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Posted on 14-06-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-06-2022
 
 

O que nos ficou de bom após dois anos de pandemia de covid-19? Sabemos o que correu mal, lembramos a morte, a dor e o sofrimento, o medo, o isolamento, a solidão acrescida, o encerrar de negócios, o fim de empregos, a incerteza, o oscilar entre ser o país com mais casos do mundo e o país com mais pessoas vacinadas. Mas algo de bom pode ter ficado deste tempo e acompanhar-nos daqui por diante?

Creio que sim. A começar pela estrutura do Serviço Nacional de Saúde, que se viu perante a maior crise sanitária da sua história, e respondeu. Com problemas, com algumas insuficiências, com custos diversos – mas respondeu. Soube adaptar-se rapidamente, prever, antecipar, monitorizar, cuidar. Se alguém tinha dúvidas sobre a vantagem e a virtude de um serviço público de saúde, universal, custoso (20% dos nossos impostos vão para o SNS e para a saúde paga pelo Estado), mas eficaz nas questões determinantes, talvez agora a sua dúvida tenha sido respondida. Desde logo com a abnegação e sentido de serviço de muitos profissionais, de saúde e da sua gestão.

Depois, a capacidade de adaptação de muitos outros serviços públicos. Que passaram em poucas semanas de trabalho presencial para trabalho à distância, que encontraram formas alternativas de corresponder às necessidades das pessoas, que se transformaram totalmente para manter um nível de serviço, por vezes mínimo, mas fundamental. Sem esquecer as escolas e os professores, que também se transformaram noutra coisa, mas mantendo a sua natureza e o seu trabalho decisivo.

Também testámos a confiança e a fiabilidade de serviços estruturais hoje, como a distribuição e as telecomunicações. Que não falharam. Não faltou comida nos supermercados, não faltou rede nos nossos telefones e computadores, em picos muitos elevados de procura e de stress. Garantiu-se sempre a capacidade de se trabalhar à distância, de comunicar, de estender a mão a outros, mesmo quando esta não era física.

Percebemos igualmente que uma liderança política, quando empenhada e perante riscos e incertezas únicos no nosso tempo, pode fazer a diferença e marcar um momento da nossa vida comum. Não é irrelevante quem assume determinados cargos em determinados tempos. Diversos governantes e decisores públicos, a nível nacional e local, souberam manter o sangue-frio, assumir as dificuldades, preparar-se para responder o melhor que podiam e sabiam. E não era fácil – era difícil.

E testámos ainda a nossa capacidade de sermos solidários e próximos, nas maiores dificuldades. Individual e coletivamente. Houve muitos que se ofereceram para ajudar, para cuidar, para atender.

Que ultrapassaram o medo e a incerteza, a favor de uma palavra, de um gesto, de uma atenção. Que se mantiveram no seu posto, mesmo quando este não existia antes. Que souberam e quiseram ser amigos, vizinhos, ser pessoas junto de outras pessoas.

Ficaram desse tempo também as esplanadas, por fim. Sim, as esplanadas, no país com mais horas de sol por ano da Europa. O espaço ao ar livre que nunca soubemos até então verdadeiramente aproveitar e rentabilizar, mas que invadiram, e bem, o nosso espaço público, desde logo nas cidades, e que agora fazem parte, decisivamente, da nossa festa, da nossa intimidade e das nossas memórias. As esplanadas. Conquistámos a rua e não a vamos abandonar. Simbolizam bem o que custou chegar até aqui. Da menorização do risco de contágio à maximização de uma alegria posta em comum. Conquistámos a rua e não a vamos abandonar. Porque a rua somos nós também e qualquer passo aí dado é um passo sempre na direção do outro.

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

“O telefone tocou novamente”, Jorge Ben:

Ben Dia! ( e o resto deixa com ele).

BOA TERÇA-FEIRA A TODOS!

(Gilson Nogueira)

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Posted on 14-06-2022
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DO CORREIO BRAZILIENSE

O jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira estão desaparecidos há mais de uma semana. Segundo Bolsonaro, vestígios encontrados foram enviados para análise em Brasília

TM
Taísa Medeiros
 

 (crédito: ISAC NOBREGA/PR)

(crédito: ISAC NOBREGA/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em entrevista, nesta segunda-feira (13/6), que os “indícios levam a crer que fizeram alguma maldade” com o jornalista britânico Dom Phillips e com o indigenista brasileiro Bruno Pereira.

“Os indícios levam a crer que fizeram alguma maldade com eles. Foram encontradas vísceras humanas”, disse o presidente. A declaração ocorreu durante entrevista à rádio CBN Recife, quando questionado se está acompanhando as buscas dos desaparecidos.

“Pelo prazo, pelo tempo, já temos hoje oito dias, indo para o nono dia que isso tudo aconteceu, vai ser muito difícil encontrá-los com vida. Eu peço a Deus que isso aconteça, que os encontremos com vida, mas os informes, os indícios levam para o contrário no momento”, comentou.

O indigenista e o jornalista desapareceram no Vale do Javari, na Amazônia, quando faziam o trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte, distante 1.135km de Manaus, no domingo (5/6).

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Posted on 14-06-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-06-2022
Charge O TEMPO 13-06-2022
Duke no jornal O Tempo (MG)

  • Redação O Antagonista
Decano foi questionado sobre fala do presidente do Supremo e disse que “não se combate crime cometendo crime”
“Ninguém discute se houve ou não corrupção”, diz Gilmar, em reação a Fux
Foto: Nelson Jr./SCO/STF
 

Gilmar Mendes reagiu à fala de Luiz Fux, que, durante discurso na sexta-feira, lembrou a todos que o mensalão e o petrolão existiram. Segundo o decano, “ninguém discute se houve, ou não, corrupção. O que se cobra é que isso seja feito seguindo o devido processo legal”.

“Não se combate crime cometendo crime. Se você usou a prisão provisória alongada para obter delação, isso tem outro nome. Se chama tortura”, afirmou o ministro, em evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

A declaração foi dada depois que Fux, em cerimônia no Pará, disse que “ninguém pode esquecer o que ocorreu no Brasil, no Mensalão, na Lava Jato, muito embora tenha havido uma anulação formal, mas aqueles 50 milhões das malas eram verdadeiros, não eram notas americanas falsificadas”.

Ainda no evento com a ACRJ, Gilmar disse que a Suprema Corte não faz oposição ao governo. Questionado sobre os constantes embates entre Jair Bolsonaro e o Judiciário, o decano evitou tecer opiniões, afirmando apenas que “situações de conflito são maximizadas e dão asas a lendas urbanas”.

Leia artigo de Mario Sabino sobre a informalidade da formalidade da Justiça brasileira, publicado na Crusoé (aberto para não assinantes).

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