De o Globo, reproduzido pela autora teatral Aninha Franco em sua página no Facebook.

Artigo/Opinião

Primavera no Rio

Artur Xexeo

Acordei na última sexta-feira meio preguiçoso. Estava na Zona Oeste, tinha que ir para a Zona Sul a trabalho. Antes de chegar ao estúdio da GloboNews, precisaria passar no apartamento de Copacabana para trocar de roupa. E planejava uma ida ao barbeiro para não aparecer com a cara amassada no vídeo. Quer dizer, eu já nasci com a cara amassada, mas, com a barba feita, dá para disfarçar. Me arrumava com calma quando li a mensagem de uma amiga numa rede social. “Tiroteio na Rocinha.” Mais um, imaginei. E continuei me arrumando, preguiçosamente. Em outra rede social, a mensagem era mais dramática: “Trânsito interrompido na Estrada Lagoa-Barra.” Será que, desta vez, o tiroteio é mais sério? Liguei o rádio. A guerra na Rocinha continuava fazendo tanto barulho quanto no domingo passado. Liguei a TV. Os telejornais transmitiam direto da Via Ápia. A guerra no Rio assistia a um de seus mais agitados combates. Que fazer? Vou pelo caminho de sempre e pego o desvio para a Avenida Niemeyer, fugindo dos túneis que estavam fechados, ou opto pela Linha Amarela, longe do tiroteio, mas que eu tenho evitado por causa dos frequentes arrastões. Enquanto me decidia qual caminho seria mais seguro, chorei. Como é que a cidade, a minha cidade, foi transformada nisso? A escolha de um caminho mais seguro. E os moradores da Rocinha, que nem têm essa opção? Ou ficam em casa, ameaçados pela batalha que os cerca. Ou se arriscam a serem atingidos por uma bala perdida ao saírem em busca de um lugar mais seguro. Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. À população, só resta chorar. Chorar por uma cidade, que já foi maravilhosa, e que a cada dia se torna mais feia. Choro por ti, Rio de Janeiro, cidade transformada por sucessivas administrações corruptas e incompetentes. Eu choro.

Na sexta-feira, eu queria comemorar o começo da primavera. Ela chegaria exatamente às 17h02min. Mas, nesse horário, estava distraído, acompanhando pela televisão as Forças Armadas iniciarem o cerco à Rocinha. E isso lá é hora de se pensar na primavera? Já houve tempo em que o dia 22 de setembro era festejado com uma música de João de Barro lançada por Carmen Miranda em 1939:

“O Rio amanheceu cantando

Toda a cidade amanheceu em flor

E os namorados vêm pra rua em bando

Porque a primavera é a estação do amor”

Pobre Carmen Miranda! Se ela ainda estivesse por aí cantando “Primavera no Rio”, seria criticada por associar o Rio a namorados. Hoje, o que vem pelas ruas em bando são traficantes armados de fuzis (ou travestis portando facas na mira de turistas, mas aí não é em qualquer rua, só no calçadão de Copacabana). E o Rio deixou há muito tempo de amanhecer cantando. Atualmente, amanhece ouvindo os tiros que se espalham pelas favelas da cidade.

Vinte e quatro anos depois da gravação de Carmen Miranda, a poesia de João de Barro ainda valia. Tanto que Emilinha Borba regravou a canção em 1958:

“Rio, lindo sonho de fadas

Noites sempre estreladas

E praias azuis

Rio, dos meus sonhos dourados

Berço dos namorados

Cidade da luz!”

Cidade da luz? O Rio vive um período de trevas. A gravação de Emilinha expirou seu prazo de validade. Seguindo pela televisão as contradições nas declarações do ministro da Defesa, Raul Jugmann, do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e do secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, chega a dar saudades dos filmes dos Três Patetas. Não vejo lindo sonho de fadas, por isso choro pelas crianças que precisam aprender na escola a se jogar no chão quando ouvirem tiros. Enquanto escrevo, ouço Emilinha na vitrola:

“Rio, das manhãs prateadas

Das morenas queimadas

Ao brilho do Sol

Rio, és cidade-desejo

Tens ardência de um beijo

Em cada arrebol”

Mentira. Vitrola seria um objeto mais adequado para o período no qual “Primavera no Rio” foi composta. Mas não tem vitrola alguma. Emilinha canta no YouTube, que às vezes me dá a impressão de abrigar todas as canções do mundo. E eu choro pelo Rio que não combina mais com a poesia de João de Barro. Não tem mais manhãs prateadas, as morenas não se queimam mais (olha os efeitos do filtro solar!) e o arrebol… não dá pra prestar atenção em nenhum arrebol quando é preciso olhar para todos os lados ao mesmo tempo buscando algum elemento suspeito. Cidade-desejo? Só se for desejo de ir embora.

