O ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-ministro José Dirceu – Montagem sobre fotos de Geraldo

DO G1

por Mariana Sanches

SÃO PAULO — O juiz federal Sérgio Moro condenou, na manhã desta quarta-feira, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em outra ação no âmbito da Operação Lava-Jato. Dirceu foi condenado agora por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena é de 11 anos e 3 meses de reclusão, mais multa de R$ 774 mil.

Esta é a segunda condenação do petista na Lava-Jato. Em maio do ano passado, ele já havia recebido a maior pena aplicada pela força-tarefa da investigação que trata sobre desvios de verba na Petrobras: 23 anos e 3 meses pelos crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo o despacho, Dirceu recebeu vantagens indevidas em um contrato da empresa Apolo Tubulars com a Petrobras e teria ocultado e dissimulado o recebimento do dinheiro de propina por meio de contratos fictícios de consultoria de sua empresa JD Assessoria e Consultoria.

Na mesma ação penal, Moro condenou o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque à pena de seis anos e oito meses de prisão por corrupção passiva, por ter intermediado o acerto que beneficiou Dirceu. Duque, no entanto, foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro por falta de provas. O ex-diretor da estatal também deverá pagar multa de R$435 mil.

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Também foram condenados o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, a quase 10 anos e meio de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; o empresário ligado a Dirceu, Eduardo Aparecido de Meira; e Flávio Henrique de Oliveira Macedo, executivo da Credencial Construtora, por corrupção passiva e associação criminosa, ambos a oito anos e nove meses de prisão.

O caso foi investigado na 30ª Fase da Operação Lava-Jato batizada de “Vício”. De acordo com as investigações, graças ao pagamento de propinas, a empresa Apolo Tubulars teria sido beneficiada na obtenção de contratos para fornecimento de tubos para a exploração de petróleo e gás da Petrobras. A Credencial Construtora teria intermediado esses pagamentos até que chegassem a Dirceu.

Pelos danos à companhia, Moro fixou pagamento de indenização a Petrobras no valor mínimo R$ 2, 1milhões.


As três procuradoras que integram a força tarefa da Lava Jato Foto: M.Pimenta


DO EL PAÍS

Carla Jiménez

Curitiba

Três mulheres fazem parte do mais famoso time de procuradores do Ministério Público Federal que tem provocado úlceras e calafrios na espinha de políticos e empresários no Brasil. Entre os 14 integrantes da força tarefa que formam a operação Lava Jato, há três representantes do sexo feminino. Laura Tessler, Isabel Cristina Vieira e Jerusa Burmann Viecili estão em Curitiba, sob a coordenação de Deltan Dallagnol, ajudando a destrinchar informações da maior investigação sobre corrupção já feita no país, que já ultrapassou as fronteiras do continente. Isso coloca o trio no olho do furacão de um projeto ousado e numa rotina intensa que tem forçado o país a se repensar. “A corrupção é sistêmica no Brasil e apartidária. Tornou-se tão estruturada no país que acontece em todos os órgãos da administração pública”, diz Viecili, que nasceu em Ijuí, no Rio Grande do Sul, e ingressou na Lava Jato no começo de 2016.
As três procuradoras que integram a força tarefa da Lava Jato
As três procuradoras que integram a força tarefa da Lava Jato M.Pimenta

As três servidoras atenderam a reportagem do EL PAÍS numa sala de reunião do Ministério Público da capital paranaense. A proposta é conhecer as mulheres do núcleo de procuradores que desafiou o status quo brasileiro. O tom sério inicial do encontro é brevemente interrompido quando o fotógrafo do jornal avisa que estará fazendo fotos enquanto concedem a entrevista. “Deixa passar um batom!”, pede uma delas em tom de brincadeira, quebrando o gelo. É a evidência mais clara que estamos entre mulheres. Mas a conversa é retomada rapidamente, e a questão do gênero desaparece. Ao longo de uma hora e vinte e cinco minutos de conversa, elas não olham para o fotógrafo e esquecem o barulho dos cliques que perdurou todo o tempo.

Contar um pouco da evolução das investigações e o modus operandi da equipe é o que de fato motiva o trio a se expor para prestar contas do trabalho da Lava Jato que começou em 2014. Sabem que o apoio da opinião pública é um dos elementos centrais para o sucesso da ambiciosa empreitada assumida pela força tarefa.

