Morre o vice-almirante Arnon Lima Barbosa, pai do ex-secretário de segurança da Bahia | Bahia | G1
 Almirante Arnon Lima Barbosa
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ARTIGO/ Ponto de vista
                       Almirante Arnon Barbosa
                      
                         Joaci Góes
Ao velho amigo e companheiro de trabalho Almiro Lourenço Trindade!
O sepultamento do Almirante Arnon Lima Barbosa, na última Segunda- feira, no Cemitério Parque Bosque da Paz, localizado na Estrada Velha do Aeroporto, constituiu, não obstante a comoção geral, uma bela e tocante cerimônia fúnebre: a mais comovente de que tenho memória, mercê da grande admiração e afeto que o velho e bom marinheiro, com alma de estadista, despertava em quantos tiveram o privilégio de escutar, de perto, o bater do seu magnânimo coração.
Arnon, nascido em Maceió, capital de Alagoas, a 23 de janeiro de 1949, era filho do Oficial do Exército Brasileiro Arlindo Barbosa da Silva, combatente da Segunda Guerra Mundial, e de Nadir Lima Barbosa. Muito cedo, veio com os pais morar em Feira de Santana, transferindo-se para Salvador, onde cursou o Colégio Militar, de 1962 a 1965. Em seguida, foi, sucessivamente, para Angra dos Reis e Rio de Janeiro, a fim de cursar o Colégio e a Escola Naval. Em sua impecável carreira militar revelou-se, invariavelmente, dotado de inteligência, disciplina e espírito público. Parecia estar permanentemente inspirado na lição de Joseph Lescombes que ensina ser “inimaginável o potencial de realização dos grupos quando os seus membros não atuam orientados pelo propósito de assumir a paternidade do êxito!” As sucessivas promoções e medalhas que recebeu confirmam sua festejada exemplaridade linear de grande militar que serviu ao Brasil nos mais diferentes pontos do Território Nacional.
Do seu casamento com Ana Maria Teles Barbosa, falecida em 2013, nasceram os filhos Maurício e Valeska, que lhe deram quatro netos: Ana Luiza, Bruna, Pedro e Juliana que encheram de alegria o outono do velho e bom marinheiro.
Ao ser transferido para a reserva, optou por viver em Salvador, seu berço de eleição, onde rapidamente se afirmou como uma personalidade movida pelo invariável propósito de somar, entregando-se com sereno denodo ao cumprimento de missões de reconhecido significado social, ao lado da promoção
de ações capazes de produzir felicidade à sua crescente legião de amigos. Eu próprio fui alvo de um desses gestos de fraternal amizade.
Em novembro de 2017, ao ensejo do encontro nacional de membros da AUI – Associação Universitária Interamericana, realizado em Salvador, eu e minha mulher, Lídice, oferecemos um almoço, para o qual o velho colega Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, Ministro do Superior Tribunal Militar de 2000 a 2009, pediu-me que convidássemos nosso fraternal amigo Almirante Arnon Barbosa, que prontamente aceitou. Ao longo do encontro, o Almirante Arnon anotou que recusei convites de meus amigos navegadores Amyr Klink e Aleixo Belov para acompanhá-los em visita ao Continente Antártico, em face da excessiva demora de suas respectivas incursões, diferentemente do que sucedia nas viagens dirigidas pela Marinha Brasileira. Sem me dizer nada, acionou o então Comandante do Segundo Distrito Naval, Almirante Almir Garnier, do que resultou o convite a mim dirigido para realizar a épica visita, ocorrida em junho de 2018.
Este era o espírito de servir do saudoso amigo Arnon Barbosa.
O numeroso contingente humano que compareceu para prestar ao pranteado morto a homenagem derradeira representou um verdadeiro corte transversal da elite baiana em cada um dos seus diferentes naipes, no campo das profissões liberais e atividades empresariais, sem faltar a grande família Tamandaré, liderada pelo Comandante da Marinha Brasileira, Almirante Almir Garnier, além do Almirante de Esquadra Silva Lima e do atual Comandante do Segundo Distrito Naval, Almirante Humberto Caldas da Silveira Júnior, acompanhado da esposa, Karine, todos seus sucessores no comando da Marinha em terras baianas. Também presentes o General Marcelo Guedon, Comandante da 6o Região Militar e o Coronel Aviador Marcelo Borges, Comandante da Base Aérea de Salvador. Presentes, igualmente, inúmeros oficiais das Forças Armadas, inclusive o General de Exército Artur Costa Moura, baiano, nascido em Jequié.
A sensação geral era a de que nos deixava alguém muito especial; alguém que foi em vida a expressão da bondade, eficiência e honradez, em grau superlativo.
Joaci Góes, escritor, é  diretor presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Artigo publicado nesta quinta-feira, 7, na Tribuna da Bahia (Ponto de Vista) 

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