
===============================================================
Crônica / Identidade
O iluminado de Arapiraca
Janio Ferreira Soares
Não sei se você tomou conhecimento da façanha de Ricardo Sergio Freire, um falsário que foi preso em Recife quando tentava aplicar mais um golpe, dessa vez usando uma carteira de identidade com a foto do ator Jack Nicholson. No documento, o genial protagonista de clássicos como O Estranho no Ninho e O Iluminado, atuava no papel de João Pedro dos Santos, natural de Arapiraca, possivelmente um próspero agricultor de fumo de rolo alagoano. O problema de Ricardo foi ter encontrado um gerente cinéfilo, que imediatamente chamou a polícia quando viu que aquele pernambucano de rosto redondo estava mais para Danny DeVito do que para o astro de As Bruxas de Eastwick.
Pensando bem, deve ser uma ótima terapia você acordar, se olhar no espelho e dizer algo do tipo: “bom dia, Alain Delon, que tal uma Catherine Deneuve ao cair da tarde?”, e depois sair para a batalha com a segurança de quem carrega no bolso alguém com um charme infinitamente superior ao que a vida lhe reservou.
Esse procedimento deveria ser adotado por certos políticos, que finalmente teriam a chance de assumir suas personalidades alternativas. João Henrique, por exemplo, nessa fase “não sei bem quem sou”, poderia aceitar o que dele dizem e fazer alguns documentos com fotos de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Já a presidente Dilma ficaria muito bem com um crachá de Pereirão no pescoço, o que a deixaria a vontade para realizar seu recorrente desejo de meter uma chave de grifo na cabeça de ministros, políticos e afins. Serra, para mostrar-se moderno, usaria um de Aécio (de sunga), enquanto Wagner colocaria um com a foto de Eduardo Campos, quando fosse falar com Dilma sobre ministros e investimentos na Bahia.
A propósito, estou pensando em fazer um crachá de Sergio Leone, só para me sentir dirigindo Claudia Cardinale em Era Uma Vez no Oeste; outro de Woody Allen, idem, por Scarlett Johansson em Match Point; um de Vinicius de Moraes, com um velho calção de banho, vadiando em Itapoã; e um de George Clooney, sorrindo, para usar numa tarde de um domingo azul.

Assange quer uma vaga parlamentar na Australia
===========================================================
DEU NO DIARIO DE NOTICIAS (PORTUGAL)
O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, vai candidatar-se ao Senado australiano, anunciou hoje a organização através do Twitter.
O sítio WikiLeaks disse que a atual situação legal do australiano de 40 anos não o impede de concorrer às eleições e disputar um lugar na câmara alta da Austrália.
“Descobrimos que é possível a Julian Assange candidatar-se ao Senado australiano enquanto estiver detido. Julian decidiu concorrer”, escreveu a organização no Twitter.
O portal WikiLeaks informou ainda que Assange estaria interessado em candidatar-se ao cargo de primeiro-ministro atualmnente ocupado por Julia Gillard, nas eleições previstas para 2013.
“O estado pelo qual Julian irá candidatar-se será anunciado no devido tempo”, acrescentou o WikiLeaks.
O Governo australiano já criticou o portal diversas vezes, com Gillard considerando a divulgação de telegramas diplomáticos norte-americanos como “extremamente irresponsável”.
=================================================================
Opinião Política
Democracia limitada
Ivan de Carvalho
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu, pela apertada maioria de quatro votos contra três, que também o Twitter não pode ser usado para propaganda eleitoral fora do período que a lei a permite e que começa em 6 de julho.
A decisão foi tomada em um caso específico, um recurso do ex-deputado Índio do Brasil, que foi candidato a vice-presidente da República na chapa liderada pelo tucano José Serra. Ele foi multado em 5 mil reais e recorreu.
O TSE, mesmo dividido, decidiu que o Twitter, apesar de suas características específicas, está incluído na proibição legal do que se convencionou chamar de “propaganda eleitoral antecipada”, essa coisa estranha que o Congresso Nacional inventou, principalmente para proteger seus deputados e senadores.