Pergunto se há alguma diferença no trato num ambiente onde elas são minoria. “Seria contraditório não ter igualdade se trabalhamos por justiça”, afirma Tessler, uma jovem gaúcha de cabelos loiros, na casa dos 30 anos, que chegou à Lava Jato em agosto de 2015. “Às vezes eles querem invadir nosso banheiro porque a estrutura aqui é deficiente”, graceja Viecili. Mas garante que os colegas são muito cavalheiros.

Vieira é a mais velha do trio. É de São Paulo e passa a maior parte da semana em Curitiba. Tem filhos crescidos, e garante que nunca sentiu diferença em seu trabalho pelo fato de ser mulher. Ressalta, na verdade, que sente-se realizada em atuar no Ministério Público como um agente de transformação da sociedade. “É uma carreira onde podemos nos instruir muito do ponto de vista intelectual, social e humano. Tenho a satisfação de trabalhar na defesa do patrimônio público”, diz.
Isabel Cristina Vieira, procuradora da Lava Jato
Isabel Cristina Vieira, procuradora da Lava Jato M.Pimenta

O idealismo é um traço marcante entre os procuradores da Lava Jato que, goste-se ou não dos seus métodos, trouxe à tona o modus operandi dos esquemas nefastos de poder e colocou a elite brasileira em plano de desespero. “Corrupção não acontece à luz do dia sob holofotes. Acontece na sombra, em hotéis, linguagens cifradas, encontros secretos, pagamentos no exterior, por pessoas interpostas”, afirma Tessler. Ao longo das investigações da Lava Jato, depara-se com algumas cenas de machismo por parte dos investigados. “Vai falar grosso? Eu também sei falar”, disse ela certa vez a uma pessoa que ela não revela quem é.

A equipe trabalha em duplas ou trios dividindo o foco das investigações. O time completo dos 14 procuradores se reúne ao menos uma vez por semana para trocar dados e completar mais uma parte do quebra-cabeça da corrupção brasileira. As procuradoras têm consciência do tamanho da expectativa que o Brasil, exausto das mazelas políticas, depositou em seus ombros. A operação em si não é a solução dos problemas do país, lembra Tessler, uma das responsáveis por desbaratar o departamento de propinas da Odebrecht. “A cultura arraigada é muito mais significativa do que o que revelamos”, avalia. Viecili reforça o argumento da colega. “Não tem como falar se o partido A ou B é maio ou menos corrupto. Todos os partidos se beneficiavam com isso”, diz ela. A procuradora gaúcha tem cabelos lisos negros, e uma tatuagem no pulso escrito “Faith”. Foi a única que deu um minuto e meio ao fotógrafo para fazer uma foto mais posada.

Ao longo da entrevista as três estão compenetradas. O QG da Lava Jato não é propriamente um lugar para informalidades. Ali está a inteligência da investigação que levou bilionários, como Eike Batista e Marcelo Odebrecht, para a prisão, assim como o outrora poderoso, ex-governador do Rio, Sérgio Cabral. Deixou também o Partido dos Trabalhadores de joelhos, e tornou-se o pesadelo do ex-presidente Lula.
Jerusa Viecili, procurada da Lava Jato
Jerusa Viecili, procurada da Lava Jato M.Pimenta

As mulheres da Lava Jato sabem que entraram numa guerra sem precedentes e que de certo mesmo elas só têm a seu favor o apoio da população à continuidade da operação. O movimento contrário de quem deseja vê-las pelas costas é feroz. “Os investigados tentam destruir moralmente os procuradores, e depois vem a enxurrada de leis para tentar tirar os instrumentos de combate a corrupção, para que a lógica de corrupção endêmica se perpetue”, diz Tessler.

