Zé Celso: bate boca com ministra/imArquivo
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CLAUDIO LEAL

No encontro da ministra da Cultura Ana de Hollanda com artistas, deputados e produtores na Assembleia Legislativa de São Paulo na tarde desta terça-feira (10), o diretor teatral Zé Celso Martinez Corrêa travou um bate boca com a convidada. Depois de a ministra ter dito que não responderia à carta do movimento Mobiliza Brasil, pois esta havia sido dirigida a presidente Dilma Rousseff, Zé Celso resmungou:

“Ah, não”. E se dirigiu à tribuna para fazer duras criticas à sucessora de Juca Ferreira no MinC:

- Não passe a bola para a presidente Dilma…Você tem que encarar porque as críticas podem levar o ministério pra frente – declarou.

Num outro momento, ele atacou o corte de verbas para a cultura no inicio do governo Dilma. “Por não ter reagido a um corte tão violento de verba, de um orçamento conquistado nas gestões de Gilberto Gil e de Juca, fica procurando minhoca. Nada nosso funciona”, afirmou o fundador do Teatro Oficina, cobrando medidas para evitar as pressões do grupo de Silvio Santos no Bexiga.

- Vocês demoraram quatro meses para vir conversar conosco – cobrou o ator e diretor. Na hora de responder a Zé Celso, Ana de Hollanda reagiu:

- Quero deixar claro que já participamos de vários encontros, estou sim dialogando… Estou trabalhando até as 23h30 no Ministério, estou aqui com a voz rouca.

Ana de Hollanda respondeu às criticas por ter recebido o secretario de comércio dos Estados Unidos durante a visita do presidente Barack Obama:

- O Brasil é soberano… Nossa atitude sempre é, foi e será soberana.

Durante a fala da ministra, Zé Celso começou a interromper com novos ataques:

- Não se utilize de burocracias – gritou o diretor, ao repelir o argumento de que o MinC “não tem como honrar os compromissos, por falta de verbas”.

Não tenho me utilizado de burocracia! – disse, ríspida, Ana de Hollanda. Zé Celso, antes de ser repreendido pela mesa por fazer repetidas intervenções, protestou:

- Todos os nossos vídeos que têm homens nus foram retirados do YouTube – disse o diretor em crítica ao moralismo. “Todas as medidas que você tomou foram sem consulta”.

Irritada, Ana de Hollanda interrompeu:

- Vamos deixar os outros participarem.


João: como personagem de “Um bonde chamado desejo”

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Claudio Leal

O prefeito de Salvador, João Henrique (PP), saiu dos limites da crise administrativa e entrou numa disputa judicial inédita com o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), depois de ver rejeitadas as suas contas de 2009. No dia do julgamento da reconsideração, em 5 de abril, o alcaide obteve uma liminar no Tribunal de Justiça da Bahia para anular os efeitos do parecer.

O juiz Mário Augusto Albiani Alves Júnior, da 8ª Vara da Fazenda Pública, acolheu o argumento de que o amplo direito de defesa foi arranhado. Do outro lado da briga, o TCM alega que as contas de Salvador se encontravam “sob advertência de rejeição”, já que irregularidades haviam sido apontadas nos anos anteriores. A rasteira judicial de João Henrique surpreendeu o tribunal e fez transbordar a contrariedade dos conselheiros.

No texto do relator Plínio Carneiro Filho, 18 pontos justificam a rejeição das contas – e a maior parte deles remete a graves lesões à gestão pública, a exemplo da “ocorrência de déficit orçamentário”; da “não aplicação do percentual mínimo exigido pela Constituição Federal na manutenção e desenvolvimento do ensino”; da “reincidência na movimentação dos recursos da educação e saúde em contas não específicas”; e da “celebração de contratos mediante dispensa de licitação, sem a devida motivação legal, especialmente com a empresa Solário Segurança Patrimonial Ltda.”

O procurador-geral do Estado, Rui Moraes Cruz, anunciou que deve ingressar com um recurso (agravo de instrumento) dentro de um prazo de 20 dias, para reverter a decisão do Tribunal de Justiça.
Essa é a superfície do conflito. Debaixo da mesa, os espasmos da sobrevivência.

Afundado numa das maiores crises administrativas da primeira capital do País, comparável somente à do ex-prefeito Fernando José (1989-1993), João Henrique agarra-se a um naco de poder. A mulher do governador Jaques Wagner (PT), Fátima Mendonça, chamou-o de dirigente “medíocre” em entrevista a Terra Magazine, em 16 de fevereiro deste ano. “A miséria é uma vergonha, o metrô é uma vergonha, a Saúde é uma vergonha, a Educação é uma vergonha, a ocupação territorial desta cidade é triste, triste”, atacou Fátima.

Na última pesquisa Datafolha, em dezembro de 2010, ele mereceu a nota 4,5, com a aprovação de apenas 18%. E enfrentou o rosto virado de 50% dos moradores. Isolado, esquivo a entrevistas, o prefeito evita concentrações populares e, assim como a personagem de Tennessee Williams em “Um bonde chamado desejo”, passou a depender da bondade de estranhos.

Nos últimos meses, João Henrique desfiliou-se do PMDB, afastou-se do ex-ministro Geddel Vieira Lima (derrotado na eleição estadual), aproximou-se de Jaques Wagner e, após ser rejeitado por outros partidos, ingressou no PP.
Nesse arranjo, embarcou na belonave municipal o ex-secretário do governo Wagner, o pepista João Leão, político próximo ao ministro das Cidades, Mário Negromonte. Velho apadrinhado do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e agora um dos próceres da aliança com o PT baiano, Leão assumiu a Casa Civil e passou a liderar a operação oxigênio, tentando reanimar João Henrique.

