Temer com Marcela: descanso em Inema
(Base Naval de Aratu)…


…enquanto Rui Costa e ACM Neto medem
força no carnaval baiano de olho em 2018

ARTIGO DA SEMANA

Carnaval chegou: Temer em Inema e a política ferve em Salvador

Vitor Hugo Soares

Aqui e ali, nos diferentes redutos (politizados ou não) do sempre mutante carnaval de Salvador ainda se escutam, neste complicado fevereiro de 2017, os versos do frevo de Caetano, “Deus e o Diabo”. Sucesso do artista compositor de Santo Amaro da Purificação, que Gal emplacou nos anos 70 em estupenda interpretação tropicalista: “Você tenha ou não tenha medo, nego, nega, o carnaval chegou./ Mais cedo ou mais tarde acabo/ de cabo a rabo/ com esta transação de pavor”…

Muita gente pode ter esquecido, ou se faz agora de desentendido, mas não custa lembrar: desde os anos da Tropicália é assim, ao menos na Cidade da Bahia. Muito antes, portanto, da Lava Jato de tantos e tão grandes temores, espalhados país afora, sobre muitas e poderosas cabeças, em tempo de mando da “República desunida do PMDB” (e seus penduricalhos que não contam mais com o tucano José Serra, dolorido na coluna e no espírito) na folia em curso.

Peixes descomunais, do porte de Renan Calheiros, José Sarney, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, e do próprio ocupante principal do Palácio do Planalto – que desembarcou nesta sexta-feira em solo soteropolitano tomado pela grande festa. Já bastante esquentado não só pelos trios e atrações de praxe, mas também pela disputa acesa entre o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM), que levam às ruas, avenidas, ladeiras e becos da cidade (além dos dois ferventes camarotes oficiais armados no Campo Grande), os primeiros blocos e lances de estratégia política mais agressivos daquela que deverá se constituir em uma das mais acirradas e cruciais campanhas estaduais em 2018: a disputa pelo Palácio de Ondina, onde o petista está instalado (sob as bênçãos de Jaques Wagner, Lula e Dilma), com vontade de se reeleger para mais um mandato. Mas Neto, com todas as forças que possa reunir, pretende desalojá-lo “do paraíso das cigarras”, como o notável cronista Raimundo Reis chamava a bucólica residência oficial dos governadores baianos, quando em apuros políticos e administrativos ou em fim de mandato. O que não é exatamente, ainda, o caso do petista Rui Costa.

O presidente Michel Temer e seu novo ministro da Secretaria de Governo, o tucano deputado e ex-prefeito Antonio Imbassahy (substituto de Geddel, outro peemedebista que também anda assustado com operações da PF em seu entorno) são tidos como peças fundamentais do jogo de ACM Neto para o ano que vem.

Na quinta-feira, começo da madrugada, o jornalista e blogueiro insone soube do “bizú” com origem no Palácio do Planalto, confirmado na hora do café da manhã: o presidente , depois da experiência meio frustrante de seu descanso de fim de ano na enseada fluminense de Mangaratiba – celebre, também, desde o tempo do famoso baião de Luiz Gonzaga – optou por passar o período de repouso, durante a festa carnavalesca no País, na exuberante praia de Inema – pedaço terreno do paraíso implantado, caprichosamente pela natureza, na zona suburbana de Salvador. Estará ao lado da primeira dama Marcela, do filho Michelzinho, e da sogra. Tudo sob o céu de verão de fevereiro, na área de segurança máxima da superprotegida Base Naval da Baia de Aratu.

Isso também, até onde os fatos apontam e a vista alcança, nada tem a ver com a Lava Jato, ou outros braços mais recentes da histórica e referência operação-mãe conduzida pelo juiz federal Sérgio Moro: incansável, ágil e eficiente como jamais se viu por estas bandas, na investigação, julgamento e punição de corruptos e corruptores, nas áreas pública e privada. Na verdade, em relação à preferência presidencial pela praia baiana, rodeada por verdejantes pedaços do que restou da devastada Mata Atlântica, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso é assim. Aliás, foi o tucano quem lançou a moda de Inema como recanto de preferência presidencial para períodos de descanso.

