DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Nilo desistirá da reeleição na Assembleia

O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo, irá anunciar a desistência de sua candidatura à reeleição, segundo informou a Por Escrito uma fonte muito próxima do parlamentar.

A decisão foi tomada esta noite, após uma audiência de Nilo com o governador Rui Costa. Pouco antes, a bancada do PCdoB havia recuado do apoio que lhe havia manifestado para ficar com o deputado Angelo Coronel, alegando a necessidade de preservar a unidade da base do governo.

O Amor Em Paz (Once I Loved),Cannonball Adderley, em homenagem ao Rio de Tom!

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)


DO EL PAÍS

María Martín

Rio de Janeiro

Poucas pessoas encarnam a rápida ascensão e queda do Brasil tão bem quanto Eike Batista, preso nesta segunda-feira, acusado de alimentar um suposto esquema corrupto, liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral. Quando o país ia de vento em popa, ele adquiria e desperdiçava milhões, conquistava acionistas do mundo todo com a promessa de lucro futuro de seus negócios que englobavam petróleo, construção naval e minas de ouro. Fez fortuna a um ritmo vertiginoso e finalmente ganhou poder e influência. Dono de 34 bilhões de dólares (107 bilhões de reais), o empresário foi eleito pela Forbes o sétimo homem mais rico do mundo em 2012. Um ano mais tarde, como presságio do que chegaria para a economia brasileira, a ambição e o otimismo o arrastaram para uma bancarrota multimilionária: havia prometido três vezes mais petróleo do que era capaz de produzir.

Nos últimos meses, Eike tentava renascer como empreendedor de sucesso num país que atravessa a pior recessão em 30 anos e que enfrenta pela primeira vez a corrupção institucional. Durante uma época, porém, parecia que Eike podia vender tudo. Até a si mesmo: vendia-se com sabedoria como um empresário que triunfara com o próprio suor, alguém que havia feito sua primeira fortuna extraindo ouro na Amazônia aos 22 anos. Não dizia que seu pai, ex-ministro de Minas e Energia e ex-presidente da segunda maior empresa mineradora do mundo, a antes pública Vale do Rio Doce, talvez tivesse alguma coisa a ver com a sua sorte. “Me considero um criador de riqueza, como um compositor compõe a música. As minhas notas, por acaso, são dinheiro”, dizia em 2012 em entrevista ao Fantástico.

Eike tinha esse tipo de personalidade que seduz os biógrafos. E assim, o personagem foi ganhando da pessoa real. Os políticos o disputavam, e eram comuns suas fotos com os ex-presidentes Lula e Dilma. Todos eles queriam seus milhões, e Eike precisava da chancela institucional e dos contratos públicos. Ele foi generoso com todos, sem importar a ideologia. Foi precisamente essa proximidade que o levou para trás das grades. Mecenas da carreira política de Sergio Cabral, é suspeito de simular a venda de uma mina de ouro para repassar ao ex-governador 16,5 milhões de dólares (cerca de 52 milhões de reais) em propinas. Àquela altura, no entanto, havia sido transformado num fenômeno, um exemplo a ser seguido. Amado por Wall Street, mimado por ministros, aplaudido pela imprensa local, parado nas ruas por fãs que lhe pediam autógrafos.

Discreto nos seus inícios, começou a ser reconhecido por sua vida sentimental, no anos 90. Mais concretamente por romper a promessa de casamento com Patricia Leal, uma rica herdeira do Rio, e se casar com Luma de Oliveira – atriz coadjuvante da Globo, que tinha ficado famosa por desfilar de topless num carnaval no final dos anos oitenta.

Eike cancelou a boda com Patricia em setembro de 1990. Casou-se quatro meses depois com Luma, justamente no dia do aniversário da antiga noiva. Luma estava grávida do primeiro filho. Especulou-se muito sobre os ciúmes que o torturavam, quando ele mesmo aceitava ficar em segundo plano e se descrevia como “o marido de Luma”. Mas a exuberante atriz parecia parte do seu patrimônio. Na festa de lançamento de uma edição da Playboy em que Luma posou nua, a roupa interior dela tinha costuradas as iniciais do empresário. No carnaval de 1998, ela voltou a desfilar, desta vez com uma coleira no pescoço com o nome Eike escrito com diamantes. No final, foi uma infidelidade que terminou com o casamento. Naquela época, o empresário já parecia ter esquecido o que era discrição. Usava constantemente o Twitter para se promover e decorava a sala de sua casa com uma Lamborghini e um Mercedes.

