Arena Fonte Nova: quem responde pelas dúvidas da
cobertura? Erro de projeto?

=====================================


DEU NO BLOG “POR ESCRITO” (EDITADO PELO JORNALISTA LUIZ AUGUSTO GOMES, E REPRODUZIDO PELO JORNAL DA MIDIA)

LUÍS AUGUSTO GOMES

O Consórcio Arena Fonte Nova acaba de contratar a conhecida empresa norte-americana 3M para tentar resolver as sérias dificuldades que vem enfrentando desde dezembro com a cobertura do novo estádio, cuja inauguração está até agora confirmada para o dia 29 de março.

Aparentemente, todas as folhas da membrana de cobertura estão assentadas, e a informação oficial é de que só falta encaixar entre elas as calhas para captação de água. Mas, segundo fonte bastante próxima do empreendimento, a situação não é bem a que se divulga.

A fonte reitera a informação prestada a este blog no início de janeiro, dando conta de um erro de projeto que estaria impedindo o encaixe correto – ou seja, parafusado – da membrana na estrutura metálica de sustentação da cobertura. Por isso, tentou-se uma solução de engenharia, que terminou não dando os resultados esperados.

Solução não serviria para a Copa do Mundo – Depois de assentadas as folhas da membrana de cobertura, ficou confirmado que não era possível parafusá-las nos arcos intermediários da estrutura. Foi quando surgiu novo problema, provavelmente causado pelo primeiro: uma folga em várias das braçadeiras que fixam a membrana à estrutura.

Em função desse problema é que teria sido contratada a 3M para aplicar sua tecnologia de ponta no sentido de colar a membrana à estrutura nos pontos nos quais não foi possível parafusar.

A solução, segundo a mesma fonte, é tida como provisória, para que o estádio seja inaugurado no prazo e possa sediar os jogos da Copa das Confederações, mas não poderá ser mantida para a Copa de 2014.

Mesmo tendo a 3M expertise no assunto, já que suas colas são usadas em foguetes da Nasa, a equipe do projeto da Arena Fonte Nova não considera prudente manter esse improviso, temendo eventual excesso de água sobre a cobertura – cada folha pesa 1,5 tonelada –, e busca uma solução de engenharia.

Segurança é o motivo do questionamento – Por Escrito, que divulga estas informações por uma óbvia questão de interesse público, faz três ordens de questionamento aos responsáveis, na expectativa de que as respostas tragam o devido esclarecimento sobre o assunto:

1. Foi ou não contratada a 3M? Em caso afirmativo, com que finalidade? Era uma contratação prevista no contrato original? Quem paga pelos serviços?

2. Todas as folhas da membrana de cobertura do estádio estão inteiramente parafusadas às estruturas de sustentação?

3. Houve ou não um erro de projeto na cobertura do estádio? (Por Escrito)


Fernando Peres:”editores não ganham
dinheiro com poesia”. Foto Divulgação
=================================

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Em seu novo livro de versos, “Bula Pro Nobis”, o poeta e historiador Fernando da Rocha Peres enfrenta a morte, a perplexidade religiosa e a própria hipocondria na criação poética. Professor emérito da Universidade Federal da Bahia e ex-diretor do Iphan, Peres é um dos mais importantes escritores baianos.

Autor de “Memória da Sé” – obra elogiada por Drummond, Jorge Amado e Pedro Nava -, ele construiu, paralelamente à historiografia, uma obra poética que inclui “Febre Terçã” e “Estranhuras”. Nava confiou-lhe a edição das cartas recebidas de Mário de Andrade, reunidas em “Correspondente contumaz”, de 1982. Em “Bula Pro Novis”, o memorialista mineiro, que cometeu suicídio em 1984, ressurge no poema “Sem Código”:

“O suicida
tem suas razões.
Se o corpo é
objeto próprio,
a decisão por morrer
não comporta explicações.
A fenda, interior
ou exterior, abre-se
no gesto calculado,
tresloucado, mas sempre
no roteiro da morte
- encontro, desencontro -,
que pode ser venenosa,
balística ou salto no ar (…)”

“Uma procura de compreender a morte do amigo e também uma reflexão sobre a morte através do suicídio, que é algo execrado inclusive pela Igreja Católica”, define Fernando Peres. Nesta entrevista a Terra Magazine, ele critica a deficiência das escolas e o desinteresse crescente por poesia.

- Drummond é, inegavelmente, um grande poeta. Mas edições de Drummond, quando ele estava vivo, não passavam de três mil exemplares. Quantos habitantes têm o Brasil? Quantos leitores virtuais tem o Brasil? Em verdade, os editores é que não gostam de poesia, porque, com elas, não ganham dinheiro – diz o poeta baiano.

“Bula Pro Nobis” será lançado nesta quinta-feira (24), às 18h, na Livraria Cultura do Salvador Shopping, na capital baiana. O livro é ilustrado pelo artista plástico Mário Cravo Jr.

Terra Magazine – “Bula pro nobis” tem uma gestação longa, não é?
Fernando da Rocha Peres – Tem uma gestação de dez anos. Anunciei este livro em 2001, quando publiquei o “Febre Terçã”. Os poemas ficaram guardados, fui mexendo e andei meio assim desencantado com a condição de escrever poesia e a poesia ser tão pouco lida neste País. Como eu vou fazer 75 anos, no dia 27 de novembro, decidi publicar para colocar fora alguns temas que eu persigo, como, por exemplo, a hipocondria, as questões relativas à conjuntura atual do Brasil…

Há alguns versos de circunstância.
Alguns versos de circunstância, a minha perplexidade religiosa e poemas que, de um certo modo, saíram publicados nos jornais baianos. Depois de publicados, eu mexi. Faço esse jogo do alfaiate ou do sapateiro, que fica costurando e batendo palavras.

Os sonetos são recorrentes no livro. É uma forma que tem sido pouco usada?
Não, tem, tem. Alguns poetas ainda carregam o soneto nas costas (risos). Uma cesta de sonetos! Aliás, um título bonito pra livros: “Cesta de sonetos”. Tem um poeta, Glauco Mattoso, que já escreveu, sei lá, cinco mil sonetos (risos). Ele é o recordista mundial de sonetos, se não for o recordista da galáxia… Os sonetos do livro não são extremamente formais. São mais livres. Eles têm a forma do soneto, claro, o ritmo, mas já não têm a rima. Além de tudo, a forma gráfica é bonita.

