Temer (com Marcela): gafes no Dia da Mulher…


…Millôr Fernandes: o salto do 21° andar.

ARTIGO DA SEMANA

Temer, o otimista, a lista de Janot, e Millôr

Vitor Hugo Soares

No meio desta semana ardente de março, antes do alvoroço quase pânico se estabelecer em Brasília, e no resto do País, na expectativa da divulgação das planilhas que registram pagamento de propina a centenas de políticos, – antigos e atuais donos do poder – quase tudo acompanhado de vídeos e áudios arrasadores -, li na área de comentários do site blog que edito, em Salvador, uma observação tão perspicaz quanto bem encaixada sobre o tortuoso e imprevisível momento nacional.

O irônico apontamento – digno de atenção e reflexão não apenas de estudiosos e analistas dos desvãos insondáveis da mente humana – é sobre a psicologia arrevesada do mandatário da vez, no Palácio do Planalto, diante da cada dia mais preocupante realidade que o cerca (na política, no governo, na economia, na ética e nos bons costumes) e o faz balançar, perigosamente.

“Temer parece aquele sujeito que caiu da janela do trigésimo oitavo andar e quando estava passando em queda livre pelo vigésimo andar gritou: Até aqui tudo bem”, assinala o comentário, postado por Taciano Lemos de Carvalho, editor do site político Gama Livre, no Distrito Federal, cuja leitura recomendo vivamente, a começar pela frase – lema, da lavra do genial Millôr Fernandes, no alto da publicação: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Em síntese, o editor do Gama Livre se refere a uma frase do presidente, destacada largamente, no correr da semana, pelos blogs e sites políticos do país e nas redes sociais, a começar pelo Blog do Noblat, que a elegeu como “Frase do Dia”. Antes das gafes primárias (reveladoras também de completa falta de assessoramento político do chefe maior da “República do PMDB), no desconjuntado discurso no Dia Internacional da Mulher.

“Não tenho medo de perder o mandato. O que nós vamos fazer é levantar o país, a economia está numa onda excepcional. Vamos continuar trabalhando para levantar o país sem nos preocupar com esses outros fatos. A recuperação está melhor do que eu esperava”, disse Temer, parecendo flutuar como nunca em seu universo irreal de divagações e enganos, em seguida à surreal reunião do Conselhão, no começo da semana.

Aí bate com força a saudade e o sentimento de ausência de Millôr Fernandes. Mas, felizmente, logo se percebe que segue presente a marcante memória, ao lado da influência do pensamento e da obra do criador da histórica coluna “Pif Paf”, marco do humorismo gráfico e de textos curtos e fulminantes, na imprensa brasileira, desde a revista O Cruzeiro.

Isto é o que fica patente no comentário e no trabalho do blogueiro baiano, que há décadas vive em Brasília e observa criticamente as mazelas do poder e dos poderosos em seu entorno, no planalto central do Brasil. Sem perder o humor, como determinam as lições e os mandamentos do mestre carioca. Coisa de sangue também, imagino. Afinal, Taciano é irmão de Ivan de Carvalho, o saudoso colunista político da Tribuna da Bahia, por décadas. Inteligente, culto, plural . Bem informado e bem humorado sempre. Brilhante e íntegro profissional de jornalismo com quem tive a honra de conviver nos bancos acadêmicos da UFBA e, depois, no batente diário na sucursal do Jornal do Brasil na Bahia.

Conferindo bem, o comentário do editor do Gama Livre é, na verdade, um livre pensar que vem de Millôr, adaptado à era Temer. Reproduz ao seu modo – e com alguns andares a mais na construção – um dos pensamentos mais antológicos de Millôr Fernandes, que diz: “Otimismo é atirar-se do 20° andar e, ao passar pelo 18°, constatar: até aqui, tudo bem”.
Na mosca, ontem como hoje!

Na quarta-feira, 8, data da sentença do juiz federal Sérgio Moro (condutor da Lava Jato), somando mais 11 anos de prisão para José Dirceu (ex ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula); da ameaça do ministro da Fazenda, Henrique Meireles, ao cidadão contribuinte em geral, com a possibilidade de aumento de impostos, além das gafes presidências, no Dia Internacional da Mulher, julgo mais que oportuno o registro crítico do otimismo meio suicida de Michel Temer. No meio do dilúvio que parece se aproximar cada vez mais do Palácio do Jaburu.

