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Posted on 10-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-03-2017

DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Neto tem óbvia vantagem sobre Dória

Que o eleitorado vai buscar um nome novo nas eleições presidenciais de 2018, não há dúvida, mas será preciso muito mais que um João Dória para convencê-lo.

É apenas o começo da administração da maior cidade da América do Sul, para cujo êxito não bastará o prefeito travestir-se de gari e sair por aí contrapichando muros.

Dória terá de fazer um pacto com os deuses da chuva, que em geral estão no subterrâneo, para evitar as mortes recorrentes e a destruição, isso pra começar.

Nesse aspecto, o prefeito de Salvador, ACM Neto, nome também citado, está na vantagem. É político top de linha, o que já demonstrou no Legislativo e no Executivo, reeleito com 74% dos votos.

Se há o risco de uma derrota ao governo do Estado ser muito prejudicial a sua imagem, uma candidatura presidencial, mesmo mal-sucedida, corresponderá a uma credencial nacional que muitos governadores não têm.

Fora com os velhos vigários

Para esclarecimento da nota acima, “novo” será o “novo” aos olhos do eleitor, como, por exemplo, Eduardo Campos teria sido em 2014.

Ninguém vai querer saber de Lulas, Serras, Alckmins, Aécios e outros tantos que se insinuam por aí, dos quais o povo brasileiro está cansado.

Sérgio Ricardo, 84 anos,segundo Ancelmo Gois,na sua coluna de hoje em O Globo, voltará a usar o seu nome de batismo: João Lutfi.

Seja como for, longa vida ao grande compositor e artista nascido em Marília (SP), terra de grandes poetas. Um deles, Luiz Fontana, amigo do peito do BP, a quem a música do conterrâneo vai dedicada.

BOM DIA

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo Soares)


Priscila Galhardo e Zalor Martins, pais de uma criança de um ano, fazem a compra juntos. Mauro Pimentel


DO EL PAIS

María Martín

Rio de Janeiro

Denise, Luciana e Luciene, três mulheres do bairro carioca do Flamengo, conversam de pé do lado de uma banca que vende cangas, um pouco antes do horário do almoço. Ninguém as espera para preparar a comida. Nenhuma delas tinha ouvido ainda as gafes do presidente Michel Temer no discurso do Dia Internacional da Mulher mas, em seguida, pedem para saber. “Você tem aí?”, questionam. “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela [Temer], do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos”, recita a reportagem.

– “É sério? Servimos só para isso?”, questiona Luciene, musicista, e “trabalhadora desde os oito anos de idade”.

A reportagem continua reproduzindo o discurso do peemedebista: “Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados mais do que a mulher. Ninguém é capaz melhor de identificar eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico.”

A fala acende um debate entre elas e Luciene, hoje com 51 anos, continua: “Que eu saiba a mulher também serve para ser deputada, presidenta… Concordo em que é importante em casa, mas meu marido sozinho não sustenta. Eu trabalho e a gente divide tarefas. Não tem outro jeito. Nós não somos fiscais de supermercado da época de Sarney, não”. “Eu sou caixa de supermercado e é meu marido quem faz as compras”, relata Denise, de 55 anos. “Eu nem casada sou e pago alguém para que cuide da casa e do mercado. Para isso é que eu trabalho tanto. Eu vou quando preciso, mas não sei dos desajustes dos preços, não”, arremata Luciana, a dona da banca das cangas.

Num supermercado próximo, quatro homens dividem mesa em uma lanchonete. O mais velho, William Pires, de 62 anos, ao ouvir o assunto, antecipa que vai ter polêmica. “É difícil avaliar esse discurso. Ele encarou a mulher como mãe, sim, mas qual mulher não quer ter filhos?”. Ao ouvir que há muitas mulheres que não desejam ter filhos, ele, 14 anos mais jovem que Temer, retruca: “Mas se você tivesse marido, não gostaria de cuidar dele?”. Confrontado mais uma vez, sob a premissa de que os maridos são capazes de cuidarem de si mesmos, Pires, que diz “ajudar” a mulher, modera o tom: “Eu entendo que na visão moderna, a fala foi classificada de infeliz, mas na minha visão, por como eu fui criado, é uma fala normal”.

