Lula comanda seu “regimento” no comício
da transposição na Paraíba…


…e uma cena de “O Incrível Exército de Brancaleone”.

ARTIGO DA SEMANA

Lula, Dilma e o rio: O Exército Brancaleone no Nordeste

Vitor Hugo Soares

Mal (ou bem?) comparando, só faltou, no domingo passado, o grito de guerra “Branca! Branca! Branca!, Leon, Leon Leon”, para a extemporânea encenação político eleitoral misturada com patético e desesperado ataque à Lava Jato e ao juiz Sérgio Moro se completar, no esturricado sertão nordestino, no final do verão brasileiro de 2017. O ambiente fica cada vez mais parecido – principalmente depois da Operação Carne Fraca – com o cenário medieval da fabulosa comédia do cinema italiano, “O Incrível Exército Brancaleone”.

Basta observar, com um mínimo de atenção e distanciamento crítico e ideológico, para logo se constatar: o que se tem visto nas últimas semanas na localidade de Monteiro, e em áreas próximas na Paraíba, Pernambuco e Ceará, não passa – apesar de todos os penduricalhos e disfarces jornalísticos, geopolíticos, antropológicos e intelectuais – da mais completa e deslavada imitação do memorável filme de Mario
Monicelli – uma notável paródia a Dom Quixote, que satiriza também a própria situação da Europa no século XI.

No cinema, Brancaleone (magnificamente encarnado por Vittorio Gasman) e os quatro miseráveis famintos que acabam se tornando seu exército de desesperados “confrontam boa parte das grande polêmicas da Baixa Idade Média. Percorrendo o longo caminho até Aurocastro no lombo do pangaré Aquilante (referência ao Rocinante de Quixote”, como sintetiza um crítico de cinema.

No caso da comédia nacional do século XXI, temos no centro do cenário – ou no palanque principal, para ser mais exato -, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao seu lado, a mandatária deposta Dilma Rousseff (uma espécie de representação feminina de Sancho Pança) na encenação com dois propósitos: um, declarado, de “fazer a inauguração popular das obras de transposição das águas do São Francisco (visivelmente exangue e, em alguns trechos de seu leito, já devastado e sem água para ele próprio se manter vivo); outro implícito, de demonstração de força política preservada no Nordeste).

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu um lugar carregado de simbolismo para lançar de vez sua pré-candidatura à presidência em 2018”, diz o jornal espanhol El Pais em reportagem sobre o fato.
E acrescenta: o petista reuniu uma multidão no sertão da Paraíba em uma espécie de comício, onde Dilma afirma que “há interessados em impedir que ele se candidate”, numa referência velada às ações que responde na Justiça, incluindo as da Operação Lava Jato. E ainda nem se conhecia o teor devastador do depoimento de Emílio Odebrechth ao TSE, segundo o qual a ex-mandatária sabia da “dimensão” das doações por meio de Caixa 2 feitas pela empresa que ele presidia até ser preso e condenado pelo juiz Sérgio Moro, à campanha da petista à reeleição.

Em volta do palco em Monteiro, o regimento de curiosos somados a militantes, chamados de “multidão” pelos oradores e mestres de cerimônia, parecem tão fora da realidade quanto os que os estimula a gritar palavras de ordem do tipo “Lula lá” e “É golpe”. Melancólica expressão farsesca das multitudinárias manifestações políticas realizadas pela militância petista e seus aliados nos anos de mando Lula – Dilma.

Tudo isso ao sol fervente do fim do verão, na beira de uma obra inacabada – prevista para custar R$ 4 bilhões, mas que já engoliu mais de R$ 8 bilhões desde o seu lançamento em 2007. Desde então, irriga fortunas de muita gente e sucessivas campanhas eleitorais; municipais, estaduais e presidenciais. Dias antes da “festa de Lula”, fora precariamente entregue à população em outro comício (regado a farta propaganda), pelo mandatário da vez, Michel Temer, acompanhado de ministros, parlamentares, líderes regionais e claque providenciada pelo claudicante governo do PMDB e grupos que o apoiam.

Ao tempo em que acompanho as manobras políticas, às custas do sacrificado rio da minha aldeia, no agreste nordestino, escuto em Salvador, capital da Bahia, os alertas do governo estadual petista de Rui Costa, sobre dificuldades no abastecimento de água, pela Embasa, seguidos de pedidos para a população economizar o líquido, jogando a culpa na seca, histórico vilão de maus governos sustentados pela propaganda. Quase “absurdado”, palavra da hora para resumir o espanto diante dos desmandos em todas as áreas, assisto, da janela do meu apê, em Itaigara, bairro classe média, a movimentação de “carros-pipas” botando água nos tanques dos prédios, escolas e etc. O inusitado me transportou, estarrecido, ao tempo da minha infância, em Macururé, em pleno coração do chamado Polígono da Seca. – Meu divino São José! Meu glorioso Santo Antonio, – rogava-se então, para enfrentar tal agrura.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, repito a irônica frase dos franceses, nesta semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água. E relembro, também: o São Francisco é o rio da minha aldeia. Nasci em um antigo arraial, pequena localidade na sua margem baiana, a apenas 6 km de distância da cidade pernambucana de Cabrobó, no chamado Marco Zero da obra de transposição, que, vigilantemente, acompanho desde o primeiro dia.

