TRBN - Tribuna da Bahia

  ARTIGO/PONTO DE VISTA
Progresso e atraso do Homem
Joaci Góes
 
Aos jovens amigos Roberta e Ministro João Roma.
Ao conhecido aforismo segundo o qual ‘quem não conhece a História tende a repeti-la’, preferimos o que sustenta que ‘a única coisa que a História ensina é que a humanidade não aprende com a História’. Os arroubos hitlerista-stalinistas do desatinado Vladmir Putin, que nada têm de Pedro e ou Catarina, os grandes, corroboram essa impressão. Não é à toa que a sabedoria popular constata que ‘o homem é o único animal que tropeça mais de uma vez na mesma pedra’.
Genocídio é uma palavra de orígem greco-romana, formada por genos, que significa tribo, coletividade, raça – em grego – e cídio – do latim occidere – que significa matar. Genocídio, portanto, significa assassinato em massa de grupos sociais, não importando a motivação, se religiosa, política, racial ou cultural. A palavra foi cunhada, em 1943, pelo jurista judeu-polonês Raphael Lemkin (1900-1959), e usada em seu livro de 1944, Axis Rule in Occupied Europe: Laws of Occupation, Analysis of Government, Proposals for Redress, quando ele já morava nos Estados Unidos. Seu nome ganhou relevo durante a Convenção da ONU, em 1948, destinada a prevenir e punir os crimes de genocídio. Um pouco antes, em 1946, a Assembleia da ONU já definira genocídio como “a recusa do direito à existência de inteiros grupos humanos; um delito do direito dos povos, em oposição ao espírito e aos objetivos das Nações Unidas; delito condenado pela consciência do mundo civil”. O Artigo II da Convenção estatui: Na presente Convenção, entende-se por genocídio qualquer dos seguintes atos, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal…
A consciência universal repudia a tentativa do genocida russo de restaurar o Império Soviético que tantos males trouxe ao seu povo e ao Mundo, com o macabro cortejo de sessenta milhões de vidas eliminadas pelo regime comunista, sob o domínio de Joseph Stalin, numericamente muito superior ao Holocausto de Hitler, e do mesmo nível do comunismo chinês, sob o guante de Mao Tsé-Tung. Em nosso livro Esquerdas e Direitas: A superioridade da Sociedade Aberta, já no prelo, anatomizamos o que foi a morte produzida pelo Estado Totalitário, contra os seus nacionais, no Século XX, conforme estudos acadêmicos de intelectuais da expressão de Stéphane Courtois, Ilya Ehrenburg, Vasily Grossman, Jacques Peyroles, mais conhecido como Gilles Perrault, Benjamin Andrew Valentino, Jay Ulfelder, Atsushi Tago, Frank Wayman, Rudolph Joseph Rummel, Malcolm Caldwell, Robert Conquest, Stephen G. Wheatcroft, Robert William Davies, Edward Hallett Carr, Anne Applebaun, Françoise Thom, George G. Watson, Eric D. Weitz, Stephen R. C. Hicks, John M. Thompson, Amir Weiner, Daniel Goldhagen, Frank Dikötter, Roderick MacFarquhar, Helen Fein, Martin Shaw, Michael Vickery, Craig Etcheson, Jeasn-Louis Margolin, Adam Jones, Seumas Patrick Charles Milne, Mlovan Djilas, Venko Markovski, dentre outros.
Nomes como George Bernard Shaw, Jean Paul Sartre, Romain Rolland, Bertolt Brecht, Harold Larski, são apontados como justificadores, em graus variados, dos crimes de Stalin, na contramão dos seus sucessores, a partir de Krushev, inclusive o recente Presidente Dmitri Medvedev.
É até possível que a Ucrânia venha a capitular, em face da brutal desproporção bélica com o agressor. Será, no entanto, uma vitória de Pirro, diante do estrangulamento econômico a que o mundo livre submeterá o sofrido povo russo. A mais disso, sabe-se que generais já disseram a Putin que ele será desobedecido e deposto, se não morto, se vier a ordenar um ataque atômico.
Do mesmo modo que o presente é melhor do que foi o nosso passado, o pensamento iluminista conclui que o futuro será melhor do que o presente. Para tanto, basta que construamos instituições sólidas, a partir do desenvolvimento de saudável espírito universitário. Afinal de contas, a escola, sobretudo a universidade, é a igreja de nossa sociedade secular. Daí a importância de nos interessarmos e de nos envolvermos com o seu desempenho, dentro de um ambiente democrático, marcado pela diversidade e tolerância entre pontos de vista divergentes, particularmente políticos e religiosos, respeitadas as regras da moralidade vigente e a convivência entre distintos níveis técnicos disponíveis.
Para tanto, importa saber que a democracia é uma sinfonia permanentemente inacabada, porque em contínuo processo de construção, durante cuja obra a sociedade aberta, que constitui sua conquista fundamental, se expõe aos regulares ataques de seus inimigos que é imperioso derrotar. Putin, no momento, é, apenas, o mais graduado deles.
Joaci Góes é escritor, diretor do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia-IGHB , membro e ex-ptrsidennte da Academia de Letras da Bahia. O texto foi publicado originalmente na coluna Ponto de Vista, da Tribuna da Bahia.

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