DO EL PAIS

Afonso Benites

Brasilia / São Paulo

O julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi adiado. Os sete ministros da Corte, entre eles o relator Herman Benjamin, aceitaram o pedido da defesa e concederam mais prazo para que os advogados de Dilma Rousseff e Michel Temer apresentem suas alegações finais sobre as acusações de corrupção na campanha presidencial de 2014. Com isso, o julgamento no TSE, iniciado nesta terça-feira, 4 de abril, não será retomado antes do fim do mês.

Nascida na Romênia, Symona Gropper mora há décadas em Salvador. Um dos melhores textos do jornalismo brasileiro, foi mais recentemente editora coordenadora do Caderno 2 do jornal A Tarde. Antes, foi repórter especial do Jornal do Brasil, na sede do diário carioca, no Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a sucursal do JB, na Bahia, onde atuou durante anos como uma das mais brilhantes e destacadas profissionais do jornalismo cultural do País .Já publicou dois perfis biográficos, dos arquitetos baianos Sílvio Robatto e Diógenes Rebouças.

“A Menina que foi vento – memória de uma imigrante” foi publicado pela Assembleia Cultural, selo da Assembleia Legislativa da Bahia, foi lançado no dia 27 de março. Leitura fundamental, que Bahia em Pauta recomenda com entusiasmo.

(Vitor Hugo Soares)

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RESENHA

Uma experiência humana incomum

Magda de Almeida

Não é livro para se ler de vez em quando. Decididamente, não. É pegar e não largar. Esqueça o sono e o relógio.

Mais do que um relato sobre a história de uma menina arrancada de seu chão e de suas raízes culturais pela insensatez e loucura humanas, A menina que foi vento – Memórias de uma imigrante, da jornalista Symona Gropper, é um legado para as novas e futuras gerações, de judeus ou não, que precisam conhecer além do que, eventualmente, aprenderam nos bancos escolares.

Symona ainda não tinha nascido quando o nazismo mostrou sua verdadeira face. O terror se instalou na Romênia, atingindo a família Gropper, amigos, parentes próximos e distantes, espalhando-se por toda a comunidade judaica de Bucareste, onde nasceram e sempre viveram seus ancestrais, todos forçados a deixar para trás, depois da Segunda Guerra Mundial, o próprio país e tudo que ele representou na vida de gerações.
Foto Symona
Symona Gropper Foto: divulgação

A Menina que foi vento é uma narrativa intensa e comovente de uma história real de venturas e desventuras, sonhos, medos, encontros, desencontros e coragem, muita coragem. Symona Gropper desnuda-se para seus leitores nas 250 páginas de suas memórias, que não se esgotam em si mesma, mas nos conduzem para bem dentro de um dos mais dramáticos momentos da História da humanidade e seus efeitos sobre a vida física e emocional de centenas de milhares de judeus expulsos de suas terras e de suas referências.

A Menina que foi vento não poderia chegar em momento mais oportuno, quando o mundo assiste, em tempo real, ao calvário de milhões de refugiados que fogem das guerras, ou por causa delas são expulsos, em diversos pontos do planeta. Symona Gropper sabe o que é isso, por ter sido ela própria parte da leva de refugiados que, expulsos de sua Romênia, partiram para Israel. Ela estava com apenas cinco anos.

Originária de uma família de empresários mercantis, Symona nos fala do forte impacto dessa brusca mudança socioeconômica na vida domestica e profissional de sua família, na difícil adaptação a esses novos tempos, àquele entorno multicultural, tão instigante quanto assustador, aquela infância, inicialmente passada nos toscos abrigos que o recém-criado Estado de Israel reservara para os refugiados que chegavam em grandes levas ao país em busca de um acolhimento que parte do mundo negava. Não era coisa para os mais fracos.

A ser verdade que o sofrimento pode ser transformador, foi uma adolescente disposta a enfrentar seus traumas, medos e fantasmas, e o que mais o destino lhe reservasse, que o Brasil recebeu e onde ela cresceu disposta a abrir todas as portas que lhe aparecessem. E encarar de frente o que encontraria do outro lado. A leitura de A menina que foi vento às vezes nos faz achar que não é um livro que estamos lendo, mas um filme bem estruturado, roteiro de primeira, com princípio, meio e fim impecáveis. Tudo está ali, até o comovente reencontro, muitas décadas depois, com sua Bucareste, especialmente com o nunca esquecido parque que ilustra a capa do livro e onde passara o que, talvez, tenham sido os melhores momentos de sua vida enquanto criança.

a menina que foi vento2

Romance também não falta nesta biografia. Ela nos fala de suas paixões, as reais e as “recolhidas”. O impacto da chegada ao Rio de Janeiro, seu primeiro pouso no Brasil, a liberdade e o conforto conquistados após um longo período de privação, o primeiro beijo, a primeira decepção amorosa, as diferenças culturais e seus múltiplos desafios, por fim, “aquele” casamento, os filhos e os netos que vieram para lhe mostrar que, apesar de tudo, tudo valeu.

Aquela menina que um dia foi vento cresceu, batalhou como poucos para ser uma jornalista com passagem por importantes jornais do país, como repórter e editora. São dela, também, as biografias Silvio Robatto – Um homem feliz e Diógenes Rebouças – O arquiteto da Bahia.