Mas como os demais procuradores, elas estão longe de se intimidar, cientes do que está em jogo num horizonte histórico. “É uma ambição arrojada, a de mudar uma cultura”, avalia Vieira. Ela não se ilude de que será possível transformações aceleradas a partir de agora. “Não existem regenerações sumárias, são processos lentos”, completa. Sabem também da necessidade urgente de se mudar leis. Aumentar a pena para crimes de corrupção, e acabar com a prescrição de penas. “Ou se tem cultura que puna esses agentes, ou vai passar a Lava Jato e tudo volta a ser como antes”, sublinha a procuradora.
Laura Tessler, procuradora da Lava Jato
Laura Tessler, procuradora da Lava Jato M.Pimenta

Ao final da conversa, volto a insistir. Como é estar com tantos homens ao redor? “É divertido”, desconversa Tessler. A explicação concisa deixa entrever que no fundo elas não veem diferença na sua atuação pelo fato de serem mulheres. A carreira que abraçaram tem efetivamente mais homens. “Quando prestei concurso 80% dos candidatos eram homens”, lembra Viecili. Antes de chegar à força tarefa, trabalhava na área de crimes financeiros no centro-oeste do país. O fato de ser uma profissão que exige deslocamentos geográficos grandes pode ser um fator de desestímulo para quem tem a maternidade no horizonte de curto prazo. Tessler e Viecili ainda não têm filhos. “Mas isso não é nem nunca foi impeditivo”, afirma Vieira. As mulheres da Lava Jato são mesmo boas de briga.

Precisa dizer mais alguma coisa?

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


JC Teixeira Gomes :um bravo do
jornalismo e da cultura faz 81.


Este texto foi publicado na Tribuna da Bahia, no Blog do Noblat (O Globo) e neste site blog Bahia em Pauta, em 5 de março do ano passado, quando faltavam três dias para a celebração em Salvados dos 80 anos do jornalista João Carlos Teixeira Gomes.

Saiu com a seguinte chamada no BP: “A Brava Travessia”: Os 80 anos e o novo livro do mestre do discurso impresso enquanto a operação Aletheia pega Lula e mexe com os nervos do PT, do Planalto e do País.

Neste 8 de março de 2017, Joca festeja 81 anos. Dois dias antes postei o texto em meu endereço no Facebook, com a seguinte mensagem:
Ontem às 12:32 ·

“O tempo passa, mas a palavra e o pensamento ardentes e vigorosos permanecem atuais . Confiram na leitura do livro de memória ou em “Glauber, esse vulcão”, livros deste imbatível jornalista, poeta, ensaista e romancista que orgulha a Bahia de verdade e da verdade”.

Ontem falei por telefone com o Boca de Brasa do jornalismo baiano. Ele estava a mil, pedindo dicas de livrarias e pontos interessante em Buenos Aires, para onde ele se prepara para viajar.

A seguir, vai republicado no BP o artigo do ano passado. Um tributo com os parabéns e votos de longa vida e caminhos abertos para o amigo do peito do BP ( em especial deste editor) e indomável mestre da palavra .

(Vitor Hugo Soares)

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ARTIGO DA SEMANA

Teixeira Gomes, 80: jornal, livro, marqueteiros, Aletheia

Vitor Hugo Soares

Bate vigorosamente na porta dos 80 o jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes. “Dito assim parece à toa”, mas o verso do samba famoso, sobre feitiço e paixões, me vem providencialmente à memória na incrível sexta-feira (4), da Operação Aletheia (a busca da verdade): vigésima quarta etapa da Lava Jato, conduzida, de Curitiba, pelo juiz Sérgio Moro. Agentes da Polícia Federal chegam no apartamento do ex-presidente Lula, na região do ABC paulista – berço do PT há 36 anos, festejados na semana passada – em cumprimento ao principal dos mais de 40 mandados diversos, no vasto circuito da propina e das suspeitas de perversa corrupção praticada em conluio de agentes públicos e privados, em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

E o que tem a ver com isso Teixeira Gomes, filho orgulhoso e homônimo do lendário goleiro do Esporte Clube Bahia, nos tempos de glória do antigo e extinto Campo da Graça, dos grandes embates do futebol baiano? Perguntarão alguns leitores mais apressados e menos informados. Muito a ver, respondo e garanto.

Conheço tão de perto, e de tão longa data, o personagem principal deste artigo que não tenho dúvidas em afirmar: Joca (assim é chamado, com carinho e admiração), será o primeiro a entender e aceitar as justificativas para a divisão do espaço dedicado a ele, com a operação da PF que mexe com os nervos do PT, do Planalto e do País . Ainda que resmungue, ele conhece, proclama e acata, como poucos da sua profissão e crença no jornal, no livro e na verdade (ontem e hoje ) a força de “Sua Excelência, o Fato”, na sábia denominação de Charles De Gaulle.