O senhor diz que a poesia não é mais tão lida no Brasil. Por quê?
Não é, seguramente, o jejum do leitor, mas é a falta do leitor ou a falta da educação para a literatura e, em especial, para a poesia. Hoje, o que se lê é best-seller ou o besteirol. E a prova disto é que eu fui ver o filme de Almodóvar, “A pele que habito”, e tinham dez pessoas no cinema. No mesmo complexo de cinemas, tinha uma fila infindável pra ver o filme “Amanhecer”, desta sequência que se chama “Crepúsculo”.

Nome sugestivo.
Pois é. Amanhecer de quê?

Do Crepúsculo…
Amanhecer do “Crepúsculo”, não é? O povo gosta do “amanhecer do crespúsculo” (risos). O leitor gosta, hoje, do amanhecer do crepúsculo. É falta de educação, desde a educação doméstica.

Leia a entrevista de Fernando Peres em Terra Magazine

http://mail.terra.com.br/


Maria Luiza e João Henrique: fim da relação
=========================================

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

“Ninguém briga sozinho, ninguém faz nada sozinho”, desabafa a primeira-dama de Salvador, a deputada estadual Maria Luíza, que anunciou o divórcio do prefeito João Henrique Carneiro (PP). O rompimento tem sequelas políticas, além das matrimoniais. Principal conselheira do (ex) marido, apontada como a mais influente personalidade na gestão municipal, a deputada do PSC anunciou sua migração para o PSD, que integra a base do governador Jaques Wagner (PT).

Apesar do rompimento, ela diz que aceitará dar conselhos a João Henrique, caso seja convocada.

- Eu opinava mais por ser a esposa. Nem todas as opiniões que eu dei foram acatadas. Não tenho cargos na prefeitura, nunca tive. Sempre procurei trabalhar de forma muito técnica (…) Se puder colaborar, continuarei. Se me for rejeitada essa colaboração, eu não farei mais.

Em São Paulo, durante o lançamento do Carnaval de Salvador para patrocinadores, na noite desta quarta-feira (19), o prefeito João Henrique foi protegido por assessores e evitou falar do rompimento com a primeira-dama – o debate do dia nas mesas dos bares da Cidade da Bahia. “Não sei… Não sei…”, respondeu, lacônico, às perguntas de Terra Magazine sobre as consequências políticas da separação. “A gente está aqui comemorando, viu, querido? O prefeito não quer comentar isso, viu?”, emendou o assessor de imprensa, afastando o repórter.

Maria Luíza, no caminho contrário, expõe o divórcio político:

- A minha posição política sempre foi independente. A minha esfera de trânsito sempre foi no plano estadual. No plano municipal, sempre foi o prefeito. Isso pode mudar com o tempo. Só Deus sabe o destino – comenta Maria Luíza, que comunicou sua decisão às redações baianas.

Confira a entrevista exclusiva, realizada por telefone.

Terra Magazine – Deputada, a separação representa também um distanciamento político do prefeito?
Maria Luíza – Veja só, em relação à Prefeitura, o prefeito é quem fala. Politicamente, minha vida não muda, porque em geral eu sempre tive um partido, ele outro. A vida prossegue. Ele tem o partido dele, eu já tinha o meu. Estou fazendo a migração pra base do governador. Eu só quero formalizar isso de forma aberta, transparente, e formalizando meu apoio ao governador. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. São momentos extemporâneos. A separação já vem de um tempo, em torno de 30 dias ou mais.

A senhora vai para o PSD?
PSD, exatamente, da base do governo. A minha posição política sempre foi independente. A minha esfera de trânsito sempre foi no plano estadual. No plano municipal, sempre foi o prefeito. Isso pode mudar com o tempo. Só Deus sabe o destino. Mas tenho que falar de posições reais e concretas.

Mas a senhora sempre exerceu influência muito grande na prefeitura, até na indicação de nomes para compor o secretariado. Isso, naturalmente, não vai se dar mais, né?
Não, eu nunca, digamos assim, impus nada. Quero deixar de forma muito franca que parte disso se repercutiu às vezes por retração de uma posição ou outra da própria autoridade que estava ali. Porque qualquer pessoa que é gestor ou gestora de uma unidade pública ou privada tem autonomia para escolher. Assim como eu, outros opinam. Eu opinava mais por ser a esposa. Nem todas as opiniões que eu dei foram acatadas. Não tenho cargos na prefeitura, nunca tive. Sempre procurei trabalhar de forma muito técnica. Sempre estive dentro das minhas expectativas do que deve ser a condução correta e nunca saí disso, aonde eu participei… Se puder colaborar, continuarei. Se me for rejeitada essa colaboração, eu não farei mais. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Falar da separação é um assunto pessoal. Duas pessoas é que vão estar resolvendo um assunto que não diz respeito ao resto. O que tenha mais nisso aí é muita especulação que se pode dar. É o jogo do poder, da política. Nesse momento, as pessoas devem compreender e respeitar. Como sou uma pessoa pública, e essa situação já vinha se dando, não tenho intenção de esconder. Mas peço respeito.

A separação foi em “comum acordo”?
Ninguém briga sozinho, ninguém faz nada sozinho, tá certo? Quero deixar bem claro que não imagino que seja também atribuída a mim essa decisão unilateral. As coisas são muito óbvias. Não tem nada demais. É um proceso de relação, que já vem ao longo do tempo. Como sou pessoa pública, não queria esconder isso.

É vida que segue?
De forma tranquila, transparente. Não tenho nem queixas nem nada a estar expondo.

A senhora comunicou a separação ao prefeito esta semana? Ou há um mês?
Nós chegamos à conclusão de que era necessário, sim, haver esse processo. Faz mais de um mês. Isso vinha sendo mantido em reserva. Mas quis (divulgar) de informação mesmo pra pessoas, pra que essas diferenças… Você estava dizendo: “Você opinava muito”… Então, agora as coisas podem ser observadas. Eu tenho consciência, assim como ele, que o objetivo foi sempre de fazer de forma acertada, de forma trasnparente. Essa é a melhor maneira de se lidar com qualquer assunto. Eu sempre fui assim.

