TRBN - Tribuna da Bahia - Ponto de vista: Desigualdade e diversidade
 ARTIGO/PONTO DE VISTA
FONTE DE INSPIRAÇÃO
Joaci Góes
Ao primeiro casal de nosso Estado, Aline e Rui Costa!
A Bahia, em geral, e Salvador, em particular, representam o mais antigo núcleo da tradição ocidental no Continente Americano. Sem dúvida, os fastos de nossa rica história são de uma exuberância que enche do mais legítimo orgulho o declinante número dos que deles têm conhecimento, razão pela qual aproveitamos o ensejo deste Dois de Julho, o 199o aniversário da consolidação da Independência do Brasil, heroicamente conquistada por nossos avoengos, dos autóctones aos senhores, passando por todos os naipes sociais intermediários, inclusive os irmãos escravizados.
A singular riqueza de nossa tradição histórica, que tem no Dois de julho de 1823, seu fecho, com chave de ouro, vem de muito longe, a começar pelo primeiro mapeamento de alguns de nossos mais importantes marcos históricos, como a exploração e batismo do Rio São Francisco e da Baía de Todos os Santos, obra do cartógrafo italiano Américo Vespúcio, de quem o Continente Americano recebeu o nome, integrante da expedição comandada por Gaspar de Lemos, em 1501. Salvador foi também a primeira sede do poder europeu no Continente, com a chegada do Primeiro Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza, em 1549. Além de sediar o primeiro núcleo do Poder Executivo, a Praça Municipal sedia, através da Câmara de Vereadores, o embrião do Poder Legislativo Brasileiro. A quadricentenária instalação do Poder Judiciário, em Salvador, em 1610, que contou com a contribuição de Cristóvão Vieira Ravasco, pai do legendário padre Antônio Vieira (1608-1697), é a mais antiga de todo o Continente. Ao ser elevada à Primaz do Brasil, pelo Papa Inocêncio XI, em 1616, a Arquidiocese de Salvador passou a abranger a maior extensão geográfica de toda a cristandade. Antes, em 1582, foi edificado o Mosteiro de São Bento, seminal para os continentes americano e africano, quando a Coroa Portuguesa já se encontrava sob o domínio espanhol, em razão da morte precoce de Dom Sebastião, sem deixar herdeiros portugueses, na Batalha de Alcácer Quibir, no Marrocos, em 04 de agosto de 1578.
A riqueza histórica de Salvador e da Bahia pode ser, apenas, esboçada nos estreitos limites de um artigo. Aqueles que queiram se aprofundar nesse largo universo encontrarão na centenária sede do IGHB-Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, todas as informações que desejar, razão pela qual é conhecida como A Casa da Bahia, como reconheceu o Governador Rui Costa na demorada visita que fez à Instituição, há seis anos, deixando registradas suas impressões, nos seguintes termos: “Um prazer enorme visitar esta casa maravilhosa que conta a história da Bahia. Um momento especial de lançamento do livro que conta a história do dia 02 de julho e sua importância na independência do Brasil. Na oportunidade, impressionado com este patrimônio, determinei maior apoio a esta instituição, assim como toda digitalização do seu acervo e posterior disponibilização na internet para todos que desejam conhecer e difundir a nossa história. Salvador, 20 de junho de 2016 Rui Costa dos Santos – governador do estado da Bahia”.
Sua Excelência, o Governador, atirou na mosca: nada há de tão importante a fazer-se em favor da preservação da memória da Bahia do que a digitalização da incomparável coleção de jornais que compõem nossa hemeroteca, para cumprir dois grandes propósitos: Primeiro, proteger esse notável acervo histórico de riscos do tipo que destruiu grande parte da memória nacional, com o incêndio recente que avassalou o Museu Nacional do Rio de Janeiro; Segundo, colocar esse rico material de pesquisa, não apenas aos que comparecem, fisicamente, para consultar um material que se deteriora com o manuseio, além do perigo presente nas bactérias que se alimentam de papeis velhos. Consoante a proposta de entidade acreditada que realizou a digitalização de congêneres do Rio e São Paulo, o acervo do IGHB, uma vez digitalizado, ensejará, em média, cerca de cem mil consultas diárias. Haverá modo mais grandiloquente de assegurar a presença diária da Bahia aos olhos do mundo?
Pela oitava vez, ao longo dos seus dois mandatos, o Governador Rui Costa, único Chefe do Executivo que nasceu na Estrada da Liberdade, por onde entraram em Salvador as vitoriosas tropas comandadas pelo Coronel Lima e Silva, estará participando, neste Dois de Julho da festa que antecede o Bicentenário de nossa independência, no próximo ano.
Não vejo modo mais edificante de festejar toda a nossa tradição do que Sua Excelência determinar aos seus auxiliares que honrem a patriótica promessa que fez de assegurar a digitalização desse excepcional legado histórico.
Joaci Góes, escritor, é diretor presidente do Instituto Geográfico e histórico da Bahia. Texto publicado originalmente na Tribuna da Bahia, edição desta quinta-feira 30/06.

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