Tudo o que se relaciona ao rio que me viu nascer, me toca de perto e, apaixonadamente, me emociona. Espero jamais ficar alheio à sua morte ou ser cúmplice dos que exploram, roubam e estão matando “o maior rio genuinamente brasileiro”, como aprendi na escola, “ao pé dele”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


“Branca, Branca, Branca. Leon, Leon, Leon!!!”

BOM DIA!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
25


Polícia Federal sediou gravações do filme.
Divulgação

DO EL PAÍS

Breiller Pires

São Paulo

A colaboração da Polícia Federal com um filme sobre a Operação Lava Jato provocou a insatisfação de membros do Partido dos Trabalhadores (PT) e, sobretudo, de Luiz Inácio Lula da Silva. Na última quinta-feira, a defesa do ex-presidente enviou uma petição ao juiz Sérgio Moro em que reivindica o sigilo de imagens que teriam sido repassadas por autoridades aos produtores do longa “Polícia Federal: a lei é para todos”. De acordo com o advogado Cristiano Zanin, a produção obteve acesso ilegal a filmagens captadas por um agente da Polícia Federal durante a condução coercitiva de Lula com o intuito de reconstituir a cena, que deve compor o desfecho da obra.

“Os vídeos, que teriam sido entregues a terceiros, mostram a residência, a intimidade e a coleta de depoimento do ex-presidente Lula”, disse Zanin em um seminário sobre a Lava Jato promovido pelo PT nesta sexta-feira, em São Paulo, onde atribuiu o vazamento à PF. “É uma situação muito grave. Em vez de zelar pelo material confidencial, aparentemente as autoridades o entregaram à produtora do filme, que é alinhado às ideias dos acusadores do ex-presidente e detém um material que a Constituição Federal considera privado.”

Na petição, os advogados de Lula citam trechos de entrevistas em que os produtores do filme revelam ter tido acesso a vídeos para auxiliar na reconstituição de passagens da Operação Lava Jato. Além do sigilo, eles solicitam à produtora New Group Cine & TV LTDA, responsável pelo projeto cinematográfico, que não utilize as imagens da condução coercitiva. Ainda no evento do Partido dos Trabalhadores, Zanin afirmou que a suposta divulgação pela Polícia Federal é “mais uma prova de que os processos da Lava Jato não observam garantias legais”.

Ao jornal O Globo, o produtor Tomislav Blazic negou ter recebido vídeos da Polícia Federal. Em entrevista ao UOL, em maio do ano passado, entretanto, ele contou que teve acesso a “informações de bastidores” sobre a Lava Jato fornecidas pela PF, que cedeu suas instalações em Curitiba para as filmagens e prestou consultoria à produção. Blazic também afirmou que o filme, que custou 15 milhões de reais e tem lançamento previsto para agosto, é apartidário.

Quem interpretará o ex-presidente Lula é o ator Ary Fontoura. Em 2016, ele teceu críticas públicas ao PT e a Dilma Rousseff, além ter militado pelo impeachment da então presidente – assim como Marcelo Serrado, que fará o papel do juiz Sérgio Moro. O ator participou de manifestações contra o governo Dilma e, em uma das ocasiões, saiu às ruas vestindo uma camisa estampada com a foto do personagem que irá incorporar no cinema. Serrado não esconde sua admiração por Moro e se encontrou pelo menos três vezes com o juiz para buscar referências para o papel. Tanto ele quanto Fontoura estiveram na sede da PF em Curitiba durante as gravações para conhecer mais a fundo as investigações da Lava Jato.

Integrantes do PT se manifestaram sobre o filme no seminário do partido, alegando que o vazamento das imagens faria parte de uma nova investida do juiz Sérgio Moro para espetacularizar as acusações contra Lula. O ex-presidente, que discursou no fim do evento, também demonstrou irritação ao comentar sobre o repasse das gravações. “Entraram em minha casa com uma câmera de filmar no peito e já entregaram as imagens para um filme. Não podemos aceitar esse tipo de abuso de autoridade.” Lula ainda aproveitou para convocar os parlamentares petistas para uma ofensiva contra o que chamou de “excessos” da Justiça, pressionando pela aprovação do projeto de lei criticado por juízes e procuradores em tramitação no Senado. “É importante mostrar o outro lado da Lava Jato. O PT tem obrigação de brigar um pouco mais por essa causa no Congresso Nacional. A gente não pode deixar de aprovar a lei de abuso de autoridade, porque ninguém está acima das instituições. Vou nessa briga até o fim.”

