Cristina Kirchner, em 20 de junho. AFP

DO EL PAÍS

Carlos E. Cué

Buenos Aires

Muitos pensaram que Cristina Fernández de Kirchner estava acabada com a derrota eleitoral de 2015, quando Mauricio Macri chegou ao poder contrariando todos os prognósticos no país do peronismo. Mas a ex-presidenta está de volta às campanhas. Na noite deste sábado, mantendo o suspense até o final, como sempre, ela decidiu que será candidata ao Senado pela província de Buenos Aires em outubro, confirmaram ao EL PAÍS fontes do kirchnerismo. Se obtiver um bom resultado, será a líder indiscutível da oposição e, dessa sua eventual cadeira no Senado, ameaçará voltar ao poder em 2019 e desbancar Macri.

Há um ano e meio, a derrota do kirchnerismo para Macri foi um marco na América Latina. Era o início do fim da década dourada da esquerda latino-americana. O chavismo perdeu as eleições legislativas na Venezuela pouco depois, e Evo Morales foi derrotado no referendo para poder ser reeleito na Bolívia. A guinada parecia definitiva com a vitória do Pedro Pablo Kuczynski no Peru. Meses mais tarde caiu Dilma Rousseff, com um impeachment. E a volta de Sebastián Piñera ao poder no Chile é mais que provável.

Mas, desde alguns meses atrás, as coisas não parecem tão claras como antes. No Equador, ganhou o candidato de Rafael Correa, Lenín Moreno. No Brasil, Michel Temer está cada vez mais debilitado e muitas pesquisas apontam que Lula poderia voltar ao poder, se a Justiça não o impedir antes. Na Bolívia, Evo Morales continua sem rivais claros e com uma enorme aprovação. E na Argentina? Como sempre, nada é o que parece nesse país.

Se examinamos friamente os números, Macri é um dos presidentes com maior aprovação na América Latina. Mantém um apoio de quase 50%, apesar da crise econômica que vive o país, e tem como oposição um peronismo cada vez mais dividido. Seria possível dizer que a situação política argentina está bastante controlada para o Governo. Mas para concluir isso seria preciso ignorar um fenômeno chamado Cristina Fernández de Kirchner.

“Há um ano e meio diziam que [Cristina Kirchner] estava acabada, queriam se livrar dos kirchneristas. E diziam isso muitos dos intendentes [prefeitos] que agora se somam a seu movimento porque viram que em seus municípios ela tem um apoio de 40%, e não faz sentido ser contrário a ela. Agora todos a procuram. Não há ninguém como ela”, assinala um kirchnerista.

A ex-presidenta deixou o poder derrotada pela classe média, que se cansou de 12 anos de kirchnerismo, de suas lutas contra tudo e contra todos, e de sua política econômica heterodoxa, que levou ao corte no financiamento internacional e à limitação da compra de dólares, uma autêntica obsessão do argentino com um pouco de capital. Ela é alvo de uma rejeição enorme. Mas também há entre 25% e 30% de argentinos que a adoram e a apoiarão haja o que houver. Os escândalos de corrupção a seu redor ou os casos que afetaram a ex-presidenta e sua família com vários processos judiciais não fazem diferença nesse setor.

Depois da derrota, ela se refugiou no sul, na Patagônia, à espera de que a crise econômica afundasse a imagem de Macri e recuperasse a sua. E agora decidiu apostar na volta à linha de frente. Na terça-feira, exibiu sua força ao reunir 25.000 pessoas no estádio do Arsenal. E agora se lança numa campanha que a terá como maior protagonista.

Se vencer, algo factível pelo apoio que mantém na área metropolitana de Buenos Aires, a zona mais afetada pela crise, Macri sofrerá. Mesmo que fique em segundo lugar, Cristina Kirchner entrará no Senado e será a grande protagonista, embora o golpe moral para o Governo, neste caso, seja menor. Tudo gira em torno dela, até mesmo a economia. Os investidores estão muito pendentes de sua volta. “Antes nos perguntavam como íamos baixar o déficit e agora perguntam o que vai acontecer nas eleições”, admite uma fonte da Casa Rosada.