Outro episódio que rodou o Brasil teve como protagonista o filho mais velho de Eike, Thor Batista, que, em março de 2012, atropelou e matou um ciclista no Rio. O jovem, que circulava a cerca de 110 quilômetros por hora, foi finalmente absolvido em 2015, mas o pai tinha certeza da inocência do filho muito antes. “A imprudência do ciclista causou, infelizmente, a sua morte. Mas podia ter levado três pessoas [Thor e o amigo que estava com ele no carro]“, disse à Folha depois do acidente.

Eike, aliado dos políticos

Eike era protagonista habitual de fotos oficiais com a cúpula política do Brasil, mas sua influência ia além dos flashes. Amante do Rio, ele se envolveu em importantes projetos que deram impulso à carreira de seus padrinhos no poder. Patrocinou com mais de 20 milhões de reais a candidatura dos Jogos Olímpicos de 2016, assim como os projetos de pacificação das favelas cariocas, hoje também em decadência. Quando seu império tremeu, multiplicaram-se as mensagens de otimismo de autoridades apostando em sua recuperação. Seus antigos aliados temem agora que Eike cumpra com sua ameaça feita horas antes de ser detido: “Vou contar como são as coisas. É hora de ajudar a passar as coisas a limpo ”.

Hoje, Eike, que calculava que em 2016 seria o homem mais rico do mundo, teve seu caro e artificial cabelo raspado ao entrar na prisão. E ali, careca como outro detento qualquer, assiste ao que se perfila como o último episódio de uma vida de sucesso que muitos brasileiros quiseram ter

jan
31
Posted on 31-01-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-01-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Régis garante oposição unida na Assembleia

Embora não haja chegado a um consenso na reunião com o prefeito ACM Neto sobre o nome que apoiará para presidente da Assembleia Legislativa, a oposição vai votar unida na eleição, quarta-feira próxima.

A garantia é do líder da bancada, Sandro Régis, para quem “foi um encontro produtivo”, em que foram avaliados os três candidatos – Angelo Coronel, Luiz Augusto e Marcelo Nilo –, com os quais haverá nova rodada de entendimentos.

A busca pelo consenso se dará em reunião a realizar-se até quarta-feira, desta vez sem a participação do prefeito. Dois parlamentares da minoria – Samuel Júnior e Targino Machado – já haviam anunciado o apoio à reeleição do presidente Nilo, restando 19.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Como assim, Michel Temer?

Eliseu Padilha foi escalado por Michel Temer para fazer a triagem dos candidatos a ministro do Supremo, diz a Época.

Como assim?

Padilha está enrolado na Lava Jato e vai participar da escolha do juiz que pode vir a julgá-lo?

Gilmar Mendes vai ajudar na triagem.

Como assim?

O favorito de Mendes é Ives Gandra Martins Filho, que dá aulas na faculdade de Mendes em Brasília. Isso não é conflito de interesses?

Roberto Goyeneche – Viejo Buenos Aires

Viejo Buenos Aires…
Cómo has cambiado
Rincón de mis amores
Sueño de tus albores
Que hoy despierta
En tu grandeza
Y en tus honores,
Que escondieron
La tristeza
De tus cantores,
Que ya no se oyen más…
Dónde estarán

Oh!… Mi buenos Aires
Creciste en luces
Como buscando el cielo…
Tan sólo te quedó
Del tiempo aquel,
La voz de Carlos Gardel…

Ayer rodaba en tus tangos,
El fango
De Villa Crespo y Pompeya…
El tiempo nada dejó,
Y en tu brillar de estrellas.
Todo cambió.
Calle Corrientes.
Dulces musas de bohemia.
Quiero amarrado vivir
A tu querer, hasta morir.
Mi Buenos Aires
Cuando te vuelva a ver.
===========

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Polícia Federal em Buenos Aires.
Télam archivo

DO EL PAIS

A Argentina nasceu como uma terra aberta aos imigrantes que chegavam de todo o planeta. A Constituição de 1853 deixa isso claro em seu preâmbulo, quando explica seu objetivo principal: “assegurar os benefícios da liberdade, para nós, para nossa posteridade e para todos os homens do mundo que queiram habitar em solo argentino”. “Os escravos que entrarem, qualquer que seja o meio, ficam livres somente pelo fato de pisar o território da República”, acrescentava em seu artigo 15, para o caso de haver dúvidas sobre a intenção de terra de acolhimento. Ainda hoje continua sendo um dos países mais abertos do mundo, e o que tem mais estrangeiros da América do Sul. As leis ajudam: saúde e educação gratuitas para todos, fronteiras abertas. Mas também a Argentina está mudando.

