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Postado em 28-05-2022
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-05-2022 02:12
Terceira via fragmentada coloca dúvidas sobre escolha por Simone Tebet | CBN Campo Grande | RCN 67

Simone Tebet: leme da terceira via

nas mãos

ARTIGO DA SEMANA

Dória sai da rota, Simone toca nau da 3ª Via

Vitor Hugo Soares

Na briga fratricida de tucanos de bicos afiados de São Paulo – e dos  resíduos que ainda restam do PSDB  no país, – aconteceu o que era esperado no antes poderoso partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-ministro da Saúde E antigo dirigente da UNE, José Serra, e do decidido e saudoso ex-governador Mário Covas, além de referenciais figuras de intelectuais da academia, de especializações diversas. Na segunda-feira de quase fim de maio, acuado interna e externamente por todos os lados, caiu o ex-governador João Dória, ao desistir de sua candidatura ao Palácio do Planalto, nas eleições de outubro, na base do ditado popular, (que minha sogra, dona Celina, repetia), usado também nas campanhas eleitorais no sertão baiano de Irecê e Morro do Chapéu, portão de entrada para a Chapada Diamantina dos  “coronéis” do poder na região: “Um cão danado, todos a ele”. 

Assim, a exemplo do que já havia acontecido com o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro,– atropelado no Podemos, na sua inicial postulação à presidência da República – que agora a carreta de muitos pneus do sistema, que o ex – magistrado combate, tenta passar por cima: Questionando até a troca de domicílio eleitoral (prática consagrada pela justiça eleitoral ) ou a disputa de qualquer cargo, a começar pelo de senador por São Paulo. O que esta semana levou a uma inesperada reação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, secretário-geral do União Brasil e candidato disparado nas pesquisas para tomar o Palácio de Ondina do comando do PT por quase 16 anos. Neto chamou de “vergonha”, a ação judicial do PT contra Moro. Dória, em sua queda, teve direito apenas a uma frase de efeito, que soou como lástima, tal o desconforto visível no rosto do líder paulista: “Para estas eleições me retiro com o coração ferido, mas com a alma leve”, afirmou.

Agora, fechadas as cortinas destes dois primeiros atos, da peça sobre a complexa e demolidora construção de um caminho de centro democrático, para as presidenciais de 2022, – cuja campanha começa para valer neste mês de junho e segue até outubro – a senadora Simone Tebet entra no centro da cena política, e no foco dos meios de comunicação, no status de nova comandante do barco da via alternativa, que tenta evitar a consumação da tendência à polarização Lula – Bolsonaro, mostrada pelas pesquisas.  

Vale lembrar que a nova postulante, na corrida presidencial, não surgiu por acaso, ou veio do nada. Simone Tebet “vem de longe”, diria o falecido líder gaúcho e nacional, Leonel Brizola, de frases consagradas na política brasileira. Advogada de 52 anos, nascida em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Simone cresceu em berço político. Filha de Ramez Tebet, (presidente do Congresso Nacional, voz pulsante do PMDB em seu tempo), teve brilhante carreira acadêmica antes de ingressar na política em seu estado. A senadora teve aprovação de seu nome reiterada esta semana pela Executiva Nacional do MDB, que reafirmou também apoio à pré- candidatura da parlamentar, ex- presidente da Comissão de Constituição e Justiça – a mais importante do Congresso – e liderou a relevante e destacada bancada feminina, na CPI da Covid 19, o que deu visibilidade nacional a Simone Tebet. Na terça-feira, 23, no discurso de agradecimento a reafirmação de seu nome, pela direção nacional de seu partido, deu sinais de balizamentos de sua campanha, na Terceira Via, em busca do voto feminino. “Mulher vota em mulher”, disse. Próximos passos a ver.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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