DO EL PAIS

Jan Martínez Ahrens

Washington

Donald Trump fracassou. O grande negociador, o dealmaker, o homem que pode tudo, sofreu, por intermédio de seu próprio partido, a maior humilhação de sua presidência. A votação da reforma da saúde na Câmara dos Representantes foi suspensa in extremis diante do medo de não conseguir maioria suficiente. De nada serviram suas ameaças aos congressistas nem sua bravata de manter o sistema atual, o Obamacare. Os falcões do Freedom Caucus, 36 congressistas republicanos herdeiros do desestabilizador Tea Party, se encastelaram no não e fizeram o presunçoso bilionário sentir o verdadeiro preço da política.

A derrota é de Trump. Ele havia assumido a liderança da batalha e ele, apesar de ter maioria na Câmara dos Representantes, foi incapaz de dobrar seus próprios correligionários. Reuniu-se com eles e fez concessões enormes, incluindo a eliminação dos serviços básicos de saúde. Mas não conseguiu convencê-los. E quando, num gesto de força, decidiu partir para o confronto e adiantar a votação para sexta-feira, perdeu o controle e teve de adiar sua primeira prova parlamentar.

Com uma popularidade muito baixa (apenas 37% aprovam sua gestão), terá de digerir o fracasso e abrir uma nova e dolorosa negociação. O caminho será longo. Os republicanos moderados temem perder sua base eleitoral e os falcões temem trair sua ideologia. A conciliação é complexa. Se a lei vira para o lado mais social, os ultraconservadores voltarão aos velhos tempos. Mas se assumirem as exigências radicais, baseadas numa redução drástica dos serviços mínimos de saúde, então a proposta fracassará na próxima instância, o Senado. Lá, um grupo de notáveis republicanos com capacidade de bloqueio já deixou claro que não aceitará nenhuma reforma que reduza a cobertura já oferecida. E se conseguir superar esse obstáculo, a lei ainda deverá ser referendada por um comitê conjunto e, finalmente, pelo voto de ambas as Câmaras.

A tensão é paradoxal. O mesmo Obamacare que agora divide os republicanos, durante anos os uniu. Desde que em 2010 o presidente democrata foi adiante com seu projeto, os conservadores o consideram um compêndio dos males da esquerda. Pouco importa que a cobertura tenha sido estendida a 20 milhões de pessoas ou que tenha vetado a prática cruel das seguradoras de recusar ou explorar pacientes com doenças anteriores. Para os republicanos, o sistema desenvolvido por Obama ataca a raiz da sua ideologia: amplia a burocracia federal, aprofunda o déficit e acaba com a liberdade de escolha.

Trump, com instinto político, soube monopolizar esse mal-estar. Na campanha e como presidente bateu impiedosamente na criatura de Obama e anunciou que seria ele e mais ninguém que iria sacrificá-la. E assim o encenou. No começo de março, quando o líder republicano na Câmara dos Representantes, Paul Ryan, apresentou o projeto alternativo, o presidente se apropriou dele. Depois do fracasso judicial do seu veto migratório e com as chamas do escândalo russo a cercá-lo, a reforma da saúde se tornou sua grande válvula de escape e sua primeira prova parlamentar.

O projeto apadrinhado por Trump se define por eliminar a obrigatoriedade do seguro de saúde, congelar o programa para os mais desfavorecidos e acabar com o sistema fiscal que alimenta a rede assistencial. A desconstrução é profunda, mas não completa. Continua proibindo as seguradoras de recusar um paciente com doenças anteriores e dá prazos para desmantelar a obra do antecessor. O resultado é um híbrido que não satisfez a ânsia de liquidar dos radicais, mas tampouco cumpriu a promessa de Trump de garantir a cobertura universal.

O Escritório de Orçamento do Congresso, um organismo apartidário cujos estudos gozam de reconhecimento geral, estabeleceu que a aplicação do plano republicano implicaria deixar 14 milhões de pessoas sem cobertura médica no próximo ano e 24 milhões em uma década, elevando a população sem cobertura a 52 milhões. Também significaria um aumento das apólices de 15% para 20% nos próximos dois anos. Tudo isso foi desmentido pela Casa Branca, que tomou como única referência para o estudo a economia que seria obtida pelo seu projeto: 150 bilhões de dólares (cerca de 467 bilhões de reais) em uma década.

Para os radicais, nada disso serviu. Sua obsessão é que o seguro médico fique mais barato e que se reduza o peso do Estado na vida civil. Para esse fim, exigiram que fossem eliminados do projeto os chamados serviços essenciais de saúde incluídos por lei nas apólices e que abarcam a medicina preventiva, o atendimento de emergência, a internação hospitalar, a saúde mental e a maternidade.