Ontem (4) fui tirado da cama, bem cedo, pelo telefonema da vibrante irmã jornalista, que avisa sobre a movimentação “da Federal”. Ligo de imediato a TV no canal privado Globo News.Começo, então, a acompanhar a cobertura nervosa mas eficiente (imagens, informações, comentários opinativos). Logo em seguida, helicópteros começam a sobrevoar bem diante da janela do apartamento onde moro, em um bairro de classe média de Salvador, a poucos metros do heliporto de uma unidade do Exército, na VIª Região. Ultimamente, para mim, este tem sido um termômetro seguro da temperatura política e social. Sinal barulhento de que alguma coisa de grave acontece ou repercute na Cidade da Bahia, de onde escrevo estas linhas semanais.

Na mosca! Ou tiro e queda, se preferirem.

Assim, em meio à tensão e ambiência tão comuns e recorrentes na profissão que abracei, preparo-me para acompanhar, mais uma vez, outra encrenca nacional, com passagem por meu portão. E, ao mesmo tempo, cumprir a pauta que havia me proposto na véspera: compor um perfil pessoal da figura, do caráter profissional e da trajetória de vida de João Carlos Teixeira Gomes, o teimoso e inveterado resistente da imprensa, da cultura, do ensino e das letras em sua terra.

Mestre do discurso impresso da Bahia e do Brasil, que festeja semana que vem (09/03) seu aniversário de nascimento do modo e jeito que ele mais gosta: produtivo, irrequieto, barulhento, provocativo e cercado de polêmicas por todos os lados. O evento comemorativo coincide com o lançamento do novo livro e acontece a partir das 16h30, na Livraria Cultura, do Salvador Shopping.

O último dos moicanos da imprensa de resistência, antes da invasão dos meios de comunicação, em geral, pelos “hunos marqueteiros” (primeiro na Bahia dos anos 70/80 e depois no País), tornando cada vez mais difícil separar o que é informação e o que é propaganda. Notícias ou fofocas. Economia ou negociatas vulgares. Políticos, governantes e homens públicos e estadistas ou meras celebridades e aventureiros de ocasião. Embusteiros, palavra preferida de sua pena implacável para fustigar canalhas. Desvios eticamente intoleráveis, contra os quais JC Teixeira Gomes (como ele assina seus textos ultimamente) briga e se insurge desde sempre.

E assim ele festeja a chegada aos oitenta. Na quarta-feira, 9, coincidindo com a nova idade, vai lançar “A Brava Travessia”: Memórias, Viagens e Artigos do Pena de Aço”.

Gregório de Mattos, o Boca de Brasa, de quem Joca Teixeira Gomes é um dos maiores e mais reconhecidos estudiosos da obra, não teria feito melhor.

“É um longo percurso, marcado por muitos momentos difíceis, pois grande parte da minha militância verificou-se sob a ditadura militar, quando eu chefiava o “Jornal da Bahia”, definiu Joca em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia. Encurto o caminho para não me tornar cansativo e repetitivo. Outros dirão mais e melhor sobre o poeta, o romancista, o ensaísta, o contista, o acadêmico e o professor de inúmeras gerações na UFBA. Vibrante, inspirado, fulgurante no que fala e no que escreve, como assinalou Joaci Góes em artigo brilhante, sobre o aniversariante, publicado na TB.

Diante dos fatos nacionais referidos na abertura deste artigo sobre a Aletheia escolho, antes do ponto final,o João Carlos Teixeira Gomes tempestuoso e profético, o jornalista ao lado do qual caminhei muitas léguas e de cujos ensinamentos e exemplos bebo anos a fio. Orgulhosamente.