A semana termina com fortes tremores de terra no centro do poder, e em seus arredores, indicativos de terremotos de grande magnitude. O tamanho do estrago das delações premiadas da Odebrecht pode ser imaginado pelo furdunço da noite e madrugada de quinta-feira, em Brasília, a partir do comunicado do STF, informando que o jornal que quisesse a lista (e seu conteudo explosivo em textos, áudios e vídeos), teria que entregar dois HDs de 1 terabyte para receber “A Lista de Janot”, que estará circulando em breve.

Haja “otimismo”, de Temer e de muita gente mais, para aguentar o tranco que está a caminho. A conferir.
Vitor Hugo Soares é

Maravilhosa Nora Ney! Ontem, hoje e sempre. Confira e confirme.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Janot: lista do Procurador Geral da Justiça
alvoroça Brasília.

DO EL PAÍS

Gil Alessi

Brasília

A decisão do Supremo Tribunal Federal de aceitar denúncia contra o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), sob a acusação de ter recebido propina de uma construtora maquiada como doação de campanha legal, gerou reação instantânea em Brasília. A elite política da capital já vive clima de contagem regressiva à espera da nova lista de parlamentares a serem investigados na Operação Lava Jato com base nas delações da Odebrecht. As especulações sobre o número de políticos desta vez dão conta de mais de uma centena. A porta aberta no Supremo com o caso Raupp só complica o panorama: a movimentação faz voltar à tona o esforço de tentar emplacar no Congresso uma anistia do crime de caixa 2 (contribuições não contabilizadas), enquanto deputados e senadores se preocupam agora até com caixa 1. Nem quem recebeu recursos apenas pelas vias oficiais se sente a salvo.

Na decisão sobre Raupp, a Corte disse que as doações oficiais e declaradas à Justiça Eleitoral feitas pela empreiteira Queiroz Galvão ao peemedebista podem, sim, ser consideradas como possível propina – algo que ainda terá de ser provado pelo Ministério Público Federal ao longo do julgamento. Foi uma espécie de teste bem-sucedido para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Uma das principais teses da acusação na Lava Jato é que, além de contribuir com valores não declarados, muitas empreiteiras doavam oficialmente aos políticos em troca de benesses, aprovação de leis de seu interesse e facilidade em contratos.

Se há dois anos Janot abalou o establishment ao apresentar a primeira lista de políticos citados na Lava Jato, agora ele prepara, com ainda mais poder, a “Janot 2″ a partir das 78 colaborações com a Justiça de ex-diretores e executivos da Odebrecht. Com o pedido de novas investigações, o procurador-geral deve solicitar o fim do sigilo de ao menos parte das delações. A expectativa é que seja um material monumental e por isso o staff técnico da corte já se prepara para distribuir o futuro material aos jornalistas, aprofundando o clima de ansiedade.
Prova e consequência

Na última quarta-feira, um dia depois da decisão de Raupp, o clima de comemoração na Câmara instaurado pelo Dia Internacional da Mulher não dissipava de todo a preocupação. O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), qualificou a decisão do Supremo como grave, e disse que a jurisprudência criminaliza as doações legais. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), minimizou o fato e afirmou que as acusações ainda terão de ser provadas: “Se não ficar claro que há uma relação entre a doação e pedidos indevidos, o caso será arquivado”.

Ninguém admitia abertamente –“Não há clima para isso”, disse um deputado – mas o fato é que parte dos parlamentares considera injusto punir alguém por receber doações de empresas como caixa 2 ou criminalizar as doações oficiais.

Coube à deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), de um dos poucos partidos que espera escapar ileso da Lava Jato, verbalizar o que os demais não ousavam falar publicamente. Ela disse existir “uma tendência forte na Casa” pela aprovação de um projeto de anistia. “De repente aparece na pauta algo do tipo, sem conhecimento de ninguém”, diz a parlamentar. De acordo com ela, um acordo do tipo “beneficiaria meio mundo no Congresso, já que a imensa maioria dos partidos praticou esse crime [de caixa 2]”.

A tentativa dos congressistas de passar uma borracha nos crimes de caixa 2 já é antiga: em novembro do ano passado deputados tentaram incluir no projeto Dez Medidas Contra a Corrupção um artigo que previa a anistia para quem tivesse praticado o crime de caixa 2. Na prática, o adendo desfigurava o projeto original, proposto pelo Ministério Público Federal, que visa justamente coibir este tipo de conduta. À época, sob críticas e após a repercussão negativa da manobra, os parlamentares recuaram

No início do mês reportagem do jornal Valor trazia informações de que um grande acordo está sendo costurado com Maia e as lideranças dos principais partidos para pautar a anistia ao caixa 2 na Casa.