A exigência era praticamente suicida. Como lembrou Paul Ryan, assumi-la implicaria que a reforma nunca poderia passar pelo filtro do Senado, onde a maioria republicana é exígua (52 contra 48) e os moderados já anunciaram que rejeitariam uma lei desidratada até esse ponto.

A última tentativa de conciliar ambos os interesses não deu resultado. Embora Trump tenha aceitado a impopular redução dos serviços, os ultraconservadores avaliaram que continuava sendo excessivo o intervencionismo estatal na área da saúde. Ao chegar a esse ponto, qualquer passo seguinte implicaria incendiar a ala moderada. A capacidade de manobra havia sido esgotada. O negociador tinha fracassado e teve de adiar a votação.

mar
25
Posted on 25-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-03-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)

mar
25
Posted on 25-03-2017
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Janot pede mais 60 dias para investigar Dilma e Lula

Rodrigo Janot devolveu ao STF o inquérito que investiga obstrução de Justiça envolvendo Dilma Rousseff, Lula, Aloizio Mercadante, José Eduardo Cardozo, além de Marcelo Navarro e Francisco Falcão, do STJ.

O procurador quer mais dois meses para apurar o caso – nesse tempo, Marcelo Odebrecht será ouvido. Ele pede também para que o processo continue a tramitar no Supremo, informa o Estadão.


Marcelo detona Dilma: “ela sabia”


DO G1

O empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira Odebrecht, afirmou em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início de março que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia da “dimensão” das doações por meio de caixa 2 feitas pela empresa à campanha da petista à reeleição.

A informação foi divulgada pelo site “O Antagonista” e confirmada posteriormente pela TV Globo.

O executivo falou ao TSE como testemunha nas ações que tramitam no tribunal pedindo a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer por suposto abuso de poder político e econômico na eleição presidencial de 2014.

Em nota, a ex-presidente Dilma negou as informações, chamou a declaração de “leviana” e pediu que o empresário comprove o que disse ao tribunal (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Ao ser questionado pelo juiz auxiliar Bruno César Lorencini sobre se teria conversado com Dilma a respeito da campanha de 2014, Marcelo Odebrecht negou.

Ele, porém, disse que a então presidente e candidata à reeleição sabia da “dimensão” das doações e que os pagamentos não constavam da prestação de contas do PT.

“A Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem doá… quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa dois para [o marqueteiro] João Santana. Isso ela sabia”, disse Odebrecht no depoimento.

Questionado novamente sobre as doações, dessa vez pelo ministro Herman Benjamin, Marcelo Odebrecht afirmou:

“O que Dilma sabia era que a gente fazia, tinha uma contribuição grande – a dimensão da nossa contribuição era grande, ela sabia disso – e ela sabia que a gente era responsável por muitos pagamentos para o João Santana. Ela nunca me disse que sabia que era caixa 2, mas é natural, é só fazer uma… ela sabia que toda aquela dimensão de pagamentos não estava na prestação do partido”, disse o empresário.

Ele reiterou, em outro momento do depoimento, que nunca ouviu de Dilma que ela sabia que os repasses eram feitos de forma irregular.

“Eu não sei especificar o momento em que eu tive essa conversa com ela, mas isso sempre ficou evidente, é que ela sabia dos nossos pagamentos para o João Santana. Isso eu não tenho a menor dúvida”, complementou.

Em depoimento ao TSE, Marcelo Odebrecht afirma que Dilma sabia de repasses de caixa dois

Lula e Palocci

Marcelo Odebrecht afirmou no depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci foram os responsáveis por arrecadar dinheiro para a campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010.

Durante o depoimento, o empreiteiro narrou que, a partir de 2011, quando Dilma já exercia seu primeiro mandato, a petista passou a tratar da “relação” do PT com a Odebrecht.

Antes, segundo ele, quem cuidava da arrecadação para o partido era Palocci e, durante a campanha de 2010, Lula.

“Ela [Dilma] começou a cuidar, digamos assim, da relação – porque 2010 ela praticamente nem olhou as finanças, acho que todos os pedidos de doação foram feitos por Lula, Palocci, ela nem se envolvia em 2010″, afirmou o ex-presidente da Odebrecht.

Em nota (leia a íntegra ao final desta reportagem), o Instituto Lula informou que o ex-presidente “jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim”.

Campanha à reeleição

No depoimento, Marcelo Odebrecht disse ao ministro que “inventou” a campanha de Dilma à reeleição em 2014. Como exemplo, disse que os valores a serem doados para a equipe da petista foram definidos por ele.

“A campanha presidencial de 2014, ela foi inventada primeiro por mim, tá? E… eu não me envolvi na maior parte das demais campanhas, mas a… a eleição presidencial foi… eu conheço ela… os valores foram definidos por mim”, afirmou o empresário.

