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Postado em 01-03-2022
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-03-2022 00:16

O fato é que os ucranianos estão há cinco dias enfrentando a invasão de um dos exércitos mais poderosos do planeta. E a Europa ouve os tambores da guerra
A realidade da Ucrânia e a paralela dos asnos
 

Asnos brasileiros dizem que não está ocorrendo uma guerra na Ucrânia, porque a ofensiva russa é “cirúrgica” — não atinge alvos civis — e que não morreram ucranianos o suficiente para definir o conflito como guerra. Esses mesmos asnos afirmam que a Otan — uma aliança militar defensiva — representa uma ameaça à Rússia e, por isso, Vladimir Putin teria motivo para invadir a Ucrânia, que queria entrar na Otan. Compram pelo valor de face o pretexto do tirano russo. Na verdade, os ucranianos desejavam ingressar na aliança, para defender-se da Rússia, não para atacá-la, enquanto a Rússia não queria a Ucrânia na Otan, para poder atacá-la, não por medo de ser atacada, como já deveria estar evidente. São tantas ideias de jerico sobre uma realidade paralela, que nem vale a pena se estender sobre elas. Fica o registro breve das asneiras.

O fato é que a Ucrânia está há cinco dias enfrentando a invasão de um dos exércitos mais poderosos do planeta, ordenada por um tirano sanguinário, corrupto e cuja visão geopolítica remonta a 1945, o que por si só justifica a existência da Otan. Como o seu plano não está saindo como esperado, ele ameaça destruir com armas atômicas quem se lhe opõe — a Rússia acumula a maior quantidade de ogivas, mais de 6 mil. Vladimir Putin também ocupou Belarus, vizinha à Ucrânia e governado por um vassalo seu, Alexandr Lukashenko, que mudou a Constituição do país, para permitir que os russos pudessem instalar mísseis nucleares no seu território. Belarus é uma das bases da ofensiva contra a Ucrânia.

 

A primeira reunião entre representantes de Ucrânia e Rússia, portanto, foi mediada por um inimigo dos ucranianos. Por esse motivo, o presidente Volodyimyr Zelinsky não queria saber de Belarus na negociação. Ele decidiu topar a mediação, depois da ameaça nuclear de Vladimir Putin. Nessa primeira reunião, os russos afirmaram que só aceitam retirar as suas tropas do país vizinho, se Kiev reconhecer que a Crimeia, invadida em 2014, é da Rússia e se a Ucrânia aceitar se tornar uma nação desmilitarizada. Os ucranianos, por sua vez, exigem um cessar-fogo imediato e a saída das tropas russas do seu país, para início de conversa.

O cessar-fogo é condição mínima. Neste momento, as tropas russas avançam sobre Kiev e Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia. A tomada de ambas colocará o governo de Volodymyr Zelenski em ainda maior desvantagem na mesa de negociações. O presidente da França, Emmanuel Macron, que também preside o Conselho da Europa, pediu hoje a Vladimir Putin, em conversa telefônica de uma hora e meia, que civis e instalações civis fossem poupadas pelos russos, assim como as estradas ao sul de Kiev, usadas como rota de fuga pela população. Antes da conversa com Emmanuel Macron, o tirano havia chamado o Ocidente de “império da mentira”, ao comentar as sanções pesadas que atingiram a economia da Rússia e às quais prometeu responder. O presidente da da França saiu bastante preocupado da conversa. Tanto que, pouco depois, divulgou uma mensagem aos militares franceses, sobre as “fricções” com os russos: “Neste contexto de fortes tensões, a França sabe que pode contar mais uma vez com as suas forças armadas. As suas virtudes de disciplina intelectual e de força moral nutrem, hoje como ontem, uma posição de controle que honra o nosso país. Eu sei que posso contar com vocês para que mostrem, na execução das suas missões, grande vigilância e autocontenção no caso de possíveis interferências”. A Europa ouve os tambores da guerra.

O Ocidente não é um império da mentira, embora nele se minta muito, porque mentiras têm pernas curtas em sociedades livres, ao contrário do que ocorre em sociedades como a russa. A guerra na Ucrânia conseguiu unir o Ocidente em torno da verdade representada pelo mandachuva em Moscou — a de ser uma ameaça aos valores mínimos da civilização. “Se Vladimir Putin queria nos dividir, o que ocorreu foi o contrário”, disse o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian. Pela primeira vez na sua história, a União Europeia fornecerá armas a um país. E a Alemanha voltou a engajar-se militarmente, com o envio de milhares de armamentos à Ucrânia — que só não está em guerra na realidade paralela dos asnos.

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