Em Salvador, o único metrô aéreo do mundo

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OPINIÃO

Salvador tumultuada

JC Teixeira Gomes

Em meu último artigo, prometi que completaria minhas impressões da bela Turquia, mas fiz então nova viagem, dessa feita à Polônia, e, no retorno, demorei-me cerca de um mês em Salvador.

Confesso que não gostei do que vi.

Sem meios-termos, devo dizer que a cidade me pareceu tumultuada e, em alguns aspectos, em processo de degradação urbana.

Possuo meus próprios critérios de investigação e o mais óbvio é ouvir taxistas sobre a atuação dos governantes. Posso garantir que em Salvador Jaques Wagner (a reeleição já o havia provado) está em alta, mas o prefeito João Henrique recebeu condenação unânime. E não só entre os taxistas: o povo nas ruas o desaprova. Muitas pessoas me disseram que hoje ele não mais se elegeria. Não foi à-toa que foi escolhido o pior prefeito do Brasil.

Várias são as críticas ao prefeito, a maioria se concentrando no problema do metrô.

Não custa lembrar que esse foi um reiterado item de campanha eleitoral, sempre descumprido. Há um detalhe que não pode ser omitido: Salvador talvez seja a única cidade do mundo em que o metrô, em vez de ser subterrâneo ou de superfície, é aéreo! Refiro-me, obviamente, à inconcebível linha do Bonocô. Abro meus artigos para alguém que possa me explicar por que, com tantos espaços nos canteiros das avenidas de vale, Salvador teve que construir uma longa linha de metrô elevado, montado sobre pilares e estruturas custosas.

É claro que João Henrique não pode ser responsabilizado por essa parte das obras, anteriores à sua administração, mas a ineficiência com que vem se conduzindo em relação ao resto do percurso e ao início do funcionamento do modesto trem urbano da Bahia é espantosa. Vários cidadãos me disseram: ele exibiu os vagões nos trilhos para se reeleger e depois deu sumiço em todos! Mas não é só isto: a desordem das construções na capital baiana é evidente. A orla marítima, urbanizada pelo pai do atual prefeito, está tomada pelo mato alto e horrendas construções em decadência, com destaque para o constrangedor monstrengo visual em que se transformou o Aeroclube Plaza. Em qualquer outra cidade do mundo, a prefeitura zelaria para que fosse a mais bela e nobre das áreas urbanas, à beira-mar plantada. Na Bahia, virou o símbolo da desorientação e da ineficiência administrativa.

Zonas de densa vegetação são hoje devastadas com o consentimento da prefeitura, tal como ocorreu com o Horto Florestal (li protestos em A TARDE), para dar lugar a gigantescos espigões, que, aliás, marcam agora, na atual gestão municipal, todos os pontos da cidade, gerando um aspecto atordoante para o visitante e torturante para o morador. Que será do futuro da cidade diante desse caos anunciado? O que a Bahia tem hoje de melhor deve exclusivamente à iniciativa privada, a exemplo do magnífico Salvador Shopping e outras obras enriquecedoras do tecido urbano, responsáveis pela dinamização dos acessos viários, pois a prefeitura, no particular, já no segundo mandato de João Henrique, nada fez de significativo. Não foi capaz sequer de aperfeiçoar o escoamento do tráfego que sai do shopping na direção da Avenida Tancredo Neves, outra área prematuramente degradada, pois, longe de ser a grande avenida de convivência social da Bahia moderna, é apenas uma estrada de rodagem de segunda categoria, frequentemente tumultuada (como toda a cidade) por um tráfego desordenado e infernal.

João Ubaldo Ribeiro me confessou que não vai mais à Bahia porque não há mais ruas para andar. Acha que a cidade ficou intransitável.

Salvador não é mais uma cidade para pedestres.

Não espanta que o Tribunal de Contas tenha rejeitado, unanimemente, as contas de João Henrique. Em suma, o prefeito, do qual tanto se esperava como liderança política nova, paga hoje o preço de ter eliminado da sua convivência elementos que foram decisivos para a sua condução ao poder e seriam relevantes, sem dúvida, para o seu desempenho. Mal dirigida, a nau municipal afunda, com a cidade levada no torvelinho do caos urbano e da falta de planejamento.