O Governo de Mauricio Macri, em um ano eleitoral e com uma sociedade amedrontada pela insegurança, encontrou um culpado: os estrangeiros. O Executivo anunciou um decreto que promete controles mais fortes nas fronteiras e nos aviões, para evitar que entrem pessoas com antecedentes penais, e expulsões mais rápidas dos criminosos. O Executivo insiste em que não pretende estigmatizar os imigrantes nem culpá-los pelos crimes, e lembra que no ano passado, já com Macri, foram naturalizados 215.000 estrangeiros. Além disso, explicam, vão acolher refugiados sírios, quando muitos outros países os rechaçam. “Não somos como Donald Trump. Temos uma ideia oposta. A Argentina é um país aberto”, afirma a vice-presidenta, Grabriela Michetti. Mas diversas organizações e opositores deram o alarme.

A Argentina tem 4,5% de imigrantes e em suas prisões os estrangeiros são 6% do total. Não parece uma cifra alarmante. No entanto, no decreto que muda as normas imigratórias, publicado nesta segunda-feira, o Governo Macri dá outro dado, centrado somente nos presídios federais, para apontar os estrangeiros como responsáveis pelos crimes mais graves, e em especial o narcotráfico: “A população de pessoas de nacionalidade estrangeira sob custódia do Serviço Penitenciário Federal aumentou nos últimos anos até alcançar 21,35% da população carcerária total em 2016. Nos delitos vinculados ao narcotráfico, no total, 33% das pessoas sob custódia do Serviço Penitenciário Federal são estrangeiras”.

A mensagem política é muito clara. “Para cá vêm cidadãos peruanos e paraguaios, e acabam se matando pelo controle da droga. Muitos paraguaios, bolivianos e peruanos se comprometem, seja como donos do capital ou como mulas, como motoristas ou como parte de uma rede, com os assuntos do narcotráfico”, afirmou a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, provocando os protestos de vários desses países. Mas os culpados dos últimos crimes que causaram impacto na sociedade eram todos nascidos na Argentina.

A reação não é nova. Nos últimos anos os governantes argentinos recorrem a este assunto com frequência. Cristina Kirchner, em outubro de 2014, também encontrou nos estrangeiros um inimigo com benefícios eleitorais: “Serão expulsos os estrangeiros que forem surpreendidos cometendo um delito e não poderão voltar a entrar por 15 anos”, anunciou então a ex-presidenta. Algo parecido ao que agora afirma Macri. Deu em nada. As promessas de endurecimento de leis sempre recebem um apoio entusiasmado entre uma população assustada — basta ver as redes sociais argentinas nestes dias —, embora os efeitos reais costumem ser muito limitados. Os especialistas insistem em que a insegurança tem motivos muito mais profundos, relacionados sobretudo com a pobreza e a desigualdade.

Entretanto, a cultura da imigração está incrustada em cada sobrenome, em cada história familiar. “De onde vêm os argentinos? Descendem dos barcos”, se escuta com ironia em Buenos Aires. Até o presidente Macri é filho de um italiano que chegou com 18 anos para fazer a vida em Buenos Aires e construiu um império. Mas a Argentina vive um momento complicado e muitos cidadãos apostam na via fácil de culpar os estrangeiros. A sociedade, especialmente nos arredores das grandes cidades, como Buenos Aires, Rosário e Córdoba, vive em permanente estado de alerta. Cinco canais de televisão 24 horas transmitem durante todo o dia os últimos detalhes dos assassinatos mais escandalosos, quase sempre por roubos. Um adolescente de 14 anos em mãos de outro de 15, uma grávida de 15 anos por dois garotos de sua idade.

Desde a crise de 2001, a Argentina, antes tão diferente do restante do continente, foi se aproximando pouco a pouco de seus vizinhos. Continua muito longe das cifras de um continente onde 135.000 pessoas foram assassinadas em 2015, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Está na parte mais baixa da tabela, com seis homicídios para cada 100.000 habitantes, em comparação com os 84 de Honduras, 53 da Venezuela e 31 da Colômbia. Mas a Argentina se compara consigo mesma de 20 anos atrás, e não com a América Latina, e o terror aumenta. “Há seis anos aqui se podia sair para tomar mate na calçada. Há apenas seis anos. Agora isto é um inferno”, explica Micaela, de 22 anos, em La Tablada, o bairro mais perigoso de Rosário. O que mais assusta é que é um fenômeno relativamente novo.

