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Postado em 27-05-2022
Arquivado em (Artigos) por vitor em 27-05-2022 00:30

DO CORREIO BRAZILIENSE/ ESTADO DE MINAS

Senadora do MDB é mais uma tentativa de nome para combater a polarização nas eleições deste ano. A advogada, de 52 anos, ligada à bancada do agronegócio e conhecida nacionalmente pela CPI da covid, tem sua história misturada com o feminismo político

AM
Ana Mendonça – Estado de Minas
 

 (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

(crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

No seu primeiro discurso depois de ser confirmada como pré-candidata do MDB ao Palácio do Planalto, a senadora Simone Tebet já mandou o recado via redes sociais: “Mulher vota em mulher.”

Mas afinal quem é a advogada, de 52 anos, que quer representar a “terceira via” e chegar ao cargo mais importante do país?

Nascida em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, a senadora cresceu em berço político. Tebet é filha do ex-ministro da Infraestrutura do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Ramez Tebet (PMDB). O cargo no governo FHC levou o pai de Simone à presidência do Congresso Nacional em 2001, depois de três meses à frente da pasta.

Apesar de ser filha de político, Tebet escolheu priorizar os estudos inicialmente. Ela foi aprovada aos 16 anos na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Anos depois, se tornou especialista em Ciência do Direito, pela Escola Superior de Magistratura, e mestre em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Deu aulas em universidades como a Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Católica Dom Bosco, Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal e Faculdades Integradas de Campo Grande.

Política feminina

A história da senadora na política começou aos 31 anos, quando foi a mulher mais votada para um cargo legislativo em 2002. Ela se tornou deputada estadual pelo Mato Grosso do Sul, com 25.251 votos. Dois anos depois, ela se elegeu para o seu primeiro cargo majoritário e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita de Três Lagoas. Nas eleições municipais de 2008 reelegeu-se para o posto com mais de 75% dos votos.

Na época, Simone resolveu renunciar à prefeitura e compor a chapa de André Puccinelli (MDB) na eleição para o governo de Mato Grosso do Sul, na condição de candidata a vice-governadora. Vitoriosa a chapa, tornou-se a primeira mulher vice-governadora do estado.

Nas eleições parlamentares de 2014, candidatou-se ao cargo de senadora pelo Mato Grosso do Sul, sendo eleita. No Senado Federal, ela liderou a primeira bancada feminina da história e tornou-se presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher. Foi também a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, e a primeira a disputar a presidência do Senado em 198 anos.

Em 2018, durante as eleições que elegeram o presidente Jair Bolsonaro (PL), Tebet foi cotada para ser candidata ao governo do Mato Grosso do Sul, depois que seu companheiro de chapa André Puccinelli foi preso. Ela desistiu desta eleição.

“Descontrolada” na CPI da Pandemia

Simone Tebet ganhou destaque nacional ao liderar um movimento feminista dentro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID no Senado Federal. Composta por apenas homens, a comissão investigou a conduta do governo do presidente Bolsonaro no combate à pandemia. Tebet foi uma das senadoras, que apesar de não ter cargo oficial na comissão, esteve presente na maioria das sessões e interrogando investigados.

“As pessoas ainda se recusam a acreditar que a mulher sofre misoginia, que a mulher que ousa sair para o mercado de trabalho, vai para um ambiente público, não só na política mas no dia a dia, ela recebe toda sorte de discriminação”, disse, citando episódios de constrangimento sofridos por ela própria ou por outras senadoras.

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