O ex-candidato havia apenas postado no Twitter a informação de que iria ser o candidato a vice-presidente, o que, a rigor, nem chega a ser uma propaganda – no sentido de proselitismo eleitoral –, mas uma comunicação de utilidade pública aos internautas que concordassem em recebê-la. Só acessa a conta de Índio do Brasil quem quer. Quatro dos sete ministros do TSE privilegiaram a letra da lei e uma interpretação restritiva, em detrimento do livre arbítrio dos cidadãos internautas. O significado da decisão é o de que ficou definido que, na prática, as chamadas “redes sociais” da Internet, caracterizadas pela comunicação entre indivíduos, ficam enquadradas nas limitações legais à propaganda eleitoral.
Mas talvez o erro principal não seja o da limitação específica imposta às redes sociais, mas simplesmente o da limitação, principalmente no tempo (talvez se devesse discutir os recursos financeiros usados), da propaganda eleitoral, o que inclui até um simples pedido de voto ou mera comunicação de que é candidato.
Se um pretendente a candidato não pode informar isto no Twitter, certamente não pode também numa entrevista a uma emissora de rádio ou televisão. Estas duas mídias são uma concessão do Estado? O Twitter não é, a Internet não é. Se proíbem aí, um passo a mais e ninguém poderá dizer que é candidato e um partido não poderá também dizer que tem um determinado candidato nem mesmo em um jornal, uma revista, que não são concessões do Estado. Ainda não, pelo menos, apesar das investidas dos defensores do “controle social” da mídia, que recentemente trocaram esta expressão – que pegou mal – por “democratização da mídia”. O que é impressionante e faz lembrar o mundo de Orwell: democratizar para controlar.
Mas na origem dessa regulação infernal da “propaganda eleitoral” estabelecida em minuciosa legislação estiveram dois fatores: uma, o regime autoritário que buscava minimizar o debate político-eleitoral. Quase que foi banida a campanha eleitoral e a propaganda, que incomodavam. Para quem já estava no poder, impor o silêncio era ótimo.
Isso, resguardadas as diferenças, vale também para o Brasil democrático. Os congressistas, com seus mandatos, sob o argumento de estabelecer a “igualdade” na propaganda e nas campanhas, estabeleceram uma “falsa igualdade”, que trabalha a favor deles e de quem já esteja no poder e em detrimento de seus concorrentes pouco conhecidos e precisando aparecer para crescer.
Para se tornar presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter gastou dois anos apertando mãos por todo o país e pedindo os votos dos donos das mãos que apertava. Se fosse no Brasil, a esperteza da burocracia legal lhe teria cortado o caminho. Um esperto qualquer faria o flagrante: filmaria com o celular apertos de mão e pedidos de voto e encaminharia ao Ministério Público, que faria a denúncia, que seria acolhida e julgada procedente – campanha eleitoral antecipada.

Hugo Chavez: de volta a Caracas
========================================
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, retornou à Caracas na noite de sexta-feira, depois de passar por uma operação em Cuba. O mandatário disse se sentir bem e “bastante recuperado” da intervenção cirúrgica à qual foi submetido em 26 de fevereiro para extração de um tumor cancerígeno.
“Estivemos em processo de franca recuperação e seguimos em recuperação, devo continuar, vocês sabem, com muita disciplina nesse plano de recuperação física, mas devo dizer-lhes que me sinto bastante recuperado”, indicou Chávez em sua chegada ao Aeroporto de Maiquetía, após permanecer três semanas em Cuba.
O líder, que anunciou que será disciplinado” com o processo de recuperação, afirmou estar próximo de seu peso normal. Além disso, ele disse que sua alimentação e seu ritmo de trabalho “pouco a pouco” vão sendo retomados.
“Que ninguém ache que tudo já passou. Não, estamos vencendo, mas devemos ser rigorosamente disciplinados. Devo seguir disciplina de recruta”, declarou.
Chávez aterrissou na Venezuela depois de passar 21 dias em Havana, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica que retirou de sua região pélvica um tumor cancerígeno de dois centímetros, parte do tratamento de emergência contra o câncer. A primeira cirurgia à qual foi submetido foi em junho do ano passado.
Leia mais sobre o assunto no IG
www.ig.com.br
( Com agencia EFE)

Hage:visibilidade internacional na CGU, mas fora das contas de Wagner
===============================================================
ARTIGO DA SEMANA
Wagner: Erro de conta ou injustiça?
