DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Quem vai tratar da carne podre com Temer

A reunião marcada por Temer para este domingo, 19,para tratar do escândalo da carne podre, contará com os presidentes das seguintes entidades:

ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne): Antonio Camardelli

ABPA (Associação Brasileira da Proteína Animal): Francisco Turra

CNA (Confederação Nacional da Agricultura): João Martins

Temer também convidou os embaixadores dos países que importam carne brasileira.

É domingo. Vai servir um churrasquinho, Temer?


Depoimento de Emílio Odebrecht
ao juiz Sergio Moro…


…respinga na memória de Norberto.

ARTIGO DA SEMANA

Odebrecht: “escola de corrupção da Bahia para o mundo”

Vitor Hugo Soares

“Ninguém vê, ninguém fala nem impugna,/ e é que quem o dinheiro nos arranca,/ Nos arranca as mãos, a língua, os olhos.// Esta mãe universal,/ Esta célebre Bahia/ que a seus peitos toma e cria,/ os que enjeita Portugal”… (Versos do soneto “Senhora Dona Bahia”, de Gregório de Matos Guerra, o poeta lírico, religioso e satírico do Sec. XVII em Salvador, apelidado de Boca do Inferno.
====================================

Desculpem o mau jeito, mas é inevitável a recordação de Gregório de Matos, nestes dias infernais de março de 2017. Mais ainda, na sexta-feira, 17, em que a Operação Lava Jato completa três anos de vida e atravessa situação crucial em seu desempenho e para sua indispensável continuidade. No meio do furdunço político causado pela lista de Janot, com os frutos da delação premiada dos donos do grupo Odebrecht (e de alguns dos principais ex-executivos do “polvo insaciável”) .

Conteúdo que o Procurador Geral da República mandou despejar – irônica e simbolicamente conduzidos em carrinhos de mão – na sala com estrutura da caixa – forte do Supremo Tribunal Federal, sob as vistas e vigilância da ministra presidente da Corte, Cármen Lúcia. Símbolos referenciais para todos os lados e para todos os gostos, já se vê. E a sátira do século XVII, ferina, bem humorada e atual, para nos ajudar a entender o lugar onde aportou a “máquina mercante”, agora governado pelo petista Rui Costa ( apontado no noticiário das últimas horas como um dos mandatários regionais citados na lista de Janot), e o País sob o comando de Michel Temer e seu PMDB, nos dias que correm.

Também ajuda, por exemplo, na compreensão do significado nu e cru, de alguns trechos do depoimento de Emílio Odebrecht – presidente do Conselho de Administração do mais poderoso grupo de engenharia do Brasil e da América Latina, com tentáculos espalhados pelo mundo, nos últimos 15 anos – ao juiz federal Sérgio Moro, condutor da Operação Lava Jato. Destaque especial para a confissão de que o Caixa 2 é uma das mais antigas, preservadas e ampliadas tradições históricas da Odebrecht: “Sempre existiu desde minha época, da época do meu pai e também de Marcelo”, contou o empreiteiro ao magistrado, na última segunda-feira. Marcelo é filho de Emílio, ex-presidente do conglomerado de negócios, no campo da engenharia e da petroquímica (e de muitos outros), até ser preso em uma das 38 fases da Lava Jato e levado para uma cadeia em Curitiba, (onde ainda permanece) condenado como um dos cabeças do Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história do Brasil.

Mas que parece só engatinhar, ainda, a deduzir pelo potencial explosivo e devastador do farto material mandado pela PGR para a aguardada avaliação do ministro Edson Fachin, no STF, com a devida e essencial quebra do sigilo do conteúdo: documentos, textos, áudios e vídeos. Um estrago geral e transversal a partidos políticos, parlamentares, ministros, ex-presidentes e governantes no pleno exercício do poder, eis o mínimo que se espera das revelações, inquéritos, processos e julgamentos que deverão se seguir. A conferir.

Emílio é filho do falecido Norberto, descendente de outro Emílio, o patriarca da família alemã que aportou em terras de Pernambuco. Norberto, nascido em Recife em 1920, com 5 anos de idade mudou-se com a família para a capital baiana, onde transformou-se na principal viga e responsável pela construção do vasto e poderoso império de negócios que se conhece, mas não dá para contar tudo neste espaço.

Jovem recém formado, pela Escola de Jornalismo da UFBa, conheci mais de perto o “velho Norberto” ao chegar na redação do jornal A Tarde, ainda no prédio histórico da Praça Castro Alves. Era, sem dúvida, um tipo humano singular e impressionante, dos mais reverenciados de Salvador, já naquele começo dos anos 70, do país sob ditadura. Vestido quase sempre em traje de linho branco, impecavelmente bem talhado e sem vincos, Dr. Norberto (como era tratado no jornal) , apesar da procedência germânica, sempre pareceu aos olhos do cético e desconfiado repórter, um daqueles lordes ingleses, dos filmes americanos rodados na Índia, sob dominação colonial. Guardava um pouco, também, semelhança com retratos de tipos afro-brasileiros, que ainda se vê aqui e ali, em Salvador, até hoje, mas que marcaram época, principalmente, nas páginas dos romances e outros escritos de Jorge Amado.

O depoimento de Emílio, ao juiz Sérgio Moro, porém, ajuda agora o jornalista, rodado em largas décadas de profissão, a entender melhor e mais claramente a relação de Norberto Odebrecht e o relevo deste personagem da Bahia em seu tempo. A unanimidade reverencial que cercava por todos os lados a sua figura e as suas ações, como verificaria depois já no Jornal do Brasil: políticos, empresários, dirigentes de históricas entidades das classes produtoras, imprensa, donos do poder em diferentes períodos de tempo, regimes e governos. Conservadores, progressistas, comunistas, direitistas , pessedistas, udenistas, gente da Arena e do MDB. Ou simplesmente “dinheiristas”, como sintetizava meu saudoso pai, ao referir- se a alguns tipos, em seus relatos.

