Ricardo Noblat

Uma paz que falta aos que sobreviveram a ele

 

Orlando Brito Reprodução

O maior repórter fotográfico do Brasil das últimas décadas não merecia morrer como morreu Orlando Brito. Nas poucas ocasiões em que esteve consciente ao longo de 32 dias de internação em hospitais públicos de Brasília, comentou mais de uma vez com médicos e enfermeiros: “Eu não mereço isso, não mereço”.

Foi bem tratado por seus cuidadores, mas com as limitações e falhas do serviço público. Magalhães Pinto, governador de Minas Gerais à época do golpe militar de 64, cunhou uma frase repetida por décadas: “O melhor hospital de Brasília é a ponte aérea”. Hoje, Brasília tem ótimos hospitais, mas para quem tem muito dinheiro.

E Brito não tinha, nem seus colegas de profissão. A crise do jornalismo enquanto negócio agravou-se com o surgimento da internet. Empresas de comunicação mal administradas não souberam se reinventar, e ainda não sabem. Apelaram para o que sempre fizeram em momentos de crise: desqualificar o conteúdo.

A primeira vítima foram as redações, severamente enxugadas com a dispensa dos seus profissionais mais experientes. Se a internet deu voz a todos, inclusive aos idiotas, por que não daria espaço para imagens colhidas por quem tivesse um celular à mão? E os brasileiros têm dois. É só aproveitar o que as redes oferecem.

Uma vez, Adolfo Bloch, editor de revistas, a mais famosa delas “Manchete”, viu o escritor Rubem Braga escrever sua coluna semanal e reclamou depois: “Quer dizer, seu Braga, que eu lhe pago um alto salário para que o senhor escreva em menos de meia hora?”. Braga respondeu: “Escrevo em 40 anos”.

Um clique de Brito durava um segundo, mas continha tudo o que ele acumulara de sabedoria, sensibilidade e arte desde que começou a fotografar, aos 16 anos de idade. Morreu com 72. Nem isso, nem as dezenas de prêmios que recebeu, nem a passagem pelas redações mais importantes do país o pouparam dos cortes.

Para que fosse internado em um hospital público, foi preciso que seus amigos acionassem meio mundo, e que o ex-presidente José Sarney interferisse junto ao governo do Distrito Federal. Duas vezes foi operado depois de descoberto um tumor no intestino. Colocaram-lhe um tubo que mais tarde saiu do lugar.

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Brito estava para ser operado pela terceira vez quando teve de ser removido para um hospital de Taguatinga, região administrativa de Brasília, porque a UTI do hospital em que estava fora requisitada para atender pacientes de Covid. Seu caso chegou a ser discutido por assessores do ministro da Saúde, mas ficou por isso mesmo.

Informado a respeito, o senador Ciro Nogueira (PP-AL), atual chefe da Casa Civil da Presidência da República, disse que tomaria providências, mas nada aconteceu. No início do governo Bolsonaro, Brito fora dispensado do único emprego fixo que tinha, na Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

Ele e Dida Sampaio, do jornal O Estado de São Paulo, outro gigante da fotografia que morreu há poucas semanas, foram agredidos uma vez por bolsonaristas na Esplanada dos Ministérios. Em reparação, Bolsonaro fez-lhes um gesto de afago chamando-os para um encontro no Palácio do Planalto. E foi só.

No exercício de sua arte, Brito nunca foi de esquerda ou de direita. Fotografou a posse de todos os presidentes desde 1968. Ninguém melhor captou Poder, Glória e Solidão dos governantes. João Figueiredo, o último general-presidente da ditadura militar de 64, contou-lhe segredos que Brito levou para o túmulo.

 Nos seus últimos três anos de vida, Brito se dizia cada vez mais irritado com a mediocridade do jornalismo e da política nacionais. Quando viu Bolsonaro, no dia em que ele se elegeu, cortando carne para servir a um grupo de militares responsáveis por sua segurança, vaticinou: “Isso não pode dar certo, não dará certo”.

Repetiu o comentário ao ver o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que carregava uma arma na cintura, pôr os pés sobre o couro do assento do Rolls-Royce fabricado na Inglaterra em 1952 e que conduziu desde então para a posse todos os presidentes da República: “Como uma coisa dessas é possível?”.

O ministro Carlos França, das Relações Exteriores, foi a única autoridade do governo que compareceu ao velório de Brito no cemitério Campo da Esperança. Que Brito descanse com a paz que falta aos que ficam!

  • Ricardo Noblat, jornalista editor do Blog do Noblat (Política)

mar
16

enagem

DO CORREIO BRAZILIENSE

O artista digital Hidreley Diao homenageou os músicos vítimas de um acidente aéreo há 26 anos

CS
Cecília Sóter
 

Artista simula aparência do grupo Mamonas Assassinas, que morreu drasticamente no auge da carreira - (crédito: Mamonas Assassinas Sempre/Reprodução)

Artista simula aparência do grupo Mamonas Assassinas, que morreu drasticamente no auge da carreira – (crédito: Mamonas Assassinas Sempre/Reprodução)

A morte dos músicos do Mamonas Assassinas completou 26 anos em 2 de março e o artista digital Hidreley Diao homenageou o grupo de uma maneira diferente.

