subornos pagos a políticos. A delação está sob segredo de justiça, mas a imprensa brasileira especula que poderia envolver o presidente Michel Temer, nomes da oposição, e seus dois antecessores, Dilma e Lula. A presidenta do Supremo também confronta, assim, seu colega de corte, Gilmar Mendes, que no mês passado aventou a possibilidade de anular provas vazadas e acusou diretamente a Procuradoria-geral da República de ser responsável pelos vazamentos. “Cheguei a propor no final do ano passado o descarte do material vazado, numa espécie de contaminação de provas colhidas licitamente”, disse Mendes.

Nesta segunda-feira, a Lava Jato foi envolvida em um novo vazamento de repercussão. O site O Antagonista publicou supostos dados do depoimento do magnata Marcelo Odebrecht ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, que ocorria em sigilo. De acordo com a publicação, Odebrecht diz ter feito pagamentos indiretos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio do ex-ministro Antonio Palocci, preso pela operação. A assessoria do petista disse ao jornal O Estado de S. Paulo, que também publicou as informações, que provará na Justiça que “Lula jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht”.
“Brasil segue seu rumo”

Na conferência em Washington, Cármen Lúcia evitou discutir os meandros judiciais brasileiros, mas lançou algumas reflexões genéricas. “Felizmente o brasileiro está cada vez mais intolerante com qualquer forma de corrupção”, disse. “O cidadão brasileiro não se contenta em ser representado. Os cidadãos decidiram ficar alertas”, disse em outro momento em uma possível alusão aos protestos dos últimos anos contra o aumento dos serviços básicos e contra a corrupção.

A presidenta do STF lembrou que houve dois processos de impeachment de presidentes na história do gigante latino-americano –o último em agosto, contra Dilma Rousseff– e que foram realizados seguindo “estritamente” os canais previstos e que agora reina um clima de maturidade democrática. “As mudanças de Governo aconteceram com a sociedade se manifestando, as instituições funcionando de forma ininterrupta e com os cidadãos trabalhando”, disse. “O Brasil segue seu rumo.”

BOM DIA!!!


Marina Silva no programa eleitoral da Rede.


DO EL PAIS

Gil Alessi

São Paulo

Faltando pouco mais de um ano para as eleições presidenciais de 2018, uma figura que andava desaparecida da política brasileira deu as caras no final de março após um longo período de aparente ostracismo. Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra de Lula, fundadora do partido Rede Sustentabilidade, estrelou o programa institucional da legenda na TV (dirigido por Fernando Meirelles) que foi ao ar em 29 de março, e concedeu longa entrevista ao canal Globonews um dia depois. Na sexta-feira, ela fez o discurso de abertura do evento Brazil Conference, em Boston, que reuniu Dilma Rousseff, Sérgio Moro e outras personalidades brasileiras. Desde a derrota nas urnas em 2014, a política acreana vem fazendo pronunciamentos apenas pontuais, a maioria pelas redes sociais. Durante os últimos anos, nos quais a Operação Lava Jato mergulhou Brasília em uma das maiores crises políticas da história do país, com nomes de quase todo o espectro partidário na mira da Justiça, e Dilma Rousseff sofreu impeachment, Marina se manteve relativamente fora dos holofotes. Agora a ex-seringueira partiu definitivamente para o ataque.
Marina Silva no programa eleitoral da Rede.
Marina Silva no programa eleitoral da Rede.

Ainda que tenha frisado nos EUA que ainda está “em processo de discernimento” sobre a candidatura de 2018, a porta-voz de Rede reapareceu após o período sabático disparando contra o Governo do presidente Michel Temer e sua agenda econômica neoliberal, bem como a reforma política em discussão no parlamento – “a reforma traz como resposta mais exclusão”. Antes disso, havia aparecido timidamente, pedindo eleições diretas após a saída de Dilma, mirando o julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mas o noticiário político tem dado munição de sobra para que a eterna presidenciável se posicione. Marina atacou as manobras do Congresso para se livrar das garras do Ministério Público Federal. “Chegou o tempo do combate à corrupção, a Lava Jato está fazendo uma reforma política na prática”, afirma Marina na propaganda da Rede. “A política está se tornando algo que não é interessante para quem apostava na impunidade para fazer corrupção, e vai ficar na política quem está para prestar um serviço à população”. Nenhum dos quatro deputados da Rede foi citado até o momento nas delações da operação.

