Com total superioridade aérea e o controle de um aeroporto junto da capital, a tomada de Kiev pode estar por horas. Putin alega que o faz para prevenir um “genocídio”.

Em Odessa, cidade atacada pelos russos na quinta-feira, há um monumento de uma cadeira. É uma homenagem aos escritores Iliá Ilf e Evguéni Petrov, naturais daquela cidade banhada pelo mar Negro. A sátira à União Soviética pintada por ambos em As Doze Cadeiras passou pela censura na época, em 1928, e foi um tremendo sucesso de vendas. “Para onde irias? Não há razão para pressas. A GPU [antecessora do KGB] vai encontrar-te” é uma das frases muito citadas do protagonista do livro. Neste momento, porém, será difícil aos ucranianos encontrarem sentido de humor no fato de um antigo operacional do KGB, Vladimir Putin, ter planejado e estar a executar uma invasão ao seu país, deixando um rastro de destruição e desespero, com muitos a ignorarem aquela frase e tentarem escapar-se de um poderio militar que as forças ucranianas não poderão alguma vez segurar, dada a diferença de forças.

Ao final da tarde, Moscou disse que os seus militares tinham atingido os objetivos estabelecidos para o primeiro dia da sua invasão à Ucrânia, apesar de todas as sanções anunciadas e outras em vista por parte dos Estados Unidos, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Canadá e Reino Unido. “Todas as tarefas atribuídas aos grupos de tropas das forças armadas da Federação Russa para este dia foram concluídas com sucesso”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa Igor Konashenkov. O “sucesso” passou pela destruição de mais de 70 alvos militares, entre os quais 11 aeródromos.

Horas antes, de madrugada, Vladimir Putin dirigiu-se aos cidadãos numa mensagem televisiva e disse que ia lançar uma “operação militar especial” no leste da Ucrânia com o objetivo de “defender” os cidadãos das regiões separatistas de Donetsk e Lugansk de um “genocídio de milhões de pessoas” e que iria “desnazificar” e “desmilitarizar” a Ucrânia. Afirmou que impedir uma expansão da OTAN naquele território “é um assunto de vida ou de morte, um assunto para o “futuro histórico da nação”, embora tenha declarado que não é objetivo ocupar o país.

Depois de se referir ao poderio do arsenal nuclear, o líder russo avisou outros países contra “a tentação da intromissão” e disse que a resposta iria “levar a consequências que nunca encontraram na vossa história”.

Minutos depois começou a invasão à Ucrânia e não apenas ao leste do país, como dissera Putin. E também não se limitou a infraestruturas militares ucranianas, como Moscovo alegou. Eram seis da manhã quando rebentaram as primeiras explosões numa dezena de cidades no leste, no nordeste, bem como na capital, Kiev. Os ataques aéreos russos, com o lançamento de cerca de 100 lançamentos de mísseis nas primeiras duas horas, além de incursões de 75 bombardeiros, atingiram instalações militares, mas também zonas residenciais em todo o país. Enquanto isso as forças terrestres começaram a deslocar-se do norte – pela Bielorrússia – a caminho de Kiev, a sul – pela Crimeia -, avançando em todos os sentidos, e a leste, a partir de território russo, forçando ucranianos a fugir das casas ao som de sirenes e de bombardeios.

A Ucrânia foi alvo de ciberataques horas antes da invasão. Horas depois os sites governamentais russos foram atingidos. Joe Biden poderá apostar na ciberguerra.

As colunas de tanques e veículos blindados rolaram pela Ucrânia a partir das três frentes. Vindas do norte, as forças invasoras tomaram a zona da acidentada central nuclear de Chernobyl, “após uma batalha feroz”, segundo um conselheiro do presidente ucraniano, enquanto caças, tropas aerotransportadas e dezenas de helicópteros atacaram e tomaram o aeroporto de carga de Gostomel, nos arredores de Kiev. Vários analistas acreditam que esta pista pode desempenhar um papel crucial nos planos da tomada da capital.

Decapitar o governo

A Rússia está reunindo uma “força esmagadora” para tomar a capital, potencialmente dentro de dias, avisaram fontes ocidentais. Para François Heisbourg, da Fundação para a Investigação Estratégica (FRS), “com a Rússia em total controle dos céus, os ucranianos estão numa situação militar impossível”.