Com a capoeira respaldada pelo TJ, o prefeito conseguiu atrasar o envio do relatório do TCM à Câmara de Vereadores, onde uma derrota poderá se desdobrar em sua inelegibilidade por oito anos. “A preocupação de João Henrique é simplesmente com seu futuro político. Ele gasta todas as energias para reverter essa posição do Tribunal de Contas porque sabe que na Câmara não será fácil obter 28 votos”, analisa o vereador Gilmar Santiago (PT).
“Nós temos 41 vereadores, oito deles da oposição, que já devem votar com o tribunal. Ele tem que tirar 28 votos de 33 vereadores, com a base aliada toda esfrangalhada”, radiografa o petista, ex-secretário municipal da Casa Civil.
Una furtiva lagrima

O prefeito esteve três vezes no Tribunal de Contas para conversar com o conselheiro-presidente e ex-cartola do Esporte Clube Bahia, Paulo Maracajá. Terra Magazine apurou que João Henrique chorou em uma das ocasiões, ressaltando que nunca fora acusado de nada – como sói, o erro teria sido de terceiros (os seus subordinados). As lágrimas são recorrentes. Assessores e aliados costumam se referir a choros do prefeito durante reuniões reservadas.

Maracajá reage à acusação de arbitrariedade. “O principal argumento é que não houve ampla defesa, quando houve ampla defesa. A reconsideração era pra fevereiro. Ele esteve três vezes comigo, pedindo pra adiar as contas. Não apresentou documentação nenhuma, entrou na Justiça e aí conseguiu a liminar para não ser julgado pela segunda vez”, conta.

O secretário Leão também visitou o TCM. Nos bastidores, há relatos de que o prefeito teria solicitado a interferência política do governador Jaques Wagner, seu novo aliado e fiador. Maracajá confirma o telefonema de Wagner, mas nega a abordagem do assunto. “O governador não conversou comigo sobre a rejeição das contas da prefeitura, não. Ele nunca falou sobre isso. Eu conversei com o governador sobre uma mensagem que ele mandou para a Assembleia para a criação do Ministério Público de Contas, que vai ser votado. Absolutamente. Ele não falou comigo sobre João Henrique”, garante o conselheiro Maracajá.

Fiel ao receituário de seus dois mandatos, o prefeito não se pronuncia sobre a refrega judicial. Procurada, a assessoria da prefeitura reafirma que o Tribunal de Contas “não permitiu o total direito de defesa do prefeito” e que “não há motivos para haver a rejeição das contas”. “Por ser uma questão jurídica, o prefeito prefere não dar entrevistas sobre o assunto”, acrescenta o secretário de Comunicação, Diogo Tavares.

“A sensação é de que o governo João Henrique acabou, ninguém aguenta mais”, diz o vereador Gilmar Santiago. A bancada petista promete não se alinhar a Wagner na hora de apreciar o relatório. “Vamos votar pela rejeição por entender que as questões levantadas pelo Tribunal de Contas já haviam sido postas nos anos anteriores, como as alterações feitas no orçamento. A posição da bancada do PT e do PCdoB é de votar contra, mesmo com a ida de João Henrique pra um partido da base de Wagner. O governo do Estado vem procurando ter uma relação institucional. Com isso, nós concordamos”.

Apesar da terceira mudança de galho nos últimos sete anos, o prefeito não encontra segurança no entourage do governador. Pré-candidatos à prefeitura, o deputado federal Nelson Pelegrino (PT) e os senadores Lídice da Matta (PSB) e Walter Pinheiro (PT) criticam a administração municipal, embora sejam bem mais comedidos que a primeira-dama Fátima Mendonça (PV), outra a insinuar sua candidatura ao cargo em 2012.


Parentes buscam informações diante da escola pública de Realengo
AP/Terra Magazine
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Claudio Leal

A cobertura midiática da tragédia na escola Tasso da Silveira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, se apressou em elaborar, com a contribuição de fontes policiais, justificativas para o ato de Wellington Menezes de Oliveira, que matou 12 crianças na manhã desta quinta-feira, 7. O número de mortos foi anunciado esta noite pela Polícia Civil.

O comandante do 14º Batalhão, Djalma Beltrame, ao referir-se à carta deixada pelo atirador, caracterizou-a como fundamentalista e com fraseado islâmico. Nos trechos divulgados à imprensa, porém, há menções a Deus e a Jesus.

-…Preciso da visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna – escreveu Wellington.

Doutor em Antropologia pela Universidade de Paris VII e professor aposentado da Universidade Federal da Bahia, o professor Roberto Albergaria avalia que a mídia e a sociedade desejam explicações para um desvario sem significado.

- A mídia busca uma explicação para o que é uma singularidade do ser humano. O homem é um animal incerto – afirma Albergaria, ecoando o ensaísta francês Montaigne.

O antropólogo desconstroi o uso do islamismo nas narrativas televisivas sobre a tragédia na escola carioca. A religiosidade do atirador, a julgar pelo conteúdo da carta, seria um subproduto do evangelhismo televisivo.

- Se ele fez alguma referência ao islamismo, como chegaram a dizer, certamente não foi ao religioso, mas ao da mídia, que o alimentou com a ideia da destruição. A mídia associa a imagem do islamismo à imagem do mal. A linguagem do delírio dele se refere ao mundo da mídia e ao mundo das religiões, os dois mundos paralelos. A mídia vai dar a ele o exemplo de um grande ato de destruição, de grande impacto, como foi o de Columbine, um modelo americano.

Na crítica à busca afoita por sentido, Albergaria recorre a estudos franceses sobre a “violência pós-moderna”, caracterizada por uma ruptura irracional, sem explicação.

- Esse tipo de ato é bem característico do que os franceses chamam de “a violência pós-moderna”. Ela é caracterizada por duas coisas: a confusão entre o real e o imaginário (cada vez mais é o imaginário que vem da televisão) e a ausência de sentido. São atos completamente arbitrários. Antigamente, era matar pra ter dinheiro, matar para ser herói, etc. Nos livros sobre a violência pós-moderna, fala-se na destruição pela destruição. Não adianta buscar sentido. O que eu estou sentindo na mídia o tempo todo é as pessoas buscarem um sentido. Claro, a sociedade precisa de um sentido, precisa encaixá-lo como psicótico, como vítima do preconceito contra os doentes mentais…

Wellington, ex-aluno da escola Tasso da Silveira, protagonizou uma “explosão comportamental” que não atende aos padrões “normais”, acrescenta o antropólogo.