______

O ministro tenta se justificar, o secretário tenta se explicar (se fosse técnico de futebol, já teria sido mandado embora depois de tantas derrotas), o governador dá entrevistas e o prefeito… gente, onde é que se meteu o prefeito?

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A cidade está abandonada.

BAHIA EM PAUTA!!!

set
25
Posted on 25-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2017


DO EL PAÍS

Ana Carbajosa
Berlim

Mais quatro anos de Angela Merkel. O partido da chanceler alemã venceu as eleições pela quarta vez consecutiva e por uma folgada maioria, segundo as primeiras pesquisas após o fechamento das urnas. A União Cristã-Democrata (CDU) teria obtido 32,9% dos votos, segundo os dados preliminares publicados pela rede de televisão pública ARD, seguido pelo partido social democrata (SPD), que teria conseguido 20,8% dos votos, uma derrocada histórica com pior resultado desde 1949. “Esperávamos um resultado melhor”, reconheceu Merkel, que lembrou a todos que seu partido ainda é o mais forte e que não pode haver coalisão de Governo sem eles. Mas não é segredo que a CDU que terá dificuldade em buscar um sócio para formar uma coalizão com maioria suficiente para poder governar.

Os resultados extra-oficiais confirmam, também, uma notícia que já era temida: um partido de extrema-direita entrará no Parlamento pela primeira vez com uma representação muito acima dos 5% necessários para chegar ao parlamento alemão, o Bundestag. Com um discurso xenófobo e contrário ao Euro, o Alternativa pela Alemanha (Afd) teria conquistado 13,1% dos votos.

O nervosismo diante da perspectiva do desembarque do Afd em Bundestag é patente entre a classe política alemã. “Seu voto conta. Quem não vota deixa que os outros decidam por eles o futuro do país. Talvez nunca tenha sido tão claro como agora estas eleições também tratam do futuro da democracia”, pedia nesta manhã o presidente alemão Frank Walter Steinmeier, na edição oficial do diário Bild.

Radicalismos à parte, os alemães votaram pelo continuísmo e pela estabilidade representados na visão de muitos pela chanceler, Angela Merkel, que já acumula 12 anos à frente do Governo do país. Para grande parte da população, ela significa a estabilidade, em um mundo convulsionado ocupado por Trump, Erdogan e Kim Jong-un. Também representa a assertividade e a firmeza necessárias para fazer frente às ameaças internacionais. Além disso, Merkel é, para seus eleitores, a artífice de um período econômico que, apesar da enorme desigualdade existente no país e dos prejuízos causados no exterior por sua política comercial, promoveu níveis elevados de bem-estar para milhões de cidadãos alemães.

Na manhã deste domingo, Volker Kraftczyk, um engenheiro aeronáutico de 47 anos, resumia bem esse sentimento depois de votar em um bairro do norte de Berlim. “É uma mulher forte que nos representa bem diante do restante do mundo, e aqui dentro. A Alemanha é um dos países mais ricos do mundo. Não podemos nos queixar, não é?”. O discurso do candidato do SPD, Martin Schulz, focado na justiça social, não para de se esvaziar. Os números iniciais indicam uma grande derrota socialdemocrata. O SPD teria obtido o seu pior resultado da história da Alemanha moderna, com cerca de 20%. Houve momentos, no início do ano, em que Schulz apareceu como uma esperança clara da socialdemocracia alemã, mas ficou claro, hoje, que não se trata disso.

Die Linke, o partido da extrema esquerda, teria conquistado cerca de 9%, os Verdes, 9,5% e os liberais, 10,5%. Essas forças voltarão a ter lugar no Parlamento depois de anos de ostracismo. Sua ascensão foi mais uma das novidades trazidas por estas eleições. Elas voltam com força renovada pelas mãos de Christian Lindner, um candidato jovem e dinâmico que poderá dar muitas dores de cabeça para Merkel. O FDP não vê com bons olhos os planos da chanceler para reformar a zona do euro e criar um orçamento para ela, além de nomear um ministro das finanças para a moeda única.