JC Teixeira Gomes é Jornalista, membro da Academia de Letras da Bahia. Artigo publicado originalmente no jornal A Tarde

nov
03
Posted on 03-11-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 03-11-2010

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Não adianta jogar fumaça no ar, que o blogueiro baiano Chico Bruno enxerga longe mesmo assim. Ele Mais: tem lunetas potentes no observatório privilegiado do litoral norte de Salvador, com janelas abertas para Atlântico, e bom colírio para limpar os olhos no meio da poluição jornalística que privilegia versões a fatos. Valoriza mais o adjetivo que o substantivo Confira no texto que o blog Chico Bruno – Politica & Cia Ltda publica nesta quarta-feira e Bahia em Pauta reproduz.

(Vitor Hugo Soares)

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Direto da Varanda: Chico Bruno

O governo é o mesmo, o que muda é o perfil

As manchetes de alguns dos principais jornais do país exalam versões e não fatos. Eis alguns exemplos:

O Globo: PMDB desafia PT e diz que não cederá ‘um milímetro’.

O Estado de S.Paulo: Mal-estar com PMDB faz Dilma pôr Temer na equipe de transição.

Correio Braziliense: PMDB joga duro e Dilma escala Temer.

Valor Econômico: PMDB já influencia as decisões da transição.

Estado de Minas: Transição terá Temer após pressão do PMDB.

Pelo visto, a imprensa aposta em uma temporada “Tom e Jerry” entre o PT e o PMDB, já agora na transição entre o governo que termina e o que começa.

Além disso, a imprensa começa a fomentar a ingerência de Lula no governo Dilma e como se dará a sucessão de 2014.

É incrível, mas o discurso inaugural da presidenta eleita e, muito menos, suas entrevistas aos telejornais conseguem falar mais alto do que as versões de uma possível temporada “Tom e Jerry”.

Ora bolas, qual o problema da futura presidenta em auscultar o presidente Lula. Não vejo demérito nenhum na atitude.

Afinal, Dilma foi à candidata escolhida por Lula para sucedê-lo. Em muitos momentos o presidente passou por cima de tudo e de todos para elegê-la.

Portanto é natural que os dois conversem sobre o futuro governo que será por razões óbvias de continuidade.

As mudanças serão de perfil.

Lula é extrovertido. Dilma é introvertida.

Lula é craque no improviso. Dilma não gosta de improvisar, prefere montar seu discurso.

Lula fala por metáforas para saciar o gosto de cada platéia. Dilma é mais direta e franca.

O estilo Dilma é o pão, pão, queijo, queijo.

Dilma demonstrou em sua primeira coletiva que não gosta de ficar repisando em assunto vencido e que não tolera perguntas dúbias.

Um bom exemplo do estilo Dilma é a sua resposta direta, curta e grossa sobre o apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

A presidenta eleita classificou como “uma coisa muito bárbara”.

- Eu sou radicalmente contra o apedrejamento. Entendo que é uma coisa muito bárbara.

Ao dizer que “a continuidade é da política, não das pessoas”, o presidente Lula confirma a tese que do “rei morto, rei posto”.

Lula convive há quase oito anos com Dilma, sendo que de 2005 para cá diariamente.

Portanto, é muito importante prestar atenção ao que ela diz de primeira e não gosta de ficar repetindo.

Ao contrário de Lula, Dilma não gosta de alimentar versões, prefere cortá-las pela raiz.

out
13
Posted on 13-10-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 13-10-2010


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DEU NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

ABORTO NA MÍDIA

O debate fora de lugar

Por Alberto Dines

Atenção aborteiros, abortistas, antiabortistas, dilmistas e serristas: retirem o assunto dos palanques. Vocês estão brincando com fogo – literalmente.

Os editais dos Autos da Fé já estão afixados nos templos e nas quermesses, as fogueiras estão preparadas. Guerras santas começam por ninharias (a questão do aborto jamais foi premente) e acabam em banhos de sangue.

Este debate ensandecido e despropositado sobre a descriminalização da interrupção da gravidez está empurrando o país para um modelo de república clerocrata, antirrepublicana, semidemocrática.

E a mídia tem grande responsabilidade neste arranca-rabo infantilóide. Nossa imprensa é, por tradição, sacristã: os grandes jornais sempre correram atrás das batinas e disputaram arcebispos e cardeais para lustrar suas páginas. Jamais chamaram um pastor luterano ou um intelectual agnóstico.

Mãos limpas

Quando se tratou de lembrar os 200 anos de fundação da imprensa brasileira, a presença de Hipólito da Costa como patrono do jornalismo foi determinante para que as comemorações fossem suspensas: além de maçom, denunciou ao mundo as barbaridades da Inquisição portuguesa.