- O máximo da violência moderna é o terrorismo, que ainda tem um sentido político. Mas a pós-moderna não tem sentido nem político nem psicológico. É um ato de ruptura, de um nonsense absoluto, uma explosão cega. É um “sair de si”, na linguagem da psicanálise.

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mar
17
Posted on 17-03-2011
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 17-03-2011


Bethania: projeto de R$ 1,3 milhão origina polêmica nacional
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Claudio Leal

“É um patrulhamento idiota”. Diretor do projeto “O mundo precisa de poesia”, da cantora Maria Bethânia, o cineasta Andrucha Waddington reage, indignado e em voz alta, aos ataques à artista, que sofre críticas por ter conseguido a autorização do Ministério da Cultura (MinC) para arrecadar R$1,3 milhão através da lei de incentivo.

O debate sobre o blog esteve no topo dos assuntos mais comentados no Twitter, nesta quarta-feira, e abriu uma nova polêmica com o MinC.

“As leis de incentivo à cultura são para todos. Quem colocaria dinheiro para fazer um produto comercial com 365 vídeos de poesias? Esses projetos precisam de leis de incentivo è cultura, porque senão jamais serão feitos”, argumenta Andrucha, em conversa com Terra Magazine. Sócio da Conspiração Filmes e diretor de “Eu Tu Eles”, ele diz que cada vídeo custará R$ 3.562.

- É uma equipe que vai ter fotógrafo, produtor, maquiador, figurinista, equipamentos… Cada programa está custando R$ 3.562. São 365 programas. Um programa por dia. Trabalho de um ano. A gente vai produzir mais de 600 minutos – ou seja, o equivalente a cinco longas-metragens. No Brasil, um longa-metragem está custando entre quatro e sete, oito milhões de reais, tirando “Tropa de Elite” – afirma.

Para Andrucha, a mídia deveria falar justamente dos méritos do projeto. O cineasta insiste: há um patrulhamento contra a cantora.

- É um projeto absolutamente lindo, não entendo porque existe esse patrulhamento em cima de nomes como a Bethânia. Ela foi absolutamente atacada hoje por ser ter sido autorizada a captar (recursos) para um projeto do qual ela faz parte. Tem muita gente envolvida.

Ele afirma que não se trata apenas de “um blog”. Haverá postagens no YouTube e a divulgação do material, de junho de 2011 a junho de 2012.

- Não vejo cabimento. Esse é um projeto que não tem caráter comercial, é absolutamente cultural. É ambicioso porque é um volume de conteúdo muito grande, para trazer pro público os maiores poetas de língua portuguesa.

Nos pequenos filmes, a cantora pretende misturar música e poesia, num prolongamento da turnê do espetáculo “Bethânia e as palavras”, financiado pela Icatu Seguros. Entre os autores selecionados, o padre Antônio Vieira, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen, o moçambicano José Craveirinha, Ferreira Gullar e Caetano Veloso. Bethânia gravaria também canções como “Dança da Solidão”, de Paulinho da Viola, e “Estranha forma de vida”, de Amália Rodrigues.

Nas gravações de cerca de dois minutos, Andrucha usará a fita beta analógica. O roteirista do blog será o antropólogo Hermano Vianna, que participou da única incursão do compositor Caetano Veloso pela blogosfera, no “Obra em progresso”, de 2008. Viana e Elias Andreato colaboram com a artista nos espetáculos poéticos.

“Bethânia e as palavras” – o gérmen do projeto polêmico – será apresentado em mais quatro capitais: Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Quem levar um livro em bom estado de conservação, terá direito a meia-entrada. As obras e 5% da renda serão doados para instituições de ensino. Há alguns anos, Bethânia realiza visitas a escolas públicas para recitar seus poetas preferidos e divulgar textos em língua portuguesa


José Eduardo dos Santos: 32 anos no poder e críticas pelos
altos índices de corrupção em seu governo/EFE/TM
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Claudio Leal