Até hoje, quatro partidos – cinco se for contado o CSU, a ala bávara do partido de Merkel, que concorre nas eleições fazendo bloco com a CDU— tinham cadeiras no Parlamento. A partir de agora, esse total sobe para seis. A previsão é de que essa fragmentação tornará mais complicada a formação do novo Governo. À luz dos resultados preliminares, as duas opções mais viáveis para formar uma coalizão seriam a reedição da chamada Grande Coalizão – CDU/CSU e socialdemocracia—e a chamada coalizão Jamaica, assim chamada por causa das cores da bandeira da ilha caribenha – CDU, liberais e Verdes.

Mas os eleitores mostram pouco interesse em repetir a grande coalizão, como indicam os dados preliminares sobre a queda dos dois grandes partidos. Os especialistas concordam que o Governo conjunto contribuiu para o ressurgimento da AfD, um partido que explora o discurso de que todos os políticos são iguais e que seus membros são os únicos que se atrevem a dizer os que as forças do establishment não dizem.

Nas ruas, muitos eleitores mostravam um certo cansaço após quatro anos da nova grande coalizão. “Vim aqui votar, mas não sei para quê, pois afinal é tudo a mesma coisa na grande coalizão”, dizia uma eleitora, que se declarou ecologista de esquerda após depositar seu voto em Berlim. A coalizão Jamaica seria uma novidade, pois nunca foi testada no âmbito estatal. Além da imprevisibilidade, existem também as contradições e as linhas vermelhas de três partidos muito diferentes, que estariam condenados a se entender sob um mesmo arcabouço político. Refugiados, mudança climática e, sobretudo, a reforma da zona do euro que Merkel prometeu realizar em conjunto com Paris são alguns dos assuntos que complicariam a formação de uma coalizão Jamaica.

A aritmética indica que a extrema-direita do AfD terá, segundo as cifras preliminares, mais de meia centena de cadeiras no Parlamento. Também sugerem que, caso seja formada a grande coalizão, esse partido lideraria a oposição com um potencial inédito para marcar a agenda política e o debate nacional. É certo que o populismo de extrema-direita cresceu nos últimos anos em quase todos os países europeus, com porcentagens de voto bastante mais altas que as do AfD. França, Holanda e Áustria talvez sejam os exemplos mais significativos. Mas também é verdade que a Alemanha é um caso único, por evidentes razões históricas. Devido ao seu passado nazista, a possibilidade de que fosse concebido um partido de extrema-direita era muito remota. Até agora.

A Alemanha é também um caso extraordinário porque a ascensão da extrema-direita ocorre num contexto de bonança com poucos precedentes históricos. No caso do AfD, o protesto nasce principalmente da rejeição identitária a uma sociedade que se tornou culturalmente menos homogênea. Seus eleitores repetem que não querem que a Alemanha deixe de ser o que era, com suas tradições e sua cultura.

A chegada de 1,3 milhão de refugiados nos últimos dois anos foi o grande cavalo de batalha do AfD nesta campanha. O partido se orgulhou de vincular a criminalidade com a imigração e o asilo, exacerbando o sentimento de identidade nacional. A decisão de abrir as portas aos refugiados corresponde unicamente a Merkel, em quem a maioria dos alemães, contudo, voltou a depositar sua confiança depois do endurecimento de suas políticas e retórica migratórias nos últimos meses.

A partir desta noite, começa o complexo baile de alianças que pode se prolongar durante semanas, ou até meses, e que deve levar à formação de uma coalizão para governar a primeira economia da Europa.

set
25
Posted on 25-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2017


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

DEU NO BLOG O ANAGONISTA

Cadeia é cultura

Não é só Nem da Rocinha que recorre a cursos na prisão para reduzir sua pena.

Os presos da Lava Jato no Complexo Médico Penal de Curitiba, também.

Eis a escolinha, segundo O Globo:

– Eduardo Cunha faz curso de espanhol à distância;

– O ex-diretor da Petrobras Renato Duque aposta nas lições de inglês;

– O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto matriculou-se no curso de Higiene de Alimentos.

Nunca é tarde para aprender, pessoal.

set
24

DO CORREIO DA BAHIA

A fazenda Esmeralda que, segundo a Polícia Civil, pertence ao ex-ministro Geddel Vieira Lima e ao irmão dele, o deputado federal Lúcio Vieira Lima, foi invadida na madrugada deste sábado (23), por volta de 2h da manhã, no município de Potiraguá, sul da Bahia. Segundo o delegado Roberto Júnior, que é coordenador da 21ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin) de Itapetinga, onde houve o registro, foram cerca de 25 homens, armados com espingardas e outras armas longas.

