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Posted on 10-03-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-03-2022

 

O artista entregou um manifesto assinado por colegas e ativistas em cerimônia no Congresso Nacional. “O prejuízo é de todos nós”, afirma Caetano

MN
Mariana Niederauer
Td
Talita de Souza
 

 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

O cantor e compositor Caetano Veloso entregou, na tarde desta quarta-feira (9/3), um documento assinado por artistas que pede ao Poder Legislativo “responsabilidade de impedir mudanças legislativas irreversíveis” contra projetos de lei que poderão corroborar com a destruição do meio ambiente, como facilitações para aumentar o desmatamento, o garimpo, o uso indiscriminado de agrotóxicos e que poderão enfraquecer a soberania de territórios indígenas do Brasil.

“O Senado tem o poder e a responsabilidade de impedir mudanças legislativas irreversíveis”, alertou Caetano no discurso que fez ao entregar o manifesto. O artista está em Brasília com outros cantores e ativistas como parte do movimento Ato pela Terra, organizado por ele, em frente ao Congresso Nacional

“O país vive hoje, sua maior encruzilhada ambiental desde a democratização. O desmatamento na amazônia saiu do controle. As proteções sociais e ambientais construídas nos últimos 40 anos vêm sendo solapadas. A nossa credibilidade internacional está arrasada. O prejuízo é de todos nós. Uma serie de projetos de lei, ora em pauta neste Congresso Nacional”, pontuou.

“O dia de hoje marca uma mobilização inédita, que une um número expressivo de artistas e mais de duas centenas de organizações da sociedade civil e movimentos sociais em torno da causa ambiental”, declara. 

De acordo com os artistas, essas são propostas que “trazem um retrocesso tão grande que talvez não poderá mais fazer com que o ambiente volte a ser o que era antes”. “Se aprovadas, essas proposições podem facilitar o desmatamento, permitir o garimpo em terras indígenas e desproteger a floresta contra a grilagem e os criminosos”, acrescenta.

Caetano lembra o resultado das ações para o meio ambiente: desastres ambientais. Recebido pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o cantor lembrou ao político sobre as tragédias que ocorreram no estado que Pacheco representa, Minas Gerais. “Como mineiro, o senhor sabe bem a quantidade de sofrimento humano provocado por tragédias climáticas e ambientais. Não nos esqueçamos de Mariana e Brumadinho onde a população até hoje chora seus mortos e suas perdas”, citou.

Em seguida, lembrou de outro desastres que atingiram a Bahia e o Rio de Janeiro. “Neste ano, a minha Bahia ficou debaixo d’água e o Rio de Janeiro, estado que me acolheu, ainda recolhe o destroço da catástrofe de Petrópolis”, lembrou. 

Por fim, Caetano pediu que o Senado não ceda a interesses que possam destruir “o futuro do país” e pediu que o Poder Legislativo “desperte”. “[Os PLs] cedem a interesses localizados e empurram uma conta imensa à sociedade e comprometem o futuro do país. Com todo respeito e na esperança de que o Poder Legislativo desperte para o seu possível papel de levar o Brasil a iluminar o mundo, deixo em suas mãos esse documento”, finalizou.

O conjunto de projetos repudiados pelo movimento foi denominado por ativistas como Pacote da destruição. Entre eles, está o Projeto de lei (PL) 191/2020 que modifica a atual legislação e legaliza a exploração mineral de terras indígenas na Amazônia. 

Além de Caetano, os artistas Nando Reis, Seu Jorge, Daniela Mercury e a atriz Mariana Ximenes eram alguns dos outros integrantes do grupo presentes no Congresso Nacional no momento de entrega. Está previsto uma manifestação com a apresentação dos artistas Baco Exu do Blues, Criolo, Maria Gadú e Seu Jorge, em um trio localizado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. 

Confira a íntegra do discurso de Caetano: 

 Postura pró-meio ambiente não se trata apenas de política, diz Caetano

 No discurso, Caetano frisou o papel dos artistas na causa ambiental. Diferente do citado em redes sociais, ele disse, o artista deve se posicionar não para cumprir uma agenda ou uma visão do “lado político” que pertence, mas por entender a “natureza abrangente e sublime da questão ideológica”. 

“Como parte da sociedade civil, os artistas, em grande numero, decidiram vir até esta Casa, juntamente com membros de entidades não governamentais e especialistas em questões climáticas, para expressar sua desaprovação a esses projetos“, inicia.

