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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A CONFISSÃO ESPONTÂNEA DE TEMER

No pedido para ouvir Michel Temer, Rodrigo Janot alega que o presidente fez uma “confissão espontânea” ao admitir o encontro com Joesley Batista – O Antagonista está dizendo isso há dias.

Leiam

“Em que pese Michel Temer alegar ilicitude da gravação e questionar a integridade técnica desta, cumpre ressaltar que, em pronunciamentos recentes, o Presidente da República não negou o encontro nem diálogo noturno e secreto com o colaborador JOESLEY BATISTA, tampouco nega que o colaborador tenha lhe confessado fatos criminosos graves, o que demandaria, no mínimo, comunicação de tais crimes as autoridades competentes.”

O PGR cita o próprio discurso de Temer para justificar a investigação: “Devo até registrar, devo até registrar, que e interessante quando os senhores examinam o seu depoimento e o áudio, os senhores verificam que a conexão de uma sentença a outra, não e conexão de quem diz: olhe eu estou comprando o silêncio de um ex-deputado e estou dando tanto a ele. Não! A conexão é com a frase: ‘eu me dou muito bem com o ex-deputado, mantenho uma boa relação’, e eu disse: mantenha isso, viu? Enfatizou muita, o viu.”

Segundo Janot, “o que consta desse trecho do discurso e o reconhecimento por parte do investigado MICHEL TEMER da existência do diálogo com JOESLEY e da boa relação entre JOESLEY com EDUARDO CUNHA”.

“A interpretação do diálogo e do que significa esta anuência por parte do investigado MICHEL TEMER será avaliada no momento da formação da opinio delicti”.

mai
26
Posted on 26-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-05-2017


Temer, nesta quinta-feira. UESLEI MARCELINO REUTERS

DO EL PAÍS

Talita Bedinelli

Brasília

O tempo contra Michel Temer corre rapidamente. O presidente brasileiro tem pouco mais de dez dias para tentar recobrar seu prestígio político no Congresso e convencer de que é capaz de comandar a aprovação das reformas liberais que prometeu antes de enfrentar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que podem cassar seu mandato por irregularidades na campanha de 2014, quando era vice de Dilma Rousseff. Se há pouco mais de uma semana sua cabeça parecia mais distante da degola, com o Governo presenciando uma tímida recuperação econômica e suas reformas progredindo no Congresso, o abalo político que Temer sofreu desde a semana passada, com a divulgação da comprometedora delação da JBS, pode ter invertido suas chances. Apesar da dezena de pedidos de impeachment protocolados na Câmara, a aposta da oposição e até mesmo entre governistas é de que a saída do presidente tem mais chance de sair mesmo é pelo tribunal, que começa o julgamento no próximo dia 6 de junho. Seria uma solução mais rápida para a crise do que um arrastado processo de destituição.

Foi o próprio Temer quem reconheceu um possível peso da conjuntura política no veredito do TSE, uma corte formada por três ministros do STF, dois do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e dois advogados recentemente indicados pelo Planalto. Na conversa que iniciou seu calvário político na semana passada, Temer afirma ao empresário da J&F, controladora da JBS, Joesley Batista, que não acreditava que seria cassado, pois os ministros do TSE tinham “consciência política”. “Eu acho que não passa o negócio da minha cassação, porque eles têm uma consciência política de ‘porra, mais um presidente…”, afirmou ele. O mandatário não estava sozinho ao ver um fator político na sentença. Gilmar Mendes, ministro do STF e presidente do TSE, sugeriu algumas vezes que as crises política e financeira do país seriam levadas em conta na decisão. “É um julgamento complexo. E, certamente, o tribunal terá que fazer análise de toda ordem”, disse em abril. Desde a escalada da crise na semana passada, Mendes, o mais midiático dos ministros do STF, interlocutor de Temer e um crítico recente e agudo da Lava Jato, está em eloquente silêncio.
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Diante de um clima já turbulento, com manifestações descambando para episódios graves de violência e a recessão econômica ameaçando se prolongar, o entendimento da Corte agora pode ser de que Temer não tem mais condições de se manter no cargo. A ponderação de que a estabilidade deveria falar mais alto pode ter ruído. Além de mais rápida que o impeachment (o processo de Dilma Rousseff levou nove meses), a saída soa mais “honrosa” do que a renúncia, que poderia ecoar uma admissão de culpa para quem responde a um inquérito que seria levado à primeira instância da Justiça, com a perda do foro privilegiado.