Moda seguida depois, com os devidos toques e arranjos petistas, por Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A casa em que Temer se hospeda, desde ontem, fica em terreno isolado, longe das lentes dos fotógrafos e das vistas dos repórteres, o que não significa, evidentemente, que não irão rolar muitos bastidores, como sempre. “O local foi reformado em 2011, para receber Dilma, filha , neto e parentes. O imóvel, com piscina, passou naquele ano por uma ampla reforma e foi equipado com móveis novos. O governo teve o desembolso de R$650 mil”, conta a atenta repórter política Patrícia França, no jornal A Tarde.

O governador Rui Costa se esquiva quando o assunto é a presença de Temer na Bahia. O prefeito ACM Neto é bem mais expansivo sobre o tema. Em A Tarde, o líder maior do DEM no estado, revelou que não irá à Base Naval de Aratu, e, “até segunda ordem”, não tem encontro previsto com o presidente, “que vem para descansar”. Mas fez questão de pontuar, no meio dos confrontos carnavalescos com o adversário petista que governa o estado: “Eu tenho com o presidente um diálogo permanente sempre. Falei com ele essa semana e na semana passada. E ele sabe que se quiser qualquer coisa, pode me ligar”.

Tacada certeira em plena folia baiana. Ou não?. Responda quem souber. Evoé Momo! Bom Carnaval!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


Para todos os que amam e brincam o verdadeiro carnaval da Bahia.

BOM DIA!!! BOA FOLIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

fev
25


DO EL PAIS

Afonso Benites

BRASÍLIA

A sexta-feira de Carnaval foi um dia atípico no centro do poder brasileiro. Enquanto o Congresso Nacional estava às moscas, auxiliares do presidente Michel Temer (PMDB) praticamente sambavam em busca de explicações sobre o relato que atingiu em cheio o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e ameaça chegar ao chefe do Executivo. As justificativas iam do formal “por enquanto, nada a declarar” ao “isso não tem nenhuma relação com o presidente”. Só no fim da tarde, apareceu uma nota de defesa.

Na quinta-feira, o advogado José Yunes ex-assessor especial da presidência da República e amigo de três décadas de Temer, afirmou que foi usado pelo ministro Padilha para carregar um pacote com dinheiro ilícito para ele. Antes da publicação das reportagens na revista Veja e no jornal Folha de S. Paulo que detalharam o assunto, Yunes prestou um depoimento voluntário à Procuradoria Geral da República. O relato corrobora uma das delações de ex-executivos da Odebrecht que informaram terem pago caixa dois para Padilha na eleição de 2014.

No mesmo dia, o ministro entregou um atestado médico para se afastar temporariamente do cargo porque terá de passar por uma cirurgia para a retirada de próstata. Nesta sexta-feira, Temer emitiu uma nota para dizer que, enquanto presidiu o PMDB, obteve doações oficiais no valor de 11,3 milhões de reais da Odebrecht ao seu partido em 2014 e não autorizou nenhuma ação ilegal de seus subordinados. “É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio”, diz trecho da nota da Presidência.

A oposição se animou com a revelação de Yunes e pediu a demissão de Padilha. Mas, se levar em conta o que prometeu há poucas semanas, Temer não demitirá tão cedo seu chefe da Casa Civil. Segundo ele próprio anunciou, no âmbito da operação Lava Jato só serão afastados os ministros que forem denunciados pelo Ministério Público Federal e, demitidos, os que tiverem a denúncia aceita, ou seja, se virarem réus.
Crise se avizinha

Oficialmente, dentro do Planalto, os discursos são de que a atual gestão não enfrenta uma crise política, mas alguns movimentos mostram que se ela não foi instalada, isso está próximo de ocorrer. Desde que assumiu a presidência ainda como interino, Temer já perdeu seis ministros por conta de investigações ou escândalos internos. Os mais relevantes foram o seu amigo pessoal Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Governo). Ambos foram deputados por vários anos e articularam intensamente o impeachment de Rousseff.