A Argentina atravessa uma crise forte, que já estava lá no final do mandato de Cristina Kirchner, embora se notasse menos porque ela subsidiava a energia, por exemplo. A economia começa a melhorar ? o último dado trimestral fala de 1% de crescimento ?, mas por enquanto quase ninguém nota. A classe média baixa está sofrendo muito com a inflação, com a alta do gás, luz, água e transporte, com o medo a perder o emprego. E é aí onde ela se move com desenvoltura.

O kirchnerismo pega carona na crise econômica que Macri ainda não foi capaz de resolver para tentar recuperar o poder com uma pergunta simples, feita nos bairros populares, nas favelas, no coração do voto peronista: hoje vocês vivem melhor ou pior do que quando Cristina estava no poder? Ela se apresenta como uma grande protetora, ao estilo Evita Perón, que soube cuidar das pessoas. “Desorganizaram a vida da sociedade. Com eles não temos futuro. Voltou o fantasma do desemprego, a flexibilização trabalhista, temos preços e tarifas nas nuvens”, discursou na terça-feira, rodeada de seguidores.

Macri vive de expectativas. Uma parcela significativa de argentinos diz nas pesquisas que está pior do que antes, mas acredita que estará melhor dentro de um ano. No entanto, a paciência vai se esgotando com a persistência da crise, e essa parcela diminui lentamente.

A chave de tudo está na província de Buenos Aires. Ali vivem 40% dos eleitores do país. Macri é presidente porque sua candidata a governadora, María Eugenia Vidal, conseguiu, contrariando os prognósticos, derrotar ali o peronismo, que controlava essa província desde os anos 80. E é ali, novamente, onde essa nova mutação do peronismo que é o kirchnerismo tenta começar a retomada do poder.

Desta vez não parece fácil, porque Macri tem muitas coisas a seu favor. Mas a ex-presidenta quer tentar. “No país como um todo, ela tem um apoio médio de 28% a 30%, mas na terceira seção eleitoral [a zona superpovoada e problemática que rodeia Buenos Aires], ultrapassa 40% de imagem positiva. E esse apoio tem uma forte correlação com nível de renda, é um esquema tipicamente peronista: à medida que esse nível baixa, o apoio aumenta. O país se divide entre quem acredita que com ela estava melhor e quem quer que ela seja presa”, explica Eduardo Fidanza, diretor do Poliarquía, um dos maiores institutos de pesquisa do país. “Nos últimos 25 anos, a oferta peronista reuniu 60% dos votos na província de Buenos Aires. Por isso, a aposta do Governo é fragmentar ao máximo o peronismo. Só aí o Governo tem uma uma chance de derrotar Cristina”, insiste Fidanza.

A estratégia, por enquanto, está funcionando. O peronismo está divido no mínimo em três. De um lado está Cristina Kirchner, com sua lista de kirchneristas e alguns peronistas que finalmente se renderam à sua força eleitoral – a capacidade deste grupo para brigar entre si e se reunificar é infinita, como demonstra o fato de que o número dois de sua lista será Jorge Taiana, ex-chanceler que foi expulso do olimpo kirchnerista em 2010. De outro lado está Sergio Massa, peronista adversário dos Kirchner. E de outro está Florencio Randazzo, ex-ministro kirchnerista dos Transportes, com um pequeno grupo de prefeitos.

Essa divisão deveria favorecer o Governo, mas a força eleitoral da ex-presidenta é tanta que ninguém se atreve a prever sua derrota. O Executivo apresenta seu ministro da Educação, Esteban Bullrich, para enfrentar Cristina Kirchner, mas é evidente que o próprio Macri e a governadora Vidal, muito bem avaliada, é que comandarão a campanha governista.

Fontes da Casa Rosada procuram tranquilizar os investidores e qualquer um que pergunte sobre o futuro: mesmo que Cristina Kirchner ganhasse em Buenos Aires, dizem, ela não teria nenhuma possibilidade de voltar ao poder em 2019, por causa da rejeição que provoca. Em um sistema de dois turnos, como o argentino, a rejeição é quase tão importante quanto o apoio. Se ela chegasse a disputar a eleição de 2019 contra Macri, no segundo turno todos que a detestam, embora não gostem muito de Macri, iriam se reunir contra ela e dariam uma nova vitória ao presidente, asseguram.