Eles fizeram funcionários reféns e os liberaram pela manhã, assim que saíram do local. Ninguém ficou ferido. O grupo se identificou como sendo de indígenas. Um inquérito foi instaurado para investigar o caso. Se for confirmado que os invasores são índios, a Polícia Federal será a responsável pela investigação.

Geddel foi preso no último dia 8 de setembro após a Polícia Federal apreender R$ 51 milhões em dinheiro vivo num apartamento ligado a ele no bairro da Graça, em Salvador.

O eterno Barry, para esquentar seu final de semana!!!

BOM DOMINGO!!!

(Gilson Nogueira)

set
24


Mulher desliza entre soldados para ultrapassar uma barreira armada em um beco da Rocinha. Leo Correa AP

Espanha América Brasil Catalunha

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DO EL PAÍS

María Martín
Rio de Janeiro

Com nove anos, o pequeno Gabriel já foi apontado duas vezes por um fuzil nesta semana. A última, nesta sexta feira, quando quase mil militares cercaram seu bairro. Ele, morador da Rocinha, a maior favela do Rio e a mais rentável para o tráfico de drogas, colocou as mãos para o alto e ficou petrificado. Ia para o shopping com a irmã mais nova e sua mãe, que, depois de ver o filho na mira do fuzil, teve de sentar com o corpo inteiro tremendo e as lágrimas diluindo a maquiagem. “Eu nunca tinha visto nada igual. A vida parou. Meus filhos não foram para a escola em uma semana, os mercados fecharam. E quando tudo isto acabar voltaremos ao mesmo descaso de sempre”, lamenta a jovem de 24 anos, limpando a máscara para os cílios que ainda escorria pela bochecha.

A Rocinha, onde moram oficialmente 70.000 pessoas, vive em estado de exceção desde o último domingo, quando um bando de criminosos invadiu a favela em uma disputa interna entre líderes da facção Amigos dos Amigos que domina o tráfico de drogas na região. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o traficante Nem da Rocinha, preso desde 2011 e cumprindo pena numa cadeia federal de segurança máxima, teria ordenado a retomada do território do seu sucessor e ex-segurança, hoje desafeto, Rogério 157. O bando de Rogério 157 revidou e foram horas de confronto armado sem que as autoridades intervissem ou prevenissem o embate, apesar de terem reconhecido que detinham informações de inteligência sobre a iminência de uma invasão devido ao racha interno da facção. Encontraram-se quatro mortos, dois deles carbonizados.
Duas meninas caminham ao lado de uma viatura militar. ampliar foto
Duas meninas caminham ao lado de uma viatura militar. Marcelo Sayão EFE

A Polícia Militar começou suas operações na segunda e, desde então, repetem-se os tiroteios entre agentes e traficantes, o comércio de algumas áreas fechou, o transporte de ônibus foi interrompido, as vias de acesso foram várias vezes interditadas e muitos moradores estão em pânico. “Eu só quero paz, não me importa quem ganhe ou perca esta batalha”, dizia uma empregada doméstica, idosa e ofegante ao ter que subir a pé até sua casa, no alto do morro, ante a ausência de vans. Nesta sexta-feira, cinco dias depois do inícios dos confrontos, o Exército foi chamado e 950 militares, que surpreendiam pela sua juventude, cercaram a comunidade. Os moradores, no meio da espetacular operação, eram telespectadores atônitos da sua própria tragédia retransmitida ao vivo nas TVs acesas das barbearias, botequins e pontos de mototaxistas. As últimas informações da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Rio apontam que a invasão supostamente ordenada por Nem foi frustrada e que Rogério 157 resiste –“acuado”– no interior da mata da floresta da Tijuca que circunda a favela.
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Centro das atenções nesses dias de Rock in Rio, vizinha dos bairros mais ricos da cidade, a Rocinha revive as manchetes que a tornaram um símbolo político da pacificação em 2011. Também com o apoio dos militares, a comunidade foi ocupada pela polícia e vendida para o mundo como o exemplo exitoso do programa das Unidades da Polícia Pacificadora (UPP), hoje em processo de enxugamento, e impulsado pelo ex-governador Sérgio Cabral, cuja última sentença por corrupção soma 45 anos.
Soldados em uma rua da Rocinha. ampliar foto
Soldados em uma rua da Rocinha. CARL DE SOUZA AFP

Dois anos depois e apesar da pirotecnia política, a Rocinha também virou símbolo das falhas do programa, com a tortura, assassinato e desparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo em mãos de policiais da UPP da comunidade. A expulsão do tráfico, ainda comandado por Nem da prisão, também esteve sempre em questão até o ponto de os policiais terem delimitadas e acordadas suas áreas de atuação pelos criminosos. Segundo reportagem publicada no final de agosto pelo O Globo, os policiais que atuam na Rocinha são impedidos de entrar até em becos e vielas e o acesso deles é restrito às vias principais.