Temer sabe que precisa agir rápido. E, para isso, se apoia na sustentação que ainda possui no Congresso. Dentro do seu próprio partido, vivencia a rebeldia de Renan Calheiros, que sempre que pode levanta sua voz para dar a entender, tomando o cuidado de nunca afirmar, que o presidente precisa renunciar. Mas assegurou o compromisso, por hora, de que PSDB e DEM esperariam qualquer decisão do TSE para debandar ou não da base. A oposição mais barulhenta, formada por parlamentares de seis partidos (PT, PSOL, Rede, PDT, PSB e PCdoB), é minoria e a única coisa que consegue fazer, efetivamente, é protestar e atrapalhar as votações. Na última quarta-feira à noite, eles deixaram o plenário da Câmara em protesto contra a decisão do presidente da Casa, Rodrigo Maia, de continuar com a sessão após uma tarde de violência contra os manifestantes do lado de fora. Aproveitando a ausência desses parlamentares, a base de Temer conseguiu aprovar seis Medidas Provisórias, sem que tivessem que enfrentar qualquer resistência que retardaria o processo.

A pequena vitória foi motivo de comemoração para Temer, em um dia que sua situação começou ainda mais crítica pela repercussão negativa de convocar as Forças Armadas para conter o protesto dos sindicalistas em Brasília. Pela manhã, ele recuou da decisão e revogou o decreto, que teria validade até o final do mês. E preferiu se afastar da polêmica ao enviar o ministro Raul Jungmann para justificar à imprensa sua decisão anterior. “A orientação dada por nós era de que as Forças se posicionassem defensivamente, protegendo o patrimônio e a integridade física das pessoas e não se envolvessem com repressão. Assim foi feito e nenhum confronto aconteceu entre as Forças Armadas e os manifestantes”, destacou ele. “Em função disso, tivemos a garantia da continuidade dos trabalhos do Congresso Nacional. Fica claro, portanto, que a governabilidade não foi afetada”, destacou.

Já à noite, em um pronunciamento em seu Facebook, Temer também usou o erro da oposição a seu favor. Afirmou que “o Brasil não parou e não vai parar” e se vangloriou do desempenho de sua base na Câmara neste dia de manifestação, com a aprovação das seis medidas provisórias. “As manifestações ocorreram com exageros, mas deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil e aprovaram número expressivo de Medidas Provisórias. E a reforma trabalhista avançou no Senado”, afirmou o presidente, sem mencionar que, na verdade, esse avanço se refere a uma leitura que não houve do relatório na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) por causa de um tumulto com a oposição. “Expressão, portanto, do compromisso de superar a crise”, destacou.

Se Temer conseguir retomar sua força política, pode conseguir convencer um dos ministros a pedir vistas de seu processo no TSE, alongando seu tempo.Tem a seu favor o fato de que muitos de seus nomes políticos fortes precisam se segurar a ele, ou cairão junto, pois também são implicados em investigações na Operação Lava Jato. Mas esses próprios articuladores também sabem que precisam se garantir no novo jogo político que se desenha com o cenário da eleição indireta e não devem hesitar em deixá-lo ao perceber que o caminho de Temer já é sem volta.

Magnífica canção!!! Insuperável interpretação.

A música tema de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Eugênio ( Dan Stulback) é um destaque especial do folhetim das 9h, na TV Globo, A “Força do Querer”, de Glória Perez. O desempenho do casal também.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

O toque sagrado

Gilson Nogueira

Ovos de galinhas(sic)!!!, grita o vendedor ao microfone do aparelho de som do carro brancoestacionado nas proximidades do Hospital Santo Amaro. Não vejo o cidadão, nem, tampouco, alguém comprando a mercadoria anunciada na hora do almoço. Atrai-me a atenção o fato de não avistar santa alma pagando o preço pelo produto das galinhas, incluindo, certamente, penso, no cesto vocabular do locutor, raças diversas da penosa.

