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Cuba

DO CORREIO BRAZILIENSE

As manifestações no dia 11 de julho do ano passado sacudiram cerca de 50 cidades da ilha aos gritos de “liberdade” e “temos fome”

AF
Agence France-Presse
 

 (crédito: Yamil LAGE / AFP )

(crédito: Yamil LAGE / AFP )

Ser pai e avô no último ano foi duro para Wilbert Aguilar. Sua família desmoronou. Algo parecido aconteceu com mais de 100 lares em La Guinera, bairro marginalizado de Cuba muito afetado durante os protestos históricos de julho de 2021.

As manifestações no dia 11 de julho do ano passado sacudiram cerca de 50 cidades da ilha aos gritos de “liberdade” e “temos fome”, em meio à pior crise econômica em Cuba nas últimas três décadas.

O protesto no dia seguinte, em La Guinera, foi o último suspiro de clamor social.

Desde então, o governo compensa essa localidade do município de Arroyo Naranjo, o mais populoso de Cuba e um dos mais pobres de seus arredores.

Consertou buracos, reativou consultórios, pintou armazéns e prometeu casas para várias famílias, como parte do programa de melhoramento implementado em 60 bairros de Cuba.

Wilbert Aguilar, um trabalhador autônomo de 49 anos, não quer lembrar o dia do julgamento de seu filho Wagniel, de 22 anos, em dezembro.

“Quando contei para minha esposa que meu filho estava condenado a 23 anos, minha casa desabou”, diz Wilbert, que cuida de sua nora e duas netas. Após recorrer na Justiça, Wagniel recebeu uma sentença de 12 anos.

Sua vizinha, Elizabet León Martínez, de 51 anos, trabalhou como manicure antes de três dos seus cinco filhos serem presos.

“Não dá mais, não tenho nervos, não tenho vida, não tenho nada. Cuido dos meus netos e nem posso trabalhar”, diz sem soltar o celular nem por um minuto, esperando ligações da prisão.

No mesmo 12 de julho, centenas de pessoas tentaram chegar à delegacia de La Guinera, na entrada do bairro.

Os protestos antigovernamentais, os maiores desde o triunfo da revolução em 1959, deixaram um morto em todo o país, executado no mesmo bairro por policiais, além de dezenas de feridos em ambos os lados e mais de 1.300 detidos, segundo Cubalex, uma ONG de direitos Humanos com sede em Miami.

O governo informou que 790 prisioneiros foram indiciados e 488 receberam sentença definitiva, muitos pelo delito de sedição e penas com até 25 anos de cárcere.

Recentemente, os Estados Unidos anunciaram que trabalhariam com aliados para apoiar os que foram “injustamente” detidos.

O presidente Joe Biden está “profundamente preocupado” pelas “duras sentenças”, comentou Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, no dia 30 de junho.

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