As rebeliões populares no Oriente Médio estimularam a articulação de um movimento, em Angola, para derrubar o presidente José Eduardo dos Santos, há 32 anos no poder. Sucessor de Agostinho Neto, um dos ícones da luta pela Independência, Santos assumiu em 1979 a presidência do País e do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Em 1992, passou por um tumultuado pleito, o qual reacendeu a guerra civil. Com a nova Constituição, a próxima eleição presidencial está prevista para 2012.
O manifesto “A Nova Revolução do Povo Angolano” se espalha nas redes sociais, repercute em jornais online dos países de língua portuguesa e foi amplificado por uma nota da Agência France-Presse. “Em toda Angola, vamos marchar com cartazes exigindo a saída do Ze Du, seus ministros e companheiros corruptos”, anunciam. O ato central está marcado para o Largo da Independência, em Luanda, no dia 7 de março.
A combustão pode vingar, mas existe no povo angolano um sentimento de cansaço, depois de uma longa e devastadora guerra civil, encerrada somente em 2002. Terra Magazine procurou ouvir os líderes do movimento e trocou e-mails com “Agostinho Jonas Roberto dos Santos”, que se apresenta como principal organizador dos protestos. Ele usa um pseudônimo que agrega os nomes de personagens da história contemporânea de Angola: Agostinho Neto, Jonas Savimbi, Holden Roberto e o próprio José Eduardo dos Santos. Preferiu não se identificar e afirma que não há outros manifestantes por trás do nome. “Eles vão matar alguns de nós, mas no fim não vão conseguir matar-nos todos”, diz.
- Entendemos que a mídia e algumas pessoas dentre o povo angolano estão preocupados com a minha cara e eu garanto-lhe que darei a cara no momento propício porque ainda estamos na fase de mobilização das massas.
Assinada por Sergio Ngueve dos Santos, uma carta foi dirigida ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com o pedido de “ajuda e observação”. Há divisão entre os opositores angolanos. Em entrevista a uma rádio, o jornalista e ativista Rafael Marques, que mantém um site anti-corrupção, criticou o manifesto e disse que teme “um banho de sangue”, pois “os angolanos são profundos praticantes e conhecedores da violência”. “É preciso estruturar a sociedade no sentido de se preparar para o pós-Eduardo dos Santos”, defendeu Marques.
O líder anônimo, que não se assume como Sergio Ngueve dos Santos, garante que o movimento é composto por membros de todos os partidos políticos do País, mas não possui um caráter político-partidário. No centro das exigências, a realização de eleições periódicas e o fim da era “Zé Du”.
- Estamos cansados desta ditadura de quase 32 anos e queremos ser liderados por vários líderes em cada 5 ou 10 anos, o que acreditamos será uma verdadeira democracia, visto que o país será dirigido por diferentes pessoas com visões diferentes para o bem do povo angolano.
O MPLA já se pronunciou contra o movimento, o que sugere a expectativa de uma dura repressão aos anunciados protestos em Luanda e no resto de Angola. Criticado por causa de sua longevidade no poder, além dos casos de corrupção no governo, Santos tem o controle das Forças Armadas e conta com uma força simbólica sobre o País. Nesta entrevista, o líder reconhece o desejo de paz do povo angolano. Entretanto, argumenta que os jovens possuem outra mentalidade:
- Um jovem angolano disse, e com razão, que o povo de Angola já não é aquele povo de 20 anos atrás. Atualmente conhecemos a besta que vamos derrubar e não somos intimidados pelas ameaças mesquinhas do corrupto Dino Matross (secretário-geral do MPLA).
Confira a entrevista.
Terra Magazine – Agostinho Jonas Roberto dos Santos é um nome composto de lideranças políticas angolanas: Agostinho Neto, Jonas Savimbi, Holden Roberto e Eduardo dos Santos. Quantas lideranças estão por trás do atual movimento? Por que a preferência pelo anonimato no manifesto “Nova Revolução Angolana”?
“Agostinho dos Santos” – O pseudônimo Agostinho Jonas Roberto dos Santos pertence a um só indivíduo que é o lider deste movimento. O movimento foi formado por jovens angolanos. A escolha do nome tem caráter simbólico, baseando-se na sequência de vida e morte dos protagonistas, sem querendo desejar a morte de José Eduardo dos Santos. O MRPLA não pertence a nenhum partido político angolano (lê ‘about’ em www.revolucaoangolana.webs.com), mas representamos o conjunto do povo angolano pela nossa diversidade provincial, tribal, racial, cultural, e muito mais.
Entendemos que a mídia e algumas pessoas dentre o povo angolano estão preocupados com a minha cara e eu garanto-lhe que darei a cara no momento propício porque ainda estamos na fase de mobilização das massas e seria precoce e perigoso mostrar a cara.
Vocês acham que uma movimento pela substituição do presidente José Eduardo dos Santos, que está há 32 anos no poder, tem as mesmas chances de prosperar que os protestos no Egito, na Tunísia e na Líbia?
Acreditamos na mudança, principalmente porque estamos cansados das injustiças e da falta de interesse dos nossos governantes que para além de perpectuarem a exploração ao povo, perderam o sentido de criatividade e inovação. Estamos cansados desta ditadura de quase 32 anos e queremos ser liderados por vários líderes em cada 5 ou 10 anos, o que acreditamos será uma verdadeira democracia, visto que o país será dirigido por diferentes pessoas com visões diferentes para o bem do povo angolano.
Não existe um cansaço do povo angolano com confrontos políticos, depois de uma longa guerra civil? O desejo de paz não deve enfraquecer o movimento?
De princípio também pensamos assim, mas agora temos uma percepção diferente daquilo que é o nosso povo. Um jovem angolano disse, e com razão, que o povo de Angola já não é aquele povo de 20 anos atrás. Atualmente conhecemos a besta que vamos derrubar e não somos intimidados pelas ameaças mesquinhas do corrupto Dino Matross.

Leia a entrevista completa em Terra Magazine
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Florisvaldo:”em respeito ao jornalismo”
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Deu na revista digital Terra Magazine

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CLAUDIO LEAL

O editor-chefe do secular jornal baiano “A Tarde”, o poeta e jornalista Florisvaldo Mattos, pediu desligamento do cargo, nesta quinta-feira (10), em meio à crise provocada pela demissão do repórter Aguirre Peixoto. Reportagens sobre crimes ambientais de uma obra do governo da Bahia em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM teriam motivado a queda de Peixoto.

Segundo a redação, o jornal atendeu a pressões do mercado imobiliário, acusado de fazer obras predatórias na primeira capital do País. O diretor-executivo de “A Tarde”, Sylvio Simões, desmentiu a versão em entrevista a Terra Magazine e atribuiu o episódio a conflitos de “poder interno”.

Os jornalistas entraram em “estado de greve” nesta quinta e a crise ganhou repercussão em sites especializados na imprensa brasileira. O pedido de demissão de Mattos ocorre depois de Sylvio Simões ter dito, em reunião com repórteres e editores, que faltava autoridade e que trocaria todo o comando da redação em cinco ou seis meses. O diretor acrescentou que o jornal só teve comando quando Ricardo Noblat era o editor-chefe, entre dezembro 2002 e outubro de 2003. O diálogo foi tenso e os sócios do jornal se recusaram a readmitir o repórter.

Filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), Sylvio amplia seu poder na direção do mais importante jornal baiano e um dos maiores do Nordeste. Sua mãe, Regina Simões, filha do fundador Ernesto Simões Filho, tem 50% das ações. A empresa sofre uma baixa de circulação e há anos enfrenta conflitos editoriais. Segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), “A Tarde” já foi ultrapassada em tiragem pelo “Correio”, da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

“Informo aos prezados colegas que, em encontro cordial com os membros da Direção Executiva, apresentei a minha demissão do cargo de editor-chefe e o meu desligamento dos quadros da Empresa A TARDE, de forma inteiramente livre e espontânea”, escreveu Florivaldo Mattos à redação. Ele saiu sob os aplausos dos colegas. Em assembleia, os jornalistas de “A Tarde” pediram à direção que definisse uma linha editorial, para evitar a repetição do caso de Aguirre.

Sylvio Simões desmentiu que o jornal esteja negociando a venda de ações com os empreiteiros Francisco Bastos e Carlos Suarez. “Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo tô doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro!”, reagiu.