Lídice da Mata: senadora socialista pula na raia

====================================================
OSVALDO LYRA

Editor de Política da Tribuna da Bahia

Primeira senadora da Bahia e comandante do PSB baiano, Lídice da Mata não esconde o jogo e admite a possibilidade de entrar mais uma vez na disputa pela cadeira do Palácio Thomé de Souza, nas eleições municipais de 2012.

“Querer não quero. Agora eu não posso me recusar a discutir esta possibilidade com uma população que me elegeu a mais votada deputada federal da história do município e que me elegeu a senadora mais votada do estado. Então eu tenho obrigação para com o povo de Salvador”, disse.

Sem ponderações, a senadora não titubeou em dizer que o PP já está repetindo o caminho do PMDB. Perguntada sobre o PSD, ela diz que o DEM está choramingando e ainda completa em outro momento: “O DEM só vai ganhar o governo daqui a vinte anos”.

A ENTREVISTA

Tribuna da Bahia – O PSB, de fato, vai lançar candidato para a prefeitura de Salvador?
Lídice da Mata – Pode ter ou pode não ter. Em principio, é uma cidade de dois turnos. O partido tem prioridades de ter candidato. Isso vai depender das nossas condições de organizar isso. Tem alguns que têm se colocado internamente, como João Jorge, Capitão Tadeu, Sérgio Gaudenzi. Mas isso passa por uma definição da estratégia do partido para as próximas eleições. Nacionalmente, o partido em dezembro vai realizar o congresso nacional e vai ter como tema a reforma urbana. Estamos estudando agora e vamos nos concentrar nos grandes problemas das grandes e médias e pequenas cidades brasileiras. A compreensão é de que a vida do brasileiro mudou pra melhor e que Lula mudou o Brasil – mais de 40 milhões saíram das classes D e E para classe C, portanto é uma mobilidade social grande ocorrida nesses últimos oito anos, mas a vida das cidades não se tornou melhor, do ponto de vista coletivo, não da vida individual. Eu posso estar errada, mas dessas grandes cidades, Salvador, em vez de melhorar do ponto de vista coletivo as políticas públicas, a cidade piorou. Das capitais brasileiras hoje, Salvador, sem dúvida nenhuma, é a que tem o pior sistema de transporte coletivo. Você não compara o sistema de transporte coletivo de Salvador com Recife, nem com Aracaju, nem com Maceió, que é uma cidade que está com 30 quilômetros de VLT. O debate sobre a mobilidade urbana e do transporte coletivo na cidade foi dos mais medíocres possíveis até então. É a mobilização, a compra, a cooptação de lideranças populares por segmentos empresariais pra ficar dizendo: ‘Ah, o metrô custa tanto, o VLT custa tanto, o ônibus é o mais barato e porque é o mais barato é o melhor’. Quer dizer, coisas que demonstram uma profunda ignorância do que é o processo de organização de sistema de transporte e de mobilidade urbana em qualquer cidade do mundo. Então, Salvador é um exemplo negativo nisto. É uma cidade envolvida há mais de 20 anos nesse debate. Não é apenas na gestão de Imbassahy com seu projeto de metrô, mas, mesmo antes disso. Eu por exemplo, em 1982, 1983, como vereadora, já discutia um projeto de metrô para a cidade e nós transformamos isso numa fantasia distante.

Tribuna – O partido tem vários nomes cotados para a sucessão municipal, mas caso o seu nome seja o único a aglutinar, o que a senhora faria? E o Senado?

Lídice – Olha, o Senado é uma tarefa que o povo da Bahia me deu, que é fruto da generosidade desse povo, do compromisso do governador Jaques Wagner, e eu quero fazer do Senado uma instância, uma trincheira de luta em defesa da Bahia. Só que eu sou política, e como política, Doutor Ulysses (Guimarães) já dizia: todo político quer sair da política, mas o problema é encontrar a porta de saída que é muito difícil porque entramos em um labirinto e desse labirinto pra sair é muito difícil. Muita gente me pergunta: ‘Você vai ser candidata a prefeita, você quer ser candidata?’ Querer eu não quero. Agora, eu não posso me recusar a discutir esta possibilidade com uma população que me elegeu a mais votada deputada federal da história do município e que me elegeu a senadora mais votada do estado. Então eu tenho obrigação para com o povo de Salvador, de discutir os seus problemas, de buscar encontrar soluções, de tentar apresentar saídas, nomes e projetos para a capital.

Tribuna – Quem seria o candidato a vice-prefeito ideal para 2012?
Lídice – Não. Eu não estou discutindo nomes, aliás, acho que um dos erros do processo político eleitoral de Salvador neste momento é a pobreza de ideias. Eu não vi nenhum candidato apresentando ideias, e quero dizer isso de forma muito fraternal e sem nenhuma boçalidade porque conheço e valorizo a história de cada um deles. Acho que em vez de estarem discutindo cada um o seu nome e as suas alianças, eles deveriam estar mais voltados para apresentar um projeto político, de apresentar as suas opiniões e ideias porque é isso que a cidade precisa. A cidade precisa de debate, pois foi violentada com um plano diretor de desenvolvimento urbano votado na calada da noite, com acordos empresariais – que podem existir porque um plano deve resultar dos interesses de todos da cidade, mas que não podem resultar de interesse de apenas alguns segmentos empresarias. O plano diretor, infelizmente, teve isso como carro-chefe, o que tem causado sérios problemas de trânsito, por exemplo. Aliás, falo também de uma infraestrutura social que a cidade não tem, não teve e não tem mais. Nós temos uma Cidade Mãe, uma rede de assistência para a criança e o adolescente destruída, enquanto os meninos e meninas encontram-se abandonados nas ruas do Centro, completamente entregues ao seu próprio destino, às drogas, aos perigos e desafios das ruas. Os abrigos de rua, como o abrigo Dom Temoteo, estão fisicamente destruídos, passando pequenas reformas, pequenas para se transformar com um acordo aqui e ali, mudando o seu papel. Óbvio que esse papel pode ser mudado, desde que o papel que a Fundação Cidade Mãe tinha pudesse ser cumprido por outra instituição que não cumpre. Não há nenhum programa real de uma rede social para a cidade de Salvador. Eu vejo todos discutindo o Pelourinho como se lá precisasse de mais polícia, mas quem mora no Pelourinho sabe que não precisa de mais polícia. O Pelourinho precisa sim de assistência social e de governo municipal. Não que se tirem os meninos de rua para levar pra canto nenhum, como tem sido feito no Rio de Janeiro, que está tirando os meninos que estão se drogando e levando para uma instituição pra que se tornem limpos da droga durante quinze dias e depois voltam para a rua novamente sem nenhuma perspectiva, para se drogarem e morrerem. Nós precisamos de uma forte rede social em uma cidade pobre, que tem uma das piores receitas per capitas do país e com uma população de jovens miseráveis que precisam acreditar que sua vida tem que ter uma perspectiva melhor. Pra tudo isso precisávamos está discutindo uma forte estrutura social, de saúde, de educação para a cidade. Como está a rede municipal de ensino? Onde ela está? Como está o resultado da escola pública municipal? Os meninos de nossa rede municipal estão saindo alfabetizados? O desafio de Salvador continua sendo o de superar a desigualdade social que ela enfrenta. Discutir Salvador não é apenas discutir o metrô. Isso interessa aos empresários de construção civil, aos donos do transporte coletivo que querem continuar sendo donos, aos novos e também a uma grande parte da cidade que precisa superar a imobilidade urbana que é uma marca da cidade. Mas discutir Salvador não se resume a isso. Discutir Salvador é apontar a necessidade de apontar um rumo pra um grupo, ou pelo menos para maioria, que quer ter uma cidade aprazível como ela sempre foi, com capacidade de mobilizar-se, mas principalmente com esperanças de ter um futuro melhor, com educação, saúde e emprego para os seus filhos.