“A razão porque um compositor de canções dirige a palavra a vossas excelências é a notável identificação que os artistas têm com o tema do meio ambiente. Muitos artistas, que não se veem agindo por motivação explicitamente politica, se reconhecem na causa ambiental”, afirmou. “Ouso dizer que isso se deve à natureza abrangente e mesmo sublime da questão ecológica. Nela, os artistas veem a busca de harmonia, a decisão sobre o sentido do humano no mundo, a luz da salvação, os poemas e quadros, as canções, tudo não se trata de outra coisa”, detalha. 

Caetano, porém, deixa claro que sempre se viu à esquerda do espectro político, por acreditar que “novas formas institucionais e de engrandecimento da vida em sociedade sempre pareceu coisa essencial”. Mesmo com diferenças políticas, o cantor afirma que os artistas “veem na causa ambiental a totalização da inspiração e a responsabilidade do equilíbrio, como nas formas das artes”. 

“Meia Noite”, Lobo: fabulosa interpretação de uma das mais belas canções da parceria de Edu Lobo com Chico Buarque para embalar ouvintes atentos e fazer pensar na quinta-feira de março em quase fim de verão.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 10-03-2022
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As ciladas de março

Por WILSON CID

Afora a guerra e seus desdobramentos na economia nacional e a insegurança do resto do mundo, março é um mês carregado de temas e desafios políticos, alguns dos quais com potencialidade para refletir sobre as eleições de outubro. É o caso da debandada na Esplanada dos Ministérios, onde cerca de dez titulares do primeiro escalão cedem à tentação de entrar na disputa, certos de se banharem nas águas da campanha de Bolsonaro. Têm prazo até o dia 31 para a decisão final. Para o presidente, a esperada revoada pode empurrá-lo para dupla dificuldade: além de escolha de novos ocupantes para os cargos, o que leva a se engalfinharem os grupos de apoio, é certo que várias pastas sofrerão solução de continuidade. Para um governo em véspera de ser julgado pelas urnas é um risco.

Ainda neste mês, para contribuir nas expectativas políticas, abriu-se a janela através da qual deputados e senadores candidatos entram e saem dos partidos segundo suas conveniências. E nesse salto dão prova robusta de que o multipartidarismo tornou-se hospedaria de alta rotatividade, admitindo permanências temporárias.

Iniciada na última semana a liberalidade para mudanças de filiação, talvez seja necessário reavaliar o potencial das bancadas legislativas. Diria que o governo não pode apostar, desde agora, se terá como contar com os mesmos votos que o acompanham. É uma outra questão a desencadear dúvidas, para as quais ainda haverá de contribuir a novidade das federações partidárias, repletas de más intenções dos pequenos que chegam, e dos grandes que os recebem.

O terceiro mês, já correndo na segunda semana, também deve conhecer melhor o potencial das pressões das bancadas femininas para que se façam ouvir e se imponham, na tentativa de um lugar ao sol na seguinte eleição presidencial. Sabem que a cabeça de chapa é alvo muito difícil, mas insinuam a vice. Observa-se, com antecedência, que, sem obter uma coisa nem outra, elas poderão vender caro a frustração.

O veto na roleta

O presidente Bolsonaro deve estar à vontade para praticar um gesto de simpatia com seus seguidores evangélicos, vetando integralmente lei recentemente aprovada pela Câmara que legaliza os jogos de azar e autoriza a abertura de cassinos. Já teria a facilitá-lo o escore apertado de 246 deputados que acolheram a iniciativa, contra 202 manifestamente contrários. Reduzida diferença confirma que se trata de questão altamente polêmica. De forma que, ao antecipar sua disposição de veto, o que não devia ter feito, o presidente acabou tirando um peso das costas dos senadores, para quem se remete o texto, à espera de uma segunda apreciação. Estão liberados do contratempo de agradar ou desagradar as correntes empenhadas, porque, qualquer que seja sua decisão, o veto será fatal…

Pode o presidente, afora óbices de natureza religiosa, valer-se de um leque de pontos frágeis da lei, permitindo indagar com que recursos e métodos será possível aplicar, com segurança, o imposto de 17% sobre as apostas e 20% sobre os prêmios. Quem com suficiente competência para isso, num país onde a sonegação lavra com furor?