As preocupações que atingem agora o presidente têm a ver não só com a bomba lançada pelo seu amigo Yunes, mas também com duas escolhas de novos auxiliares. Ao nomear o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o ministério da Justiça, Temer recebeu uma saraivada de críticas do vice-presidente da Câmara e coordenador da bancada de Minas Gerais, Fábio Ramalho (PMDB-MG), que prometeu romper com a gestão de seu correligionário e diz que tentará convencer outros aliados a seguirem o mesmo rumo. O descontentamento dele é de que o presidente não dá representatividade ao seu Estado em seu primeiro escalão.

Além disso, ao nomear um peemedebista para a vaga da Justiça que era ocupada pelo PSDB com Alexandre de Moraes, o presidente deixou parte dos tucanos descontentes. Essa frustração está tendo de ser contornada com a escolha do substituto de José Serra (PSDB-SP) no Ministério das Relações Exteriores.

A inesperada demissão de Serra, que alegou motivos de saúde para retornar ao Senado, fez com que vários tucanos se movimentassem para substituí-lo. Nomes de dois senadores já foram cotados: Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Antonio Anastasia (PSDB-MG). Correm por fora dois funcionários de carreira do Itamaraty, o embaixador Sergio Amaral, que têm as bênçãos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem foi porta-voz, e Fred Arruda, atual assessor internacional da presidência.

Nesta sexta-feira, a prisão de dois lobistas suspeitos de operarem a favor do PMDB também trouxe mais uma preocupação para Temer e seu partido. A suspeita da Polícia Federal é que Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, tenham distribuído 40 milhões de reais em propinas para peemedebistas. Ambos foram detidos nos Estados Unidos porque naquele país são suspeitos de irregularidades em seus documentos de migração. Jorge Luz é considerado o decano dos lobistas da Petrobras, atuando no órgão desde o governo de José Sarney, no fim da década de 1980, até a gestão Dilma Rousseff.

DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Isto é o que somos

A Secretaria de Cultura, por definição, cuida dos negócios da cultura – negócios no bom sentido. E cultura é algo quer se cultiva. Poderiam ser hortaliças. No presente caso, é arte.

Artistas emanados das camadas mais oprimidas e viscerais do imenso grupo social que formamos deram na telha e resolveram compor músicas e coreografias que incentivariam “a violência física, moral e psicológica ou a desvalorização das mulheres, LGBT e negros”.

A política cultural estatal ou individual – da Secult ou de Jorge Portugal – não bate com a própria essência da cultura, que necessariamente expressa a sociedade em que ocorre e se forma.

É de duvidar que alguma autoridade na área, dentro ou fora dos poderes governamentais, venha a ter o dom de identificar o que é ou não digno de fazer parte de um acervo cultural.

fev
25
Posted on 25-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-02-2017


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Carvalhosa a O Antagonista: “Bruno é um criminoso absolutamente perigoso”

O brilhante jurista Modesto Carvalhosa considera a soltura de Bruno “um acinte”.

“Estamos realmente diante de um desafio para a ordem social. Soltar um criminoso com esse requinte de perversidade é uma ofensa à sociedade.”

O jurista contesta a interpretação de Marco Aurélio Mello, que mais cedo disse o seguinte a O Globo: “O homicídio geralmente é praticado por um agente episódico, por motivação na base da emoção, da paixão”.

“O que Bruno cometeu não foi crime passional. Crime passional coisa nenhuma. O que Bruno cometeu foi crime de bando. Ele reuniu várias pessoas para matar e depois esconder o cadáver. Não tem nada de passional nisso. Bruno é um criminoso absolutamente perigoso.”