Tribuna – Como a senhora avalia o fato de o PT sinalizar que todos os aliados devem desistir de suas candidaturas para apoiar o candidato do partido?

Lídice – Eu não acredito nisso. Eu não acho que o PT pense isso. Às vezes um dirigente desavisado diz uma coisa dessas, provocado por um movimento desses ou daquele. É por isso que eu digo que a discussão está invertida, pois é preciso que os candidatos demonstrem o seu amor pela cidade. E o seu amor pela cidade, o respeito às pessoas que moram nela é discutir os seus problemas e soluções. Por isso que fizemos uma proposta de discutir com um grupo de partidos, o PSB, o PTB e o PCdoB, as questões da cidade. Vamos entrar o mês de agosto com outro tema para ser debatido. Estamos nos reunindo nessa direção e continuamos insistindo que o importante agora não é discutir nomes. Isso nós temos. Os nomes são muito fáceis de achar. Nós temos uma plêiade de nomes, cada um com sua história e sua dignidade, como a deputada Alice Portugal, o deputado Nelson Pelegrino, temos o Capitão Tadeu, Sergio Gaudenzi, Edvaldo Brito, João Jorge, Zulu, Marcio Marinho e tantos outros que têm votos e história política na cidade e que se apresentam. Eu tenho certeza que, nesta eleição, Salvador não vai ter menos de sete a oito candidatos. Mas o que precisamos é discutir agora o projeto político porque essa história de só discutir apenas quando inicia o horário eleitoral, isso é na verdade uma forma de não discutir. É preciso começar a discutir agora e a mobilizar os movimentos sociais para se debater a nossa cidade. Eu acho um absurdo no Brasil essa questão de que a eleição encerra o debate eleitoral de três meses. Isso é um desrespeito ao eleitor, que tem de ter o direito de discutir durante um ano o projeto político de alguém que irá dirigir a cidade por quatro anos. É preciso estabelecer esse debate dentro dos partidos e na sociedade.

LEIA INTEGRA DA ENTREVISTA DA SENADORA LÍDICE DA MATA A OSVALDO LYRA NA EDIÇÃO IMPRESSA DA TREIBUNA DA BAHIA


Syilvio Simões: “se tiver
ação à venda, eu compro”
====================================================
O repórter Claudio Leal, da revista digital Terra Magazine , foi na fonte esta quarta-feira, 9, e ouviu o diretor de A Tarde, Sylvio Simões, sobre a crise sem precedentes que grassa no mais antigo jornal baiano, fundado em 1912 por Ernesto Simões Filho.

A situação no diário da Avenida Tancredo Neves (Caminho das Árvores) ficou ainda mais crítica desde ontem, com a demissão do repórter de Política Aguirre Peixoto, seguida da reação dos jornalistas da redação que em Carta Aberta , acusaram a direção de A TARDE de entregar a cabeça do repórter em uma bandeja, sob pressão do mercado imobiliário .

Bahia em Pauta reproduz a entrevista de Terra Magazine:

(Vitor Hugo Soares )
====================================================

Claudio Leal

O mais antigo jornal baiano em atividade, “A Tarde”, fundado em 1912 pelo ex-ministro do governo Getúlio Vargas Ernesto Simões Filho, vive uma das suas mais intensas crises, num conflito que envolve os jornalistas e o setor imobiliário de Salvador. Depois de publicar uma reportagem sobre crimes ambientais denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) numa obra realizada pelo governo baiano em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM, o repórter Aguirre Peixoto foi demitido pelo jornal.

Em protesto, a redação emitiu uma carta aberta e fará paralisações diárias de duas horas. Terra Magazine ouviu o diretor-executivo do Grupo A Tarde, Sylvio Simões, que procurou esclarecer o episódio. Segundo Simões, a demissão se deve “muito mais (a) uma questão de relações de poder interno, do que (a) qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria”. Ele rejeita a informação de bastidores, frequente na blogosfera e nas redes sociais, de que o jornal recebeu pressões de empreiteiros.

- Obviamente, é bom que se saiba, “A Tarde” não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial – afirma Sylvio Simões.

Os repórteres relatam que um dos membros da família proprietária, Ranulfo Bocayuva, teria posto seu cargo à disposição, em desacordo com os primos. O fundador do antigo vespertino, Ernesto Simões, deixou três filhos (Regina, com 50% das ações, Renato e Vera, 25% cada um); o jornal é administrado, atualmente, pelos seus netos Sylvio, Ranulfo e Renato. O IVC (Instituto Verificador de Circulação) indicou que, pela primeira vez na história, a tiragem de “A Tarde” foi superada por um concorrente, o “Correio”, da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

O diretor-executivo, Sylvio Simões, desmente ainda a venda de ações de “A Tarde” para empresas do mercado imobiliário, principalmente dos construtores Francisco Bastos e Carlos Suarez:

- Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos).

Ele afirma que a demissão pode ser reparada “no futuro”, e “não agora”. Confira a entrevista.

