Juiz Sergio Moro em Harvard

DO G1

CAMBRIDGE (ESTADOS UNIDOS) – O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, afirmou neste sábado em uma palestra para estudantes brasileiros na Universidade de Harvard, que a corrupção para financiamento de campanha é pior que o desvio de recursos para o enriquecimento ilícito. Ele defendeu o projeto elaborado pelo Ministério Público Federal por acreditar que a atual tipificação do Caixa 2, que trata do caso de forma semelhante à falsificação, como inadequada.

- Temos que falar a verdade, o Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível. Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral.

Ele afirmou que a tipificação imperfeita do Caixa 2 impede uma pena mais justa, que segundo ele não precisa ser tão elevada quanto à de corrupção. Moro afirmou que defende as punições propostas pelo MPF, ou seja, prisão de dois a cinco anos. Dentro do pacote de 10 medidas anti-corrupção enviadas pelo MInistério Público Federal ao congresso, ele também defendeu como uma das primordiais a que tipifica o crime de enriquecimento ilícito de servidores públicos.

- Na Lava-Jato conseguimos ter as provas da corrupção nos casos de enriquecimento ilítico dos ex-diretores da Petrobras que já foram condenados, mas muitas vezes a condenação não ocorre por falta de provas – explicou o juiz.

Aplaudido de pé em diversos momentos, Moro afirmou no evento, onde foi entrevistado pelo também juiz federal Erik Navarro, que a Lava-Jato teve sucesso que não foi obtido por outras operações por uma série de fatores, como o amadurecimento da democracia, sorte, preparo e até mesmo a experiência anterior do Mensalão e algumas mudanças legais que favoreceram a investigação.

Questionado, ele disse que não se encontrou no evento com a ex-presidente Dilma Rousseff em Harvard – ela discursou duas horas antes dele. Ele também preferiu não comentar a frase do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou há alguns dias que está “ansioso” para encontrar o juiz, em depoimento marcado para o começo de maio. Moro afirmou que é favorável a recuperação das empresas que cometeram ilícitos, desde que elas colaborem e mudem suas atitudes.

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- Odeio o pecado e não o pecador, todos tem chances de se reabilitar – disse ele, que afirmou que a Lava-Jato mostrou um casos “sistêmico de corrupção no Brasil, mas disse que é difícil afirmar se este é o maior caso de corrupção do país, pois muitos não foram julgados.

No final de sua palestra, acompanhada por personalidades que palestraram no evento, como Gilberto Gil, O jogador Kaká, o procurador Deltan Dallagnon, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal e o empresário João Paulo Lemann, um dos patrocinadores do evento, Moro ainda defendeu uma modernização do foro privilegiado e tentou passar otimismo sobre o futuro do país. Questionado se defende a descriminalização das drogas, o juiz admitiu que o atual modelo de combate ao tráfico é questionável. Segundo ele, faltam dados para ter informações mais detalhadas sobre a mudança na legislação, mais deixou a porta aberta:

- O trafico de drogas é um desafio no mundo inteiro e embora haja controvérsias sobre a eficácia do enfrentamento de drogas neste momento, as alternativas também são questionáveis porque não se sabe exatamente o resultado da descriminalização das drogas. Mas a descriminalização da maconha resolve o problema? Não sei, porque em casos criminais que passaram na minha mão, pegávamos grandes traficantes afirmando que não traficavam maconha porque perdiam dinheiro. Então não resolverá exatamente o problema – relatou, antes de ponderar – Talvez seja o caso de algum experimentalismo, mas tenho muitas duvidas a respeito – disse.