Quando em 2008 o presidente Lula foi ao Vaticano acompanhado por seus entes queridos para assinar uma Concordata com o papa Bento 16, a grande imprensa – toda ela, sem exceção – manteve o assunto sob rigoroso sigilo, na clandestinidade. A pedido do governo. Uma imprensa altiva, libertária, não se importou em autocensurar-se ostensivamente [ver emissões abaixo]. Em nome da fé, vale tudo.

Começava naquele exato momento o ensaio geral para a atual caça às bruxas que fatalmente nos conduzirá ao total desrespeito e esquecimento pelos direitos humanos. Convém lembrar que o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, apresentado pelo governo com toda a pompa e circunstância no final de 2009, foi abortado – a palavra é esta, não existe outra – para acalmar as lideranças católicas e evangélicas (ineditamente irmanadas) que orquestravam a oposição ruralista e da mídia. Os chefes militares adoraram, lavaram as mãos. Os civis também sabem fazer suas guerrinhas sujas.

O retorno

A igreja católica rasgou naquele momento uma corajosa história escrita ao longo de três décadas contra a tortura e o desaparecimento dos presos políticos, só para evitar que a nação brasileira começasse a encarar a possibilidade de debater a questão dos símbolos religiosos em prédios públicos, do casamento gay e… do aborto.

O infalível retorno dos bumerangues traz de volta a questão do aborto – vociferada, enraivecida, envilecida, brutalmente simplificada. E condenada a ser erradicada da nossa agenda política pela radicalização eleitoral que a mídia açula e assopra.

out
07

Psicanalista Maria Rita Kehl

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Está confirmada a demissão da psicanalçista Maria Rith Kehl da equipe de articulistas do jornal Estado de S. Paulo. Entrevistada esta quinta-feira pelo reporter Bob Fernandes, de Terra Magazine, Maria Rita disse ter sido demitida depois de ter escrito, no último sábado (2) artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres . Bahia em Pauta reproduz a conversa de Bob Fernandes com a psicanalista, ex-articulista do Estadão. ( Vitor Hugo Soares).
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BOB FERNANDES

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias. Bahia em Pauta reprodu a conversa de Bob Fernandes com a psicanalista, ex-articulista do Estadão.
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BOB FERNANDES

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo:
- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Veja trechos do artigo “Dois pesos”.

Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl – E provocou, sim…

- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo… A imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo…

- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…

- …Por outro lado…?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal O Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

Lambança no aeroporto: de 2 de Julho a deputado Luis Eduardo Magalhães

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De molho por uma daquelas falsetas que de vez em quando a saúde apronta com todos nós, impedido momentaneamente pelo uso de antibióticos e antinflamatórios de conversar com os assessores Johnny e Walker , ainda assim Chico Bruno não perde o prumo nem a direção. De seu observatório com paisagem de dar inveja, com vista para o marzão lindo e aberto – ainda mais bonito neste começo de primavera de 2010 -o atento blogueiro já fez descobertas interessantes e emblemáticas sobre os baianos e seus políticos na leitura da introdução de 1822, o novo livro do jornalista Laurentino Gomes, que já está pintando nas principais paradas como novo best seller nacional.

Confira no texto do site de Chico, que Bahia em Pauta
reproduz. Da-lhe, Chico Bruno!!!

( Postado por: Vitor Hugo Soares)

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Direto da Varanda: Chico Bruno

Brasil avança, mas política retrocede

Passei o fim de semana refletindo sobre o País. Impossibilitado, pelo antibiótico e antiinflamatório, de conversar com os assessores Johnny e Walker, fiquei matutando sobre determinadas coisas inusitadas que acontecem neste Brasil varonil.
A introdução do livro 1822, do jornalista e escritor paranaense de Maringá, Laurentino Gomes, tem um trecho que mexe com todos aqueles que discordaram e, ainda, discordam de uma lambança feita pelo Congresso Nacional em 1998.
O referido trecho diz:
“Em Salvador, surpreendi-me com a festa do Dois de Julho, data da expulsão das tropas portuguesas da Bahia, em 1823. É uma explosão de alegria e comemoração cívica sem paralelo no Brasil.  Mas, por uma estranha contradição, o aeroporto de Salvador, que homenageava a data histórica, mudou de nome recentemente. Agora, chama-se Luis Eduardo Magalhães em memória do deputado morto em 1998. Tudo isso ajuda a entender como portugueses e brasileiros de hoje julgam e tratam o seu passado”.
Poderia até enveredar pelos caminhos e descaminhos da política portuguesa, mas vou ficar mesmo pelos desfrutes parlamentares brasileiros.
A constatação de Laurentino inspira a reflexão e traça o rumo da prosa para que se possam entender algumas manifestações parlamentares.
A estranha contradição aconteceu há 12 anos, mas repete-se no dia a dia com outros atores.
Infelizmente é assim que roda a lusitana na política deste Brasil varonil.
Manda quem tem poder e obedece quem tem juízo.
Por isso é que prosperou a ideia esdrúxula citada por Laurentino.
O Brasil avançou em muita coisa desde a redemocratização, mas a política continua a mesma de séculos passados.
Ultimamente, o retrocesso tem crescido na política.

