DO CORREIO BRAZILIENSE

MPF indica que presidente Jair Bolsonaro interferiu no caso do ex-ministro preso

LP
Luana Patriolino

 (crédito: Evaristo Sa/AFP)

(crédito: Evaristo Sa/AFP)

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro recebeu uma ligação do presidente Jair Bolsonaro (PL) na qual foi informado sobre a operação da Polícia Federal — que resultou em sua prisão. Gravações autorizadas pela Justiça mostram uma conversa entre o ex-chefe do MEC e sua filha, realizada em 9 de junho, em que ele relata um telefonema de Bolsonaro.

No áudio, Ribeiro cita que o presidente achava que fariam uma busca e apreensão contra seu ex-ministro.

“A única coisa meio… hoje o presidente me ligou… ele tá com um pressentimento, novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?”, disse o aliado do presidente, segundo gravação obtida pelo G1.

“Ele quer que você pare de mandar mensagens?”, pergunta a filha do ex-ministro.

“Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão… em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né”, destacou.

Na manhã desta sexta-feira (24/6), o Ministério Público Federal (MPF) divulgou uma manifestação apontando que o presidente Bolsonaro interferiu no caso do ex-ministro Milton Ribeiro — preso pela Polícia Federal em uma investigação que apura um suposto esquema para liberação de verbas do MEC.

O documento também solicita que o caso seja encaminhado para apreciação do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF), por meio do presente membro designado para a realização da audiência de custódia, vem apresentar sua ciência sobre a decisão de cancelamento desta, bem como sobre a determinação de soltura dos presos. Outrossim, nesta oportunidade, o MPF vem requerer que o auto circunstanciado nº 2/2022, bem como o arquivo de áudio do investigado Milton Ribeiro que aponta indício de vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações”, diz o documento assinado pelo procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.

Prisão e soltura

Milton Ribeiro foi preso na manhã de quarta-feira (22) em uma investigação que apura o envolvimento dele nos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência em um suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do Ministério da Educação.

Ele foi solto na tarde de ontem, após o desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogar a prisão preventiva do ex-ministro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

A suspeita de interferência do chefe do Executivo veio à tona após o delegado federal Bruno Calandrini, que comandou a operação, afirmar que houve interferência na condução da investigação. Segundo o investigador, a corporação teria dado tratamento diferenciado ao aliado do presidente e o ex-ministro não foi levado de Santos (SP) para Brasília por conta de uma decisão superior.

“20 Sucessos”, Paulo Diniz: Paulo canta ao lado de DEUS !!! Adeus, gigante !!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

jun
25
Posted on 25-06-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-06-2022
Arilton Moura fez a ameaça em telefonema à sua equipe de defesa após ter sido levado preso à sede da PF no Pará, na quarta-feira (22)
Em gravação, pastor lobista diz que vai “destruir todo mundo”
Foto: Luís Fortes/MEC

Em telefonema à sua equipe de defesa, Arilton Moura (na foto, ao lado de Milton Ribeiro), um dos pastores acusados de participar de um esquema de corrupção no MEC, afirmou que iria “destruir todo mundo” caso as investigações atingissem sua família, informa O Globo.

Moura ligou para seus advogados após ter sido levado preso à sede da Polícia Federal no Pará, na última quarta-feira (22). O telefonema foi feito antes de ele ser recolhido à carceragem, segundo o jornal carioca.

O pastor lobista pediu à integrante de sua equipe de defesa que tranquilizasse sua esposa. “Eu preciso que você ligue para a minha esposa… acalme minha esposa… porque se der qualquer problema com a minha menininha, eu vou destruir todo mundo!”, afirma Moura na ligação.

Segundo O Globo, a interlocutora tentou tranquilizar o pastor e disse já ter conversado com a família dele sobre a prisão.

“Nas investigações, Moura é acusado de intermediar contatos de prefeituras com o Ministério da Educação em troca de (…) propina. A PF rastreou uma transferência bancária feita ao genro de Moura, Helder Bartolomeu, no valor de R$ 30 mil, que seria propina por sua atuação para abrir portas no MEC. Bartolomeu também foi preso na quarta-feira. Todos foram soltos no dia seguinte, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região”, escreve o jornal.

jun
25
Posted on 25-06-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-06-2022

Charge O TEMPO 24-06-2022
Duke no jornal O Tempo (MG)

jun
25
Posted on 25-06-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-06-2022

 

Indigenista era pernambucano e trabalhou por 11 anos na Funai; corpo foi cremado às 15h

TM
Thays Martins
 

 (crédito: Twitter Terezinha Nunes/ reprodução )

(crédito: Twitter Terezinha Nunes/ reprodução )

O corpo do indigenista Bruno Pereira está sendo velado nesta sexta-feira (24/6) no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife. A cerimônia é aberta ao público. A cremação está marcada para as 15h. O pernambucano foi morto com o jornalista Dom Phillips no Vale do Javari, no Amazonas. Ambos desapareceram em 5 de junho durante uma viagem de duas horas.

A cerimônia teve início às 9h30 e contou com a presença de indígenas da etnia Xucuru, que entoaram cantos em homenagem ao indigenista.

O caixão de Bruno foi exposto com uma bandeira de Pernambuco e do Sport Clube do Recife. O cemitério disponibilizou uma página na internet para que as pessoas possam prestar homenagens a Bruno. A página já conta com mais de 300 mensagens.

O corpo de Bruno chegou no Recife na noite desta quinta-feira (23/6) depois de passar por perícia em Brasília. A investigação apontou que ele foi morto com três tiros, dois no tórax e um na cabeça, com munição típica de caça.

 Bruno Pereira tinha 41 anos, era indigenista e servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai) por 11 anos. Ele estava licenciado do cargo para trabalhar em um projeto no Vale do Javari. O pernambucano era considerado um dos maiores especialistas na área. De acordo com a Univaja, devido ao trabalho dele, Bruno já tinha recebido diversas ameaças de invasores da região.

Os restos mortais de Dom Phillips já estão no Rio de Janeiro. O corpo dele deve ser cremado no domingo (26/6), em Niterói.

Investigação

Quatro suspeitos de envolvimento com a morte dos dois foram presos até o momento. Amarildo da Costa, conhecido como “Pelado”, o irmão dele, Oseney da Costa, o “Da Costa; Jeferson da Silva Lima, o “Pelado do Dinha”; e Gabriel Pereira Dantas. A polícia não descarta a existência de um mandante.  A lancha usada pelos dois passou por pericia. O resultado deve sair em até 30 dias.

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