Terra Magazine – O que ocorreu no episódio da demissão do repórter Aguirre Peixoto?

Sylvio Simões – Foi uma atitude da direção em relação a um redirecionamento da nossa atividade de comunicação. É só esse o ponto. É uma coisa que estão dando uma dimensão na qual não faz A Tarde. A Tarde tem uma posição muito clara, muito nítida, muito transparente, em relação aos seus propósitos. É um momento de mudanças muito grandes na empresa. O mundo está mudando e nós estamos mudando. As coisas estão se estabelecendo de uma maneira que, às vezes, há um nível de conflito interno, natural. A gente tem que tocar o barco. Obviamente, é bom que se saiba, A Tarde não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial.

O que a redação argumenta é que o repórter foi demitido depois de publicar uma matéria sobre a questão imobiliária, em Salvador. O que vocês dizem?

A razão não foi essa, foi muito mais uma discordância dentro da dinâmica da gestão da empresa. Por ventura, tentaram evidenciar uma carta dando exatamente esse sentido, que não é verdadeiro e o tempo vai exatamente demonstrar que foi muito mais uma questão de relações de poder interno, do que qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria, seja em relação ao mundo imobiliário, em relação ao governo, em relação ao mundo agrícola. Sempre tivemos um princípio muito claro: nós temos um compromisso substantivo com a cidadania. Temos a obrigação na construção de um novo mundo civilizatório.

E por que Aguirre Peixoto foi escolhido?

Isso, na realidade, é que é lamentável. É lamentável que tenha acontecido essa questão com Aguirre, é lamentável. Mas a gente lamenta o que aconteceu com Aguirre, foi um desentendimento em relação à questão da visão diretiva do grupo. Isso pode ser reparado no futuro. Não agora, porque aí seria acatar uma posição diretiva de total discordância no centro de decisões da empresa.

Não há acordo com os jornalistas? Ele estão numa paralisação de duas horas.

Rapaz, eu acho que não. Eles estão obviamente conversando com o sindicato e amanhã nós vamos ter uma conversa exatamente explicitando todos esses pontos que estamos falando. Porque há uma Porque há uma afetividade muito grande dos jornalistas com A Tarde. Na realidade, foi muito mais um problema de ordem diretiva da empresa, do que estão tentando afirmar. A Tarde não tem nenhum tipo de problema natureza de problema com qualquer área da atividade econômica, porque nós temos uma independência muito clara e todo mundo sabe na Bahia disso.

Não houve um corte de anúncios do setor imobiliário?

Nunca houve corte de anúncios. Não é verdade. A construção civil, aqui no Estado da Bahia, neste ano que passou, os insumos subiram muito e houve uma redução da atividade imobiliária. Houve uma redução da atividade imobiliária. Isso aí, se você puder pesquisar, eu até lhe agradeço. Por exemplo, no governo também houve uma redução de publicidade. Porque, você sabe, nas eleições para governador e para presidente da República, fica limitada a possibilidade de fazer publicidade. Teve duas reduções: uma redução do mercado imobiliário, as construtoras pararam de construir como estavam fazendo; e tem a questão da retração do próprio governo. E na área de telefonia também houve um ajustamento.

E as notícias que estão nos blogs, de que A Tarde…

Essas notícias que estão nos blogs corre, exatamente, de uma posição adotada, antagônica à posição da direção.

O jornal não está à venda? Circula que o jornal estaria negociando a venda de parte das ações para o mercado imobiliário, com os empresários Francisco Bastos e Carlos Suarez.

Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo to doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro? Então, a questão foi muito mais do fórum de conflito diretivo, do qual realmente a gente adotou uma posição. Lamentavelmente, surgiu esse problema, no momento em que estamos fazendo grandes mudanças. Estamos, por exemplo, montando uma nova concepção estratégica. Estamos nos preparando para a festa dos 100 anos. Uma máquina nova, um sistema de governança, com a empresa alinhada para os próximos 20 anos.

Como foi tomada essa decisão de demitir Aguirre? Isso não fica restrito à redação, à secretaria de redação?

Olha, houve uma discordância aí realmente. A parte do corpo diretivo…

Seu primo, Ranulfo Bocayuva?

Não vejo como uma questão de parente, não. Vejo como questão de executivos. Que é uma questão nossa, no primeiro momento. Na área dos executivos, realmente, a gente acabou tomando uma decisão majoritária e aconteceu esse episódio. Mas, obviamente, a gente desenhou a questão do comando da empresa em relação à política da qual a empresa tem estabelecido ao longo de todos os anos. A Tarde nunca teve uma posição sistemática. A Tarde sempre foi crítica, no momento de ser crítica, e no momento de se elogiar a gente elogia. A gente não pode adotar posições sistemáticas em relação a coisa alguma. Nesse novo Brasil, é preciso muito mais competência, porque você fazer as mudanças, as transferências de renda, com sensatez, é muito difícil. É o que a gente está tentando fazer aqui. Estou fazendo apenas uma analogia. Esse pano de fundo está sendo divulgado não é verdadeiro.

Como o senhor vê as críticas à expansão imobiliária em Salvador? É muito agressivo para a cidade?

Olha, essa questão imobiliária em relação à cidade de Salvador não advém de agora. Ela agora tomou uma dimensão maior. O que está faltando é um PDDU bem desenhado e bem definido. Isso cabe à atividade pública, à Prefeitura da cidade do Salvador. Ela precisa sentar com todos os atores e desenhar um plano que acolha a questão do meio ambiente e que acolha também a questão das pessoas. O grande problema do jornal brasileiro é que ele é absolutamente factual. O fato ninguém discute. Mas os jornais da Europa e da América do Sul são analíticos e críticos. Essa é uma grande discussão que a gente precisa ter. A gente não pode transformar o mercado imobiliário como se fosse uma coisa unívoca. Tem empresas que atuam com seriedade, com responsabilidade, etc., e tem outras que muitas vezes não atuam e precisam ser criticadas.

A Tarde vai continuar publicando matérias críticas em relação a essa expansão imobiliária?

