DO CORREIO BRAZILIENSE

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmou, em nota que “há indícios de situações de grave violação de direitos” na operação ocorrida no Complexo do Alemão

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Ingrid Soares

Bolsonaro chegou a mostrar uma fotografia do cabo da Polícia Militar Bruno de Paula Costa - (crédito: Reprodução / Redes Sociais)

Bolsonaro chegou a mostrar uma fotografia do cabo da Polícia Militar Bruno de Paula Costa – (crédito: Reprodução / Redes Sociais)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) lamentou, nesta quinta-feira (21/7), a morte do cabo da Polícia Militar Bruno de Paula Costa durante operação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ao menos outras 17 pessoas também faleceram no confronto, mas não foram citadas pelo presidente. O chefe do Executivo caracterizou o caso como “um fato lamentável” decorrente de “confronto com bandidos”. 

De acordo com as Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, 18 pessoas morreram na operação— um PM, 16 suspeitos e uma mulher atingida enquanto passava de carro pelo local.

“No Rio de Janeiro, o cabo Bruno de Paula Costa faleceu vitimado aí por confronto com bandidos. Ele estava na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília. Foi socorrido, não resistiu. Tinha 38 anos, deixa viúva e dois filhos portadores do espectro autista”, apontou, mostrando uma folha com a foto impressa em preto e branco do policial. 

 “A fotografia dele: até quando vi aqui me emocionei, meu colega paraquedista. Deve ter feito o curso enquanto serviu na comunidade da brigada paraquedista”, prosseguiu.

Bolsonaro ainda alegou que o Supremo Tribunal Federal (STF) “protege” áreas no Rio de Janeiro onde a polícia não pode agir e comparou a operação a um “filme de caubói”.

“Nossos sentimentos à família. Lamentamos o ocorrido. E, obviamente, né. Até hoje, o Rio de Janeiro tem área de exclusão onde a PM não pode agir por decisão do STF. E a bandidagem cresce nessa área. E a PM fica com dificuldade para combater esses marginais. É algo parecido, quando a gente via filme de caubói no passado, quando alguém cometia um crime nos EUA e ele fugia. Quando chegava no México, a patrulha americana não podia entrar naquele estado e ele estava em paz lá no México. Aqui a mesma coisa acontece no Rio de Janeiro nessas áreas protegidas pelo STF. E protegidos, quanto mais protegidos, melhores armados eles vão ficando e quando entram em ação o lado de cá que é o lado da lei por muitas vezes sofre baixas como aqui a do paraquedista cabo De Paula. Nossos sentimentos aos familiares para que Deus conforte, acolha o De Paula na sua infinita bondade”, concluiu.

O chefe do Executivo, no entanto, ignorou as pelos menos outras 17 mortes em meio à operação. Uma delas, a de uma moradora identificada como Letícia Marinho Salles, 50 anos. Segundo parentes que a acompanhavam, o carro em que estavam foi alvejado por um policial. No momento do disparo, o veículo estava parado em um sinal de trânsito após terem saído da comunidade.

Segundo a Polícia Civil, a divulgação de todas as identificações dos falecidos deve ocorrer até o começo da próxima semana.

A Defensoria Pública do Rio afirmou, em nota divulgada na noite desta quinta-feira, 21, que “há indícios de situações de grave violação de direitos” durante a operação policial realizada horas antes no complexo do Alemão, “com possibilidade desta ser uma das operações com maior índice de mortos no Rio de Janeiro”.

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