Segundo o Pentágono – que neste dossiê tem mostrado precisão nas suas avaliações – a invasão russa da Ucrânia visa tomar a capital e retirar a liderança do país, com tropas a avançarem em três frentes apoiadas por bombardeamentos aéreos. A fase inicial está centrada nas principais cidades, e o Pentágono espera que os russos avancem sobre Kiev. “Eles têm toda a intenção de basicamente decapitar o governo e instalar os seus próprios meios de governação”, disse um alto funcionário do Pentágono. “Não vimos um movimento convencional como este, de nação para nação, desde a Segunda Guerra Mundial, certamente nada nesta dimensão, alcance e escala.”

Também um quadro francês, sob anonimato, disse que nas próximas horas as tropas aerotransportadas e manobras em larga escala vindas das três frentes irão prosseguir a tomada de território e cercar a maioria das forças ucranianas. A Rússia está “em curso para ocupar toda a Ucrânia”, prevê o francês.

Com pelo menos 150 mil soldados na região, Moscou quer resolver a guerra por si iniciada o mais rápido possível. O panorama é de “uma rápida campanha militar russa que procura deslocar, cercar e destruir rapidamente as forças ucranianas num assalto com várias vertentes”, disse Franz-Stefan Gady, investigador do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) à AFP.

 

Cerca das 20.00 de Lisboa, o ministro da Saúde ucraniano Viktor Lyashko fez o balanço das primeiras horas da invasão: 57 mortos e 169 feridos, revendo em baixa o balanço da agência AFP de 68 mortos, entre soldados e civis. Em sentido oposto, as autoridades ucranianas anunciaram que “50 ocupantes” morreram. Também afirmam ter abatido seis aviões militares e um helicóptero russos. E a embaixadora nos Estados Unidos Oksana Markarova informou da detenção de um pelotão inteiro da 74.ª brigada de artilharia motorizada. Além disso, o Ministério da Defesa russo informou da queda de um avião de transporte militar, da qual resultou a morte de todos os passageiros russos, num número não especificado.

Ciberataques e protestos

Se poucas horas antes de enviar tropas para o território do país vizinho Moscou atacou sites de vários bancos e agências governamentais ucranianos (desativados pelos chamados ataques de negação de serviço, DDoS), aparentemente os russos foram vítimas da mesma arma na quinta-feira, com uma série de sites governamentais, incluindo o do Kremlin e o da Duma em baixo.

Segundo a NBC, o presidente norte-americano terá realizado uma reunião com especialistas sobre a possibilidade de realizar um ciberataque. De acordo com as fontes ouvidas, os planos estão concebidos para perturbar mas não para destruir, não podendo ser classificado como um ato de guerra por parte dos Estados Unidos contra a Rússia. “A nossa resposta será dura e ponderada, mas não tão severa a ponto de encorajar Putin a tomar medidas mais drásticas”, disse um funcionário norte-americano. Joe Biden ainda não terá decidido se avançará com tal ataque, que poderá passar por sabotar as ligações da internet na Rússia, avançar com um apagão elétrico, ou forçar a interrupção do sistema ferroviário para atrasar a capacidade de reabastecimento do país.

Da Rússia não saíram só tanques e soldados e discursos ameaçadores. Milhares de pessoas manifestaram-se em várias cidades contra o autocrata e a sua decisão de empreender uma invasão. “Não à guerra”, gritaram algumas entre as centenas de pessoas nas ruas de Moscou que se juntaram apesar da tentativa da polícia em reprimir. Segundo dados da organização não governamental OVD-Info, terão sido detidas 1300 pessoas.

 

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25

“Imagine”, Joan Baez:a bela e expressiva canção pacifista para o planeta rodeado de perigo de nova conflagração mundial, a partir de desvarios de poder e expansão do mando do lúgubre mandatário da Rússia. Para ouvir, canta e pensar.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

LP
Luana Patriolino
 

 (crédito: EPA)

(crédito: EPA)

A embaixada dos Estados Unidos cobrou um posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) a respeito da guerra na Ucrânia. Nesta quinta (24/2), o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Douglas Koneff, disse que o parecer do Brasil “importa muito” e que espera que o governo brasileiro se posicione.