A arte da composição e do canto, na sua melhor expressão, para começar o domingo de outono. Confira.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

DO PORTAL DE NOTÍCIAS G1

Por G1 São Paulo

Pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (8) pelo site do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou os seguintes percentuais de avaliação da gestão do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB):

– Ótimo/bom: 43%
– Regular: 33%
– Ruim/péssimo: 20%
– Não sabe: 4%

O levantamento do Datafolha foi realizado na quinta (6) e na sexta-feira (7). O Datafolha ouviu 1.067 pessoas com 16 anos ou mais na cidade de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

O percentual de pessoas que rejeitam a sua administração foi de 13% em fevereiro para 20% agora, e os que a aprovam foi de 44% para 43%.

Segundo a pesquisa, Doria terminou seus primeiros 90 dias à frente da Prefeitura de São Paulo com aprovação recorde na comparação com todos os seus antecessores. No entanto, os 20% atuais de reprovação de Doria superam a de seu antecessor, Fernando Haddad (PT), que somava 14% de ruim ou péssimo em período similar.

Em 90 dias, Gilberto Kassab (PSD) teve 16% de aprovação, contra 24% de Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta, 20% de José Serra (PSDB) e 34% de Marta Suplicy (PT).

De 0 a 10, o paulistano dá nota 6 para o tucano. Haddad ganhou nota 5,9 no mesmo período de 2013, primeiro ano da gestão petista.

Segundo o levantamento, entre os mais ricos com renda familiar acima de 10 salários mínimos, a aprovação da administração tucana é de 67%. A maioria dos que têm ensino superior, 56%, também aprovam a gestão.

De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados acham que ele fez pela cidade menos do que se esperava até agora (era de 39% em fevereiro). Somente entre os mais pobres, esse índice já atingiu 61%.

Em relação aos bairros dos entrevistados, a avaliação de que o tucano fez menos do que se esperava é de 67%.

Para 51%, a cidade não mudou nada na gestão tucana, contra 35% que viram melhora e 13% que acham que ela piorou.

Para 50% dos entrevistados, houve melhoria no serviço de limpeza. Em relação ao sistema de saúde, a avaliação de avanço atinge 27% dos moradores.

Sobre as doações recebidas pelo prefeito, 45% consideraram nada transparentes e 16% muito transparentes.

Cargo

Para 55% dos moradores da cidade, o prefeito Doria não deve ser candidato nas eleições de 2018, segundo a pesquisa. Para 13%, Doria deveria disputar a vaga no Palácio dos Bandeirantes e outros 14%, ao Planalto. Na parcela dos que consideram a administração ótima ou boa, sobe para 24% o número de pessoas que defendem a candidatura do prefeito à presidência.

A pesquisa mostrou ainda que, caso Doria seja candidato à presidência, 26% dizem que votam nele com certeza. Outros 29% cogitam a possibilidade de voto no tucano contra 42% que não o escolheriam para o cargo de jeito nenhum.

Se ele concorresse ao governo do estado, 35% não votariam nele, 32% votariam e 31%, talvez.

Alckmin

O governador Geraldo Alckmin completou 6 anos e três meses de governo com aprovação de 31% e reprovação também de 31%, segundo a pesquisa. 36% acham a gestão do governador regular.

A nota dada para o desempenho do tucano foi de 5,3.

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09
Posted on 09-04-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-04-2017


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Moro: “Trabalho está bastante puxado”

Num momento de descontração, Sérgio Moro afirmou que relutou em aceitar o convite para a Brazil Conference, porque “o trabalho está muito puxado.”

Arrancou risos da plateia.

A Brazil Conference é patrocinada, entre outros, pela Empiricus, sócia de O Antagonista.

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Posted on 09-04-2017
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Jorge Braga, no jornal O Popular (GO)


DO EL PAÍS

Alfredo Meza
Caracas

A tensão na Venezuela já passou a fazer parte da vida cotidiana. A oposição retornou às ruas pela terceira vez em uma semana e protagonizou uma manifestação que resultou em enfrentamentos entre policiais e manifestantes. Os agentes usaram bombas de gás lacrimogêneo para evitar que o protesto chegasse à sede da Defensoria do Povo.

