ARTIGO DA SEMANA

Greve da PM, tropas do General, bênçãos do Bispo

Vitor Hugo Soares

Acabou na tarde de quinta-feira (17)- bem ao gosto e ao estilo da terra, desde o tempo de Gregório de Mattos, o satírico Boca do Inferno – a greve dos policiais militares da Bahia e dos Bombeiros. Em um parque privado de festejos dos soteropolitanos, onde os grevistas se aquartelaram, foi aprovada a contraproposta do governo estadual às suas reivindicações. Lidas pelo líder, soldado-vereador Marco Prisco (PSDB), um tucano em ascensão na luta sindical e na política partidária baiana.

Depois do sim ao documento, gritado por centenas de militares na assembleia fardada, o arcebispo de Salvador, cardeal Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, um dos mediadores do conflito (devidamente paramentado para a ocasião), deu uma benção aos grevistas e seus familiares presentes. Os militares entoaram o coro de celebração de vitória: “Ô, Ô, a PM voltou…”.

O governador Jaques Wagner, do PT, por muitas razões, também exibia na Quinta-Feira Santa o ar de alívio de quem tem andado com os nervos à flor da pele nestes dias de tensão, violência, saques, mortes e tumulto no estado que ele comanda.

Sem poder cantar vitória nos moldes dos grevistas, ou a exemplo dele próprio quando patrocinava na Bahia ou apoiava em discursos inflamados no Congresso, em Brasília, greves de polícias militares contra o governo de Antonio Carlos Magalhães, o governador petista pelo menos deve escapar de ser malhado como “Judas”, neste Sábado de Aleluia de 2014, como entidades de apoio à greve e alguns de seus adversários, na política local e nacional, já planejavam fazer se o impasse no movimento continuasse.

Wagner agora puxa a ponta oposta da corda, no jogo sindical onde ele surgiu e cresceu na política, até se eleger deputado, tornar-se ministro e homem de confiança do presidente Lula, antes de galgar o mais elevado posto de comando no Estado, onde se mantém há dois mandatos. Quando a greve estourou desta vez, sua providência inicial e mais imediata foi pedir à presidente Dilma o envio de tropa do Exército e da Força Nacional, “para garantir a segurança da população baiana”.

Anteontem, Wagner teve ao seu lado como escudeiros no Centro Administrativo da Bahia, o ministro da Justiça e companheiro de partido, José Eduardo Cardozo, e vários chefes militares de alto coturno das Forças Armadas e da Força Nacional, deslocados de Brasília e de outras regiões do país pela presidente da República, para dar uma força ao amigo e companheiro de partido em apuros – aquele que ela escolheu para ser o coordenador no Nordeste de sua campanha pela reeleição.

Esta semana, Wagner foi acossado pelos grevistas e questionado por adversários implacáveis no Estado quanto a sua competência política, duramente , também, na fama de “hábil negociador” (comparável a Lula, segundo raposas petistas), depois de duas derrotas desastrosas seguidas em menos de três anos: na primeira greve da PM em seu governo e, em seguida, na paralisação dos professores – pelas quais paga ainda alto preço de desgaste pessoal e queda na aprovação popular ao seu governo. Desgaste ampliado dentro de suas próprias linhas de comando, ao impor ao PT e aliados estaduais o nome do amigo do peito e ex-secretário, Rui Costa, como candidato à sua sucessão no Palácio de Ondina.

Situação difícil e complicada sim, mas nada que não possa piorar, ainda mais, diante das últimas imagens deploráveis e assustadoras projetadas nestes últimos dias, da capital da Bahia, para o resto do País e várias partes do mundo.

Salvador, a linda Cidade da Bahia, fundada para ser a Rainha do Atlântico Sul, transformada de repente numa espécie de Macondo, a fictícia cidade do realismo fantástico criada no romance Cem Anos de Solidão, pela genialidade de Gabriel García Márquez.

Ironia das ironias: a morte de Gabo, no México, e o fim da greve da PM e dos desvarios dos saques e violência sem freio na capital baiana, foram anunciados praticamente ao mesmo tempo na tarde de quinta-feira. Nas ruas do centro e da periferia, um cenário de terra arrasada, de fim de guerra, com a tropa do Exército e da Força Nacional, comandadas pelo general Racine tentando manter algum nível de segurança e impedir o caos definitivo na capital e em cidades do interior, a exemplo de Feira de Santana, onde 21 pessoas foram mortas em um único dia. Em Salvador foram mais 17.