O Teixeira Gomes, por exemplo, deste trecho do discurso de saudação na cerimônia de posse de Joaci Góes na Academia de Letras da Bahia (presente o saudoso João Ubaldo Ribeiro), em setembro de 2009:

“O poder no Brasil nunca está a serviço da sociedade e sim de grupos que o detém… Predomina hoje no país, mais do que nunca, a ideologia do oportunismo, acintosa e corrosiva, promovida por conhecidos e diariamente citados políticos desavergonhados, íntimos dos cofres públicos e privados. Só não os cito nominalmente aqui, porque além de notoriamente conhecidos, não pretendo perturbar com revelações óbvias este clima de confraternização e de festa”.

“Mas todo momento é importante quando se trata de denunciar e combater as fraudes das instituições e o esvaziamento da Democracia. A consciência social não pode acomodar-se e deve agir como instrumento de libertação”…

Bravo! Esse é Joca, Pena de Aço, que a Bahia conhece e aprendeu a querer bem e admirar. O Brasil também, mais ainda nesta encruzilhada da travessia de combate contra a corrupção, o embuste e busca da verdade.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Doce França!!! Imenso Trenet!!! Saudade dos dois.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato.
Rosinei Coutinho/SCO/STF

DO EL PAÍS

Gil Alessi

Brasília

A força-tarefa da Operação Lava Jato obteve uma vitória estratégica nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal. A segunda turma da corte, responsável pelos casos ligados à investigação, decidiu transformar em réu o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) com base na acusação, feita pela Procuradoria-geral da República, de que ele teria recebido propina de uma construtora por meio de uma doação legal para sua campanha em 2010. O caso era esperado com ansiedade em Brasília porque pode ser um precedente para uma enxurrada de novas denúncias contra políticos no âmbito da Lava Jato. Com a aceitação da acusação formal contra Raupp, o STF joga por terra a esperança de blindagem dos que se defendiam das afirmações dos delatores do esquema mostrando registros de doações de campanha legais, já aprovadas pela Justiça Eleitoral.

A acusação de que Raupp recebeu R$ 500.000 de propina da construtora Queiroz Galvão para sua campanha está baseada no depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato, e de outros operadores do esquema. Segundo a denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot, aceita pelo Supremo, o repasse de dinheiro fazia parte do acordo político para manter Paulo Roberto Costa no cargo. Com a decisão desta terça, Raupp é o segundo senador a se tornar réu em processo da Lava Jato, ao lado da petista Gleisi Hoffmann (PR).

“Tem sido o entendimento desta corte de que o depoimento de agente colaborador basta para aceitação de denúncia, mas não (para a) condenação”, disse Edson Fachin, o relator da Lava Jato no Supremo. Foi um um duplo recado: aos políticos e também à força-tarefa. Se os primeiros não escaparão de responder legalmente pelas acusações de delatores, os procuradores devem se preparar para provar as denúncias apresentadas.

Na denúncia contra Raupp, Janot compila telefonemas e registros de reuniões para sustentar a acusação feita pelo delator de que o senador e os envolvidos na trama corrupta se comunicavam intensamente. Indícios que quase não escapam do escrutínio de Gilmar Mendes, cujas declarações também dão pistas sobre seu comportamento em casos futuros do escândalo. Mendes questionou a robustez das provas apresentadas pela procuradoria, consideradas por ele “apenas um pouco acima” do mínimo aceitável. “Uma doação feita às claras aumenta o ônus probatório da acusação”, afirmou. O magistrado também disse que a prova de que Raupp “atuou para manter Paulo Roberto Costa em uma diretoria da Petrobras é difícil de ser obtida”. Para ele, o Supremo terá que fazer um “escrutínio severo” com relação àquilo que o Ministério Público Federal afirma terem sido as contrapartidas oferecidas pelos políticos pelos pagamentos recebidos.

No final, o placar na segunda turma do Supremo foi de 5 X 0 pela aceitação da denúncia por corrupção passiva, e 3 X 2 pela aceitação da denúncia por lavagem de dinheiro – Dias Toffoli e Mendes não viram indícios suficientes do crime. “A assertiva dos acusados de que não conheciam a origem espúria dos valores não pode, a meu ver, nesta etapa do processo, ser acolhida”, argumentou Fachin. Seu voto foi acompanhado pelos quatro demais ministros integrantes da instância, ainda que com ressalvas. “A doação oficial, registrada, pode ser sim um instrumento de lavagem de dinheiro”, referendou Celso de Mello.

