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Jaques Wagner pede desculpas a João Leão por anúncio surpresa em rádio - Jornal Correio
Wagner e João Leão: barco governista baiano começa  a fazer água

 

ARTIGO DA SEMANA

Ruídos na Bahia: Lula freia, Bolsonaro acelera, Moro reflui

­Vitor Hugo Soares

O barco governista do PT na Bahia volta a fazer água, em razão dos arranjos do complicad­o jogo sucessório no estado. A reviravolta mexe com nervos e força de muita gente, a começar pelo governador Rui Costa e seu padrinho, Jaques Wagner, até chamuscar o ex-presidente Lula, de volta da viagem ao México e América Central. Os ruídos no maior colégio eleitoral do Nordeste e quarto do país recomeçaram, esta semana, a partir do segundo freio de arrumação nas hostes do poder estadual, para acomodar mais e novos interesses de chefes locais: senadores Jaques Wagner (PT), Otto Alencar (PSD) e Ângelo Coronel (PSD). Além do vice-governador, e secretário de Planejamento, João Leão (PL) e seu filho, deputado Cacá Leão, líder governista no Congresso, com um pé no governo petista baiano e outro no Centrão bolsonarista em ofensiva do ministro da Cidadania, João Roma, de pasta cheia de recursos públicos e favores em troca de votos.   

Em entrevista na Rádio Metrópole, ao âncora e ex-prefeito, Mario Kertész, Wagner detonou um petardo de alto teor explosivo,  ao comunicar, “a companheiros petistas e amigos aliados”, que não valia mais o que dissera dias antes na mesma emissora. E informou o que vale agora: o governador Rui Costa “permanecerá em sua cadeira até o final do mandato (não renunciará para disputar vaga no Senado); o vice João Leão também continuará onde está, e é incógnita sobre próximos passos… Otto Alencar concorrerá a uma vaga para seguir no Senado, “onde ele sente-se muito confortável, e não parece disposto a comer areia dos grotões baianos”, segundo Wagner, em campanha contra ACM Neto, atual secretário geral do União Brasil. Líder em todas as pesquisas. Resta escolher o novo nome do PT para o Palácio de Ondina. E Wagner citou três para a escolha de um, “rapidamente”, a ser levado a Lula: o líder social, Jerônimo Rodrigues, de Feira de Santana, a prefeita Moema Gramacho, de Lauro de Freitas, e Luiz Caetano, ex-prefeito de Camaçari.

Wagner disse muito mais na conversa de uma hora, no ar – “e mais 40 minutos em off”, revelou  Kertész. Afirmou que Lula reserva para Costa um dos melhores postos no ministério que pretende montar, depois de eleito. Mas o governador não gostou da história na base do “já ganhou.” Mais: a conversa deixou claro, que o alto comando petista considera Rui Costa um de seus quadros mais capazes do país, em gestão administrativa, mas de sangue quente e pouco jogo de cintura nas articulações políticas. “Eu darei a última palavra nos acordos para a minha sucessão”, avisa Rui Costa. O fato é que, a largada muito antecipada da corrida presidencial começa a cobrar seu preço na capacidade de resistência dos principais candidatos.
Pelas pesquisas recentes, o ex-presidente Lula (PT), disparado na frente desde o começo, ­dá sinais mais preocupantes de fadiga, aos círculos fechados da campanha, em face de “rolos” regionais, de  conseqüências ainda impossíveis de avaliar em seus reflexos nacionais, a exemplo da Bahia. No vácuo infiltra-se o mandatário, Jair Bolsonaro, que quer ficar mais quatro anos onde está. Enquanto a Terceira Via reflui e demora a conseguir a vital união de forças que lhe dê viabilidade e a faça avançar com chance eleitoral. Neste caso, o melhor colocado, o ex-juiz Sérgio Moro anuncia embarque aos Estados Unidos e Alemanha, “em buscas de boas ideias e projetos para sua campanha e planos de governo”. Sinais de que ainda tem jogo pela frente, A ver.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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