Além disso, Odebrecht afirmou que em 2014 a ex-presidente orientou a empresa a concentrar todos os recursos que seriam doados ao PT para a campanha dela à reeleição.

O empresário disse, porém, que, antes disso, Dilma nunca havia pedido “nada para ela”.

Segundo ele, em uma conversa com Guido Mantega, o ex-ministro relatou a ele: “Marcelo, a orientação dela [Dilma] é que todos os recursos de vocês vão para a campanha dela. Você não vai mais doar para o PT, você só vai doar para a campanha dela, basicamente para as necessidades da campanha dela: João Santana, Edinho Silva ou esses partidos da coligação”.

Contrapartida

Em outro trecho do depoimento, ele disse que a empresa doou R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na eleição de 2014, mas não precisou quanto do valor foi doado por meio do caixa oficial e quanto entrou via caixa dois.

“Cento e cinquenta [milhões]. [...] Nós tínhamos uma relação intensa com o governo. Essa relação intensa, ela gerava também a expectativa de que a gente fosse um grande doador. Então, eu, para não ser pego de calças curtas, eu sempre tentava negociar com meus empresários um valor que, na hora que viesse essa demanda do governo, eu tivesse, da parte deles, uma segurança de que esse recurso haveria”, explicou o empresário.

Desse valor, segundo o depoimento, R$ 50 milhões seriam uma “contrapartida específica” à aprovação em 2009, pelo Congresso, de uma medida provisória que beneficiava diversas empresas do setor.

A medida provisória 470/2009, conhecida como MP do Refis, foi editada pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Nesse caso desses cento e cinquenta, tem um detalhe específico que é o seguinte: cinquenta milhões, desses cento e cinquenta, de fato, veio em cima de um pedido, de uma contrapartida específica, de um tema que é de 2009. Então, em 2009, houve, de fato, para esse caso, uma contrapartida específica para a aprovação de um projeto de lei que atendia a várias empresas. E esses cinquenta milhões vieram com um pedido para a campanha de dois mil e dez. Só que acabou não indo para a campanha de 2010, não sendo utilizado na campanha de 2010, e acabou sendo utilizando na campanha de dois mil e quatorze”, afirmou.

Segundo Odebrecht, o acerto para a doação de R$ 50 milhões foi feito diretamente com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

O empresário disse que Mantega era o responsável no governo Dilma por tratar de doações com as empresas. Antes, durante o governo Lula, o responsável por tratar de pagamentos ao governo e ao PT era o também ex-ministro Antônio Palocci, de acordo com Marcelo Odebrecht.

“Então, você estava no meio de negociação para discurtir Refis, várias empresas. Eu não sei que tipo de abordagem eles fizeram com as outras empresas, não tenho conhecimento. Sei que, no meu caso específico, em… em uma dessas reuniões, acho – porque eu tinha reuniões com outras empresas, eu tinha algumas reuniões a sós – em uma delas, ele [Guido Mantega] anotou no papel e disse: ‘Olha, Marcelo, eu tenho a expectativa de que você contribua para a campanha de 2010 com cinquenta milhões’. Isso foi com o Guido”, disse.

De acordo com o ex-presidente da Odebrecht, o valor acabou ficando para 2014 porque, segundo ele, Mantega só se envolveu diretamente e passou a solicitar recursos para o PT a partir de 2011, “quando o Palocci saiu da Casa Civil”.

“Até então, era com o Palocci a maior parte dos pedidos que tinha o PT”, complementou.

Conta do PT na Odebrecht

No depoimento, Marcelo Odebrecht disse que o PT tinha uma conta corrente na empreiteira que era utilizada, inclusive, para pagamentos que deveriam ser feitos ao marqueteiro João Santana.

De acordo com o empresário, a conta foi administrada inicialmente pelo ex-ministro Antônio Palloci e, em um segundo momento, por Guido Mantega.

Segundo Odebrecht, a conta, embora administrada por petistas, tinha como principal objetivo atender às necessidades da Presidência da República, primeiro de Lula e depois de Dilma.

“Quando eu digo PT é com a Presidência, quer dizer, Guido… Não tinha envolvimento, não tinha nada a ver com a relação dos meus outros empresários – certo? – com o PT. Não tinha relação, por exemplo, com o [João] Vaccari, algumas vezes a pedido de Palocci ou Guido, a gente ajudou o Vaccari a fechar a conta do PT. Mas o Vaccari foi e pediu para eles, eles me pediram e eu autorizei, porque saiu da conta. Mas não tinha relação [com o PT]“, disse no depoimento.

‘Amigo’

De acordo com a reportagem do “Antagonista”, confirmada pela TV Globo, documentos apresentados pela Odebrecht ao TSE apontam que houve movimentação financeira na conta corrente mantida pela empreiteira e vinculada ao PT.