Nos estados em que se autorizará o funcionamento de um ou dois cassinos, o que impediria que apostadores vizinhos pulem a linha de divisa para jogar? E o que dará capacidade ao governo de fazer cumprir o dispositivo que fixa em 20 quilômetros a distância mínima em relação às áreas ambientais? Quem haverá de garantir que das roletas sairão fortunas destinadas a financiar políticas públicas sociais?, se as lotos, que tanto conhecemos, não cumprem amplamente essa finalidade, para a qual também foram criadas.

Mas, se nenhum desses argumentos for suficientemente admitido, considere-se, para vetar, o que diz o pragmático deputado Arthur Lira, presidente da Câmara e entusiasta dos cassinos. Para ele, a legalização faz sentido, porque os jogos já são mesmo praticados em todos os lugares do país. Como contradita, vale lembrar que os assaltos também são largamente praticados, e ainda não se chegou à insanidade de tentar legalizá-los.

Mentiras na agenda

A sete meses da escolha do novo presidente e dos governadores, o eleitor ainda não pode se considerar a salvo de fake news, avalancha de mentiras e boatos que já agora infestam as redes sociais. Nesse nível, podem, por exemplo, surgir pesquisas de última hora prevendo o milagre de vitórias impossíveis. Nem precisamos esperar, porque a desinformação campeia nas redes, sem que faça exceção nos instrumentos tradicionais da comunicação. Mesma coisa, além do noticiário político, vê-se na divulgação de fatos relacionados com a guerra no Leste europeu. Muitas notícias produzidas em laboratórios de redação são lançadas ao mundo, numa ampla campanha para confundir ou aterrorizar. Pode-se dizer que notícia truncada é crime capaz de gerar grandes danos.

té este momento, não se sabe com que recursos, o Tribunal Superior Eleitoral garante assegurar recursos para conter as ondas de desinformação, mesmo com os compromissos acertados com 70 instituições e parcerias com plataformas. Admite-se que, mesmo com esse apoio, nem sempre é fácil checar as falsas mensagens; e, se chega a hora de destruí-las com a contrainformação, já terá passado a oportunidade de conter ou destruir o mal. Os efeitos danosos prosperam, principalmente quando se sabe que há certa tendência natural a acreditar no que é ruim ou sensacional.

Sobre as candidaturas que se avizinham, o recurso único, à margem da prometida proteção do Tribunal, está na sagacidade, no “desconfiômetro” do eleitor para não cair fácil em ciladas. Duvidar da notícia, quando revelar sinal de mentira, por mais que possa aparentar inocência. Porque destruir completamente as fake news é impossível. Elas sempre existiram e vão existir, porque são irmãs gêmeas da maldade e de interesses, enquanto houver gente de fé, com vontade de acreditar nas coisas.

Cristo sucumbiu a uma dessas armações, quando lhe atribuíram tramar contra o Império Romano. No Brasil, durante e depois do Império, elas ajudaram a criar e destruir poderes, o que é bastante para redobrar atenções na campa

nha eleitoral que vai começando. Se o próprio Filho caiu, por que não cairemos nós?

Guerra na campanha

Atordoado com a guerra no Leste europeu, o mundo se vê obrigado a sustar uma pauta de questões e decisões que ficam no aguardo dos desdobramentos do conflito. Geralmente, o que se diz é que, quanto a nós, as preocupações estão centradas nos fertilizantes, na escassez do potássio, no encarecimento dos barris de petróleo. Mas não está fora de cogitação que, no lastro de expectativas pessimistas, a próxima campanha presidencial se veja instada a debater o papel brasileiro no caso da Ucrânia, sabendo-se que, tanto ali como na Rússia, temos interesses econômicos e tecnológicos a preservar. Não menos importante, cabe relevar que às grandes nações, como a nossa, a omissão neste momento agudo não faz sentido.

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Posted on 10-03-2022
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DO SITE O ANTAGONISTA

Nova pesquisa do Instituto Paraná mostra o ex-juiz com 7,5% das intenções de voto; em novembro, o pré-candidato do Podemos ao Planalto tinha 10,7%
Até os aliados de Moro estão contra ele
Reprodução
 

No Papo Antagonista desta quarta-feira, Mario Sabino comentou a nova pesquisa do Instituto Paraná, divulgada hoje, que mostra o encolhimento de Sergio Moro na corrida presidencial. Enquanto em novembro, o pré-candidato do Podemos tinha 10,7% das intenções de voto, hoje ele conta apenas com 7,5%. O fato ocorre após polêmicas envolvendo membros do MBL e Arthur do Val, que apoiam o ex-juiz.

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