Essa é a explicação oficial, que tranquiliza quem se convence mais fácil. No entanto, depois de considerá-la morta politicamente em 2015 e ver como reviveu em um estádio com 25.000 pessoas chorando com seu discurso como se fosse Evita Perón, o temor de uma volta triunfal de Cristina Kirchner está se instalando na Argentina que se mobilizou para removê-la do poder. Os partidários da ex-presidenta, enquanto isso, têm confiança e cantam “vamos voltar”. A campanha será longa e o resultado de 22 de outubro marcará os dois anos de presidência que restam a Macri.

BOSSA NA VOZ DE UMA ESTRELA NOSSA DE CADA DIA!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Temer reúne núcleo do governo

Michel Temer, que chegou da Europa no sábado, reúne o núcleo político de seu governo no Palácio da Alvorada no início da noite deste domingo, segundo a Folha.

“Participam da reunião os ministros Moreira Franco, Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Eliseu Padilha (Casa Civil), Sérgio Etchegoyen (GSI) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores), os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e no Congresso, André Moura (PSC-SE), além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assumiu a Presidência da República durante o tempo em que Temer esteve fora do país.”

A semana será dura, com a possível apresentação da denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente, alvo de gravação e delação da cúpula do grupo J&F.

jun
26
Posted on 26-06-2017
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Da autora teatral e cronista Aninha Franco, em post no seu espaço de inteligência e opinião no Facebook, neste domingo, 25. Vale ler, reler e anotar. Confira ( Vitor Hugo Soares)
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Aninha Franco:
Revisando Fim de Século na Cidade da Baía, encontrei esta poética definidora da Cidade, em 1990, que usei como título do Capítulo sobre arte lá, e que cabe tão bem em 2017, com uma diferença: tudo vira São Paulo.

“Caê cita Gil
e Gil cita Gal,
um mês na Bahia
é o ano inteiro,
vai ver que por isso
em fevereiro
tudo vira Rio de Janeiro.”

jun
26
Posted on 26-06-2017
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Son Salvador, no jornal Estado de Mina (MG)

jun
25
Posted on 25-06-2017
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DEU NA FOLHA

THAIS BILENKY

A crise política e econômica instalada no país contaminou a autoestima dos brasileiros. A vergonha de sua nacionalidade acometeu 47% da população, maior índice registrado pelo Datafolha desde o início da série histórica, em março de 2000.

De acordo com a pesquisa, 50% dos eleitores hoje sentem mais orgulho do que vergonha de serem brasileiros.

Houve uma queda brusca: em dezembro do ano passado, a taxa era de 69% e, em abril, 63%. Nesse intervalo, 28% tinham mais vergonha que orgulho em dezembro, e 34% em abril.

A pesquisa mostra que a corrupção, após mais de três anos de Operação Lava Jato, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros.

Esse problema foi citado espontaneamente por 23% dos adultos quando perguntados qual é a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em Brasil. Vergonha e desgosto aparecem em seguida, com 14%.

A imagem negativa do país disparou. Em 2010, 54% dos brasileiros citaram aspectos negativos quando perguntados sobre o país. Corrupção à época respondia por 4% das menções.

Hoje, 81% das respostas abrangeram aspectos negativos e corrupção, 23%.

A pesquisa, realizada entre 21 e 23 de junho, com 2.771 entrevistados com 16 anos ou mais, em 194 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

jun
25
Posted on 25-06-2017
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Lima Barreto em sua primeira internação por alcoolismo Reprodução

DO EL PAÍS

André de Oliveira

São Paulo

No topo da ficha da primeira internação de Affonso de Henriques de Lima Barreto no Hospício Nacional, o escritor é identificado como branco. O ano era 1914, o diagnóstico alcoolismo, a cidade Rio de Janeiro. Logo abaixo do cabeçalho, contudo, uma foto em sépia desmente a informação sobre sua cor. Assim como um sem número de intelectuais e homens públicos brasileiros, que eram negros, mas foram repetidamente retratados como brancos, Lima, ainda em vida, foi tomado pelo que não era. No seu caso, contudo, o “branqueamento” é ainda mais absurdo, pois ser negro, no último país a abolir a escravidão no mundo, foi questão central de sua vida e obra.