A movimentação teria sido feita entre outubro de 2013 e março de 2014 pelo ex-presidente Lula.

Em uma planilha enviada ao tribunal, há três codinomes vinculados à conta: “Itália”, “Amigo”, e “Pós Itália”. Segundo Marcelo Odebrecht, os codinomes se referiam, respectivamente, a Antônio Palocci, Lula e Guido Mantega.

Na planilha, há dados sobre o saldo em 22 de outubro de 2013, que era de R$ 71 milhões. Em 31 de março de 2014, o saldo da conta era de R$ 66 milhões.

A assessoria de Lula diz que o ex-presidente “não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros se referem a ele como ‘amigo’, que essa planilha nem esse apelido são de sua autoria ou do seu conhecimento.”

Doação para instituto

Além dos depoimentos, os ex-executivos entregaram documentos ao TSE para ilustar o que relataram ao ministro.

Em um desses documentos, disponibilizado pelo ex-diretor do Departamento de Operações Estruturadas Hilberto Mascarenhas, há o registro de uma doação de R$ 4 milhões da Odebrecht, feita em 2014. Ao lado do valor da doação, aparece escrito: “Doação Instituto 2014!”.

A reportagem do “Antagonista” afirma que o valor foi destinado ao Instituto Lula, entidade que representa o ex-presidente.

O departamento que era chefiado por Mascarenhas ficou conhecido como setor de propinas da Odebrecht.

Em nota, o Instituto Lula informou que todas as doações, incluindo as da Odebrecht, foram “devidamente registradas, com os nomes das empresas doadoras e com notas fiscais emitidas”. Além disso, as notas “foram entregues para a Receita Federal em dezembro de 2015 e já tornadas públicas há mais de 1 ano”.

O que disseram os citados

Dilma Rousseff

Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de imprensa de Dilma:

NOTA À IMPRENSA

Não adianta lançarem novas mentiras contra Dilma Rousseff

A respeito de informações publicadas nesta quinta-feira, 23, sobre um supostas declarações, avisos e afirmações atribuídas ao empresário Marcelo Odebrecht, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. A ex-presidenta Dilma Rousseff não tem e nunca teve qualquer relação próxima com o empresário Marcelo Odebrecht, mesmo nos tempos em que ela ocupou a Casa Civil no governo Lula.

2. É preciso deixar claro: Dilma Rousseff sempre manteve uma relação distante do empresário, de quem tinha desconfiança desde o episódio da licitação da Usina de Santo Antônio.

3. Dilma Rousseff jamais pediu recursos para campanha ao empresário em encontros em palácios governamentais, ou mesmo solicitou dinheiro para o Partido dos Trabalhadores.

4. O senhor Marcelo Odebrecht precisa incluir provas e documentos das acusações que levanta contra a ex-presidenta da República, como a defesa de Dilma solicitou – e teve negado os pedidos – à Justiça Eleitoral. Não basta acusar de maneira leviana.

5. É no mínimo estranho que, mais uma vez, delações sejam vazadas seletivamente, de maneira torpe, suspeita e inusual, justamente no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral, órgão responsável pelo processo que analisa a cassação da chapa Dilma-Temer, está prestes a examinar o relatório do ministro Herman Benjamin.

6. Espera-se que autoridades judiciárias, incluindo o presidente do TSE, Gilmar Mendes, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, venham a público cobrar a responsabilidade sobre o vazamento de um processo que corre em segredo de Justiça.

7. Apesar das levianas acusações, suspeitas infundadas e do clima de perseguição, criado pela irresponsável oposição golpista desde novembro de 2014 – e alimentada incessantemente por parcela da imprensa – Dilma Rousseff não foge da luta. Vai até o fim enfrentando as acusações para provar o que tem reiterado desde antes do fraudulento processo de impeachment: sua vida pública é limpa e honrada.

ASSESSORIA DE IMPRENSA

DILMA ROUSSEFF

Luiz Inácio Lula da Silva

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Instituto Lula:

O ex-presidente Lula teve seus sigilos fiscais e telefônicos quebrados, sua residência e de seus familiares sofreu busca e apreensão há mais de um ano, mais de 70 testemunhas foram ouvidas em processos e não foi encontrado nenhum recurso indevido para o ex-presidente.

Lula jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim e isso será provado na Justiça. Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros se referem a ele como “amigo”, que essa planilha nem esse apelido são de sua autoria ou do seu conhecimento, por isso não lhe cabe comentar depoimento sob sigilo de justiça vazado seletivamente e de forma ilegal.

Todas as doações para o Instituto Lula, incluindo as da Odebrecht estão devidamente registradas, com os nomes das empresas doadoras e com notas fiscais emitidas, foram entregues para a Receita Federal em dezembro de 2015 e já tornadas públicas há mais de 1 ano.