Quem sabe, alguma australiana que veio morrer de desilusão no Brasil!

Galinha lembra frango. Por isso, recordo os “frangos” que levei, para casa, quando tentei brilhar, na posição de goleiro, nos babas da Delfim Moreira, em Santos, nos anos em que Pelé chegava à Vila Belmiro para fazer o futebol ser dividido em duas etapas distintas, ou seja, antes e depois
Dele, considerado o Deus do Futebol, ou,como queiram, o Deus dos Estádios.

Até hoje!!!

E futebol faz parte das minhas melhores lembranças, desde menino, como ponta-esquerda e ponta-direita, audacioso, desses de cruzar para a área, na medida certa, para o gol salvador do meu time.

Estava na reserva do lendário Botafoguinho do Ginásio de São Bento, nos anos
50-60. E na Praia de Piata, com a turma de Nazaré, fazendo as ondas aplaudirem o também
lateral apaixonado pelo Tamba e por aquela cervejinha gelada, onde o inesquecível Vinicius, ao lado do parceiro Toquinho, misturava uísque com agua de coco e brindava a vida e os baianos
com sua presença santa.

Salvador era um poema. Hoje,um palavrão. De repente, em casa, ouvindo, ainda, os gritos da
torcida do glorioso Sport do Recife, no empate, em 1 x1, com o maior time do planeta, na Ilha
do Retiro, na Veneza Brasileira, lembrei-me do dia em que a torcida do Bahia ,na Fonte Nova, a antiga, palco de sonhos mágicos e pesadelos cruéis, no final do primeiro tempo de uma preliminar de uma preliminar de um BaxVi, pelo campeonato baiano, sob sol de, quase, 32
graus, berrava ao pé do meu ouvido direito, Cruza, ponta!,Cruza, ponta! Cruza,porra!!!E eu,ali,sem forca para mandar a redonda na medida exata para o gol de cabeça de Antonio Matos, mestre dos mestres do jornalismo esportivo da Bahia e do Brasil, ou de outros cobras da imprensa soteropolitana.
As lembranças chegam com a vontade de mandar um recado para os jogadores do Esquadrão de Aco, objetivando à partida decisiva da Copa do Nordeste,logo mais, no Estádio Octávio Mangabeira – a Fonte Nova imorredoura. Escutem a voz da torcida. Tenham fé no santo tricolor.Busquem identificar, no espaço, a voz dos heróis do passado que construíram uma
paixão, símbolo do futebol jogado com o coração e que é considerado um dos melhores do mundo.No Bahia,meninos, clube do Super Homem, chuta-se com a alma.
O gol do titulo, que pode ser conquistado,hoje, com empate de zero a zero, nascerá do passe vindo da Colina Sagrada, no Bonfim. Um toque na medida certa, para alegria de quem sabe que ri melhor quem ri por ultimo.Em lugar do frevo, o samba de Batatinha, meu rei!

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do BP. O texto foi escrito para ser publicado na quarta-feira, 24, do jogo decisivo da Copa do Nordeste, entre Bahia e Sport. Não deu. Mas o BP publica nesta sexta-feira , quando a nação tricolor ainda festeja, intensamente, a vitória por 1 a 0 e a conquista do título tão almejado.Salve o Bahia.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Miguel Reale Júnior: “Eu preferia o caminho da renúncia”

Em entrevista ao Estadão, o jurista Michel Real Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, disse que há motivos para um pedido de afastamento de Michel Temer, mas defende a renúncia dele.

Vejam este trecho:

Há motivos para pedir o impeachment do presidente Michel Temer?

O conjunto da obra leva, sem dúvida nenhuma, ao enquadramento nas hipóteses do impeachment. Houve uma lesão à moralidade administrativa. Eu preferia, porém, o caminho da renúncia. O Brasil não aguenta mais um processo de impeachment. O processo é doloroso. Paralisa a Câmara e o Senado. O Brasil não pode parar.

O que é mais grave, as pedaladas da ex-presidente Dilma Rousseff ou as denúncias contra Michel Temer?