Um exemplo cruel disso, é a censura imposta pela Justiça a um jornal paulista, a pedido de um membro do clã dos Sarney, que já dura mais de um ano.
Outro exemplo é a atual campanha presidencial. Um debate sem sustância, sem consistência, que parece uma campanha eleitoral municipal.
Esses exemplos depõem contra a democracia.
Eles provam que a democracia brasileira ainda não está firme e forte, pois os políticos vendem ilusões e agem como se pudessem arbitrar o que é certo ou errado.
Ora bolas!
A política brasileira não vive o século 21, pois ainda utiliza métodos do século 19.
Isso fica claro com a insistência de entidades civis na defesa freqüente da democracia, se isso acontece é por que alguma coisa não esta funcionando como deveria em pleno século 21.
É por isso, que considero que o discurso dos políticos em geral é um estelionato.
No cesto, incluo a situação e a oposição, pois não se vê nenhuma diferença quando chegam ao poder.
É o “efeito Orloff” surgido há anos num anúncio publicitário da referida marca de vodca.
O comercial mostrava a imagem do consumidor de vodca Orloff no dia seguinte sem aparentar os efeitos da ingestão de outra marca de baixa qualidade dizendo a si mesmo: “eu sou você amanhã”.
Voltando a vaca fria.
A prova é que durante a votação no Congresso Nacional da troca do nome do Aeroporto de Salvador a oposição a época fez vista grossa.
A homenagem ao Dois de Julho, data magna da Independência na Bahia, foi desprezada para satisfazer o desejo de um político em homenagear o filho falecido.
Pois, passados 12 anos, com a oposição tendo chegado ao poder em 2003, ninguém ousou devolver ao Aeroporto de Salvador a homenagem ao Dois de Julho.
Resta o consolo da sabedoria popular que abreviou o nome trocado: o aeroporto hoje é chamado pelos baianos de “além”.
Triste Brasil, que ainda vive na política os tempos de antanho, onde prevalecia o dinheiro em uma mão e o chicote na outra, apesar da alternância de poder.

Leia mais Direto da Varanda:

http://www.chicobruno.com.br/

set
29
Posted on 29-09-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-09-2010

Vale tudo na campanha brasileira/img.DN

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O Diário de Notícias, um dos jornais mais antigos e de maior circulação de Portugal (em cujas páginas já escreveu o poeta Fernando Pessoa) publica em sua edição desta quarta-feira ampla reportagem mostrando que vale tudo nesta arrancada da última semana de campanha antes da votação em primeiro turno, domingo, 3 de outubro. Coligações entre candidatos rivais, militantes de esquerda fazendo campanha pela direita, líderes religiosos que anunciam o apocalipse, à porta de um centro de recenseamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, resume o DN na apresentação do texto do repórter Ricardo J. Rodrigues.

O quadro não é muito diferente para quem circula pelo centro ou bairros mais populosos de Salvador ou de Belém do Pará, a qualquer hora do dia. Só faltam mais interesse e atenção de nossos jornais e dos que pautam seus noticiários para sair da roda dos repetitivos discursos e frases feitas dos políticos e candidatos nos restaurantes mais chiques da cidade e produzir matérias jornalísticas tão oportunas e atraentes quanto esta do DN, de Lisboa, que Bahia em Pauta reproduz.
(Vitor Hugo Soares, editor do BP)