O retorno da ex-senadora veio tarde na avaliação de especialistas e ex-colegas de partido. “Ela saiu completamente da conjuntura política após as eleições”, afirma o cientista político Leonardo Avritzer. “Ela não foi personagem importante durante o impeachment, ou quando o presidente Temer extinguiu ministérios e secretarias ligados a direitos. Uma consequência disso é que o eleitor não sabe qual a opinião dela sobre fatos cruciais”. Marina já havia sido acusada por ex-integrantes da Rede de não se posicionar a respeito das principais questões do momento. No final de 2016 um grupo de intelectuais debandou do partido afirmando em nota que “a sociedade brasileira não sabe o que pensa a Rede, nem consegue situá-la no espectro político ideológico”.

O sumiço de Marina durante um período crítico para o sistema político pode ter cobrado um preço do capital eleitora da candidata, pelo menos, por enquanto. Se no final de 2016 as pesquisas a colocavam liderando disputas de segundo turno contra o ex-presidente Lula e os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin, um levantamento de fevereiro mostra que o petista se recuperou, apesar de acossado pela Lava Jato. Apesar do baque momentâneo em sua popularidade, no entanto, Marina ainda é uma potência eleitoral, com um notável desempenho nas últimas eleições. Em 2014, após a trágica morte de Eduardo Campos, que encabeçava a chapa do PSB, ela assumiu a candidatura de frente e quase chegou ao segundo turno, apesar de toda a pressão emocional do momento. Logrou um honroso terceiro lugar, com mais de 22 milhões de votos – um incremento de 2 milhões com relação ao recebido em 2010, quando foi candidata pelo PV.

Se o capital político de Marina é grande, também o são os desafios de uma candidatura avulsa da Rede. Sem uma coligação com outros partidos o tempo de TV da candidata seria de poucos segundos, tendo em vista a pequena bancada de quatro deputados na Câmara. A aliança com outro partido parece, a priori, a única saída caso encare a corrida pela presidência. Se eleita, a ex-senadora se veria às voltas com um Congresso no qual a legenda não tem base significativa – 4 deputados e um senador –, o que dificultaria a governabilidade.

Alguns correligionários, no entanto, defendem a conduta da ex-senadora. “Acho que a Marina está se posicionando no momento certo, se ela tivesse se posicionado antes seria visto como entrando na falsa polarização entre PT, PMDB e PSDB, e ela quer a ruptura deste modelo”, afirma o único senador do partido, Randolfe Rodrigues (AP). “A Marina está ocupando o espaço da Rede: um partido de centro esquerda, progressista e com sensibilidade social”. Para o parlamentar, a candidata é “retrato e síntese do povo brasileiro”. Nascida no “meio de um seringal no interior do Acre, forjada na luta política pela preservação da Amazônia, alfabetizada aos 14 anos, que venceu a intoxicação por mercúrio e o latifúndio”, afirma.

“O que aconteceu é que tentaram colocar a Marina à direita: o PT quer ter o monopólio da verdade e da esquerda no Brasil, mas isso já não é mais possível”

O líder da bancada da Rede na Câmara, João Derly (RS), aponta também a falta de um mandato como um impedimento para que Marina tenha mais visibilidade. “O Aécio Neves, por exemplo, é senador, tem o palanque, pode verbalizar sua opinião com mais facilidade”, afirma. “Por isso a opção pelo uso das redes sociais”. De acordo com ele, a agenda de viagens e palestras da fundadora do partido é outra dificuldade para que ela tenha mais visibilidade. Derly afirma ainda que além de ter voltado aos holofotes, Marina também “está se aproximando mais da bancada para que nos posicionemos melhor, de forma afinada, enquanto partido”.