Ah, sem dúvida, sem dúvida, desde que haja motivo e razão a gente vai tomar posição crítica em relação ao mercado imobiliário e em relação a qualquer mercado. Agora, o que nós temos levantado é o seguinte, em relação a todos os jornais, não só do Brasil, mas do mundo. A gente está perdendo leitores porque o mundo mudou de paradigma e a gente não mudou. Qual é o paradigma? Qualquer atividade é gratificante. Existe uma coisa mais bonita do que trabalhar para construir as coisas? Então, os jornais precisam começar a atividade de imóvel. E criticar a operação. O sujeito fez uma ponte errada? Você chega e baixa o cacete, porque a ponte foi mal construída. Sabe o que vai acontecer? Aqueles que constroem pontes erradas, até um Estado socialista vai dizer. Agora, se você transforma aquela ponte quebrada em todos os construtores de ponte constroem pontes ruins, aí é um problema. Até para a relação humana. A nossa reflexão é focar numa análise crítica. Isso é inabalável.

Aguirre foi demitido por causa do posicionamento editorial em relação à construção civil?

De forma alguma, foi muito mais por uma questão de discordância do corpo diretivo, que adotou uma posição. E essa posição não estava sendo estabelecida. As coisas estão caminhando dentro da dinâmica sistemática, e aí transformava todo mundo em japonês. Isso não é possível. A gente só é sistemático quando a gente não tem razão. Quando a gente tem razão, uma matéria bem dada resolve o problema.

Tem lhe incomodado o fato de os jornalistas falarem da vinculação da família Simões com negócios imobiliários?

Não há vinculação nenhuma. Não temos nenhum negócio no mercado imobiliário.

Eles falam de uma empresa de venda de imóveis de sua família.

Nós não temos nenhuma empresa imobiliária. Se tem, é de minha mulher e eu não participo. O jornal, ao contrário, não traz nenhum benefício, nem também nenhum malefício à atividade dela. Por quê? Ela é uma empresa de porte, associada a uma empresa de São Paulo, é a segunda empresa da Bahia. É meu segundo casamento, portanto não tem nada a ver com meu negócio.
==============================================
Leia mais em Terra Magazine:
http://terramagazine.terra.com.br/


Fatima com Mario Kertész, hoje , no
Jornal da Bahia no AR, da Metrópole
======================================================

DEU NO PORTAL DA METRÓPOLE

Conhecida por seu jeito espontâneo, Fátima Mendonça iniciou a conversa sobre os quatro anos como primeira-dama do Estado da Bahia.
”Foi uma coisa que pega no tombo. Não acreditava muito que ele [governador Jaques Wagner] vencesse no primeiro turno, dai tive que resolver minha vida. Resolvi fazer o que acredito para somar com Wagner, pra poder fazer da Bahia um Estado que nos orgulhe”, explicou.

Quando questionada por Mário Kertész em relação ao acompanhamento da vida do governador no meio político, Fátima enfatizou que acompanha toda a movimentação e relação de Wagner com os outros políticos, mas nega que passa o tempo todo inteirada. ””Senão acaba o casamento”, brincou.

Ao longo da entrevista, a primeira-dama não deixou de tratar de assuntos polêmicos. Em relação à prefeitura de Salvador, Fátima não fez nenhuma análise crítica, mas não deixou de alfinetar: ””A prefeitura é complicada”’, disse. ”Eu estava vindo pra cá no carro e estava ouvindo a propaganda da Prefeitura. Aquela: ””respeito? Presente; dignidade? Presente; vagas nas escolas? Presente””. O motorista disse pra mim que as matrículas nas escolas estão sendo feitas à mão. Não dá mais para ficar enganando ninguém! Mas não quero mais falar neste assunto, porque ninguém bate em quem já está no chão””, declarou.

Num dos trechos da entrevista, Fátima Mendonça se refere a presidenta Dilma Rousseff (PT) e compara: ”O governo da Dilma será melhor do que o de Lula. Acredito na força da mulher. Ela [Dilma] vai ajudar a construir a ponte Salvador-Itaparica”, disse.

Novo secretariado

Em relação a definição do secretariado que pretende fazer acompanhar o governador até o fim de seu próximo mandato, Fátima disse que até este fim de semana sai a decisão. ”Acho que ele define até este fim de semana, meu aniversário é esta quinta-feira (15), quem sabe ele não me dá de presente?”.

Ainda conforme a primeira-dama, ela não tem interesse em indicar nomes ao secretariado. ””Não estou a fim de indicar secretariado, nunca indiquei. É conversa fiada que eu indiquei Márcio Meirelles. Não sou governadora. No dia em que me tornar uma, indicarei. Jamais omitirei opinião quando o governador fizer uma indicação””.

Durante a entrevista, Fátima ainda falou sobre o temperamento do governador, sobre a política no Estado, sobre as Voluntárias Sociais, sobre futebol, entre outros assuntos.

Mangueira: “Rainha da Inglaterra, não”

===================================================

Claudio Leal

O prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), errou sua aposta na reforma do seu secretariado. O galo cantou com a nomeação do ex-banqueiro do jogo do bicho Alfredo Mangueira (PMDB), vereador da capital baiana, para a Casa Civil da prefeitura. Horas depois da nomeação, Mangueira decidiu entregar o cargo porque tem “um nome a zelar”.

A presença de um político vinculado ao jogo do bicho só ampliou o desgaste do peemedebista João Henrique, considerado um dos piores gestores do Brasil na última pesquisa Datafolha. Conta com 50% de reprovação.

Mangueira nega ser cotista da banca Paratodos Bahia e explica, numa carta ao ex-chefe, as razões do pedido de exoneração: “Tomo essa decisão por entender que, a inexistência de autonomia para o Titular do Cargo, impede o exercício sério, pleno, transparente e competente, marcas que tem pautado os meus quase 30 anos de vida pública. Ao agradecer, formulo votos de sucesso, cuidado e atenção na condução das atividades do nosso Executivo Municipal”. Sem mais.

Na prefeitura, Mangueira bancaria a avestruz, já que ficaria submetido ao ex-secretário João Cavalcanti, agora chefe de gabinete de João Henrique. Em entrevista a Terra Magazine, o ex-banqueiro nega pressões do jogo do bicho, para evitar exposição pública, e afirma:

- Tenho meu nome a zelar, não vou fazer papel de boneca na secretaria.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Por que o senhor renunciou à secretaria da Casa Civil de João Henrique?
Alfredo Mangueira – Não é renúncia. Eu entreguei o cargo ao prefeito.

Qual foi motivo?
O motivo, eu divulguei à imprensa na minha carta.