Odebrecht

Leia abaixo a íntegra da nota da Odebrecht:

A Odebrecht não se manifesta sobre o teor de eventuais depoimentos de pessoas físicas, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça. A empresa está implantando as melhores práticas de compliance, baseadas na ética, transparência e integridade.

Guido Mantega e Antônio Palocci

A defesa de Guido Mantega e de Antônio Palocci disse que não vai cometer a “leviandade” de comentar trechos de depoimentos sem conhecer a íntegra do que foi dito ao TSE.

Os craques de Tite brilharam no estádio centenário de Montevidéu, e deu goleada histórica no carimbo da seleção de todas as copas, para a Copa da Rússia. Viva e som na caixa, grande Jackson.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Craques festejam grande triunfo no Uruguai

DO PORTAL TERRA BRASIL

Nem mesmo a segunda melhor seleção das Eliminatórias da Copa do Mundo, que só havia conquistado vitórias em casa, foi capaz de frear o Brasil de Tite. Jogando no histórico Estádio Centenário, na noite desta quinta-feira, a equipe nacional conquistou uma importante virada sobre o Uruguai, por 4 a 1, e chegou ao seu sétimo triunfo consecutivo no torneio.

O resultado deixou a vaga no Mundial da Rússia bastante encaminhada – pela projeção de Tite, a classificação já está assegurada, ainda que não matematicamente. A Seleção Brasileira passou a somar 30 pontos ganhos, na liderança disparada das Eliminatórias, contra 23 do segundo colocado Uruguai.

Para triunfar novamente, o Brasil precisou provar ter poder de reação em Montevidéu. O time visitante viu Marcelo falhar logo no começo da partida, forçando o pênalti do goleiro Alisson sobre Cavani na sequência do lance. O próprio centroavante converteu a cobrança. Paulinho, contudo, liderou a virada com três gols. Neymar também contribuiu com a goleada com uma bela conclusão por cobertura.

O embalado Brasil terá o Paraguai pela frente já na terça-feira, em Itaquera, estádio do Corinthians. No mesmo dia, o

O jogo – Preocupado em não deixar o Uruguai confortável para atacar já nos primeiros minutos, o Brasil procurou manter a bola nos pés, trocando passes em seu campo defensivo. Neymar foi além. Aos três, o atacante do Barcelona arrancou de antes do meio-campo e acionou Philippe Coutinho, que cruzou da direita. Coates furou, mas Roberto Firmino também.

Pouco depois, Cavani mostrou o oportunismo que o centroavante brasileiro não teve. Marcelo foi displicente ao fazer um recuo curto, com o peito, para Alisson, e o astro uruguaio correu para ficar com a bola. Só não fez o gol porque foi derrubado pelo goleiro. Pênalti. Ele mesmo cobrou, aos nove minutos, e colocou os donos da casa em vantagem no marcador.

O gol já no princípio de partida criou o ambiente que Tite temia. Com a sua torcida inflamada nas arquibancadas do Centenário, o Uruguai ganhou tranquilidade para jogar no contra-ataque, como gosta de fazer. Do outro lado, a Seleção Brasileira viu os espaços para as suas investidas diminuírem sensivelmente.

Paulinho, então, resolveu encurtar o caminho para o gol. Aos 18 minutos, o volante do chinês Guangzhou Evergrande recebeu a bola de Neymar, carregou pelo meio e soltou o pé de fora da área, acertando o ângulo, quase sem chances de defesa para o goleiro vascaíno Martín Silva.

Com a igualdade, o Brasil voltou a se sentir à vontade para impor o estilo de jogo que havia proposto no princípio da partida, com muita movimentação de Neymar. No ataque, quem destoava era Renato Augusto, pouco participativo. E, na defesa, o Uruguai proporcionou mais um susto antes do intervalo. Aos 36, Vecino cabeceou perigosamente para fora após falta batida por Sánchez.

No segundo tempo, com o jogo mais brigado, o Brasil conseguiu se sobressair outra vez. Aos sete minutos, Firmino se redimiu da furada do início do jogo ao girar bem na entrada da área antes de finalizar. Martín Silva deu rebote, e Paulinho foi rápido para aproveitar e anotar o seu segundo gol no Centenário.

Atrás no placar, o Uruguai se viu obrigado a se lançar ao ataque, acuando o time de Tite. O técnico Óscar Tabárez tentou colaborar com a pressão dos seus comandados com a troca de Rolán, o jogador que escolheu para substituir o suspenso Luis Suárez, por Stuani.

Não adiantou. Aos 29 minutos, Neymar fez a diferença na hora em que a Seleção Brasileira tentava conter o ímpeto do Uruguai. Miranda deu um bico para a frente, e o atacante do Barcelona deixou Coates para trás na velocidade, invadiu a área e concluiu com muita categoria, por cobertura, na saída de Martín Silva.