“Nos personagens, nas tramas, em escritos pessoais, a atenção para a questão racial e as descrições dos tipos físicos dos personagens estão sempre em evidência”, diz a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Se no começo do século XX, o determinismo racial – que dizia que populações mestiças e negras eram biologicamente mais fracas – estava em voga, Lima aparecia como uma voz dissonante, combativa e, muitas vezes, solitária. “A capacidade mental do negro é medida a priori, a do branco a posteriori”, escreveu em seu Diário, em 1904, oferecendo um retrato claro do teor de racismo que vicejava no Brasil pós abolição da escravatura.

O tema racial, não por acaso, é também o de maior relevância na biografia Lima Barreto: Triste Visionário, que Schwarcz lança em 10 de julho, pela Companhia das Letras. “O Lima é um personagem bem interpretado. Toda a leva de pesquisadores que seguiram o Francisco de Assis Barbosa, seu primeiro biógrafo e difusor de sua obra, é excelente. A pergunta que eu fiz, que não se tinha feito muito ainda, é sobre a questão racial”. Neto de escravos e filho de pais livres, nascido no dia 13 de maio de 1881, na mesma data em que sete anos depois a lei áurea colocaria um fim na escravidão, Lima abordou o tema a partir de sua própria experiência. Sua obra, nesse sentido, é extremamente autobiográfica.

Se quando adolescente o escritor cursou a Escola Politécnica e se descobriu como único negro de uma turma composta por filhos brancos da elite, sentindo toda a rejeição que poderia haver na situação; em Memórias do Escrivão Isaías Caminha, de 1909, seu romance de estreia, fez o personagem Isaías, filho bastardo de um padre com uma escrava, passar por uma infância em que recebeu educação regular, para, no futuro, descobrir que sua cor seria uma barreira para que ele galgasse posições. Assim como Isaías, Lima também teve um desenvolvimento relativamente estável na infância para descobrir na adolescência e início da juventude o deslocamento que sua condição social e sua cor lhe imporiam.

Comumente retratado como um escritor pobre, Lima teve certa estabilidade familiar durante boa parte de sua infância. O pai, João Henriques, e a mãe, Amália Augusta, eram ambiciosos e tinham boas relações com a elite. Tiveram educação e eram livres. Enquanto ele teve uma carreira promissora como tipógrafo, ela era professora escolar. As coisas começaram a mudar quando Amália morreu de tuberculose e João perdeu o emprego. Em 1902, ele, depois de uma série de episódios de esgotamento emocional, acabou perdendo também a razão, o que levou Lima a abandonar a faculdade para sustentar a casa.

Aos 21 anos, o escritor virou arrimo da família, constituída por três irmãos, pai e alguns agregados. Trabalhando como funcionário público e, ao mesmo tempo, tocando seu projeto literário com colaborações rotineiras em jornais e revistas, Lima encontrou desde cedo na veia crítica sua principal marca. Se denunciava o racismo, também direcionava ataques contra a República, a imprensa e qualquer coisa que cheirasse a estrangeirismos. “Há uma história de comparar Lima Barreto com Machado de Assis, mas é uma injustiça. Eles tinham projetos completamente diferentes, enquanto Machado era um universalista, Lima era um escritor engajado, que denunciava mazelas e criticava o que via em seu cotidiano”, diz Schwarcz.

Olhando para seu tempo, Lima foi, por exemplo, um critico feroz da reforma do centro do Rio, empreendida pelo prefeito engenheiro Pereira Passos. A época marca o início da abertura de grandes avenidas na cidade e da subsequente expulsão de populações pobres que viviam em cortiços para lugares cada vez mais longínquos. Segundo Schwarcz, “a visão que ele tinha da reforma é impressionante, porque muitas das testemunhas da época ficaram encantadas com o que estava sendo feito”. Ele, ao contrário, já percebia o drama de quem era expulso – o que redundaria, em última instância, em um problema crônico das cidades brasileiras, presente até hoje – e também se insuflava com o que via como exportação de padrões europeus de cidades, sobretudo Paris, para o Brasil. Grande birra de sua vida, por exemplo, era o bairro de Botafogo e a cidade de Petrópolis, ambos “afrancesados”.
Ficha de internação ampliar foto
Ficha de internação Divulgação
O triste fim de Lima Barreto

Entre 1909, ano de lançamento de Memórias do Escrivão Isaías Caminha, e 1922, data de sua morte, aos 41 anos, Lima escreveu centenas de crônicas e contos, como O homem que sabia javanês e Nova Califórnia, e publicou ao menos uma obra-prima: O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de 1911. Outros romances, como Numa e Ninfa e Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, também foram publicados no curto intervalo de tempo. Além dessas publicações, muito material veio a público depois de sua morte, como o Diário Íntimo, Clara dos Anjos e Os Bruzundangas. Em suma, foi uma produção profícua e intensa.

