João Leão dá tchau para Rui e abraça ACM Neto nas eleições de 2022 - Marcos Cangussu
João Leão agora é ACM Neto: fim do pacto de poder com o PT de Rui

ARTIGO DA SEMANA

Ê, Bahia: Bolsonaro ataca Rui (PT) e ACM Neto (UB) de R-2 (Roma)

Vitor Hugo Soares

Observo na Tribuna da Bahia, em dois títulos de impacto  local e nacional, sinais do ocaso do governo do PT e do pacto de poder que há quase 16 anos reina no estado, causado por erros e desacertos acumulados nos arranjos e novas alianças para a sucessão do governador Rui Costa nas eleições de outubro. Somados à velozes mudanças de rumos dos ventos que se apresentam no horizonte da “terra de todos os santos e de quase todos  pecados”, no dizer do cronista Nelson Gallo.  No primeiro, “Leão rompe com o governo e busca novo caminho”, manchete de capa, dia 15, – véspera da chegada do presidente da República, Jair Bolsonaro em jornada típica de campanha eleitoral, incluindo ida à sede das Obras Sociais Irmã Dulce, a santa dos pobres da Bahia, no bairro de Roma. Na chegada, a saia justa quando i visitante foi perguntado, por um curioso, no melhor estilo baianês: “Cadê a máscara, véi?” 

No segundo, o aviso: “João Roma acompanha o presidente Bolsonaro em visita a Salvador nesta quarta-feira (16)”. O ministro da Cidadania foi atração à parte durante a visita. Nome do capitão para o Palácio de Ondina, ex “amigo-irmão” de ACM Neto e atual inimigo figadal do secretário geral do União Brasil, disparado, desde o início, nas pesquisas para futuro governador . Roma foi alvo das maiores atenções do “mito”, de seus sinais de mando e contatos públicos. O chefe reforçou a candidatura do ministro ao governo estadual e, em entrevista, colocou a cereja no bolo:
 “É lógico que ele (Roma) terá meu apoio. Eu sou capitão do Exército, ele é tenente da Reserva de R2 Setor R da artilharia”, disse Bolsonaro, em linguagem de caserna, e ato marqueteiro, de certo ensaiado pelo filho Carlos, no comando da propaganda da reeleição, mesmo com o  ministro Alexandre Moraes (STF-TSE) nos calcanhares, para descobrir o que efetivamente o vereador do Rio foi fazer na Rússia, na comitiva oficial do pai. Mas isto é outra história.

Bolsonaro foi além, na terra da Santa Dulce. “Caso eu seja reeleito e tudo der certo para a eleição de Roma, isso significaria uma melhor interação do governo federal com a Bahia”, disse. E aproveitou  para, ao seu modo, dar resposta a quem lhe cobrou o cumprimento das normas sanitárias locais, na sua chegada, depois da fazer críticas às medidas de controle da Covid 19 do governo de Rui e da prefeitura de Salvador, então sob comando de Neto. Anunciou que pretende alterar, até dia 31 de março, o status da pandemia no Brasil para endemia. “E os baianos vão ficar livres da máscara”, disse o candidato (PL) a continuar no Palácio do Planalto.
Ressalte-se ainda: o vice -governador João Leão (PP) que um dia antes formalizara sua saída do governo, em documento a Rui Costa, entregando todos os cargos de 1º escalão do PP na gestão petista (incluindo o dele, no Planejamento). Leão comunicou ao governador, que se sentia  “livre para procurar novo rumo”. Abrindo fendas no governo petista que, diante dos choques internos, decidiu lançar o neófito militante de Feira de Santana, Jerônimo Rodrigues, para disputar com ACM Neto (e Roma). Na sexta-feira, o vice Leão aparecia em foto na TB, abraçado com ACM Neto, no anúncio da nova aliança com o PP, na qual Leão é candidato a senador. Ê, Bahia! E tem gente que não entendeu o foguetório, nos terreiros da oposição pós- visita de Bolsonaro. “ Sabe nada, inocente!”… ironiza o soteropolitano gaiato.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol. com.br

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