Coube ao advogado de Raupp, Daniel Gerber, mencionar explicitamente a expectativa em torno do caso, tratado como um marco na Lava Jato: “Estamos diante de um caso que irá gerar jurisprudência não só para a Lava Jato, mas para todos os casos futuros”. O defensor seguiu atacando a afirmação da procuradoria de que houve troca de favores relacionados à doação recebida pelo senador. “Mesmo que Raupp tenha se encontrado com Fernando Baiano [Fernando Soares, lobista ligado ao PMDB e delator], ainda que Maria Cleia [assessora do senador] tenha telefonado, isso prova que houve solicitação de campanha em troca de favor escuso?”, questionou Gerber.

Em nota, Raupp afirmou respeitar a decisão do Supremo, mas disse que continua “a acreditar que contribuição oficial de campanha devidamente declarada, não pode ser considerada como indício e/ou prova de ilicitude”. O senador afirma ainda que todas as contribuições referentes à ação foram feitas ao diretório estadual do PMDB de Rondônia, que “teve todas suas contas aprovadas”.

DEU NO POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)
E o pior ainda está por vir

Desconfia-se que um país está perdido quando um recém-nascido corre o risco de ser expulso de um hospital, seja lá quem tenha “razão”

O alívio, neste caso envolvendo Planserv e Hospital Português, é que o juiz plantonista a quem foi levada questão, José Jorge Lopes Barretto da Silva, decidiu:

“Primeiro, tratamos de salvar vida humana, e somente depois a discussão de questões burocráticas”.

Bagunça na folia

A briga entre governo do Estado e Prefeitura para mostrar serviço se estende a todos os setores, como no caso da Corregedoria da Secretaria da Saúde estadual, que notificou 225 servidores que não cumpriram a escala de plantão do Carnaval.

Para que a ação seja proveitosa, é preciso que sejam divulgados também os resultados da apuração que supostamente será feita sobre essa turma que recebe dinheiro público indevidamente e ainda deixa a população sem atendimento.


Acampada contra a violência machista na Porta do Sol de Madri. Sergio Barrenechea EFE


DO EL PAIS

María Sahuquillo

Madrid

Cento e sessenta e nove anos. Sim, 169. É o tempo que falta para que se alcance a igualdade econômica entre homens e mulheres, uma das variáveis mais mensuráveis do desequilíbrio de gênero. Em pleno 2017, uma radiografia da situação ainda mostra um mundo opressivamente desigual; um planeta que discrimina metade de seus habitantes e no qual elas são muito mais vulneráveis. Em que a cada 10 minutos uma mulher é assassinada por seu companheiro ou ex-companheiro e uma de cada três sofreu uma agressão sexual. Onde recebem menos que seus colegas homens por um trabalho de igual valor e ainda há países que impedem que as casadas tenham passaporte próprio. Por isso, organizações de todo o mundo fizeram um chamado por uma greve no trabalho (parcial, em alguns casos) e suspensão total de consumo e de cuidados no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. E também para que se manifestem para reivindicar igualdade real.
Dia da Mulher 2017
Acampada contra a violência machista na Porta do Sol de Madri. Sergio Barrenechea EFE

Sob o lema #grevedemulheres #womenstrike, programaram paralisações e mobilizações em mais de 46 países, com especial força na América Latina, um subcontinente com graves problemas de violência contra as mulheres e onde, em razão do movimento Ni uma menos (Nem Uma A Menos), a luta pela igualdade ganhou força.

No 8 de março há pouco a celebrar e muito por que lutar, afirma Malgorzata Jonczy Adamska, psicóloga e pedagoga de origem polonesa que vive na Noruega e que, como muitas de suas companheiras, vai apoiar a paralisação. “Toda mulher e menina tem que ter direito à educação, a uma vida sem violência, acesso a anticoncepcionais seguros e baratos e ao aborto seguro”, insiste. Essa reivindicação deveria soar como algo antigo, mas não é assim. Sobre a mesa, a cifra dos assassinatos machistas, o indicador mais extremo da desigualdade de gênero. No Brasil, 13 mulheres são assassinadas por dia. Na Argentina matam uma mulher a cada 30 horas. Na Alemanha são mais de 300 os crimes machistas por ano.