Hidreley simulou como estariam os rostos dos músicos, caso eles ainda estivessem vivos, com o auxílio de uma inteligência artificial.

“Foi um ato de fã, pois gosto dos Mamonas Assassinas desde criança. Eu aproveitei a data, pois acreditava que muitos seguidores gostariam de ver essa homenagem. A postagem foi muito bem recebida, várias pessoas mandaram mensagens comentando sobre isso”, disse o artista em entrevista ao portal Uol.

O artista participou recentemente de uma live com alguns familiares dos integrantes do grupo, que aprovaram o resultado da simulação. Jorge Santana, primo do vocalista Dinho, foi uma das pessoas que elogiaram o trabalho. Ele ressaltou a importância dessas homenagens.

“Ficamos muito felizes quando vemos pessoas com propósitos tão legais. São 26 anos, mas parece que foi ontem que tudo aconteceu. Queremos sempre lembrar a imagem dos meninos”, disse Jorge em entrevista ao Uol.

“Os meus tios também gostaram muito, e agora podem imaginar como estaria o Dinho hoje. Os Mamonas trazem uma memória afetiva muito grande. Gratidão ao trabalho do artista, que usou tecnologia, sensibilidade, amor e alegria”, concluiu o primo de Dinho.

Quem também elogiou o trabalho de Hidreley Diao foi o sobrinho do guitarrista Bento Hinoto, Fernando Hinoto.

“Ficou parecido com o que esperávamos ao imaginá-los mais velho. Mas acima de qualquer exatidão, tem a homenagem aos meninos e a oportunidade de apresentá-los para esta nova geração. É importante despertar curiosidade, fazer as pessoas que não conheceram a história dos Mamonas pesquisarem sobre”.

“Pelados em Santos”, Mamonas Assassinas: gravação primorosa de rock original e alucinante dos garotos de Guarulhos que alucinou o País e se foi precocemente, mas Dinho, seu notável líder, de família baiana, ganhou estátua em Irecê. Viba!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
16
 
ublicado em Economia

Na tentativa de criar fatos positivos entre o eleitorado, o Palácio do Planalto deu sinal verde para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) antecipe o pagamento do 13º salário de aposentados e pensionistas. As duas parcelas serão pagas em abril e maio.

 

Tudo indica que a medida será anunciada oficialmente na quinta-feira (17/03), dentro de um pacote de medidas de estímulo ao consumo, como o saque de até R$ 1 mil do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O governo quer irrigar o bolso da população depois do impacto negativo do mega-aumento dos combustíveis.

A antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas beneficiará 31 milhões de pessoas, que receberão cerca de R$ 56 bilhões. No caso do FGTS, os saques devem somar R$ 30 bilhões. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o governo vem antecipando o rendimento extra de beneficiários do INSS.

mar
16
Posted on 16-03-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-03-2022

Duke no jornal O Tempo(MG)

mar
16
Posted on 16-03-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-03-2022
Juiz Austregésilo Trevisan, da 15ª Vara Cível do Paraná, diz que tuíte chamando o pré-candidato de “corrupto” é “pura ofensa” e atenta contra honra
Justiça manda Twitter excluir post de Glenn contra Moro
 

O juiz Austregésilo Trevisan, da 15ª Vara Cível do Paraná, determinou ao Twitter que retire do ar postagem em que Glenn Greenwald chama Sergio Moro de “corrupto”. Para o magistrado, a publicação é desprovida de “efetiva comprovação”, pois sem sentença judicial transitada em julgado, e tem “aparente intenção de prejudicar publicamente a imagem” do presidenciável.

Glenn tuitou contra Moro no dia 28 de fevereiro, comentando uma postagem em que o ex-juiz da Lava Jato criticava a postura ambígua de Lula e Jair Bolsonaro na guerra da Ucrânia.

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Segundo Trevisan, trata-se de “pura ofensa”, enquadrando-se como “abuso do direito de manifestação/comunicação”. “A publicação em questão, além de não se revestir de interesse público, atenta contra a honra objetiva do autor”, prejudica sua imagem como “pessoa pública e pré-candidato à Presidência da República”.

A liminar foi concedida em pedido apresentado pelos advogados Gustavo Guedes e Luis Felipe Cunha, que também coordena a campanha de Moro.

Glenn é responsável pela “farsa jato”, série de matérias forjadas em mensagens de integrantes da Lava Jato — roubadas por estelionatários de Araraquara –, que, mesmo desprovidas de provas, foram usadas pelo STF como “reforço argumentativo” para anular as condenações de Lula, reabilitando-o politicamente.

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