Vitor Hugo Soares
Em lugar do piston na gafieira – sem a surdina – do samba genial de Billy Blanco, peço um minuto de silêncio, no meio do bafafá generalizado de uma das mais encarniçadas disputas de nacos de poder das ultimas décadas no País. Escaramuça iniciada no Palácio do Planalto, pela presidente Dilma Rousseff e articuladores políticos de seu governo, que explodiram a falsa bolha de harmonia e domínio absoluto no Congresso, com reflexos que se espalham agora por outras regiões, a começar pela Bahia.
Um silêncio no meio do tumulto, necessário para leitura e meditação em torno de uma das 100 melhores frases de Ulysses Guimarães – mestre em crises e em política – anotada por sua mulher, dona Mora, no livro “Rompendo o Cerco”, publicado antes do desastre do helicóptero no qual os dois viajavam de volta de um fim de semana de descanso na costa fluminense.
Palavras do velho timoneiro do antigo MDB e da política brasileira no período de resistência a ditadura:
“Na política, como na ciência, o erro é o dramático preço da evolução rumo a verdade. São os deslizamentos, avalanches e quedas que conduzem aos cimos”, dizia o nosso grande Ulysses, cujo corpo jamais foi encontrado no fundo do oceano, depois do acidente. Ateu que acredita em milagre, não duvido dos espiritualistas convencidos da visão de Ulysses sobrevoando, esta semana, os amplos espaços de Brasília, ou pelos céus de Salvador, turvos pelas águas de março que desabam com força e alagam a cidade em desgoverno esta sexta-feira (16).
Vejam, por exemplo, os movimentos e as palavras do governador Jaques Wagner, aparentemente apanhado de surpresa pelos golpes de foice aplicados, pela presidente Dilma, no pescoço de representantes baianos no primeiro escalão do governo federal.
Não percam a conta: Orlando Silva (PC do B), dos Esportes; Mário Negromonte (PP), das Cidades; o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli (PT); Afonso Florence (PT), Desenvolvimento Agrário – este o mais recente decapitado sem aviso prévio e, aparentemente, a gota de fel do Planalto que entornou o copo do governador da Bahia.
Cobrado acidamente e repetidas vezes por oposicionistas, mas principalmente por aliados contrariados com a repentina “perda de espaço e de prestígio da Bahia” (depois do nirvana vivido durante os dois períodos do governo Lula), estado nordestino que deu mais de 2 milhões de votos de frente à Dilma, na disputa com o tucano José Serra, para a Presidência da República.
Convidado e acompanhante preferencial da presidente, em suas mais recentes viagens internacionais (Cuba e Alemanha), o governador Jaques Wagner – provavelmente atordoado com os golpes do Planalto e os pedidos de reação na Bahia – se perdeu nas contas e nas avaliações.
Na reação mais veemente até agora – e ainda assim bastante moderada, em comparação com antigos padrões locais – Wagner preferiu poupar a presidente, amiga e companheira de viagens e jogar a culpa pelas perdas, quase todas, nas costas de seu partido, o PT.
“O PMDB do Sarney tem dois ministros do Nordeste. O PSB de Eduardo Campos tem dois ministros no Nordeste. O PT tem dois governadores no Nordeste (Bahia e Sergipe) e não tem nada”, comparou Wagner na entrevista que deu com exclusividade à repórter Patrícia França, do jornal A Tarde.
Subjetivamente ou para efeitos retóricos, dirigidos a ouvidos e olhos menos atentos e exigentes com a verdade factual, o governador Wagner não apenas erra em suas contas, mas comete injustiças. Uma delas particularmente gritante: esquecer que é da Bahia um dos mais destacados, importantes e internacionalmente reconhecidos ministros do atual gabinete de governo de Dilma Rousseff, o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage Sobrinho, o itabunense ex-prefeito de Salvador – firme e desassombrado combatente contra a corrupção desde o governo Lula.
A Bahia, para ser fiel aos fatos, tem dois ministros com assento no gabinete de Dilma. Além de Hage (escolha pessoal de Lula e Dilma), há ainda Luiza Bairros, ministra da Promoção Social, gaúcha de nascimento mas reconhecida militante política de esquerda da Bahia, que saiu do secretariado estadual de Wagner para compor o primeiro escalão do governo Dilma, por indicação do governador petista.
Esquecimento, descaso ou injustiça das grossas, pura e simplesmente?
Responda quem souber.
Vitor Hugo Soares, jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br
==============================================
Dá-lhe, Zeca!!
BOM SABADO PARA TODOS!
(VHS)