São fatos completamente diversos e com consequências totalmente diferentes. As pedaladas levaram o Brasil à recessão econômica e à maior crise da sua história. As acusações à Dilma não se restringem às pedaladas. Havia na petição do impeachment a acusação que ela tinha conhecimento de toda a corrupção na Petrobrás e que dava cobertura a diretores da estatal que estavam envolvidos. Nós fazíamos referência à delação do (Alberto) Youssef, mas o Eduardo Cunha excluiu isso da apreciação do impeachment. Ele não queria que fatos do mandato passado fossem apreciados porque pegariam ele na Comissão de Ética. Os fatos relacionados ao Temer são da velha política: conchavo, acerto, empresários desonestos e condutas nada republicanas.

mai
26
Posted on 26-05-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-05-2017


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

mai
26


O diretor Santiago Mitre e os atores argentinos Érica Rivas, Ricardo Darín
e Dolores Fonzi, na apresentação de ‘La Cordillera”, na quarta-feira, em Cannes. Antony


DO EL PAÍS

Gregorio Belinchón

Cannes

O presidente argentino Hernán Blanca está no poder há apenas seis meses, mas já conseguiu manter um certo mistério sobre seu passado. Muita gente não sabe se é um fantoche nas mãos de seu chefe de gabinete ou se simplesmente não tem nada a esconder sob sua fachada impecável. Nesse momento participa de uma tensa cúpula de presidentes latino-americanos no Chile, enquanto tenta ajudar sua filha, em plena crise emocional.

Contado assim, La Cordillera (ainda sem título em português), de Santiago Mitre, parece mais um thriller político. Mas assim como ocorreu em filmes anteriores desse diretor de Buenos Aires (O Estudante e Paulina), dentro há muito mais. Há referências óbvias a O Iluminado (de Stanley Kubrick), porque os personagens estão fechados em um hotel e há um clima claustrofóbico criado pela neve. Mas sobretudo, uma veia de Roman Polanski marca o tom e a narrativa. “É curioso. Ontem à noite vi o próprio Polanski. Estava sozinho, apoiado em uma grade, e me atirei a seus braços. Nada demais, algumas palavras, mas…”, conta Ricardo Darín, que encarna o presidente Blanco do filme, em uma sala do Palácio dos Festivais de Cannes. A seu lado, Mitre, na primeira entrevista que marca sua jornada de trabalho em Cannes, onde a fita participa da mostra Um Certo Olhar, com sua aposta pelo metafísico em uma viagem que um de seus produtores descreve como “Capra ao contrário”. “O curioso é que durante a filmagem quase não falamos de Polanski”, recorda o ator. “Foi uma filmagem difícil, a mais de 3.000 metros de altitude, com muito equipamento, e alguns de nós desmaiavam”.

Mitre afirma que a sombra do cineasta franco-polonês foi crescendo conforme iam completando o filme. “Tentei evitar os típicos sinais de um thriller político tradicional, os elementos fantásticos começaram a crescer e nasceu esse tom inquietante”. Entre as referências estão O Bebê de Rosemary e O Inquilino. “São os culpados pela abordagem poética e inquietante desta imersão no exercício do poder”. Ou, como se diz no filme, “o mal existe, e uma pessoa não chega à presidência sem tê-lo visto pelo menos um par de vezes”.

No centro, um político que proclama sua normalidade, ainda que alguns sinais mostrem outro fundo. “Isso é parte do apelo do roteiro de Santiago. É possível intuir, vislumbrar, perceber algo sobre essas pessoas, os governantes, para além do que declaram. Eles tomam decisões por todos nós e às vezes esquecemos que lidam com seus problemas pessoais”, conta Darín. Em sua pele, Blanco é mais atraente do que a maioria dos governantes atuais. “Não sei se isso conta a favor ou contra. Ao longo da trama vemos três ou quatro indícios de que ele prefere fazer tudo sozinho, que está pensando e organizando algo por debaixo do pano, para além do que lhe dizem seus assessores”. E continua: “Ele está construindo seu poder, chegou à presidência de maneira distinta, sem pertencer a nenhuma família política”. Mitre interrompe: “Ele é uma espécie de Macron”. Ao que Darín arremata: “Ele é uma caixinha de surpresas”.