Enquanto as autoridades estreitam o cerco aos criminosos, um bom número deles escondidos na mata ou tentando fugir dela, os moradores perguntam-se sobre o depois. Num salão de uma das ruas principais da comunidade, com a TV a todo volume passando imagens do seu bairro cercado, um cabeleireiro via em toda aquela movimentação apenas uma encenação. “E depois o quê? Aqui sempre vai ter um comando. Se não for um, vai ser outro. Quando a polícia for embora volta tudo ao normal”. Na delegacia, na frente da favela, a mesma questão era lançada para o delegado Ricardo Lima. O que vai acontecer se as autoridades atingirem seu objetivo de capturar Rogério 157, uma vez que o bando de Nem fracassou na invasão e não estaria mais na favela? “Você poderia me fazer perguntas mais fáceis”, disse ele antes de virar as costas.
Outras favelas também sofrem longe dos holofotes
A vida parou na Rocinha, mais um símbolo do colapso do Rio
Alan Lima

M.M.

A Rocinha é protagonista da cobertura jornalística dessa semana e um dos assuntos mais comentados nas redes. Seu tamanho, seu acesso pela autoestrada Lagoa-Barra que une a zona sul à zona oeste, mas sobre tudo sua proximidade dos nobres bairros de São Conrado e Leblon e ser parte da rota para o Rock in Rio a tornaram alvo de maior preocupação das autoridades e também da imprensa.

Enquanto a maior favela do Rio ocupa manchetes pela violência e tem transmissões ao vivo e repórteres internacionais em campo, outras comunidades mais afastadas das zonas ricas da cidade sofrem o terror em silêncio. No mesmo final de semana em que começaram os tiroteios na Rocinha, o morro do Juramento, na zona norte, foi cenário de um confronto armado entre facções que deixou pelo menos sete mortos, alguns deles também carbonizados. Durante os tiroteios uma idosa ficou ferida e uma bala acertou e estilhaçou um vidro de uma composição do metrô.

Na sexta-feira, pouco antes de o Exército cercar a Rocinha, havia registro de tiroteios em, pelo menos, 11 comunidades. Entre elas o Complexo do Alemão, na zona norte, submetido a constantes enfrentamentos entre policiais e traficantes, mas muito menos presente no noticiário. No Alemão, um jovem de 18 anos, foi baleado na coxa direita enquanto estava no pátio do Centro de Atenção Integral à Criança. Também na sexta, uma adolescente de 16 anos que ia para a escola foi atingida no peito por estilhaços de bala no Complexo da Maré, comunidade da zona norte onde os traficantes caminham e brigam à vontade com armas de guerra a tiracolo.

set
24
Posted on 24-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-09-2017


Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)

set
24
Posted on 24-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-09-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O desabafo de Janot sobre Temer

Sobre a investigação internacional envolvendo José Serra, Rodrigo Janot contou no áudio obtido pelo G1 que a Espanha havia identificado uma empresa que transferia dinheiro para campanhas de políticos brasileiros e recebia suborno quando contratada no Brasil.

O problema, segundo o então PGR, era que a tramitação do assunto no governo, incluindo a formalização da equipe de investigação conjunta, passaria pelo próprio Serra, então ministro das Relações Exteriores.

“Eu, naquela época, eu ainda não tinha uma ação penal contra o presidente nem investigação. Fui ao presidente da República e disse: ‘Presidente, como é que nós vamos montar uma equipe conjunta cujo objeto é investigar o chanceler se esse ato deve ser feito pelo chanceler?’ Depois que o DRCI libera a parte técnica, ele é feito pelo chanceler’”, contou Janot, narrando sua conversa com Temer.

Segundo o então PGR, o presidente teria respondido que o texto seria tratado pela Casa Civil e pelo Ministério da Justiça.

“Isso tem uns seis meses. Não houve um ato de instrução sequer no pedido de investigação de equipe conjunta com a Espanha”, desabafou Janot no encontro com procuradores sul-americanos.