Em conversa com Terra Magazine, o ex-editor-chefe Florisvaldo Mattos preferiu não comentar o pedido de demissão, “em respeito ao jornalismo”. Ele ressalta que trabalhou por 21 anos em “A Tarde” e atribui sua saída a episódios acumulados, não apenas a atual crise.


Syilvio Simões: “se tiver
ação à venda, eu compro”
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O repórter Claudio Leal, da revista digital Terra Magazine , foi na fonte esta quarta-feira, 9, e ouviu o diretor de A Tarde, Sylvio Simões, sobre a crise sem precedentes que grassa no mais antigo jornal baiano, fundado em 1912 por Ernesto Simões Filho.

A situação no diário da Avenida Tancredo Neves (Caminho das Árvores) ficou ainda mais crítica desde ontem, com a demissão do repórter de Política Aguirre Peixoto, seguida da reação dos jornalistas da redação que em Carta Aberta , acusaram a direção de A TARDE de entregar a cabeça do repórter em uma bandeja, sob pressão do mercado imobiliário .

Bahia em Pauta reproduz a entrevista de Terra Magazine:

(Vitor Hugo Soares )
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Claudio Leal

O mais antigo jornal baiano em atividade, “A Tarde”, fundado em 1912 pelo ex-ministro do governo Getúlio Vargas Ernesto Simões Filho, vive uma das suas mais intensas crises, num conflito que envolve os jornalistas e o setor imobiliário de Salvador. Depois de publicar uma reportagem sobre crimes ambientais denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) numa obra realizada pelo governo baiano em parceria com as empresas Patrimonial Saraíba e Construtora NM, o repórter Aguirre Peixoto foi demitido pelo jornal.

Em protesto, a redação emitiu uma carta aberta e fará paralisações diárias de duas horas. Terra Magazine ouviu o diretor-executivo do Grupo A Tarde, Sylvio Simões, que procurou esclarecer o episódio. Segundo Simões, a demissão se deve “muito mais (a) uma questão de relações de poder interno, do que (a) qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria”. Ele rejeita a informação de bastidores, frequente na blogosfera e nas redes sociais, de que o jornal recebeu pressões de empreiteiros.

- Obviamente, é bom que se saiba, “A Tarde” não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial – afirma Sylvio Simões.

Os repórteres relatam que um dos membros da família proprietária, Ranulfo Bocayuva, teria posto seu cargo à disposição, em desacordo com os primos. O fundador do antigo vespertino, Ernesto Simões, deixou três filhos (Regina, com 50% das ações, Renato e Vera, 25% cada um); o jornal é administrado, atualmente, pelos seus netos Sylvio, Ranulfo e Renato. O IVC (Instituto Verificador de Circulação) indicou que, pela primeira vez na história, a tiragem de “A Tarde” foi superada por um concorrente, o “Correio”, da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

O diretor-executivo, Sylvio Simões, desmente ainda a venda de ações de “A Tarde” para empresas do mercado imobiliário, principalmente dos construtores Francisco Bastos e Carlos Suarez:

- Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos).

Ele afirma que a demissão pode ser reparada “no futuro”, e “não agora”. Confira a entrevista.

Terra Magazine – O que ocorreu no episódio da demissão do repórter Aguirre Peixoto?

Sylvio Simões – Foi uma atitude da direção em relação a um redirecionamento da nossa atividade de comunicação. É só esse o ponto. É uma coisa que estão dando uma dimensão na qual não faz A Tarde. A Tarde tem uma posição muito clara, muito nítida, muito transparente, em relação aos seus propósitos. É um momento de mudanças muito grandes na empresa. O mundo está mudando e nós estamos mudando. As coisas estão se estabelecendo de uma maneira que, às vezes, há um nível de conflito interno, natural. A gente tem que tocar o barco. Obviamente, é bom que se saiba, A Tarde não sofre pressões, ninguém tem nos pressionado porque sabe da nossa conduta e do nosso comportamento. Foi muito mais um problema de relações da atividade empresarial.

O que a redação argumenta é que o repórter foi demitido depois de publicar uma matéria sobre a questão imobiliária, em Salvador. O que vocês dizem?

A razão não foi essa, foi muito mais uma discordância dentro da dinâmica da gestão da empresa. Por ventura, tentaram evidenciar uma carta dando exatamente esse sentido, que não é verdadeiro e o tempo vai exatamente demonstrar que foi muito mais uma questão de relações de poder interno, do que qualquer tipo de penalização por fazer qualquer tipo de matéria, seja em relação ao mundo imobiliário, em relação ao governo, em relação ao mundo agrícola. Sempre tivemos um princípio muito claro: nós temos um compromisso substantivo com a cidadania. Temos a obrigação na construção de um novo mundo civilizatório.

E por que Aguirre Peixoto foi escolhido?

Isso, na realidade, é que é lamentável. É lamentável que tenha acontecido essa questão com Aguirre, é lamentável. Mas a gente lamenta o que aconteceu com Aguirre, foi um desentendimento em relação à questão da visão diretiva do grupo. Isso pode ser reparado no futuro. Não agora, porque aí seria acatar uma posição diretiva de total discordância no centro de decisões da empresa.

Não há acordo com os jornalistas? Ele estão numa paralisação de duas horas.

Rapaz, eu acho que não. Eles estão obviamente conversando com o sindicato e amanhã nós vamos ter uma conversa exatamente explicitando todos esses pontos que estamos falando. Porque há uma Porque há uma afetividade muito grande dos jornalistas com A Tarde. Na realidade, foi muito mais um problema de ordem diretiva da empresa, do que estão tentando afirmar. A Tarde não tem nenhum tipo de problema natureza de problema com qualquer área da atividade econômica, porque nós temos uma independência muito clara e todo mundo sabe na Bahia disso.

Não houve um corte de anúncios do setor imobiliário?

Nunca houve corte de anúncios. Não é verdade. A construção civil, aqui no Estado da Bahia, neste ano que passou, os insumos subiram muito e houve uma redução da atividade imobiliária. Houve uma redução da atividade imobiliária. Isso aí, se você puder pesquisar, eu até lhe agradeço. Por exemplo, no governo também houve uma redução de publicidade. Porque, você sabe, nas eleições para governador e para presidente da República, fica limitada a possibilidade de fazer publicidade. Teve duas reduções: uma redução do mercado imobiliário, as construtoras pararam de construir como estavam fazendo; e tem a questão da retração do próprio governo. E na área de telefonia também houve um ajustamento.