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“Salve, irmão, que eu vim te trazer a voz da verdade.” Um homem sozinho, agarrado a um megafone, na Rua Miguel Lopes, zona sul do Rio de Janeiro: “Sou Carlinhos, um homem de Deus, e comigo na Assembleia Estadual a casa vai ter um deputado iluminado por Cristo.” O povo passa, nem olha. “O nosso Brasil está podre. Está condenado. Eu sou a luz e a salvação desse país no Rio. Vota em mim, vota Carlinhos para deputado estadual.” Trás e frente, frente e trás. Ainda ninguém presta atenção. Calma. “Salve, irmão, Aleluia!” E então o candidato coloca-se junto a um semáforo, diante de uma fila de 20 pessoas, que querem renovar a carteira eleitoral. “Venha conhecer o caminho da verdade.” Dali ninguém sai, Carlinhos finalmente encontrou plateia. “Os milagres acontecem. Vote em mim.”
Não é preciso ir mais longe do que à porta de um centro de recenseamento para perceber como a campanha para as eleições brasileiras ferve. Aqui, em Copacabana, o horário é das 11.00 às 16.00, mas tem gente à porta a partir das 08.00. A maioria são pessoas que perderam o título de eleitor. É que, no Brasil, o voto é obrigatório. No domingo vão decorrer cinco eleições: duas locais (deputado federal e governador do estado) e três nacionais (deputado federal, senador e presidente).
Daniel Allende é o primeiro da fila. “Se eu não votar, não posso concorrer a concurso público e quero me candidatar para uma bolsa de estudos na Europa. Não tem como fugir.” Daniel é um tipo de esquerda mas, para governador, vira à direita. “Voto na Dilma para presidente, no Lindebergh para o Senado, os dois são do PT [Partido dos Trabalhadores]. Nos deputados escolhi o Valentim e o Pipoqueiro, do PC do B [Partido Comunista do Brasil]. Governador fica o mesmo, o Sérgio Cabral.” Que é do PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], partido de José Serra, principal de Dilma à presidência.
A verdade é que todos estes candidatos fizeram alianças e apelaram ao voto uns nos outros. “O Brasil elege pessoas, não vota em partidos”, diz André Teixeira, jornalista do Globo. “É uma baita confusão. Há caras da extrema-esquerda que apoiam os de direita, há o Cabral apoiando a Dilma, tudo o que você possa imaginar.” Para facilitar a comunicação, as máquinas de campanha distribuem “colas”, papéis A7 com as caras dos candidatos, onde no verso estão escritas as “chapas” – códigos numéricos de cada candidato e daqueles que apoiam. O voto é eletrónico, todas as combinações são possíveis. A única coisa que não se pode fazer é votar nulo.
Carlinhos, um homem de Deus, tem agora companhia. Chegaram três marqueteiros, dois carregam bandeiras de Serra, uma passeia de patins com um cartaz preso às costas. É do Gabeira, o candidato dos Verdes a governador do Rio. No Brasil está proibido o marketing eleitoral estático, não se podem afixar cartazes. Por isso Cléber, Pedro e Rosseane não podem parar de agitar as bandeiras. A ironia maior é que os três vão votar Dilma. “Olha, a gente ganha 50 reais [21,60 euros] por dia para fazer isso”, explica Rosseane. Entretanto o relógio bateu as 11.00, o centro de recenseamento abriu portas e Carlinhos está perdendo a plateia. “Aleluia, irmão!”

Lula (com Silvio Santos): “popularidade imbatível”/DN
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ELEIÇÕES-2010
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Deu no DN (Lisboa)
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“Lula não concorre, mas é o verdadeiro vencedor destas eleições. No próximo domingo, o Brasil vai ter um novo presidente escolhido por ele. Nos trópicos, nasceu um rei-sol”. Esta é a chamada para a reportagem política do jornal Diário de Notícias, um dos mais importantes de Portugal, sobre Lula e o papel do presidente do Brasil na campanha sucessória e o seu futuro. Bahia em Pauta reproduz. (Confira)
(Postado por Vitor Hugo Soares )