Com uma vida marcada pelo alcoolismo, contudo, seus textos e livros foram vistos e avaliados por críticos muitas vezes como erráticos. Lima acumulava diversos projetos ao mesmo tempo e não se encaixava no perfil virtuoso com que escritores eram vistos. Além disso, o tom autobiográfico de seus livros e a falta de preocupação em esconder a real personalidade de alguns de seus personagens não eram bem avaliados na época. Em Memórias do Escrivão Isaías Caminhas, por exemplo, ele retratou criticamente diferentes jornalistas que eram facilmente reconhecíveis, como o célebre cronista João do Rio e Edmundo Bittencourt, dono do Correio da Manhã, um dos jornais mais influentes da época. Não teve vida fácil após isso.
Caricatura do escritor ampliar foto
Caricatura do escritor Divulgação

“Foi só depois de 1950, quando ele foi redescoberto pelo biógrafo Assis Barbosa, que sua obra começou a circular novamente, mas acho que seu nome só foi ser mais lembrado, de fato, recentemente”, diz Schwarcz. Hoje ele também será o principal homenageado da Festa Literária de Paraty, que acontece no final de julho. Segundo a biógrafa, também é interessante pensar que se a imagem do escritor boêmio foi tão romantizada em alguns casos na história da literatura, em Lima Barreto ela sempre foi vista como algo depreciativo. “A boemia e o alcoolismo, no caso dele, sempre apareceram como acusação”, diz a biógrafa. Por trás disso, talvez esteja a questão racial mais uma vez. Não que Lima não tivesse problemas graves com álcool. Tinha e eles custaram sua saúde. Mas é curioso pensar na diferença de tratamento que sua boemia recebia.

Em 1919, quando foi internado pela segunda vez no Hospício Nacional, Lima já era descrito como alguém andrajoso, com os sapatos trocados, transpirando muito, com inchaços no rosto e olhos “sampaku” – quando há um branco abaixo da íris, característica comum ao alcoolismo. Três anos depois morreu deitado em sua cama, enquanto lia uma revista francesa. Nessa época, Schwarcz descreve, sua personalidade estava se fundindo, cada vez mais, com a dos sofridos moradores dos subúrbios – tão retratados em seus textos.

Lima, segundo a biógrafa, é nosso visionário por ter falado de racismo praticamente cem anos antes do assunto entrar, de fato, em pauta. É nosso visionário também por ter antecipado uma série de temas brasileiros, como a urbanização pouco planejada das cidades. É triste por saber também, de antemão, que a coisa não ia bem e que a euforia dos anos em que viveu – era o tempo da Belle Epóque, em que o avanço científico e o crescimento das cidades dava a sensação de que os problemas da humanidade estavam resolvidos – não iria durar. Infelizmente, o triste visionário talvez tenha tido sua maturidade interrompida: “Se pensarmos que Machado de Assis escreveu suas principais obras depois dos 40 anos, é uma lástima que Lima tenha ido tão cedo”.

Algumas músicas do show de Flavio José que empolgaram ontem (24) o forró de São João em Salvador e Amargosa. Neste domingo o paraibano Rei do Xote vai animar os forrós em Cruz das Almas e Euclides da Cunha. BP recomenda.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

jun
25
Posted on 25-06-2017
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Myrria, no jornal A Crítica (AM)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Quem delatou Temer

Além de Joesley Batista, Michel Temer foi citado por pelo menos oito delatores, lembra a Veja.

Da Odebrecht:

– Márcio Faria;

– Rogério Araújo;

– Cláudio Melo Filho;

– Marcelo Odebrecht.

Lobistas:

– Júlio Camargo;

– Fernando Baiano.

E mais:

– Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro;

– Delcídio do Amaral, senador cassado.

Temer é retratado como um intermediador de repasses a campanhas do PMDB, incluindo a dele em 2014, e padrinho de dirigentes da Petrobras presos e condenados por corrupção.

Na fila de delatores, Lúcio Funaro é o próximo