“Para buscar qualquer posicionamento do presidente [Bolsonaro], teria que procurar o Planalto, mas as falas que condenam as ações russas que violam as leis ajudam muito a diminuir essa crise”, disse Koneff, que substitui o embaixador dos EUA no Brasil no momento.

O diplomata também citou que o Brasil tem um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ressaltou que falas que condenam as ações russas ajudam a diminuir a crise no Leste Europeu.

Bolsonaro ficou em silêncio e ainda não tomou partido sobre os ataques da Rússia à Ucrânia. Em live, nesta quinta, ele criticou o posicionamento do vice-presidente Hamilton Mourão sobre o papel do Brasil na guerra da Ucrânia. O chefe do Executivo afirmou que o vice está “dando peruada naquilo que não lhe compete”.

Jair Bolsonaro admitiu que a visita à Rússia tomou proporções inesperadas e que, desde o ano passado, quando foi pela primeira vez, o mundo vem conversando com o governo brasileiro. Apesar de não criticar o presidente russo Vladimir Putin, que ordenou a invasão à Ucrânia, Bolsonaro disse que o posicionamento dele é pela paz.

“Sempre, na medida do possível, queremos a paz, a guerra não interessa a ninguém, somos da paz. Teremos uma reunião [com os ministros] para dimensionar o que está acontecendo e o Brasil tomar sua posição”, afirmou.

Solução diplomática

O professor de direito internacional e de relações internacionais Luís Fernando Baracho, da Universidade São Judas Tadeu (USJT), lembra que o Brasil vai ocupar, pela 11ª vez, uma cadeira no Conselho de Segurança e terá de apresentar uma posição diplomática a respeito do conflito.

“Individualmente, o que se pode fazer em um conflito dessa natureza é muito pouco. Mas, por meio de órgãos multilaterais, em especial via Conselho de Segurança, o Brasil pode buscar construir canais diplomáticos de solução pacífica do conflito”, destaca.

“Todavia, ainda está para se confirmar o que a diplomacia presidencial pensa a respeito do conflito e o que a chancelaria brasileira pretende realizar. Experiência diplomática nós temos, o que falta saber é se haverá uma orientação construtiva dos tomadores de decisão em Brasília”, aponta o especialista.

Baracho também citou que a Rússia possui um regime autoritário competitivo, ou seja, um modelo híbrido com características democráticas, mas imersas em um contexto maior autoritário. “Governos com esse tom tendem a ser centralizadores e muitas vezes personalistas. Logo, quando as coisas vão bem, a liderança de plantão se beneficia, quando vão mal, há de encontrar um culpado”, explica.

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Posted on 25-02-2022
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-02-2022
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ições

DO CORREIO BRAZILIENSE

De acordo com pesquisa, petista venceria em todos os cenários hipotéticos de segundo turno

GC
Gabriela Chabalgoity*
 

 (crédito: AFP/REPRODUÇÃO)

(crédito: AFP/REPRODUÇÃO)

A menos de oito meses para as eleições, a corrida eleitoral está mais acirrada. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda lidera as pesquisas, porém, Jair Bolsonaro (PL) se aproxima numericamente de seu principal adversário. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Exame e realizada pelo instituto Ideia, Lula lidera com 42% das intenções de voto. Bolsonaro aparece em seguida, com 27%, e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), 10%.

No cenário hipotético do primeiro turno, Ciro Gomes (PDT) aparece com 8% das intenções de voto. Logo atrás, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 2%. Com menos de 1% estão André Janones (Avante), com 0,9%, e o atual presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com 0,8%.

Em outro cenário, que considera a candidatura de Eduardo Leite (PSDB), o governador do Rio Grande do Sul figura em 6º lugar, com 2% das intenções de voto. Doria surge com 3% e Ciro mantém sua porcentagem do primeiro cenário hipotético, 8%. Moro (10%), Bolsonaro (27%) e Lula (42%) também tiveram seus números mantidos.

Já para o segundo turno, a pesquisa aponta uma vitória de Lula, com 49% das intenções de voto, contra 35% de Bolsonaro. Caso o segundo turno seja disputado entre Lula e Doria, as intenções de voto de Lula sobem para 51% e o governador fica atrás, com 22%. Em uma disputa entre o ex-presidente e Moro, o primeiro ganharia as eleições com 49%, enquanto o ex-juiz recebe apenas 33% das intenções de voto.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05955/2022 e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

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