O que significa “inexistência de autonomia”, como está na carta?
Autonomia é você ser o secretário, não é ser Rainha da Inglaterra para só assinar documento. Ficaria o secretário, para fazer a parte política só. Tenho meu nome a zelar, não vou fazer papel de boneca na secretaria. Por inexistência de autonomia para o titular do cargo, impedido de exercer com transparência e competência. Está na carta.

Como o senhor avalia as insinuações de que o senhor renunciou porque já foi banqueiro do jogo do bicho?
A carta está dizendo, leia a carta. Você vai ver. Não tem nada de ser banqueiro do jogo do bicho. Eu já fui, não sou mais. A carta está dizendo tudo.

O senhor ainda é cotista do jogo do bicho?
Não, não. Não sou. A carta está dizendo. Eu só sentaria na cadeira para ter autonomia. Se não vou ter autonomia? Só vou fazer parte da política? Não precisa. Eu já faço a parte política.

Qual sua opinião sobre o prefeito João Henrique? Ele lhe prometeu algo e não cumpriu?
Não. Eu não avalio. O prefeito é uma pessoa espetacular.Não aceitei a secretaria da maneira que veio. É excelente, é um homem de bem, não tenho nada contra o prefeito, não estou rompido com o prefeito. Simplesmente, não aceitei o cargo.

Então, a história de que o senhor não aceitou o cargo por pressão do jogo do bicho é mais fofoca?
Não, não. A história que estão dizendo não é nem do bicho, é que o PMDB me pressionou para eu não aceitar. Se eu aceitasse, perderia o mandato. Não foi isso. A realidade é o que está na carta. Hoje, a imprensa vai especular diversas notícias. Mas, se você acreditar num homem de bem, está aí a notícia. Eu entreguei o cargo. Se você é nomeado, você não renuncia, entrega.

E sua renúncia à presidência da Câmara foi por qual motivo?
Não entendi.

As pessoas levantam o episódio de sua renúncia à presidência da Câmara, logo depois de ter vencido a eleição…
Foi outro episódio. Eu tinha minha vida particular e não aceitei. Tinha minha esposa, meus familiares.

Não teme ficar marcado pelos dois episódios?
Não, não. Na minha carta, eu digo o por quê. Só basta você interpretar a carta. Leia a minha carta direitinho, ponto por ponto… Quando eu vi a situação da secretaria, que eu ia assinar sem saber o que estava assinando, sem passar por minha secretaria… Eu não ia aceitar um negócio desse. Você aceitaria?

O senhor que sabe…
Aceitaria? Ser Rainha da Inglaterra? (risos) Não aceitei.

Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br/ )

out
07

Psicanalista Maria Rita Kehl

====================================================================

Está confirmada a demissão da psicanalçista Maria Rith Kehl da equipe de articulistas do jornal Estado de S. Paulo. Entrevistada esta quinta-feira pelo reporter Bob Fernandes, de Terra Magazine, Maria Rita disse ter sido demitida depois de ter escrito, no último sábado (2) artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres . Bahia em Pauta reproduz a conversa de Bob Fernandes com a psicanalista, ex-articulista do Estadão. ( Vitor Hugo Soares).
========================================================

BOB FERNANDES

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias. Bahia em Pauta reprodu a conversa de Bob Fernandes com a psicanalista, ex-articulista do Estadão.
====================================================================

BOB FERNANDES

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo:
- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Veja trechos do artigo “Dois pesos”.

Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl – E provocou, sim…

- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo… A imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo…

- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…

- …Por outro lado…?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal O Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

set
28

Simon e Marina:”Precisamos ter um segundo turno”/Claudio Leal/TM

=======================================================

Deu na revista digital Terra Magazine

Caudio Leal
De Porto Alegre

O senador Pedro Simon ainda se refere ao seu partido, o PMDB, com a mesma sigla dos anos de resistência à ditadura: MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Ao 80 anos, essa opção vernacular também realça sua dissidência com o núcleo de peemedebistas que aderiu ao governo Lula, depois de protagonizar a era Fernando Henrique Cardoso no Congresso. Apesar das sereias da candidata Dilma Rousseff (PT), que o cortejou em discursos e telefonemas, Simon decidiu, na última semana, distanciar-se mais uma vez da cúpula e apoiar Marina Silva (PV) para a presidência da República.

Nesta entrevista especial a Terra Magazine, concedida em seu apartamento, em Porto Alegre (RS), o senador esclarece o voto em Marina e renova a militância do segundo turno. O escândalo do tráfico de influência na Casa Civil, envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, substituta de Dilma, motivou-o a abandonar a reservada simpatia com a candidata petista, a qual sempre destaca a importância do líder gaúcho na sua formação política.

- O que me levou, me deixou muito angustiado, foi o que aconteceu na Casa Civil… Eu imaginava que no tempo do primeiro chefe da Casa Civil, José Dirceu, era uma coisa e essas coisas tinham desaparecido. Mas não tinham desaparecido. Tinham que ser mais esclarecidas. E a Dilma é uma figura fora do comum na história do Brasil.

Sem deixar de destacar a biografia de Dilma, Simon explicita as suas razões para votar em Marina:

- Vejo a Marina, primeiro, como uma pessoa muito espiritualizada, com sentimentos muito profundos, de fé. Se ganhar, ela alega que não fez compromisso com nenhum partido, vai governar com o Brasil. Vai escolher lá no PT, no PSDB… Ela até cita alguns nomes do governo Lula, que são de primeira grandeza.

Em 24 de setembro, o dia em que a modelo Gisele Bündchen declarou apoio a Marina, o senador manifestou sua decisão à candidata do PV, em Porto Alegre. Cercado por jornalistas, na sala de sua casa, reiterou o desejo de que as eleições, a presidencial e a do Rio Grande do Sul, sejam decididas no segundo turno.

- A campanha no Brasil, com esses partidos de um minuto, dez partidos, é uma confusão… É impossível o eleitor ter uma análise fixa da questão. Eu acho que o segundo turno é o que nós temos de mais positivo na eleição do Brasil – analisa.

Simon critica “a soberba” de Lula, onipresente na sucessão. O senador se surpreendeu com a pesquisa que apontou o presidente como mais confiável do que Deus.

- Ele vai querer discutir com o Homem lá de cima. Os caras ficaram com medo de combater o Lula. O problema do Lula, hoje, com toda a sinceridade, o grande problema, é o pecado capital: a soberba.