Por RICARDO J. RODRIGUES, enviado ao Brasil

Quem atravessar todo o calçadão de Copacabana e, em vez de virar para Ipanema, seguir em frente para o morro do Arpoador encontra uma pequena praia no fim do areal que os habitantes do Rio de Janeiro costumam chamar de “lá nos confins”. Banhistas são poucos, vendedores de artesanato nenhuns, apesar da costa formar uma baía de águas serenas. O que há ali é uma comunidade de pescadores. Como a areia está ocupada por pequenas embarcações de madeira e um emaranhado de redes, os únicos cariocas que visitam o local são os que querem comprar peixe ao início da manhã.
José Rebouças, nome de mar Piranha, é pescador há trinta anos e, desde Março, recusa pescar lula. “É uma questão de respeito pelo Lula, o Presidente”, assume, dedos ocupados no remendo da rede. Porquê? “Foi ele que financiou esse motor para o barco. Agora pescamos mais, não precisamos da lula porque o mar dá peixe-serra”, ri. Serra é o nome do candidato da oposição. E a ProPesca – o programa de incentivo à frota pesqueira do Brasil – nasceu de uma parceria entre o ministério da Agricultura e do Ambiente, cuja antiga ministra, Marina Silva, está em terceiro lugar na corrida para as presidenciais, pelos Verdes e contra Dilma. Mas ninguém tira da cabeça de Piranha que foi Lula que lhe mudou a vida.
O jornalista Merval Pereira, editor de política do diário O Globo, afirma que há um novo fenómeno no Brasil: o lulismo. “Foi criado o mito do grande timoneiro, do guia genial, do Pai do povo e dos pobres. Esta eleição é como se fosse a terceira do Lula, mas por interposta pessoa.” Para os opositores, o sucesso está a embriagá-lo. Um exemplo óbvio aconteceu há dias, quando Lula atacou a imprensa por divulgar casos de corrupção na sua esfera política: “Não precisamos dos media. Nós somos a opinião pública.”
Choveram críticas, algumas do próprio PT. Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso, atirava há dias na TV Record outra acha para a fogueira: “Ele foi bom no governo e é carismático. Mas isso torna os deputados reféns dele. Será que ele vai ser um fantasma de Dilma ou vai deixá-la governar ao seu estilo? Se ficar mandando, então o plano é voltar daqui a quatro anos.”
Há dias houve um comício do Partido dos Trabalhadores no centro do Rio. O objectivo era apoiar o programa cultural de Dilma Rousseff para o novo governo: durante duas horas e meia, o nome de Lula foi repetido 739 vezes, o de Dilma 254. No final, José Eduardo Dutra, presidente do PT, disse ao DN: “Se o Lula quiser voltar em 2014, o partido irá apoiá-lo.” Muitos analistas, no entanto, acreditam que o seu futuro passará por uma grande organização internacional.
A imagem resplandecente está construída. A coisa é tão séria que o filme brasileiro candidato aos próximos Óscares é Lula, o Filho do Brasil, uma biografia épica do líder da nação. “Pode não ser talhado para Hollywood, mas é uma boa rampa de lançamento para o Nobel da Paz”, diz meio a brincar Plínio Fraga. No maior barómetro social que existe em qualquer país – o interior de um táxi – esse seria prémio certo, ainda que parco. Fala Robson Mateus, motorista: “A gente já sabia que Deus era brasileiro. Agora achamos que Ele se chama Luiz Inácio Lula da Silva.”

set
22
Posted on 22-09-2010
Filed Under (Crônica, Eventuais) by vitor on 22-09-2010

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CRÔNICA DE ADEUS

OYÁ VEIO BUSCAR VIVALDO

Marlon Marcos

A primeira vez que ouvi falar sobre antropologia foi, aos 7 anos de idade, da boca do próprio professor Vivaldo da Costa Lima, simbolo da antropologia brasileira, que foi “bater um papo” com os alunos do antigo primário de uma escola pública, situada no bairro do Maciel – Pelourinho, que levava o nome deste grande mestre. Eu, ousadamente, já era aluno do 2º e estava entre os mais curiosos e lhe fiz, na época, várias perguntas… A antropologia me mordeu ali, e desatento, não entendi que esta disciplina, em algum tempo, seria minha maior linha de ação e interesse profissional. Perdi muito tempo. Em 1990, fui aluno do professor Vivaldo no curso de Ciências Socias, na UFBA, quando, tive contato com sua arrogância , e na mesma proporção, com sua maestria e generosidade intelectual.

Vivaldo se foi… Nesta quarta-feira, dia 22 de setembro; o sol quente dos trópicos e a Primavera iniciando. Se foi deixando discípulos e livros, leituras expressivas sobre a diversidade cultural humana à luz das mais importantes teorias antropológicas que circularam nos meios acadêmicos no mundo. Se foi cumprindo uma vida como homem, intelectual e político – que será para sempre lembrado na cidade e no País que ele tanto contou história, preservou a memória e dignificou o filão dos que usam a ciência como forma de melhorar o mundo explicando a necessidade da coexistência entre os diferentes, e lançando luz sobre os feitos culturais dos que foram submetidos pela escravidão ou pela pobreza social.

E eu aqui: aquele menino descobrindo o termo antropologia em 1977… hoje, um jovem senhor, em 2010, continuo querendo querendo querendo descobrir a antropologia captando e exprimindo a poesia que há nela e que senti pela primeira vez na fala de um dos mestres maiores que esta ciência produziu no Brasil.