A classe média alta e os ricos reagem contratando guardas de segurança 24 horas ou se mudando para condomínios fechados, rodeados de cercas eletrificadas e arame farpado, autênticas fortalezas onde cada visitante tem que aceitar que seu carro seja revistado e o bagageiro, aberto, se quiser ir à casa de um amigo. Os empregados têm as bolsas revistadas ao sair, para ver se levam algo. Os pobres, os mais afetados, pois os delitos mais graves ocorrem em seus bairros, reagem com desespero e com uma proliferação de armas inédita em um país historicamente muito tranquilo. E a classe média urbana, o bolsão de eleitores onde Macri construiu sua vitória, exige que alguém faça algo já.

Quando o presidente vai periodicamente a um bairro e começa a bater na porta das casas, o chamado “timbreo” (tocar a campainha das residências), uma invenção de seu guru equatoriano Jaime Durán Barba, os moradores lhe falam quase unicamente da insegurança. Aos dados reais se soma a sensação que transmitem os meios de comunicação que dão prioridade a esse assunto. Cada novo acontecimento multiplica o efeito. Macri, como antes fez o kirchnerismo, distribui cada vez mais policiais. Mas não basta. Luta contra sua corrupção. Mas tampouco é suficiente. Os crimes escandalosos continuam. E o presidente, em ano eleitoral, recorreu ao último cartucho: o inimigo externo. A campanha eleitoral promete ser longa e complicada.


Eike se entrega à PF do Rio e vai
para o presídio Ari Franco..


…e moro de volta ao batente na Lava Jato.


ARTIGO DA SEMANA

País de escândalos: da “Mandioca” à “mina de ouro” de Eike – Cabral

Vitor Hugo Soares

Quando o “Escândalo da Mandioca” comandava quase todas as conversas e ocupava praticamente todos os espaços da comunicação – no jornal, televisão e rádio – lá pelo final dos anos 70, eu andava pelas ruas de Montevidéu, a caminho de Buenos Aires, de férias do Jornal do Brasil. O esquema, neste caso histórico e emblemático da corrupção no país, consistia no desvio de empréstimos concedidos pela agência do Banco do Brasil, em Floresta do Navio (PE), para o cultivo de mandioca, feijão, cebola, melão e melancia. O dinheiro era usado para comprar imóveis caros, automóveis de ponta, viagens de turismo, compra de mais terras e farras à tripa forra.

O caso é longo, grave e cavernoso. Basta assinalar aqui que, no meio das investigações, foi assassinado o procurador da República, Pedro Jorge de Melo, depois de fazer a denúncia e cobrar apuração da fraude bilionária. Tudo (ou quase) está contado nos arquivos dos jornais, a começar pelo JB onde eu trabalhava, que fez uma das mais completas coberturas do assunto.

Foi então que conheci o jornalista Paulo Cavalcante Valente, no hall do hotel onde eu estava hospedado, bem no centro da capital uruguaia. Não por mero acaso, mas por indicação do saudoso advogado, compadre e melhor amigo de sempre, Pedro Milton de Brito, duas vezes presidente da seccional baiana da OAB e um dos mais competentes, éticos e corajosos membros do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília, desde então.

A recordação me veio na quinta-feira, 26 deste mês, quando a memória fervilhava à procura de assunto para este artigo semanal. Ao mesmo tempo em que agentes da Polícia Federal davam uma batida em regra na mansão do empresário Eike Batista, no Rio de Janeiro, de onde o principal procurado da operação Eficiência conseguiu escapar, sabe-se lá por quais desvãos. A PF, desta vez, investiga indícios de que Eike, em 2010, pagou a Cabral 16,5 milhões de dólares em propina. O engodo criminoso foi disfarçado de legalidade com um contrato de compra e venda de uma mina de ouro que jamais existiu. A transação foi fechada entre a empresa Centennial Asset Minning Fuind Lic, uma holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados, que recebeu os valores ilícitos num a conta no Uruguai, em nome de terceiros mas à disposição de Sérgio Cabral.