* A jornalista carioca Magda Almeida foi repórter especial do Jornal do Brasil e do Estadão

BOM DIA!!!


Michel Temer no último dia 29, no Palácio do Planalto.
UESLEI MARCELINO REUTERS

DO EL PAIS

Afonso Benites

Brasília

O futuro do presidente da República, Michel Temer (PMDB), começa a ser definido nesta terça-feira. Os sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral iniciam às nove horas o julgamento da chapa Dilma-Temer, que venceu a eleição presidencial de 2014. A tendência, contudo, é de que nenhuma decisão seja tomada nesta semana. Nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral é quase consenso de que algum magistrado pedirá vista do processo sob o argumento de que será necessário mais tempo para analisá-lo. Se isso ocorrer, não há prazo para que o julgamento seja retomado, num movimento em que se vê as digitais do Planalto, que usa sua influência na corte para postergar ao máximo o processo. A expectativa de pessoas que o acompanham de perto é que o relator da ação, Herman Benjamin, peça a cassação da chapa completa.

A presidenta deposta e seu sucessor são acusados de abuso de poder econômico e político durante a última campanha da qual derrotaram a coligação encabeçada por Aécio Neves, que tinha como vice Aloysio Nunes, ambos do PSDB. Hoje, Aécio é aliado de primeira hora de Temer no Senado e Aloysio é o ministro das Relações Exteriores. Caso venha a ser cassado, Temer deixará a presidência e terá seus direitos políticos suspensos por oito anos. Nesta hipótese, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assume o Executivo e convoca eleição indireta no prazo de 90 dias. Como Rousseff já sofreu o impeachment, ela só perderia a possibilidade de se candidatar a um cargo eletivo pelos próximos oito anos.

Em um primeiro momento, o peemedebista e seus aliados queriam que o julgamento fosse célere. Agora, diante de um cenário que pode ser desfavorável por causa das investigações da Operação Lava Jato que colocaram cinco ministros de Temer na mira, querem postergá-lo o quanto for possível. Os caminhos da Lava Jato e do TSE acabaram se cruzando e delatores do esquema vinculados à empreiteira Odebrecht foram ouvidos pelo relator do processo no TSE, Herman Benjamin.

Se conseguir ganhar tempo, Temer terá a chance de indicar dois de seus julgadores. Na segunda quinzena de abril e na primeira de maio, os ministros Henrique Neves e Luciana Lósio – ambos nomeados por Rousseff – terão seus mandatos encerrados. Seus substitutos serão nomeados por Temer a partir de uma listra tríplice elaborada pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, Temer tem no comando do TSE um magistrado próximo, Gilmar Mendes. O presidente da corte e também integrante do STF já disse inúmeras vezes que o tribunal deverá levar em conta a “estabilidade política” na hora do veredito.
Pedido de vistas e separação da chapa

Nesta semana, o TSE dedicará suas quatro sessões (duas ordinárias e duas extraordinárias) ao julgamento do processo contra a chapa. A sessão começa com a leitura do relatório do caso, elaborado por Benjamin. Depois, as partes se manifestam. Poderão falar por 15 minutos, cada um, os representantes do Ministério Público Eleitoral e das três partes, PSDB, PT e PMDB. Os tucanos, que ingressaram com a denúncia, agora, dizem que apenas Dilma tinha responsabilidade pelos delitos, e não Temer. Depois, serão analisadas seis questões preliminares que poderão influenciar diretamente no caso. As principais delas são a que pede que os ministros julguem separadamente os candidatos à presidenta e vice; a que pede que os relatos dos delatores da Lava Jato sejam excluídos do julgamento; e a que pede mais prazo para a defesa de Rousseff analisar o caso.

Nesta segunda-feira, os advogados do PT entregaram uma série de planilhas para o relator do caso para, segundo eles, comprovar que não é possível separar as contas. Eles detalham que as contas da campanha foram assinadas por Dilma, Temer e pelo tesoureiro Edinho Silva (PT), hoje prefeito de Araraquara (SP).

Enquanto está com uma espécie de espada sobre sua cabeça, Temer manteve sua agenda pública e determinou que todo o caso seja acompanhado apenas pelos seus advogados. Ele participará de três eventos em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta terça-feira.

abr
04
Posted on 04-04-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-04-2017


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

EXCLUSIVO: O NOVO ROTEIRO DA MARMELADA NO TSE

A marmelada no TSE agora tem o seguinte roteiro: antes da leitura do relatório de Herman Benjamin, será levantado um argumento preliminar de que o ministro deveria ter concedido mais cinco dias para a defesa de Dilma Rousseff, não apenas 48 horas.

Aceito o argumento preliminar, o julgamento será suspenso e só retomado na última semana de abril ou até mesmo em maio, depois que Gilmar Mendes voltar de uma viagem ao exterior.

Retomado o julgamento, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho pedirá vista assim que Herman Benjamin terminar de ler seu relatório.

Napoleão permanecerá sentado em cima do processo indefinidamente. Já mandou até recado: “Podem bater, tenho o couro duro”.