DO EL PAÍS

Gil Alessi

Brasília

O presidente Michel Temer obteve na quarta-feira uma vitória no Congresso com a aprovação, na Câmara dos Deputados, de um projeto que flexibiliza as leis trabalhistas, ampliando as possibilidade de terceirização dos trabalhadores e de contração temporária, que passou de três para até nove meses. Foi um pequeno passo na agenda estratégica do Planalto, que, com ampla base de apoio parlamentar, busca implementar uma série de mudanças e reformas de cunho liberal e impacto macro e micro econômico. De acordo com os governistas e apoiadores, o objetivo é atrair investimentos, empregos e manter a inflação sob controle, enquanto opositores e críticos veem precarização de direitos em um momento de crise. A vitória, que deve agradar o empresariado e investidores, dá algum fôlego e tempo até que o Governo costure apoio para uma batalha considerada mais dura, a da reforma da Previdência.
Câmara aprova terceirização
Oposição protesta em votação da lei de tercerização. Z. Ribeiro/Câmara dos Deputados

A pressa do Governo de entregar parte do seu pacote de reformas ficou clara na votação e discussão da terceirização. Parte dos parlamentares não sabia exatamente quais pontos do projeto – que veio do Senado – haviam sido mantidos pelo relator, Laercio Oliveira (SD-SE). Deputados do PT chegaram a criticar a anistia a multas aplicadas às empresas que violam leis trabalhistas, ponto que constava no texto original, mas que foi posteriormente retirado por Oliveira. O relator chegou a afirmar que “há muita desinformação” com relação ao assunto. “Se falou em precarização, mas a terceirização não é um fato novo, querem fazer parecer que o Governo de Michel Temer está criando um novo regime de contratação”, disse. Se houve falta de informação, Oliveira não colaborou para jogar luz na questão. Ao invés de apresentar um relatório consolidado, o deputado apenas elencou quais artigos do projeto deveriam ser mantidos, o que gerou confusão no plenário. Um deputado do PC do B chegou a garantir para a reportagem que “esse projeto NÃO trata da terceirização, e sim do trabalho temporário”. Na realidade o texto contemplava ambos os assuntos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisou suar a camisa para conseguir aprovar o projeto, apresentado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso há 19 anos. Ele foi criticado pela oposição por colocar em pauta este texto antigo para beneficiar a agenda de Temer e contornar o Senado, onde um projeto de teor semelhante e considerado até menos duro, aprovado pela Câmara em 2015, aguarda análise. Em um dia marcado pela posse do ministro Alexandre Moraes no Supremo Tribunal Federal, a base aliada teve dificuldade de conseguir quórum no plenário durante a tarde. O próprio presidente da Casa se ausentou da sessão várias vezes para se reunir com líderes das bancadas.

Maia tentou iniciar os trabalhos por volta das 13h, mas deputados do PT e do PSOL obstruíram a votação por horas – fizeram discursos e questões de ordem para que o processo não andasse. Os parlamentares afirmaram que o ex-presidente Lula pediu ao Congresso a retirada do projeto. Como o texto havia sido encaminhado ao Legislativo pelo Executivo, o pedido do petista invalidaria a matéria, de acordo com parte da oposição. Maia rebateu a tese afirmando que como a Câmara e o Senado já havia votado a matéria, ela não era mais do Governo, e sim do Congresso. “O senhor vai judicializar a questão se continuar por essa linha”, disse o deputado petista Bohn Gass (RS).

Mas mesmo com uma base sólida e maioria no Congresso, a tarefa do Governo de tirar do papel as reformas, que precisam ser aprovadas pelo Legislativo, não tem se mostrado fácil. Nos últimos dias o Governo teve que ceder com relação a alguns pontos da reforma da Previdência, a menina dos olhos do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Após pressão de deputados e senadores, Temer, ao lado de seu primeiro escalão, anunciou na terça que os servidores estaduais e municipais estariam fora das mudanças propostas. Ele já havia sido inclusive alvo de fogo amigo por parte do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, que afirmou que o Governo havia “criado dificuldades” para a aprovação da reforma.

Após o recuo do Governo os Estados, que também teriam que implementar as novas regras de aposentadoria ao seu quadro de funcionários caso vingasse o plano original, se viram livres para aprovar ou não suas próprias reforma. Temer minimizou a questão, e disse que “surgiu com grande força [na reunião com os líderes das bancadas] a ideia de que deveríamos obedecer a autonomia dos Estados”, e disse que impor às unidades federadas a reforma seria uma “invasão de competência”. Rodrigo Maia afirmou que a mudança na reforma anunciada reduz “70%” da pressão que os parlamentares estavam sentindo em suas bases eleitorais, e consequentemente facilita a aprovação do projeto.

“É mais um projeto que se soma no rol de precarização a que estão sujeitando os trabalhadores”, criticou Chico Alencar (PSOL-RJ).