O discurso contra a corrupção pode render frutos à candidata. Com Lula réu em vários processos judiciais e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) cada vez mais isolado entre os tucanos devido às delações da Lava Jato que o envolvem, Marina pode emergir como uma alternativa ao establishment nas urnas em 2018. “O PT, o PSDB, o PMDB, os grandes partidos da polarização que nunca se uniram em nome da nação agora estão unidos e convergentes nessa jogada de acabar com a Lava Jato”, disse ela na propaganda eleitoral. No ano passado vazaram trechos do depoimento do empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, segundo os quais Marina teria pedido contribuições de caixa 2 para sua campanha em 2010. Ao contrário de seus rivais, no entanto, ela não foi alvo de nenhum pedido formal de investigação por parte das autoridades, e adotou um discurso de defesa da operação: “A Lava Jato está sofrendo um golpe”, afirmou na TV.

Apesar de dizer que não é “nem oposição por oposição nem situação por situação”, o partido da ex-senadora tem batido de frente com o Governo Temer. “No programa eleitoral do PMDB não se falou de corrupção, nem Lava Jato. É como se a realidade passasse longe da cabeça dessas lideranças”, disse, fazendo referência ao primeiro escalão do presidente, que tem ministros citados por delatores.

Mas a oposição do partido ao Planalto não parou aí. A Rede protocolou no Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Terceirização aprovada pela Câmara e sancionada pelo presidente Temer em 31 de março. “Ela fere todos os processos de respeito às leis trabalhistas (…) não há separação entre atividade fim e atividade meio, e isso leva a uma situação de precarização do trabalho”, afirmou Marina durante entrevista à Globo News. O projeto foi defendido pelo Governo como uma saída para a criação de empregos no país, mas foi duramente criticado por centrais sindicais.

O posicionamento mais à esquerda da candidata e do partido são “naturais”, segundo o senador Randolfe, o que indica que o partido deve disputar os eleitores que tradicionalmente votavam no PT. “O que aconteceu é que tentaram colocar a Marina à direita: o PT quer ter o monopólio da verdade e da esquerda no Brasil, mas isso já não é mais possível”, afirma o parlamentar. Para ele, “a Rede é um partido em formação”, e “é normal que a legenda, composta por várias matizes políticas, tenha uma fase de transição”.

A ofensiva contra Temer continuou: Marina criticou o projeto de reforma da Previdência enviado pelo Planalto e visto como tábua de salvação principalmente pelo czar da economia, o ministro Henrique Meirelles. “Não se pode estabelecer que pra você receber aposentadoria integral vai ter que contribuir por 49 anos ininterruptamente”, disse. E para fechar a fatura ela atacou a maneira como Temer encaminhou a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece um teto nos gastos públicos por 20 anos. “O controle do gasto público é fundamental. Mas nós não iríamos fazer isso por PEC congelando orçamento por 20 anos: e se o país voltar a crescer? É preciso poder manejar essas realidades”, afirmou. Durante a campanha de 2014 a então presidenta Dilma Rousseff atacou os programa econômico de Marina – que entre outras coisas defendia a autonomia do Banco Central – por ser muito liberal.

No final da entrevista concedida à Globonews, Marina foi indagada sobre questões de gênero e orientação sexual. Em 2014 sua campanha foi duramente criticada por um dia após apresentar seu programa político, retirar do texto o apoio ao casamento gay bem como à criminalização da homofobia. De formação evangélica, a candidata é vista como conservadora nestas questões. Desta vez, porém, ela não tropeçou: “O Estado precisa ter políticas que respeitem a diversidade, as políticas públicas devem respeitar os direitos das pessoas independente de condição de gênero ou orientação sexual”, respondeu a candidata.

abr
11

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Lula, você não é o salvador de nada”

De João Doria, há pouco, em evento em Porto Alegre:

“Vou usar toda a minha força como cidadão, como prefeito da cidade de São Paulo, sendo correto e honesto, para dizer: Lula, você não é o salvador de nada, você quase destruiu o Brasil. Você não vai destruir outra vez o sonho do Brasil.”

Foi ovacionado e continuou:

“Os meus filhos, ao contrário dos filhos daquele cidadão, vão aprender que é com trabalho que se conquista, não é com roubo, não é com usurpação, não é com presente de empreiteira.”

A jornalistas, o prefeito de São Paulo disse que deseja “levar um dia chocolates para o ex-presidente Lula em Curitiba”.