Para terminar, busco as palavras do professor Edson Pitta Lima, coordenador geral da Universidade Polifucs, especialista em Programação Global, formado pelo Instituto Latinoamericano de Planificação Economica y Social, mestre acatado da Faculdade de Economia da UFBA, conhecedor e crítico das empresas baianas e seus homens de negócios. Ele postou, esta semana, em seu espaço de informação e análise, nas redes sociais, um comentário que considero oportuno, contundente e essencial. “O depoimento de Emílio Odebrecht comprova o que já afirmei: a empresa era uma escola de corrupção desde a época do velho Norberto. Satisfazer o cliente significava, satisfazer o fiscal de obras, quem liberava o dinheiro, quem liberava e aprovava a medição, quem julgava a concorrência, etc. etc. Sempre foi membro de primeira hora do Ethos, entidade empresarial voltada para a ética nos negócios. Quem acredita que Marcelo e Emílio estão falando toda a verdade? Quem acredita que para o futuro a empresa vai passar a ser honesta? Eu acho que a onça perde o pelo mas não perde as manchas”.

A conferir com o tempo e o que virá nos desdobramentos da lista de Janot. Parabéns à Lava Jato e aos que cuidam dela, pelos três anos de intensa e brava existência. Longa vida!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta.-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

mar
18

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Mau negócio

Uma das investigações sobre o ex-deputado Eduardo Cunha aponta uma propina de R$ 30 milhões para um conjunto de obras que totalizavam R$ 6 bilhões.

Isso representa 0,5%, uma pechincha, comparada às percentagens do ex-governador Sérgio Cabral, que em certos casos batia nos 5%;

mar
18


Tony Ramos, garoto propaganda
da Friboi: memes na redes sociais

DO EL PAIS

Marina Novaes
São Paulo

A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, não só apontou para a existência de um suposto esquema de corrupção entre frigoríficos e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, como colocou em dúvida a qualidade dos produtos vendidos por duas gigantes brasileiras do setor de carnes: JBS, dona das marcas Friboi Seara e Big Frango, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão. A notícia de que as empresas pagavam propina para vender carnes vencidas ou adulteradas com produtos químicos —o que tanto a JBS quanto a BRF negaram— fez com que as ações dos frigoríficos despencassem mais de 8% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) até o início da tarde sexta-feira. Além das duas gigantes do setor, outras 29 companhias também são alvo da operação.

Tão logo foi noticiado, o suposto esquema de corrupção para vender carnes podres também despertou a desconfiança dos consumidores: sobrou até para o ator Tony Ramos, garoto-propaganda da Friboi, que tornou-se alvo de memes nas redes sociais e se disse “surpreso” com o esquema, em entrevista ao site Ego, da Globo —vegetarianos estão sendo felicitados por não comerem carne e, assim, estarem imunes ao esquema de fraude. Parte dos alimentos adulterados teriam sido fornecidos para alunos da rede pública do Paraná. A investigação também revelou a reembalo de produtos vencidos.

Responsável pela marca Friboi, a JBS, da holding J&F, é um império do setor de carnes fundada há 54 anos, com 200.000 funcionários em 350 unidades pelo mundo. Entretanto, seu boom é recente: o grupo só se tornou um grande player no mercado global a partir de 2003, durante o Governo do ex-presidente Lula (PT), quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), passou a conceder empréstimos pesados e até se tornar seu sócio.

Parte dos recursos que entravam na JBS acabaram sendo usados para adquirir pequenos concorrentes e grandes também. Compraram por exemplo a Swift, a Tasman Group, a Smithfield Beef, a Five Rivers e a Seara. Atualmente, além da produção de carnes (bovina, suína, ovina e de aves), o grupo, controlado pela mesma família que o fundou, possui fábricas de celulose, biodiesel, um banco e uma emissora de televisão, o Canal Rural.
Rivais

Principais alvos da Operação Carne Fraca, a JBS e a BRF (antiga Brasil Foods) são rivais históricas na disputa pelo mercado doméstico de carnes e se destacaram como players globais com impulso da política das “campeãs nacionais” nos Governos petistas, que reforçava financiamento público via BNDES a setores considerados promissores. Dona das marcas concorrentes Sadia e Perdigão, a BRF emprega mais de 105.000 pessoas em sete países. Seara, Sadia e Perdigão possuem as mesmas categorias de produtos alimentícios (além das carnes, embutidos e derivados) e brigam pelo mesmo nicho de mercado. Por isso, as três marcas e a Friboi são também responsáveis pelas campanhas publicitárias milionárias —outra global, a jornalista Fátima Bernardes, a garota-propaganda da Seara, também não foi poupada da ira bem-humorada dos memes. Agora, as agências que atendem às marcas terão a difícil missão de reverter o estrago que investigação da PF causou na confiança das marcas (que tornaram-se trending topics no Twitter e Facebook e nas buscas do Google nesta sexta).

Ambas as marcas negam irregularidades. Em nota, a JBS informou “não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação”, e que “a JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias”. Já a BRF informou que “assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores”, afirma a empresa.

mar
18
Posted on 18-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2017


Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Obsessão por delação

Alexandre Lopes, advogado de Adriana Ancelmo, disse que o fato de a sua cliente ter ido para a prisão domiciliar nada tem a ver com acordo de delação premiada.

“Há uma obsessão de parte da imprensa com delação premiada. O processo penal não se resume a delação e ela não tem a menor intenção de fazer uma delação contra quem quer que seja”, afirmou.

A parte da imprensa que não tem obsessão com delação premiada deve ser a petista.