Os colegas de mesa observam e interrompem. Não concordam. “Em momento nenhum ele falou da importância da economia em outros setores, fora do supermercado. Foi um erro”, diz Glauco Cosenza, de 37 anos, que diz compartilhar todas as tarefas de casa “até porque eu quero que meu filho saiba quem é o pai dele”. “A mulher luta pela independência, pela igualdade. Se Temer quer voltar aos tempos da Amélia [em referencia ao samba de 1942 que canta à mulher de verdade, que lavava, passava e cozinhava] vamos voltar à ditadura, então?”, segue Cosenza.

Na fila do supermercado, o tema anima tanto a homens como a mulheres. “Eu não gostei, não. Meu marido lava louça, já deu mamadeira, trocou fralda, ele faz comida… Ele, inclusive, sabe mais de preços do que eu. Eu entro no mercado e compro, enquanto ele gosta de rodar todas as lojas para encontrar as melhores ofertas. Temer partiu do princípio de que só homem trabalha fora e isso é uma ideia de muito tempo atrás. Não acho que ele foi mal intencionado, ele não quis ferir ninguém, mas é impossível que ele não esteja atualizado, é muito machista,” conta a corretora Vania Polola, mulher de um taxista, de 52 anos. Junto à Vania está seu sobrinho que dispara: “É ridículo isso que ele falou, ele tem uma cabeça diferente. Na minha casa tudo é decidido com minha noiva e os dois contribuímos financeiramente. As coisas das gatas que ela gosta, ela sabe tudo e compra, mas para os preços de refrigerante, por exemplo, sou eu. A gente cuida do que mais gosta”.

Apressada na rua, carregando duas crianças recém saídas de uma escola particular e acompanhada de seu marido com mais duas crianças no colo, Michele, de 38 anos, lamenta que Temer “não deixa de estar certo”. “A sociedade, infelizmente, é machista, mas ele foi infeliz por não dizer que as mulheres, como profissionais, identificam flutuações de preço em qualquer setor e não só no mercado”. “Ele não tem noção da vida que as pessoas levam aqui no Brasil. Com certeza ele não vive nossa realidade. Na nossa idade, não somos mais criadas para cuidar da casa e dos filhos!”, conta em uma praça, a poucos passos da assistente fiscal Jenise Ramos, de 25 anos. “Eu me imagino cuidando da minha casa, sim, mas dentro da minha realidade, que é tudo dividido”.

Seguindo um carrinho, na zona de congelados, Priscila Galhardo e Zalor Martins, pais de uma criança de um ano, fazem a compra juntos. Os dois, ela “mais à direita” e ele “mais de esquerda”, assistiram com espanto à fala do presidente. “Aqui quem tem tempo, faz. Eu não gosto de cozinhar, então lavo louça enquanto ele faz a comida. Minha mãe parou de trabalhar quando eu nasci, mas hoje no meu entorno isso não existe mais. Tanto é que se alguma amiga deixa sua profissão para cuidar dos filhos a primeira pergunta que sai é ‘mas, como pode?”, relata Priscila, dentista de 37 anos. “É uma visão muito antiquada, mas é o perfil dele”, afirma Zalor, advogado de 35 anos, que completa: “Infelizmente no Brasil, independentemente da ideologia, somos um país machista”.

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Posted on 10-03-2017
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“O pavor tomou conta da Casa”, diz Randolfe

O Globo ouviu ouviu o senador Randolfe Rodrigues sobre as articulações dos parlamentares para tentar anistiar doações de campanha recebidas via caixa 2.