Oyá veio buscá-lo… O senhor foi o melhor intérprete do Afro-Brasil… Ogum que lhe dê assento no Orum entre os ventos nobres e negros do povo que o senhor tanto estudou. Olorum modupé e minhas saudades sinceras!!!
Marlon Marcos, cronista, é um poeta em busca da poesia da antropologia, como o próprio autor, diplomado pela UFBA, se define.

set
19
Posted on 19-09-2010
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 19-09-2010

Assinada pela correspondente Maria João Guimarães o jornal Público, um dos mais importantes diários de Portugal, publica interessante reportagem sobre o surpreendente papel da ferramenta Twitter, na Internet, na campanha presidencial em curso no Brasil. Bahia em pauta reproduz:
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A campanha política brasileira apostou na Net, e a Net apostou de volta. A presença dos três principais candidatos no Twitter é grande: juntos têm mais de 750 mil seguidores. O Twitter serviu para divulgação de boatos e notícias (por exemplo em relação à escolha dos “vices”), e serviu ainda de palco para debates – esta campanha viu o primeiro debate presidencial na Internet.

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Maria João Guimarães

Curiosamente, a candidata à frente nas sondagens, Dilma Rousseff, tem bastante menos seguidores do que o seu rival mais direto, o ex-governador de São Paulo José Serra (@joseserra_). Serra foi um “tuiteiro” entusiasta enquanto governador de São Paulo e ia bem lançado, com mais de 400 mil seguidores, enquanto Dilma Rousseff (@dilmabr) chegou ao Twitter apenas em Abril, mas ia subindo de audiência, comemorando recentemente os seus 200 mil seguidores. Marina Silva (@silva_marina), a candidata do Partido Verde, contava com quase 176 mil seguidores.

José Serra é um “tuiteiro” descontraído, embora os risos informais (“rsrs”) tenham diminuído à medida que a campanha foi decorrendo e ele foi descendo nas sondagens. Aumentam as mensagens sobre comícios, eventos e temas de campanha, mas há ainda alguma interação com outros “tuiteiros”.

Os candidatos aproveitam para mostrar o seu lado “comum”, com notas para músicas, embora isso possa por vezes dar polémica – Dilma Rousseff falou do novo álbum da banda Pato Fu, mas o problema é que o fez quando decorria um debate entre candidatos a que faltou, alegando problemas de agenda.

Da Net para a imprensa

Mas também lançam ou rebatem ataques, emendam a mão explicando alguma citação mais polémica, e acabam citados na imprensa.

Quando Dilma Rousseff disse, num comício, que o “vice” de Serra, Índio da Costa, tinha “caído do céu”, ele respondeu no serviço de microblogging: “Para uma ateia, deve ser duro ter um “vice” que cai do céu”. Logo foi fustigado por seguidores, e foi obrigado a explicar que respeitava profundamente “todas as crenças e opções”.

O jornal O Estado de São Paulo relatava que, nos bastidores, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira, de Serra) tem pelo menos dez mil militantes a atuar na rede em nome do seu candidato. O PT tem, só em São Paulo, quase mil pessoas defendendo o partido na Net – isto para além das equipes especializadas, pagas, para controlar o que sai nos blogues, Twiter, etc.

Dilma Rousseff confessou logo no início que não seria apenas ela a colocar informação no microblog: “Também não vou ficar fingindo que passarei muito tempo na Web. Vocês sabem que será impossível. Alguns amigos vão me ajudar”-

Imitar Obama não resultou

Mas há vida na Web para além do Twitter. Quem acabou por ter uma das ações mais originais de campanha usando a Internet foi José Serra. O candidato pediu contribuições dos internautas para o seu programa de Governo num site interactivo – talvez para disfarçar o fato de ter entregado ao Tribunal Superior Eleitoral (que agora exige programas dos candidatos) uma mistura de dois discursos como programa.

No entanto, Dilma Rousseff e Marina Silva levaram a cabo outra novidade inspirada em Obama: a possibilidade de doações via Internet, uma opção não utilizada por José Serra. Mas esta campanha foi vista como um fracasso. Segundo o jornal Folha de São Paulo, Dilma Rousseff obteve 90 mil reais (40 mil euros; 0,18 por cento do total de doações) de 860 pessoas, e Marina Silva 75 mil reais (33,5 mil euros, 0,55 por cento do total de doações) vindos de 1118 internautas. Em 2008, Barack Obama tinha conseguido cerca de 3,5 milhões de dadores individuais.

