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Presidente ucraniano quer dialogar com Putin, concede que a NATO está fora dos seus planos e está aberto a discussão sobre regiões separatistas. Mas dirigentes do seu partido dizem que não vão ceder esses territórios nem a Crimeia.

Si vis pacem, para bellum, lá diz o aforismo em latim traduzido como “Se quer paz prepare-se para a guerra”. Já o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, perante a ofensiva militar russa, prepara a paz com a promessa de não baixar as armas e lutar até ao fim, tendo citado Winston Churchill num discurso inédito – de forma remota – na britânica Câmara dos Comuns. No terreno, iniciaram as retiradas de civis nos corredores humanitários de Sumi e Irpin, mas Mariupol continua debaixo de fogo.

Na segunda-feira à noite, em entrevista à ABC News, o presidente ucraniano apelou para Vladimir Putin sair da “bolha” e entrar em diálogo. Questionado sobre as exigências russas, Zelensky reconheceu que a admissão do seu país na OTAN é um cenário descartado. “Moderei a minha posição sobre esta questão há algum tempo, quando percebi que a NATO não estava pronta para aceitar a Ucrânia.” Ao que acrescentou: “A Aliança Atlântica tem medo de tudo o que seja controverso e de um confronto com a Rússia.”

Sobre as duas autodenominadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, tomadas em 2014 por pró-russos, e que Moscou quer que Kiev aceite o estatuto de independentes, Zelensky mostrou abertura para se chegar a um acordo, apesar de ter classificado a questão de complexa. “Podemos discutir e chegar a um compromisso sobre o futuro destes territórios (…) O importante para mim é como vão viver as pessoas que estão nestes territórios e que querem fazer parte da Ucrânia.”

Segundo a alta comissária da ONU para os direitos humanos Michelle Bachelet, as manifestações contra a guerra levaram à prisão de 12700 russos.

Segundo o Jerusalem Post – Israel tem despontado como um intermediário ativo entre Moscovo, Kiev e o Ocidente e ontem o primeiro-ministro Bennett voltou a falar com Putin e Zelensky – o partido do presidente ucraniano está disposto a propor um acordo de segurança com os países vizinhos, Rússia incluída, bem como a Turquia e os Estados Unidos. É que qualquer esperança de entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte caiu por terra. “A Aliança não está pronta para aceitar a Ucrânia pelo menos nos próximos 15 anos e di-lo claramente. Nem sequer temos apoio numa guerra completamente justa por parte da Aliança, apenas de Estados ao nível individual”, disse um porta-voz do partido Servidor do Povo.

Nessa proposta de acordo, em que seria excluída a entrada da Ucrânia em qualquer bloco de defesa, a Rússia ficaria obrigada a reconhecer a soberania e a deixar de ameaçar os ucranianos. Não obstante, não se perspectiva qualquer concessão no que respeita à península anexada de fato pela Federação Russa nem pelas regiões do Donbass sob controlo russo. “Ouvimos a exigência da Rússia de se reconhecer as chamadas República Popular de Donetsk e República Popular de Lugansk, de se reconhecer a ocupação da Crimeia. É evidente que não o faremos. Mas precisamos de decidir como é que a vida das pessoas nestes territórios será regulada dentro do nosso Estado intacto”, disse ainda aquele dirigente ao órgão israelita.

Segundo os EUA, a Rússia sofreu entre 2000 e 4000 baixas na invasão à Ucrânia. Para Kiev já morreram mais de 12 mil militares russos.

Depois de ter dado um claro sinal de compromisso para o diálogo com o regime russo – os chefes das diplomacias de Kiev e Moscovo reúnem-se amanhã na Turquia -, Zelensky deu outro, não menos importante: o de que o seu país não vai capitular perante a invasão russa.

Através de uma ligação vídeo à Câmara dos Comuns, em Londres, o presidente ucraniano citou o primeiro-ministro Winston Churchill perante o avanço da máquina de guerra nazi. “Não nos renderemos e não perderemos. Lutaremos até ao fim, no mar, no ar. Continuaremos a lutar pela nossa terra, custe o que custar, nas florestas, nos campos, nas colinas, nas ruas”, ao que foi ovacionado pelos deputados britânicos.

Zelensky pediu mais ajuda, em especial em relação à segurança aérea. Nesse campo, se a criação de uma zona de exclusão aérea não é um cenário realista, Kiev pode receber reforços de Varsóvia. O governo polaco anunciou estar pronto a doar os 27 aviões de caça Mig-29 à Ucrânia através da base dos EUA na Alemanha.

 

Por fim, iniciaram as evacuações de Sumy (nordeste) e Irpin (25 quilómetros a noroeste de Kiev), ao abrigo de um acordo com Moscovo, cidades sitiadas pelas forças russas. Duas caravanas transportam os civis para Lokhvytsia, cerca de 150 quilómetros a sudoeste em território ucraniano. Kiev tinha rejeitado uma proposta anterior de retirada para a Rússia e Bielorrússia.

2. O número de refugiados aumentou em 300 mil num só dia, passando a barreira dos dois milhões, mais precisamente 2 011 312, segundo o ACNUR.

Entretanto, Moscou comprometeu-se em nova trégua para nova retirada, embora a situação em Mariupol só se agrave. Os ucranianos acusaram a Rússia de violar uma trégua na cidade de 400 mil habitantes, onde os civis estão em condições “apocalípticas”, segundo a Cruz Vermelha. O autarca disse que uma menina de seis anos morreu de sede debaixo dos escombros da sua casa. Os habitantes estão sem água nem energia há mais de uma semana.

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