A greve da PM durou dois dias e meio. Tempo de sobra para esfrangalhar os nervos da população, abalar reputações políticas, sindicais e administrativas, constranger a muitos, revelar os instintos mais primitivos de outros tantos. E o pior, aplicar um golpe duro e cruel na linda e legendária capital baiana, cujos habitantes se esforçam para reconquistar a auto-estima perdida em anos de desvios e malfeitos políticos e administrativos.

Finda a greve, começa o balanço das perdas e danos. Dos ganhos também, se existirem mais alguns além das parcas conquistas salariais e funcionais dos grevistas, abençoados pelo bispo no final de tudo. Dos profissionais e empresários da comunicação, governantes, empresários do comércio atacado e saqueado duas noites seguidas, da indústria, dos anônimos e conhecidos assaltados a mão armada no meio da rua, da imagem turística ferida, dos partidos e da gente do poder em geral mais desacreditados ainda.

“Ô, Ô, a PM voltou”! É o que parece mais relevante, por enquanto. O resto será decidido pelo tempo, senhor da razão. E pode ser mais cedo do que muitos imaginam. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Em tempo:Depois de escrito este artigo sobre a greve de policiais militares e bombeiros da Bahia , na quinta-feira, o vereador- soldado Marco Prisco foi preso ontem(18} no litoral norte da capital baiana por agentes da Policia Federal e levado para Brasilia. O líder da greve da PM está preso na Papuda, mas esta é outra história ainda a ser contada. (VHS)


ACM Neto: na contramão do DEM?

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DEU NO SITE DE CHICO BRUNO

http://www.chicobruno.com.b

O deputado federal ACM Neto (Democrata-BA) deveria ver e rever o excepcional programa tocado pelo jornalista e marqueteiro baiano José Fernandes para o seu partido na TV.

É que o discurso do deputado destoa da estratégia nacional traçada por Zé Agripino para o Partido Democrata.

ACM Neto insiste em criticar pontos negativos do governo baiano inerentes a todas as administrações estaduais do país, independente da cor partidária.

A violência e a criminalidade assolam todos os quadrantes do país.

A insistência de ACM Neto na comparação entre a Bahia e Pernambuco destoa o discurso traçado pelo partido, pois enche a bola de uma legenda da base aliada do governo federal e prejudica a oposição que o Democrata faz ao governo de Pernambuco.

Na medida em que ACM Neto elogia o desempenho de Eduardo Campos em desfavor de Jaques Wagner ele atira contra o próprio quartel.

Além disso, não é verdade que “as principais indústrias estão indo pra Pernambuco” como alega o deputado.

A verdade é que novas unidades industriais estão se espalhando por todo o Nordeste.

Vale lembrar ao deputado que o complexo portuário da Baía de Todos os Santos é o líder do Nordeste. O porto de Salvador movimenta 50 milhões de toneladas, contra pouco mais de doze milhões de toneladas do segundo lugar, o Porto de Suape, em Pernambuco.

A Bahia é o estado líder em atração de investimentos no Nordeste e o quarto do país, abaixo de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

São dados oficiais que desmentem a comparação entre Bahia e Pernambuco feita por ACM Neto.

ACM Neto também tem criticado as viagens internacionais de Wagner com ênfase as empreendidas pelo governador a China.

Nesse sentido, o deputado deveria conversar com o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, que coordena no Brasil dois importantes estudos internacionais sobre competitividade.

O professor Arruda em conversa com a jornalista Regina Alvarez, de O Globo, afirma “que o Brasil tem muito a aprender com os chineses, pois eles têm visão de longo prazo, investem fortemente em tecnologia e inovação, em infraestrutura, em formação e qualificação profissional. E vão fundo quando se trata de conhecer um parceiro em potencial. É assim que agem em relação ao Brasil”.

- O país deveria olhar a China não como um concorrente, mas como parceiro – recomenda.

Como a China tem produtos em excesso e capital para investir, o professor Arruda anota.

- Por que então não deixar os chineses instalarem aqui suas fábricas e exigir como contrapartida investimentos em infraestrutura, por exemplo? – sugere o economista.

Resumo da ópera.

Justamente o que aconselha Arruda é o que o governo baiano vem fazendo em relação à China, inclusive com a abertura de um escritório no país asiático.

O governo da Bahia foca a atração de investimentos chineses, tanto que o estado é o líder desta agenda no país.

Por tudo isso, vale a pena ao deputado ACM Neto rever o seu discurso e se adequar ao que foi expresso no programa partidário do Partido Democrata na TV.