A marcha se opunha a mais temas que aqueles pelos quais tinha sido convocada, já que, posteriormente, se anunciou que o governador opositor Henrique Capriles não poderá ocupar cargos públicos durante os próximos 15 anos, segundo uma sentença da Controladoria Geral da República proferida na sexta-feira. Capriles é o líder desta onda de protestos, que começou há 10 dias, e se encarregou de conduzir os manifestantes até a sede da Defensoria do Povo, no centro de Caracas. Foi uma decisão surpreendente, mas não casual. A Defensoria do Povo faz parte do Conselho Moral Republicano, uma instância que negou qualificar como grave a atuação dos magistrados que proferiram duas sentenças que usurpavam as funções do Parlamento. Um passo prévio para tramitar sua remoção no órgão legislativo.

A Polícia Nacional Bolivariana interceptou o cabeça da marcha enquanto ele transitava pela avenida Libertador. A forte repressão com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha dispersou a maioria dos manifestantes, mas alguns insistiram em continuar até o destino final. Outros trataram de tomar outras ruas e jogar pedras contra os policias. A circulação de veículos teve que ser interrompida por completo.

A manifestação faz parte do mesmo processo de toma lá dá cá que já dura uma semana e que ameaça se converter em uma longa fase apesar da chegada do feriado da Semana Santa. Até o momento, não foram registradas pessoas feridas nem nenhum outro tipo de vítimas.

A forte repressão com a que os protestos foram tratados anteriormente, resultando, inclusive, na morte de um manifestante em uma localidade próxima a Caracas, levou a Anistia Internacional a condenar, por meio de um comunicado, o uso excessivo da força e a recordar que é obrigação do Estado “garantir o direito à liberdade de expressão e à manifestação pacífica”. “Em vez de usar seus recursos para perseguir e reprimir obstinadamente aqueles que possuem opiniões distintas, o Governo da Venezuela deveria concentrar seus esforços em solucionar a crise humanitária que piora a cada dia”, afirmou Érika Rojas, diretora para as Américas da organização.

A insistência da oposição em permanecer nas ruas tem como objetivo acabar com o apoio interno que o regime do presidente Nicolás Maduro ainda possui. Com a comunidade internacional contra o Governo, os líderes da Mesa da Unidade Democrática aspiram a conseguir um compromisso concreto em seu plano de dividir o poder onímodo que o chavismo ostenta.

Apesar de já não contar com o mesmo apoio popular do passado, o regime parece disposto a não medir seus esforços para permanecer no poder a qualquer custo. Como parte desse plano se encontra a decisão de inabilitar Capriles e retirá-lo da política. Se a sanção for confirmada, o governador do estado de Miranda (centro-norte da Venezuela) só poderá voltar a se candidatar a cargos de representação popular quando completar 60 anos de idade. O líder opositor descartou essa possibilidade. “Maduro não vai me tirar da política. Só o povo da Venezuela poderia fazer isso”, afirmou durante um ato celebrado na sexta-feira, em Caracas.

A medida reconfigura o panorama da oposição e causa muitas dúvidas com relação à escolha de um candidato único para enfrentar o chavismo nas eleições presidenciais do último trimestre de 2018. A corrida eleitoral ainda não começou, mas já apareceram alguns aspirantes. Com Capriles impossibilitado de se candidatar e Leopoldo López preso, as opções restantes constituem lideranças fracas e discutíveis que insistem na reconciliação e em um acordo nacional como pontos principais de suas propostas de governo. Portanto, o cenário mais favorável seria que o Governo entregasse o poder no final de 2018, como deve ser.

O regime parece estar desenhando uma oposição à la carte. Depois da condenação internacional ao autogolpe dado pelo Supremo Tribunal de Justiça e em meio a um calamitoso estado econômico, o Governo se vê impedido de continuar adiando as datas das eleições a governadores e de usar artimanhas legais para atrasar comícios presidenciais. Esta semana, Maduro reconheceu que em 2018 haverá eleições na Venezuela.