Até o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso deu um pitaco na questão, logo após os vazamentos da Lava Jato atingirem um aliado. O delator Benedicto Barbosa Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, disse à Justiça que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu à empreiteira 9 milhões de reais no caixa 2 da campanha tucana de 2014. FHC saiu em defesa do colega de legenda, e disse que é preciso diferenciar caixa 2 ( “erro que precisa ser reconhecido”, segundo ele) de corrupção, ou propina disfarçada de doação.

Para o deputado Marcelo Matos (PHS-RJ), a decisão do Supremo “é complicada, porque o parlamentar não tem controle completo sobre a origem do dinheiro doado”. Segundo ele, a decisão da Corte abre um “precedente perigoso”, e “cada caso precisa ser analisado individualmente”.

“É preciso diferenciar algumas coisas. Como por exemplo o caso de quem recebeu doação de empresa até 2014, quando ainda era legal. Senão vira uma caça às bruxas”, afirma o deputado Carlos Manato (SD-ES). Ele, no entanto, prega a apuração de eventuais crimes cometidos: “Tem que pegar todo mundo. Se eu tiver recebido [ilegalmente], tem que pegar eu também”. O partido de Manato tem quadros investigados pela Lava Jato e recebeu doações das empreiteiras envolvidas no esquema.

O primeiro sinal de reação, no entanto, veio do Senado. “Eu quero dizer que é constitucional a figura da anistia, qualquer que ela seja”, afirmou Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, em entrevista ao Estado de São Paulo em fevereiro. Detalhe: o peemedebista é alvo de investigações em dois inquéritos da Lava Jato, e existe a expectativa de que as delações do fim do mundo da Odebrecht compliquem ainda sua situação. O presidente da Casa, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), tratou de colocar panos quentes após as declarações do colega de legenda, e afirmou que a anistia ao caixa 2 não está na pauta do Senado.

mar
11
Posted on 11-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-03-2017

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Mais dinheiro para a expansão americana

Se George W. Bush mostrou-se um presidente imperial, levando os Estados Unidos a guerras injustas que ajudaram a quebrar a economia do país, Donald Trump se comporta de forma exponencialmente mais ameaçadora, com atos e linguagem que sugerem, para o futuro, uma conflagração de alta gravidade.

Os Estados Unidos têm a maior verba militar do planeta, de cerca de US$ 600 bilhões, tão grande que é dez vezes maior que a da segunda colocada, a China, e suficiente até hoje para manter o nível de segurança do país. Com um aumento histórico de 9%, Trump revela a intenção de expandir a ação de seus exércitos.

O presidente está em peregrinação bélica nacional. A governadores afirmou que vai cumprir a “promessa de proteger os americanos”. Numa conferência de políticos e eleitores conservadores, disse que “ninguém vai meter-se com os Estados Unidos, ninguém”.

mar
11
Posted on 11-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-03-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Renan diz que Temer é chantageado por Cunha

Michel Temer disse hoje, na CBN, que Eduardo Cunha não tem influência nenhuma no governo.

O Globo foi ouvir Renan Calheiros, que conversou ontem com Michel Temer. Veja o que ele disse ao jornal:

“O presidente deu informações, disse que não está havendo a influência do Eduardo Cunha. Acreditamos no presidente. Se não está havendo, melhor. Só precisamos redirecionar os sinais então.”

E Renan acrescentou:

“Porque os sinais que estão postos — todos — atestam que há mais do que uma influência, há uma remontagem a partir de um processo de chantagem, e o presidente não pode absolutamente ficar refém disso.”

Renan quer que Temer seja refém apenas dele.

Tratamos do assunto no post abaixo:
Renan: governo está sendo chantageado

Renan Calheiros está incomodado. Acha que o governo está sendo tomado por aliados de Eduardo Cunha e pelo PSDB.

Segundo o Globo, o senador alagoano “reagiu duramente” (ao fortalecimento dos dois grupos) ao ministro Moreira Franco durante um almoço.

A reportagem diz, ainda, que Renan Insinuou que o presidente Michel Temer está sendo chantageado.

“Insinuando que o presidente Michel Temer está sendo chantageado, Renan acusou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da Comissão da reforma da Previdência, de ser o porta-voz de Cunha no Planalto e por ter negociado a volta do deputado André Moura (PSC-SE) à liderança do governo no Congresso, a nomeação de Osmar Serraglio para o ministério da Justiça e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para a liderança do governo na Câmara.”