“Pelo que ouvi, vão botar isso na votação das 10 medidas. Eles aprovam as medidas de combate à corrupção, sem distorcer o objetivo e, junto, no pacote, a anistia às doações de Caixa 2. Com o pavor que tomou conta da Casa, depois que passar na Câmara, passa fácil no Senado. Esse é o movimento em curso”, disse o senador da Rede.

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Posted on 10-03-2017
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Jarbas, no Diário de Pernambuco


Julian Assange. AP


DO EL PAÍS

Jan Martínez Ahrens

Washington

Primeiro vaza, depois bate. O fundador do Wikileaks, Julian Assange, aproveitou o sucesso alcançado pela publicação dos supostos métodos de hacking da CIA para atacar o serviço de inteligência norte-americano e zombar de sua “incompetência devastadora e histórica”. Assange, em entrevista pela Internet na Embaixada do Equador em Londres, onde vive refugiado desde 2012, atacou a agência por ter criado ferramentas para controlar telefones, computadores e televisores conectados à Internet e depois ter deixado que fossem roubadas. “A CIA perdeu o controle do seu arsenal de armas cibernéticas, que agora pode estar nas mãos de qualquer um”, disse.

O programa vazado, sempre de acordo com a versão de Assange, contém dados de 2013 a 2016 e inclui a artilharia tecnologia desenvolvida pelos serviços secretos para se infiltrar através da Internet em todo tipo de aparelhos domésticos, transformando-os em servidores, inclusive com escutas. Os pontos vulneráveis do iPhone da Apple, do Android do Google, do Windows da Microsoft e dos televisores da Samsung foram detectados e aproveitados com essa finalidade.

Num gesto estranho para um hacker que nunca hesitou em tornar pública uma informação secreta, Assange explicou que em sua organização foram discutidas as implicações de vazar essa tecnologia e que finalmente decidiram fazê-lo apenas parcialmente, evitando divulgar algumas das armas cibernéticas mais perigosas e se oferecendo para ajudar as grandes empresas afetadas, entre elas Google, Microsoft e Apple.

“É o maior arsenal de vírus cavalo de Tróia do mundo. Pode atacar quase todos os sistemas. Eles não o protegeram, o perderam e tentaram esconder isso. Por que a CIA não agiu mais rapidamente com a Apple e a Microsoft? Por que não ofereceu as ferramentas para que pudéssemos nos proteger?”, denunciou Assange.

Os especialistas que examinaram o vazamento há poucos dias indicaram que, além do palavreado do Wikileaks, seu conteúdo corresponde a dados de segunda ordem, alguns muito antigos e outros relacionados com conhecidas fragilidades dos sistemas e até mesmo já solucionadas. Não seriam, de acordo com o The New York Times, documentos classificados como ultrassecretos, ou de nova tecnologia, mas de um arsenal conhecido entre acadêmicos e especialistas em segurança.

Em todo caso, os 8.761 arquivos divulgados pelo Wikileaks (7.818 páginas web e 943 documentos anexos) atingiram fortemente a CIA. Num momento de enorme tensão pelo escândalo da espionagem russa, foi exposta uma falha preocupante num dos centros mais sensíveis da segurança norte-americana.

Embora a agência tenha se recusado a confirmar ou desmentir a origem do material, o vazamento é atribuído, segundo fontes próximas da investigação, a pessoas próximas à CIA. Não seria uma potência estrangeira, mas um empreiteiro ou um especialista externo. “O arquivo parece ter circulado de forma não autorizada entre ex-hackers e fornecedores do Governo, um dos quais forneceu fragmentos ao Wikileaks”, disse a organização de Assange. Na busca de um suspeito, o FBI abriu uma investigação na qual se espera que centenas de possíveis envolvidos prestem depoimento.

Ao ser interrogado pelas críticas de Assange, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, fez questão de dizer que o fundador de Wikileaks “minou a segurança nacional” e lembrou que os sistemas da CIA “estão obsoletos e devem ser atualizados”.