Apesar de reconhecer as conquistas econômicas do petista, ele critica o presidente por não ter sido firme na punição do ex-subchefe da Casa Civil, Waldomiro Diniz, homem da confiança do ex-ministro José Dirceu, acusado de extorsão em 2004. Para Simon, aquele foi um momento que definiria o perfil ético do governo.

Desde 1990 no Senado, o peemedebista confessa estar “muito abatido” com o declínio da vida parlamentar e do nível do Congresso. Vincula o desânimo à passagem do tempo e à mediocridade das relações do Executivo com o Legislativo.

- Vim de uma época em que o meu grupo, que almoçava e jantava, era o Dr. Ulysses, o Dr. Tancredo, Covas, Montoro, Teotônio, Richa… Era esse grupo. Hoje eu almoço em casa e janto em casa. É muito raro. Eu vou conversar com quem?

Confira a íntegra da entrevista com Pedro Simon.

Terra Magazine – O que lhe motivou a apoiar a candidatura de Marina Silva à presidência, apesar de seu partido, o PMDB, integrar a chapa de Dilma Rousseff?
Pedro Simon – Acho que é muito importante nós termos segundo turno. A campanha no Brasil, com esses partidos de um minuto, dez partidos, é uma confusão. Campanha pra presidente, pra governador, pra senador, pra deputado federal, pra deputado estadual… É uma confusão. É impossível o eleitor ter uma análise fixa da questão. Eu acho que o segundo turno é o que nós temos de mais positivo na eleição do Brasil. Imita um pouco, inclusive, os Estados Unidos. Lá a eleição se define em quatro debates entre os dois candidatos, um a um, frente a frente. Segundo turno é isso. Termina o primeiro turno, dez dias de descanso pra baixar a bola.

E vinte dias de campanha intensa?
Durante esses vinte dias, as empresas de televisão fazem dois ou três debates, um a um. Aí vai se saber quem é quem. O que me levou (a apoiar Marina), me deixou muito angustiado, foi o que aconteceu na Casa Civil.

O caso Erenice Guerra?
É. O caso Erenice me surpreendeu. Toda a análise que eu fazia… Foi um fato novo, que me abalou. O esforço para haver um segundo turno é muito importante para o Brasil.

O caso Erenice alterou a imagem que o senhor tinha de Dilma?
No contexto geral. Eu imaginava que no tempo do primeiro chefe da Casa Civil, José Dirceu, era uma coisa e essas coisas tinham desaparecido. Mas não tinham desaparecido. Tinham que ser mais esclarecidas. E a Dilma é uma figura fora do comum na história do Brasil. Não apenas a sua biografia, a sua história, mas o que ela representa, no meio dessa radicalização do PT e dessas manifestações meio exageradas do Lula, com relação à participação dos partidos em funções que até então eram reservadas para os técnicos, tipo a Petrobras… Hoje são loteadas para partidos políticos. E o Serra, no tempo de Fernando (Henrique Cardoso), foi mais ou menos igual. A Marina se propõe a fazer um governo nacional, chamando os grandes nomes da sociedade brasileira.

Leia integra da entrevista em Terra Magazine:

http://terramagazine.terra.com.br

mar
31

ACM Jr: em busca de Aécio

=================================================================
A revista digital Terra Magazine publica nesta quarta-feira entrevista na qual o senador baiano ACM Jr revela que o DEM vai esgotar convite para Aécio ser vice de Serra. BP reproduz a conversa de ACM Jr com o repórter Claudio Leal, de TM, na qual o sernador considera sede de poder o apoio de ex-aliados do carlismo à chapa do petista Jaques Wagner à reeleição.

===============================================================

Claudio Leal

Para o senador ACM Jr. (DEM-BA), ainda não morreu a ideia de trazer Aécio Neves para a vice do presidenciável José Serra (PSDB-SP), que se desincompatibiliza nesta quarta do governo de São Paulo. Apesar das sucessivas recusas do líder mineiro para compor a chapa tucana, o DEM pretende insistir até a náusea.

- Nós temos que esgotar as possibilidades de ter o governador Aécio na vice. A partir daí, nós pensaremos outro nome – defende o senador democrata, ainda que o DEM tenha a prerrogativa de indicar o vice.

Em entrevista a Terra Magazine, o empresário e político comenta a adesão de velhos aliados de seu pai, o ex-senador baiano ACM (1927-2007), à chapa eleitoral do governador Jaques Wagner (PT-BA). O petista finaliza uma aliança com os ex-carlistas Otto Alencar e César Borges.

- No momento em que se identificar que eles foram aliados nossos e agora querem se aliar ao PT por questões de repartir poder, é claro que o eleitor vai ficar desconfiado e pode votar contra – critica.

Terra Magazine – Senador, como tem evoluído as articulações para a vaga de vice de José Serra?
Antonio Carlos Jr. – A candidatura de Serra é consolidada, favorita, nós estamos contentes com a posição do governador e vamos fazer uma grande festa em Brasília, no dia 10 (de abril), para lançar a candidatura dele. Estamos bastante otimistas. Em relação ao vice, vamos aguardar para fazer a melhor escolha.

O DEM vai apresentar o nome?
Primeira coisa: nós temos que esgotar as possibilidades de ter o governador Aécio (Neves) na vice. A partir daí, nós pensaremos outro nome.

O senhor ainda aguarda o governador Aécio Neves? Ele já desmentiu essa possibilidade.
Ainda vamos esgotar a possibilidade de ter o governador Aécio como candidato a vice. A partir daí, vamos pensar em outra alternativa.

O que o senhor pensa do apoio de ex-aliados do seu pai, o ex-senador ACM, à chapa do governador petista Jaques Wagner?
Na verdade, é claro que muita gente gosta de estar próximo do poder. Vejo a aliança como uma tentativa de se manter em suas posições de poder. Mas isso pode ser uma coisa contrária, porque quando repassar a origem dela, vão ver que não se misturam posições ideológicas absolutamente diferentes. Pode ser prejudicial. O eleitor não vai ver com bons olhos essa aliança.

O PT sempre fez muitas críticas ao pai do senhor… Eram inimigos históricos. Como avalia essa adesão?
É isso que pode prejudicar esses candidatos. No momento em que se identificar que eles foram aliados nossos e agora querem se aliar ao PT por questões de repartir poder, é claro que o eleitor vai ficar desconfiado e pode votar contra.