O fascínio com o uso eleitoral da Net aumentou com a campanha de Novembro de 2008 nos Estados Unidos. PT e PSDB cortejaram intervenientes da parte digital da campanha, e um deles acabou por acordar trabalhar para a equipa de marketing do PT.

set
16


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DEU NO PORTAL FLAVOUR ( http://www.portalflavour.com )


Política de Saúde do Homem no dia a dia
Helder Porto

Escrevendo pela primeira vez para o Portal Flavour, ainda me cabe ressaltar a oportunidade de direcionar o meu discurso a um segmento da população ainda pouco prestigiado, o GLS. Começo minha colaboração nesta coluna com muito gosto e empenho, principalmente ao considerar que um dos meus filhos está incluso neste grupo social. Vamos levantar neste espaço temas de curiosidade geral, opinar e informar sobre pontos que normalmente não são considerados em conversas comuns sobre saúde, procurando colaborar com dicas e assuntos diretamente ligados à nossa vida concreta.

Hoje trago um tema pouco discutido e muitas vezes visto de maneira preconceituosa pela maioria das pessoas: a Política de Saúde do Homem. O usual, na sociedade em que vivemos, é direcionar políticas públicas à saúde da criança, da mulher e do idoso, deixando, neste diálogo, uma lacuna enorme nas questões referentes ao sexo masculino na faixa etária dos 18 aos 55 anos.

Por ser urologista, procuro ao máximo esclarecer sobre a importância da quebra do paradigma “homem sinônimo de invencibilidade”. O “senso comum” – certa feita ouvi dizer que é a reflexão dos que têm preguiça de pensar e tirar suas próprias conclusões dos fatos da vida – historicamente atribui ao homem um caráter de invencibilidade social, uma equiparação ao “super-homem”; como se ponto necessário para ser um homem fosse não demonstrar fraqueza.

Talvez venha deste pensamento errôneo muito do preconceito que a sociedade vive com questões relacionadas à sexualidade e à sua diversidade / pluralidade. Existem 5 “tipos” (orientações sexuais) de homens que a saúde pública se preocupa em cuidar hoje, sem lançar um olhar preconceituoso, mas inclusório, sendo: homens que transam com homens, homens que transam com mulheres, homens que transam com ambos os sexos (masculino e feminino), o homem que é transexual e as travestis. É de extrema importância que cuidemos de todos, observando a peculiaridade de cada indivíduo.

O fato é que nenhum ser humano é invencível nem imune às doenças que afetam o corpo. É necessário ampliar o conceito de saúde, sair da ideia de que cuidar da própria saúde é curar doenças apenas. Para se manter saudável é preciso mais do que isso, é preciso se manter bem alimentado (longe dos excessos de açucares, sais, gorduras, álcool e drogas), com uma dieta balanceada e frequentar médicos – como fazem as mulheres e idosos – para exames periódicos.

A manutenção da saúde, com visitas a médicos e exames periódicos, permiO hAo te uma série de benefícios práticos no dia a dia de todo indivíduo. Recomenda-se, por exemplo, que todo pré-adolescente consulte um urologista para avaliação das suas genitálias, pois é comum que haja certos problemas de saúde nesta faixa etária. Outro exame muito importante é o PSA (Antígeno Prostático Específico) que pode sugerir o exame de toque para detecção de tumores ou cânceres na próstata; e deve ser feito pelos homens a partir dos 40 anos.

A título de curiosidade, para se realizar este tipo de exame é necessário estar em abstinência sexual por 48 horas, evitando montar cavalos, motos, bicicletas e estar em jejum por quatro horas. Esses exames aumentam as possibilidades de detecção de cânceres e doenças relativas, o que incide diretamente no crescimento das chances de cura dos problemas detectados.

É necessário que mudemos este paradigma masculino de cuidar de doenças e não da saúde. Aumentar a expectativa de vida e qualidade da mesma são os pontos-chaves que devemos visar nesta mudança de valores. Além das dicas dadas acima, sobre alimentação e visitas periódicas a médicos, devemos observar a necessidade de se ter momentos de lazer, exercícios periódicos compatíveis ao perfil de cada um (gosto versus possibilidades físicas) e tomar sol antes das 09h ou após as 16h.

Vale lembrar que a possibilidade de cura dos cânceres de pênis, testículo, próstata, e do aparelho urinário (ureter, uretra, rins e bexiga) é substancialmente maior quando os diagnósticos são realizados cedo. Procure periodicamente um médico e siga sempre as suas orientações, pois não adianta frequentar médicos e fazer o contrário do que eles prescrevem.

Grande abraço e até breve!
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Helder Porto é médico graduado pela Escola Baiana de Medicina em 1981, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Seccional da Bahia, Urologista da Universidade Federal da Bahia, Urologista da Secretaria de Saúde da Bahia e do Hospital São Rafael.