Bingo!: “A Lava Jato segue viva e atuante, graças a Deus!”, pensa e vibra este jornalista ateu que acredita em milagres. Ainda bem, porque na quarta-feira (25), o levantamento da organização não governamental Transparência Internacional apontou que o Brasil fechou 2016 no 79° lugar do ranking sobre a percepção da corrupção no mundo, composto por 176 nações. Os dado demonstram quão insidioso é o mal e seu avanço no mundo. É aviso de que entre nós é preciso preservar e dar força ao combate inteligente, técnico, amplo e implacável da praga inclemente da corrupção, como tem tem feito a Lava Jato em sua marcha exemplar a cada nova operação que desenvolve, como a desta semana no Rio.

O meu encontro com o jornalista e ativista, dos anos 70, foi quase marcado. Pedro Milton se hospedara antes no Balfer Hotel, uma espécie de reduto especial da primeira leva de exilados que deixaram o Brasil na companhia do deposto presidente constitucional, João Goulart, e do ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. “Não deixe de procurar Dagoberto Rodrigues e Paulo Valente e dar um abraço que mando da Bahia”, pediu o ex-presidente da OAB-BA, às vésperas do embarque para a beira do Rio da Prata.

Pode parecer estranho para alguns, mas considero natural que estas recordações me tenham ocorrido nesta semana final do primeiro mês de 2017, tantas décadas depois. Em plena era do Petrolão – e das inúmeras tretas e armadilhas que parecem cercar e tentar barrar a Lava- Jato, ou criar estranhas e submersas dificuldades ao prosseguimento do mais crucial processo de apuração, julgamento e punição de corruptos e corruptores da história do país (nos âmbitos público e privado). Tudo agravado pelas decorrências (as normais e as fabricadas por interesses estranhos e difusos) do recente desastre aéreo em que morreu o ministro Teori Zavascki, relator do processo no STF .

Paulo Valente (gostaria muito de ter notícias dele agora, pois perdi o seu contato no Rio) exercitava em seu desterro, com muito bom humor e perspicácia, a extrema capacidade de observador da psicologia e das relações humanas, naquele incrível, tenso e contraditório período da vida ao sul da América. Principalmente dos chamados “turistas do milagre brasileiro”, na era Garrastazu Médici – Delfim Neto (ministro da Economia) que então desembarcavam em levas nas florescentes e livres capitais do Uruguai e da Argentina.

Logo no primeiro encontro perguntei se poderia sair tranqüilo com Margarida, à noite, pelas ruas de Montevidéu. O alagoano de voz de trovão, sotaque de misturas do falar nordestino, carioca e o castelhano de sua terra de desterro, olhou para mim com um riso irônico primeiro, depois gargalhou, e deu a lição inesquecível. “Claro que pode, afinal de contas, o que é que vocês vêm fazer aqui? A televisão e os jornais dizem que o Brasil mudou, é novo paraíso, a terra do “milagre econômico”. E cutucou: “Mas não parece: o brasileiro aqui anda tenso e sempre em ataques de nervos. Dá dez passos na rua e parece tomar um susto. Bate a mão no bolso da calça, para saber se a carteira ainda está lá. Vivem com medo de ladrão!”.

E arrematou: “outra coisa que tenho observado, em quem chega de lá, é a capacidade de tolerar escândalos. O noticiário está cheio, e cada turista tem um caso de corrupção para contar. Um escândalo substitui o anterior, e tudo parece seguir igual. Agora é a vez deste “escândalo da Mandioca”, quando teremos o próximo?”, perguntou Paulo, há mais de 40 anos!

Tanto tempo e inumeráveis escândalos depois, chegamos à era do Petrolão, quando a Lava – Jato sofre baques, mas sinaliza andar no prumo: o ex magnata, que virou fugitivo, acaba de se entregar à Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, 30, no aeroporto do Rio, ao retornar dos Estados Unidos para prestar contas à Justiça. E Sérgio Cabral passou na penitenciária de Bangu a data de seu aniversário, nesta sexta-feira, 27 de janeiro de 2017. Que siga assim, pelo tempo que for preciso, para desespero e desgraça dos corruptos e corruptores e para o bem da nação.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Águas turvas da folia

Pensa que corrupção no Brasil é só coisa de peixe grande? Pois o presente da mãe d’água, manifestação religiosa quase secular no Rio Vermelho e hoje conhecida como festa de iemanjá, transcorrerá este ano sob queixa na polícia.

Em caso que o Ministério Público levou à delegacia do bairro, pescadores acusam o presidente Marcos Antonio Chaves de apropriação indébita, falsidade ideológica e – sacrilégio inominável – venda de oferendas dadas por fiéis à rainha do mar.