“Eles tomam decisões por todos nós e às vezes esquecemos que lidam com seus próprios problemas pessoais” (Ricardo Darín)

O clima, o hotel e o isolamento de O Iluminado estavam no libreto. “Mas encontramos o lugar por acaso, durante a revisão do roteiro, quando começamos a pesquisar locações”, conta Mitre. A função de diretor é apenas algo mais. “Bom, apareceram coisas que não pude fazer em minhas obras anteriores”. Por exemplo? “A mudança de uma ficção realista a um tom que se endurece para trabalhar momentos oníricos”.

O ator argentino passará o verão europeu na Espanha, entre as apresentações do espetáculo teatral Cenas de um Casamento e a filmagem do thriller em espanhol do iraniano Asghar Farhadi, com Javier Bardem e Penélope Cruz. Junto a Darín em La Cordillera estão Dolores Fonzi (Paulina) como sua filha, Érica Rivas (Relatos Selvagens) como sua assistente, Elena Anaya como uma jornalista, Alfredo Castro como um médico, e outros atores de peso que dão vida aos presidentes de outros países, como a chilena Paulina García e o mexicano Daniel Giménez Cacho. E Christian Slater, porque os norte-americanos sempre estão aí, nas cloacas do poder. O que pensarão os presidentes mexicano e argentino quando virem o filme? “Os mexicanos são tão críticos com sua classe política que provavelmente gostarão”, diz Mitre. “E nós argentinos reclamamos de tudo, então…”. Ou como confirma Darín: “Fazemos escola em reclamações. Cada um voltará sua apreciação àquilo que o interessa. No fundo, isso é o que queremos: que o espectador decida”.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Temer: “Brasil não parou e não vai parar”

Michel Temer divulgou nas redes do Palácio do Planalto um novo pronunciamento — bem curto.

“Continuamos avançando”, diz o presidente.

Assista…

CRÔNICA

Pata pata. Mirian Makeba, o sorriso e o choque

Maria Aparecida Torneros

Ela foi embora deste planeta há uns 10 anos. Acho que era 2007 e Mirian Makeba vivia na Itália.
No final dos anos 60 fez grande sucesso com sua Pata pata. Estilosa criatura cujo viço nos contagiou em priscas eras. Nem sei porque hoje me lembrei dela. Achei essa apresentação de 2006. Revivi aquele tempo quando suas canções nos inundaram de vontade de dançar.
Mama África trouxe pra nós o colorido de um continente injustiçado e ainda tão explorado.
Talvez ela me tenha vindo à memória para homenagear os povos massacrados pelos comandantes opressores que decidem destinos entre falcatruas e roubalheiras.

Ninguém pode escravizar nações e ficar impune. Há muitas formas de se pagar por tentar surrupiar o encanto das almas humanas. Sejam elas de quaisquer credos ou cores, lugares ou refúgios. A tal felicidade existe no âmago de quem vai cantar ou assistir a um show para se irmanar ou para orar. Se alguém atenta e aterroriza como aconteceu em Manchester , nuvens de anjos fazem preces por tanta loucura.
Pata pata ainda me faz sorrir apesar de choques intermitentes nesta Terra de provações.
Obrigada Mirian Makeba por me resgatar um laço de fé na humanidade apesar do circo de flagelos que temos assistido por aqui e por todos os cantos.
No silencioso sofrimento de quantos testemunham guerras, ataques, pestes, desalentos, drogas, vícios, vinganças, roubos, farsas e dores mil, sobram esperanças e cânticos das civilizações vibrantes.

O sorriso da Mama África está sobre nossas cabeças dando seu recado.
Humanidade, reencontre-se! Ainda é possível tentar . Não desistiremos de crer num mundo mais justo e seguir sonhando com sorrisos assim. Pobres seres que se afundam no terror e não cantam ou dançam para abraçar seus irmãos sem fronteiras. Pobres de nós se não pudermos recuperar a fé no amanhã das nossas crianças e adolescentes.
Viva Pata Pata!

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Editora do Blog da Cida, onde o texto foi publicado originalmente.

Baêaaa, Baêaaa, Baêaaa. Vamos avante, Esquadrão!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)