Apesar de terem ocorrido avanços, ainda há países que não possuem uma legislação específica sobre violência contra a mulher. Ou que, como a Rússia, deram um passo atrás: o país descriminalizou parte desse tipo de agressã, apesar de a violência machista ser ali um gravíssimo problema. “Temos o direito de viver tranquilas, sem nos preocuparmos com nossa roupa nem nossos costumes, e eu me nego a aceitar qualquer tipo de maus-tratos machistas”, reclama a ativista russa Tatiana Sukharev, uma das organizadoras da greve no país.

Em pleno século XXI, as paquistanesas casadas não podem registrar um negócio sem a permissão do marido. Nem as congolesas, que, como as nigerinas, também não podem abrir uma conta de banco sem a assinatura de seu cônjuge: a mesma discriminação que enfrentaram as mulheres espanholas durante o franquismo. No Afeganistão, Malásia, Omã, Arábia Saudita, Iêmen e outros 12 países a mulher não pode viajar para o exterior sem a permissão do marido. Em 32 países, as mulheres casadas nem sequer podem ter passaporte próprio (Mali, Jordânia, Iraque, entre outros). Na Bolívia, Camarões e Guiné existem leis que estabelecem que as mulheres casadas precisam da permissão dos maridos para assinar um contrato de trabalho. Em lugares como o Líbano não podem transferir sua nacionalidade aos filhos.

A radiografia é extensa, e continua. Mais de 50 milhões de meninas não vão à escola no mundo –a maioria delas em países da África, segundo dados da Unicef–, um direito fundamental, sem o qual seu futuro estará gravemente limitado. E embora em alguns países o acesso tenha melhorado e as barreiras estejam sendo derrubadas, outros interpõem duros obstáculos no caminho para a igualdade. Como a Serra Leoa e a Guiné Equatorial, onde uma lei proíbe as garotas grávidas de irem as escolas pois podem “contagiar” suas companheiras. Neste último país chegam até a obrigar as menores a se submeterem a um teste de gravidez para poderem se matricular. Em outras nações, essas barreiras não são legais, mas as menores grávidas são tão gravemente estigmatizadas que acabam abandonando a escola. E a imensa maioria nunca volta.

Um duplo castigo em um mundo no qual mais de 220 milhões de mulheres em idade reprodutiva e que convivem com seus parceiros não têm acesso a métodos contraceptivos modernos, embora não desejem engravidar, segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). O aborto é ainda proibido em mais de dez países (cinco deles na América Latina) e os ataques ao direito de a mulher decidir sobre a maternidade não só não cessam, mas recrudesceram.

Os dados não enganam. Em nível mundial, as mulheres só ganham 77 cêntimos para cada dólar recebido pelos homens por um trabalho de igual valor, segundo dados da ONU. Algo que, de acordo com essa organização, é a causa fundamental da desigualdade em termos de renda ao longo de toda a vida. E também da diferença nas aposentadorias. A desigualdade, a discriminação se mantêm até o último momento.

mar
08
Posted on 08-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-03-2017


Samuca, no Diário de Pernambuco

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (LISBOA)

Galã de Vereda Tropical e Guerra dos Sexos, dos anos 80 e 90, aproveita o verão carioca para experimentar novo negócio. Mas, aos 64 anos, diz que a carreira na televisão ainda não acabou

Mário Gomes, galã de telenovelas dos anos 80 e 90 do século passado como “Vereda Tropical” ou “Guerra dos Sexos” e de dezenas de outros folhetins da TV Globo e de outras emissoras brasileiras, aproveita o fim do Verão no Rio de Janeiro para vender hambúrguer e sanduíches numa praia na região da Barra da Tijuca.

“Estou fazendo uma experiência, preparando-me para investir em food truck”, disse ao jornal Extra o ator, hoje com 64 anos, à espera para gravar a terceira temporada da série da HBO “Magnífica 70″. A seu lado, o filho de 10 anos, João, que toca viola para os clientes.

“Ainda não tenho uma clientela fixa mas fico aqui tomando uma cachaça e vendo a praia”, disse ainda Gomes. Numa reportagem do Extra, o ator diz que não desistiu da carreira e que vai dar um curso em breve no Polo de Cinema e Vídeo sobre como criar o próprio canal de televisão.