E as notícias que estão nos blogs, de que A Tarde…

Essas notícias que estão nos blogs corre, exatamente, de uma posição adotada, antagônica à posição da direção.

O jornal não está à venda? Circula que o jornal estaria negociando a venda de parte das ações para o mercado imobiliário, com os empresários Francisco Bastos e Carlos Suarez.

Não. Meu amigo, eu vou lhe dizer assim: se por acaso tiver uma ação à venda, do grupo A Tarde, eu e meu sócio compramos (risos) Compramos na mesma hora. Eu mesmo to doido pra comprar. Se você conseguir aí alguns sócios pra eles venderem, eu compro? Então, a questão foi muito mais do fórum de conflito diretivo, do qual realmente a gente adotou uma posição. Lamentavelmente, surgiu esse problema, no momento em que estamos fazendo grandes mudanças. Estamos, por exemplo, montando uma nova concepção estratégica. Estamos nos preparando para a festa dos 100 anos. Uma máquina nova, um sistema de governança, com a empresa alinhada para os próximos 20 anos.

Como foi tomada essa decisão de demitir Aguirre? Isso não fica restrito à redação, à secretaria de redação?

Olha, houve uma discordância aí realmente. A parte do corpo diretivo…

Seu primo, Ranulfo Bocayuva?

Não vejo como uma questão de parente, não. Vejo como questão de executivos. Que é uma questão nossa, no primeiro momento. Na área dos executivos, realmente, a gente acabou tomando uma decisão majoritária e aconteceu esse episódio. Mas, obviamente, a gente desenhou a questão do comando da empresa em relação à política da qual a empresa tem estabelecido ao longo de todos os anos. A Tarde nunca teve uma posição sistemática. A Tarde sempre foi crítica, no momento de ser crítica, e no momento de se elogiar a gente elogia. A gente não pode adotar posições sistemáticas em relação a coisa alguma. Nesse novo Brasil, é preciso muito mais competência, porque você fazer as mudanças, as transferências de renda, com sensatez, é muito difícil. É o que a gente está tentando fazer aqui. Estou fazendo apenas uma analogia. Esse pano de fundo está sendo divulgado não é verdadeiro.

Como o senhor vê as críticas à expansão imobiliária em Salvador? É muito agressivo para a cidade?

Olha, essa questão imobiliária em relação à cidade de Salvador não advém de agora. Ela agora tomou uma dimensão maior. O que está faltando é um PDDU bem desenhado e bem definido. Isso cabe à atividade pública, à Prefeitura da cidade do Salvador. Ela precisa sentar com todos os atores e desenhar um plano que acolha a questão do meio ambiente e que acolha também a questão das pessoas. O grande problema do jornal brasileiro é que ele é absolutamente factual. O fato ninguém discute. Mas os jornais da Europa e da América do Sul são analíticos e críticos. Essa é uma grande discussão que a gente precisa ter. A gente não pode transformar o mercado imobiliário como se fosse uma coisa unívoca. Tem empresas que atuam com seriedade, com responsabilidade, etc., e tem outras que muitas vezes não atuam e precisam ser criticadas.

A Tarde vai continuar publicando matérias críticas em relação a essa expansão imobiliária?

Ah, sem dúvida, sem dúvida, desde que haja motivo e razão a gente vai tomar posição crítica em relação ao mercado imobiliário e em relação a qualquer mercado. Agora, o que nós temos levantado é o seguinte, em relação a todos os jornais, não só do Brasil, mas do mundo. A gente está perdendo leitores porque o mundo mudou de paradigma e a gente não mudou. Qual é o paradigma? Qualquer atividade é gratificante. Existe uma coisa mais bonita do que trabalhar para construir as coisas? Então, os jornais precisam começar a atividade de imóvel. E criticar a operação. O sujeito fez uma ponte errada? Você chega e baixa o cacete, porque a ponte foi mal construída. Sabe o que vai acontecer? Aqueles que constroem pontes erradas, até um Estado socialista vai dizer. Agora, se você transforma aquela ponte quebrada em todos os construtores de ponte constroem pontes ruins, aí é um problema. Até para a relação humana. A nossa reflexão é focar numa análise crítica. Isso é inabalável.

Aguirre foi demitido por causa do posicionamento editorial em relação à construção civil?

De forma alguma, foi muito mais por uma questão de discordância do corpo diretivo, que adotou uma posição. E essa posição não estava sendo estabelecida. As coisas estão caminhando dentro da dinâmica sistemática, e aí transformava todo mundo em japonês. Isso não é possível. A gente só é sistemático quando a gente não tem razão. Quando a gente tem razão, uma matéria bem dada resolve o problema.

Tem lhe incomodado o fato de os jornalistas falarem da vinculação da família Simões com negócios imobiliários?

Não há vinculação nenhuma. Não temos nenhum negócio no mercado imobiliário.

Eles falam de uma empresa de venda de imóveis de sua família.

Nós não temos nenhuma empresa imobiliária. Se tem, é de minha mulher e eu não participo. O jornal, ao contrário, não traz nenhum benefício, nem também nenhum malefício à atividade dela. Por quê? Ela é uma empresa de porte, associada a uma empresa de São Paulo, é a segunda empresa da Bahia. É meu segundo casamento, portanto não tem nada a ver com meu negócio.
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Claudio Leal

Da Redação de Terra Magazine(SP)

Considerado um dos piores gestores das capitais brasileiras, com taxa de reprovação de 50% na mais recente pesquisa Datafolha, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), enfrenta contundentes ataques a seu mandato. Na internet, uma petição com cerca de 1.600 assinaturas pede o “impeachment” de Carneiro, “por incapacidade de gestão, falta de transparências na utilização de recursos públicos, falta de prestação de contas das relações de Trancons, créditos tributários, compras e contratações em licitações, e por desequilíbrio da ordem pública”.