Um pequeno lembrete: Zé Fernandes e o deputado moram em Salvador, o que facilita um papo entre os dois.

abr
11

De seu posto de observação privilegiado no litoral norte de Salvador, com janelas abertas para o Atlântico, o blogueiro Chico Bruno segue enxergando longe. E atirando com mira de precisão. Confira. (VHS)
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Direto da Varanda: Chico Bruno

“Você já foi à Bahia, nega?”

O boa praça Alcelmo Gois pegou no pé do governador Jaques Wagner, em seu blog, com a notinha “Você já foi à Bahia, nega?”.

“Na Bahia de Jaques Wagner, a praça em frente ao Mercado Modelo de Salvador virou estacionamento da Justiça do Trabalho.

Na Bahia de Jaques Wagner, os casarões antigos ao lado do Elevador Lacerda, na Cidade Baixa, estão caindo.

Na Bahia de Jaques Wagner, museu não abre domingo no Pelourinho. Deve ser porque tem muito turista.

Com todo o respeito.”

O boa praça Ancelmo citou o Mercado Modelo, a Cidade Baixa e o Pelourinho, que são parte integrante de Salvador, capital do estado, que possui um prefeito reeleito, João Henrique, que era a quem ele deveria ter se dirigido.

Parece que Ancelmo sentiu saudades de uma de suas principais fontes de notícias, o falecido ACM.

É que Alcelmo criou o bordão “na Bahia de ACM” sempre que citava a Boa Terra em sua coluna.

Enquanto isso, bem longe da Bahia, na Grécia, o governador Jaques Wagner tem a sua popularidade reconhecida por um grupo de turistas baianos que visitavam o país.

Sem se fazer de rogado, Wagner tirou dezenas de fotos com os participantes do grupo junto com a presidenta Dilma.

Aliás, Wagner é o único governador a fazer parte da comitiva da presidenta Dilma à China.


Infraestrutura: aeroporto de Salvador alagado
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Direto da Varanda: Chico Bruno

Os prejuízos do voluntarismo de Lula

Sábado (26), o jornalista baiano Vitor Hugo Soares em seu artigo semanal no sítio Bahia em Pauta, reproduzido no Blog do Noblat e na revista eletrônica Terra Magazine, lembrou um ensinamento básico do mestre Juarez Bahia:

“Quanto sentar diante da máquina na redação de um jornal para produzir um texto, escreva sempre como se estivesse falando do assunto pela primeira vez, mesmo que algum “copy” reclame ou considere repetitivo. Pense no leitor que não tenha nenhuma informação ou referência prévia sobre o tema e cuide bem do enfoque, pois isto é que faz toda diferença na comparação dos jornais, em cujas páginas se publicam todos os dias praticamente as mesmas notícias”.

Posto isso, vale registrar que o Brasil nos oito anos de governo Lula deu passos que as suas pernas não conseguiriam acompanhar.
Poucos foram os que na mídia alertaram para essa distorção.
Este sítio se inclui na minoria que bradou que as conseqüências seriam desastrosas em um futuro imediato.

Lula governou com voluntarismo.

Usou a tese do “acreditamos porque queremos” ao máximo.
Bolsa Família, crédito consignado, renúncia fiscal, grandes obras e muito marketing foram as alavancas para incentivar o consumo e o crescimento do país.

O problema é que Lula não levou em conta que o Brasil não estava preparado para o seu voluntarismo ou mesmo assim sabia disso, mas seguiu em em frente de olho nas urnas eleitorais de 2004, 2006, 2008 e 2010.

Agora, com Dilma, começam a aparecer os frutos negativos plantados pelo voluntarismo de Lula.
Rebeliões em grandes obras iniciadas em locais que não comportam uma demanda populacional de grande monta.

As vias urbanas das grandes e médias cidades não conseguem absorver o crescimento gigantesco de veículos. Os engarrafamentos se tornaram um tormento corriqueiro aos motoristas desstas cidades.
As rodovias não conseguem absorver o crescimento das safras do agronegócio. Não foram construídas para aguentar o peso excessivo de gigantescas carretas.

Os portos estão em colapso, pois não possuem condições adequadas em tempo útil para embarcar a produção nacional.

A defasagem dos aeroportos em relação ao aumento do número de vôos e passageiros provoca o caos nos saguões de embarque e desembarque.

Esses são alguns exemplos dos prejuízos causados pelo voluntarismo de Lula.

Poderia-se enumerar muitos outros.

Resumo da ópera.

O Brasil não estava e não está preparado para absorver tamanho crescimento incentivado pelo voluntarismo de Lula.
Essa é a herença maldita que Dilma herdou e precisa transformar em benigna para garantir a sua reeleição.

Chico Bruno