A prefeitura da capital baiana se defende de casos de corrupção. A ex-secretária de Planejamento Kátia Carmelo relatou a existência de uma “máfia da Transcon”, as permissões para obras na orla marítima de Salvador. O esquema, que envolveria empreiteiros e funcionários públicos, pode ter provocado prejuízos de R$ 500 milhões para o erário.

Terra Magazine apurou que o prefeito não responderá à petição, pois aponta o blogueiro João Andrade Neto, do “Pura Política”, como o autor do abaixo-assinado. Andrade foi preso pela Polícia Civil, em agosto de 2010, por tentativa de extorsão de um empresário, com flagrante do Centro de Operações Especiais (COE). As críticas também partem de vários setores da sociedade e são manifestadas em redes sociais como Facebook e Twitter.

“Esse processo de coleta de assinaturas partiu de uma pessoa que não tem credibilidade nenhuma, tem interesses escusos que não passam pelos interesses públicos”, diz o secretário de comunicação, Diogo Tavares. A Secom afirma que, nos últimos meses, não houve pedido de anúncio por parte do blogueiro. Uma reportagem do site avisava: “Vinte e três pessoas já assinaram o pedido de Impeachment contra o prefeito de Salvador, apresentado pelo diretor do Pura Política, João Andrade Neto”.

João Henrique é criticado pela liberação desordenada de construções na cidade, invadida por anúncios imbiliários desde o início do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que alterou o perfil histórico da primeira capital do Brasil, em 2007. O prefeito não se defendeu publicamente do pedido de “impeachment”, que ganha força nas redes sociais. Sob o pretexto de adequar a capital para a Copa do Mundo de 2014, a prefeitura estuda alterações no PDDU, para expandir o setor hoteleiro.

“A gente está buscando uma correção dos gabaritos nas áreas com atividade preferencialmente hoteleira”, declarou o secretário de Desenvolvimento, Habitação e Meio Ambiente, Paulo Damasceno, em entrevista ao jornal “A Tarde”. Os bairros cobiçados pelas empreiteiras são os litorâneos Stella Maris, Piatã, Ribeira, Ondina, Rio Vermelho, Armação e Pituaçu. De perfil residencial, a Ribeira nunca teve espigões.

“O pedido é o sumário afastamento do prefeito João Henrique pela falta de assistência à população soteropolitana, cidades cheias de buracos, lixo nas ruas, falta de transparências no contrato de coleta de lixo, das contratações emergências (sic) desnecessárias, e com contratações na modalidade de inelegibilidade, inexistência de responsabilidade e compromissos com os funcionários públicos, atrasos de salários, calotes a fornecedores, benefícios políticos de ordem estrutural da maquina pública para eleição da sua esposa, a deputada e primeira dama Maria Luiza Orge Carneiro, e pela liberação irregular de alvarás de postos de gasolina”, diz o texto da petição.

Após o anúncio do aumento da tarifa do ônibus, de R$ 2,30 para R$ 2,50, um movimento de protesto começou a ser articulado na internet. Em 2003, a “Revolta do Buzu” paralisou as principais avenidas da cidade.

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Claudio Leal

O artista plástico e curador Emanoel Araújo, 70 anos: “Enfrentei ponta de inveja de gente que se sentiu ameaçada por um neguinho baiano na Pinacoteca de São Paulo”

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CLAUDIO LEAL

Terra Magazine

Em 15 de novembro, um dos principais artistas plásticos e curadores de arte do Brasil, Emanoel Araújo, completará 70 anos. A poucos dias dessa data cívica e pessoal, o diretor do Museu Afro-Brasil proclama uma outra república, turvada por desencantos: “Nós somos a República do fracasso”.

Renovador da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a qual se encontrava depredada no início da década de 90, e ex-secretário de Cultura na gestão municipal de José Serra (PSDB), Emanoel se considera “inquieto, não-conformista e indignado”. Conhecido pela habilidade viperina de polemista, ele anuncia, nesta entrevista a Terra Magazine, o agravamento de seu ceticismo.

- O Brasil é um terror, um horror. Você chega aos 70 anos constatando que existe uma camada, uma cenografia, uma vestimenta falsa. As cidades incharam, ficaram mais pobres, toda a geração que foi responsável pelas mudanças também desapareceu. Isso que é trágico – diz o artista baiano, nascido em 1940 na cidade de Santo Amaro da Purificação.

O debate sobre o negro na sociedade brasileira lhe atiça o verbo e faz decolar uma série de perguntas sobre o retrocesso do País na questão racial.

- A televisão ainda acha que o lugar do negro é na cozinha ou como serviçal. O exemplo da TV e do cinema americanos não chega até aqui. Imagine se Denzel Washington, por exemplo, fosse brasileiro, qual o lugar que lhe caberia na televisão? Ou se Spike Lee fosse um cineasta brasileiro, o que ele faria?

À frente da Pinacoteca de São Paulo, Emanoel Araújo enfrentou os muxoxos de parte da comunidade artística e universitária, que se recolheu depois do sucesso de sua administração. Segundo conta, houve pedidos de cabeça por ser um “neguinho baiano”. O movimento negro se mobilizou em sua defesa.

- Absolutamente racista. Quando eu fui nomeado por Adilson Monteiro Alves, o jornal Estado de S. Paulo publicou: “Foi nomeado diretor da Pinacoteca Emanoel Alves (sic), em lugar da professora e doutora Maria Alice Milliet”. Eu vivia em São Paulo tinha muito tempo, mas era como se eu estivesse chegando naquele momento. Muita gente chegou na Pinacoteca e me disse: “Mas, como um baiano vai dirigir a Pinacoteca?”.

Com desalento, há uma conclusão:

- Todo sujeito que pensa a modernidade e o avanço é ceifado no Brasil. Porque o Brasil tem que significar o fracasso. Isso é o que importa. Nós somos a República do fracasso. Não adianta. Não sei de onde vem essa lógica perversa.

O curador ataca a ditadura da “arte contemporânea”, cuja epidemia tem desvirtuado alguns dos mais importantes museus brasileiros, como o Masp e a Pinacoteca. A leitura dos jornais amplia seu descontentamento.

- Outro dia mesmo, o jornal Estado de S. Paulo publicou o curador Ivo Mesquita de corpo inteiro, saindo da maquete da Pinacoteca do Estado, segundo idealizada pela Unicamp, com braços cruzados e seu sorriso de pura zombaria. Alguém disse alguma coisa? Não acredito que essa seja a postura para um curador de uma instituição dita centenária de São Paulo.

No dia da eleição presidencial, 31 de outubro, Emanoel acordou com três assaltantes em sua casa, no bairro da Bela Vista. “Se acontecesse isso há vinte anos ou dez anos atrás, você tira de letra, né?”, lamenta, algo fragilizado. Mas, ao recobrar o bom humor, ele sorri do infortúnio: “Deve mesmo ser um presente do inferno astral.”

Confira o bate-papo.

Terra Magazine – Você está completando 70 anos. O que mudou em sua rotina, em sua vida?
Emanoel Araújo – Eu acho que 70 anos é um horror. Não esperava chegar a essa idade. Estou vivendo mais do que meu pai e mais do que minha mãe. Tenho uma visão cética do mundo e, muito mais ainda, dos 70 anos. É espantoso a gente se ver, é espantoso a gente constatar a velhice, que é driblada com esse negócio de “melhor idade”, “terceira idade”, etc. etc.

Os eufemismos.
É, esses eufemismos todos que só servem para ser mais um elemento de preconceito. Pra mim, chegar a essa idade é um horror (risos). Um absurdo. Eu detesto a ideia de 70 anos. Detesto por muitas razões. Primeiro, porque todas as coisas ganham uma importância e uma severidade. Todos te olham como um velho. No Brasil, os 70 anos de alguém não chegam a ser uma glorificação. Pelo contrário, você está mais feio, mais fragilizado, mais solitário e, sobretudo, mais impaciente.

O trabalho no Museu Afro-Brasil lhe ajuda a lidar com isso?
Acho mesmo que, aos 70 anos, o que sobra é uma memória dos bons momentos da vida e dos muitos amigos que se foram, além do trabalho que a gente pensa que resta fazer. O Museu Afro-Brasil, em muitos aspectos, tem uma imensa relevância para a história afro-brasileira. Por isso, ele será sempre uma fonte de inspiração e transpiração, por todos os tentáculos a serem criados para sua reinvenção brasileira, portuguesa e africana.

Pra não cair num ceticismo completo?
Exatamente. Isso em relação a mim mesmo. Em relação ao País em que a gente vive, tenho uma visão muito ruim. Por mais que a gente tenha uma vontade de ser brasileiro, e isto é a coisa mais importante que tem – “ser brasileiro”, essa coisa que ecoa na memória, essa vontade moral e cívica -, o Brasil é um terror, um horror. Você chega aos 70 anos constatando que existe uma camada, uma cenografia, uma vestimenta falsa. As cidades incharam, ficaram mais pobres, toda a geração que foi responsável pelas mudanças também desapareceu. Isso que é trágico. O que resta é sempre uma coisa que não mais interessa.

Você sente falta de ter com quem fazer trocas culturais?
As trocas foram e serão sempre um motivo a mais de se tornar vivo, muito embora sente-se hoje a grande dificuldade desses encontros. Acho que viver numa grande cidade está se tornando tão difícil, quase impossível mesmo, e que cada pessoa procura um casulo para se esconder. Não sei como, um elo de amizade que existia nessa cidade (São Paulo) desapareceu. Não há encontros, por mais que se procure. Resta mesmo é o desencontro.

Uma das boas coisas do Museu Afro-Brasil é que ele sempre provoca encontros, seja porque ele é mesmo um espaço instigante, seja porque a história ali contada significa um grande halo que percorre muitos lugares, vidas e histórias da África, da América, da Europa e também do Brasil. Afinal, onde houve essa instituição desgraçada da escravidão os fatos se relacionam. Haverá sempre uma troca permanente da vida de muitas pessoas.

Para mim, que tenho uma vivência muito grande, até parece que nasci no século 19 e não nos anos

Leia integra da conversa de Claudio leal com Emmanoel Araujo em Terra Magazine

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DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010)

Claudio Leal

Direto de Vitória da Conquista (BA)

No encerramento de sua jornada nordestina, nesta terça-feira (26), a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, realizou um comício na cidade de Vitória da Conquista (BA), a 509 km de Salvador. A cidade do Centro-Sul deu uma das duas vitórias baianas a José Serra (PSDB) no primeiro turno. No restante dos municípios do Estado, segundo palavras do governador Jaques Wagner, “ele levou pau”. Agora, Dilma pretende pretende reduzir o eleitorado do PSDB.

No início da noite, a praça Barão do Rio Branco estava lotada, à espera da candidata petista, que ainda se encontrava em Caruaru (PE). Houve uma pequena dispersão na hora do chuvisco e da novela das oito. O aeroporto seguiu apinhado até as 20h15, quando o avião da petista aterrissou em Conquista.

O jingle “Dilma lá”, o clássico “Lula lá” (de Hilton Acioli) recriado pelo compositor Wagner Tiso, empolgou os militantes na Bahia. Crianças subiram nas árvores da praça para ver, limpamente, o palanque. “Ela parece uma noiva que está atrasada e chega por último”, brincou Wagner. Dilma saiu das costas do governador, de surpresa, numa brincadeira com a plateia. “A bicha está até mais bonitinha”, caitituou o petista.

“O meu adversário, que passou oito anos criticando, oito anos chamando o Bolsa Família de Bolsa Esmola, não. Quem representa a continuidade dessas conquistas sou eu, as conquistas do presidente Lula, os projetos do presidente Lula”, discursou Dilma.

Numa parte dirigida à região, vinculou-se ao crescimento econômico dos Estados. “O Nordeste, por exemplo, a Bahia, o Ceará, todos os Estados do Nordeste crescem ao ritmo igual ao dos países asiáticos. E aí eu disse a vocês: esse medo que a cada eleição eles tentam colocar nas pessoas é porque eles não têm projeto para o Brasil, não têm projeto para o País, para os homens e as mulheres desse País”, defendeu a candidata.

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